domingo, 5 de julho de 2015

REFLEXÕES - POR BENI ROSENTHAL


Oi Galera,




Como estréia neste blog inicio, como calouro, com algumas idéias ditadas pelo(s) meu(s) neurônio(s), como segue.
Inicialmente eram trevas. Depois, um Espírito Superior, à gente pelo menos, resolveu criar tudo. 
Dentro deste tudo, criou o homem e depois, para sua companheira, a mulher. Assim dizem e acham muitos. Dizem que a mulher, sempre querendo mandar, mandou o companheiro provar da árvore da sabedoria, subordinada a uma certa cobra. O Espírito ficou muito chateado com estes dois e os enviou ao trabalho para os sustentos correspondentes, determinando que o homem teria o livre arbítrio e a mulher, os serviços domésticos. De posse deste livre arbítrio, o homem passou a realizar incríveis façanhas. Ao mesmo tempo que descobria coisas boas, o fogo por exemplo. Destas coisas boas e com a multiplicação de gente, as usou para fins maldosos, guerras por exemplo. O Espírito não interveio, aliás, creio que jamais intervirá, pelo fato de que a concessão do livre arbítrio tem precedência.
Acho que, diferentemente do pensamento de Einstein, incontestavelmente o mais sábio dos humanos, o Espirito realmente joga dados. Por exemplo, a reprodução ocorre quando uma semente encontra um óvulo e é ao acaso que nasce um homem, uma mulher, um gay, um trans, etc...
Até o grande Einstein não pode ser perfeito (vide a afirmação: "não joga dados"), lembrando que por ocasião do duo de violino, que Einstein aprendeu sozinho, com o grande Arthur Rubinstein, este indagou se o mesmo não sabia contar: "Olha, é fácil, 1, 2, 3, 4". Ora, o Espírito, quando resolveu criar tudo isso que está aí, também não deve haver-se esmerado muito. Antes era o caos, e agora o que é?
O livre arbítrio criou guerras, além de alguns ou melhor, muitos políticos que estão destruindo tudo que o Espírito criou. Mas o mesmo continua sempre na mesma posição, pois o livre arbítrio deve ter precedência. 
Espero não haver levantado confusões, mas sim fornecer subsídios (com som de dois "s" depois de consoante, diferentemente do que, entre outros erros, pronunciam certos políticos analfabetos, sem fazer alusão, também, à carrada de idiotas e imbecis que superpovoam este planeta). Fornecer subsídios à galera, para que cumpram os respectivos "livre arbítrio" e pensem cada vez mais. Acho que devem utilizar o "livre arbítrio" para providenciar o fator justiça ora inexistente.

Carinhosamente,

Beni.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A HORA

A hora que ultrapassa as horas não conta segundos.
Não consulta o tempo.
Não lembra dos fatos.
Anda em silêncio, nunca corre.
Nunca corre...
Mostra esquecida.
Perdida entre tantas convicções.
Que de forma infinita.
Só... passou.

domingo, 1 de março de 2015

UM DIA DE FÚRIA E... HATIKVA

Semana passada eu tive um dia de fúria. 
Sabe quando você contrata um serviço e combina com as pessoas um determinado horário e estas pessoas não só não aparecem, como não se dão ao trabalho de avisar que não virão.
Enquanto isso você preparou toda a sua casa para realizar o pequeno serviço encomendado, contratou uma pessoa pagando hora extra para que ela supervisionasse o serviço e por fim, ficou sem almoçar porque justamente na hora do almoço você ficou de passar em casa para conversar com a turma que havia marcado de fazer o pequeno serviço e simplesmente não apareceu.
Então o panorama era este: eu com fome, puta da vida pela falta de consideração, e soltando fogo pelas ventas porque além de tudo isso, a turma dos furões não atendia o telefone.
Pois é... estava inconsolável pela casa quando me sentei em uma cadeira da minha sala de jantar que quase não uso.
Fiquei um tempo calada, observando minha sala quando meu olho dá de cara com um buraco na parede. E olha que este buraco, embaixo da escada já devia estar lá há muito tempo. Um buraco onde deveria ter havido uma tomada, que me lembro bem, foi deslocada uns centímetros para o lado. E finalmente a pessoa que deslocou a fiação não se deu ao trabalho de colocar um espelho cego de tomada para tampar o buraco.
Eu, que na minha casa sou organizada ao extremo, fiquei louca. Já estava tudo dando errado, só me faltava mesmo um buraco na parede!
A minha sorte é que encontrei o seu Jorge, o encanador que estava prestando um serviço para a minha vizinha. Um homem simples, simpático, afro-descendente, muito forte, de uns 2 metros de altura... Ele, muito solícito, logo veio, trouxe o tal do espelho cego que teve de ser recortado para caber no espaço do buraco junto aos degraus da minha escada. Fiquei eternamente agradecida ao seu Jorge por ter feito pelo menos ums coisa no meu dia ter dado certo.
Ao término do serviço, como ele se recusou a fazer qualquer tipo de cobrança, dei-lhe dinheiro para um café e ele então iniciou uma conversa paralela, dizendo assim: "doutora, eu sei que a senhora é judia... e eu trabalhei há 12 anos para um senhor judeu que eu adorava... ele sempre vinha cantando uma música que eu nunca mais esqueci... fico até emocionado quando eu canto esta música, mas nunca soube o nome dela. Será que a senhora conhece, pra me dizer que música é essa? Peraí que vou cantar um trecho para a senhora". 
E então ele começou: "Kol od balevav penima/ Nefesh Yehudi homiya..."
Assim de um jeito meio truncado mas acertando grande parte da letra e com uma voz maravilhosa.
Identifiquei imediatamente a música para seu Jorge, e prometi gravá-la para ele num pendrive entregando também a letra.
Agora me fala, quando tudo vai mal no seu dia e o encanador, um homem humilde, de 2 metros de altura aparece cantando Hatikva, "a esperança", isso não pode ser um sinal? Hein, hein?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

COMO DESBLOQUEAR O SEU CARTÃO PARA VIAJAR SOSSEGADO

A saga do cartão de crédito! Capítulo 2.
Por causa de uma nova viagem em minha vida, tive novamente de ligar para desbloquear meus cartões de crédito para uso no exterior. A minha última experiência com este tipo de atividade ficou registrada em http://depoiseagora.blogspot.com.br/2014/07/arrumacoes-pre-viagem.html e para falar a verdade não foi muito bem sucedida.
Só que desta vez vou a um lugar conhecido, que não dá nenhuma margem a interpretações errôneas... então liguei lá.
Iniciei com o meu cartão super hiper, tarja preta, international e o caramba. 
Depois de alguns toques, digito o número de meu cartão guiada por uma mensagem eletrônica... mais novo toques, e finalmente me atende uma moça com um sotaque - sem sombra de dúvida - pertencente ao nordeste de nosso país, que por fim diz: "AlÔ". Sim, com ênfase no ô por ser lá do nordeste. 
Bom, a primeira coisa que me passou na cabeça foi que eu liguei errado. Sabe como é, esses números de sac de cartão de crédito geralmente te direcionam para centros de atendimento, muitos deles localizados em outros países como na Índia por exemplo. Fiquei pensando na hipótese quase sobrenatural de eu ter ligado para uma retirante ruralista em Mumbai... desliguei.
Olhei e memorizei número por número do sac e tentei novamente. Tocou uma vezes, digitei tudo de novo o número de meu cartão, tocou mais um pouquinho e por fim atenderam. A mesma voz: "alÔ!".
Resolvi arriscar. Perguntei para onde eu havia ligado e ela: "Dainnê".
Fiquei um pouco em silêncio como sempre faço quando estou tensa, e pensei que se não fosse pegadinha talvez eu estivesse mesmo ligando certo.
Impaciente frente ao meu silêncio a mocinha finalmente falou: "como posso lhe atendê?"
Então resolvi jogar tudo, vida ou morte, e arrisquei no procedimento: "estou ligando porque vou viajar e gostaria de liberar o meu cartão para compras em sites no exterior e para a minha viagem. Como só vou deixar o país em março, você pode fazer este desbloqueio a partir de amanhã, pois tenho que reservar hotéis e passeios de meu computador aqui no Brasil."
Complexo né?
Pois bem, a moça pensou um pouco e perguntou: "que cartão?".
Estupefata falei: "esse mesmo que acabei de digitar ué".
"Ahhh tá." Então comecei a ouvir barulhos intensos de digitações febris em um teclado de computador. Ficou assim por uns minutos, até ela dizer: "olhe minha preta, num vai dá pra fazê isso não... é muito tempo. Você vai tê de ligá di novo no final do mês."
Falei: "faz o seguinte: libera só no período da viagem para o uso no exterior". 
Mais um tempo de digitação e ela "tá feito... mais alguma coisa?".
E eu "agora por favor libere apenas para sites de compras no exterior, a partir de hoje por gentileza".
E ela "que saiti?".
Respirei fundo 5 vezes e respondi "TODOS!" e recobrando meu controle interno "todos por favor".
"Um momentinhô".
Mais barulho de teclado. Muito barulho de teclado. Infinito barulho de teclado, até que eu ouço um "ô Allison, venha cá meu rei! Me ajude aqui com esta solicitação".
Mais barulho de teclado... por uns 5 minutos. Achei melhor não interromper com questionamentos.
Até que finalmente: "prontinho minha nêga!"... 
"Mais alguma coisa?".
Pelo bem da humanidade agradeci e desliguei.
Vamos ver se vai funcionar!

DA SÉRIE: SOBRE NOSSAS PROFISSÕES - Texto escrito por Luna, colaboradora deste blog

Depois de uma entressafra prolongada, divido neste espaço minha experiência com pérolas. Não aquelas preciosidades encontradas nas conchas, ofertadas pelo mar e que decoram com tanta elegância nossos colos. Trata-se de pérolas oferecidas durante anos de labuta, e que muito enfeiam nossos pensamentos. Sendo médica, não poucas vezes tento reprimir o riso ou um mau juízo. Vinte anos se vão daquele dia em que colei grau. E é baseada nisso que concluo que humildade cai bem, muito bem. Se eu não sei, não discuto. E ponto final. Não é anti-democrático, é meritocrático mesmo, sem arrogância. Sempre gostei muito de estudar tromboembolismo venoso. Não há grandes segredos ou mistérios, no entanto me fascina a possibilidade de um diagnóstico que vá além da manifestação que motiva o doente ao meu consultório. Trombofilias, colagenoses, neoplasias e pós-operatórios. Mas doutora, eu usei “Glexane” por dez dias... Às vezes não é possível convencer a pessoa que o nome comercial original do medicamento enoxaparina é Clexane. Trata-se de convencimento mesmo, já que esclarecer é tão difícil, ainda pior para os clientes de carteirinha do Dr. Google. Não que esteja escrito “Glexane” em alguma página localizada pelo Google... E quanto às tromboses, não vou me ater ao clichê que “vai ter que cortar a minha perna?”. Não, nada disso. Simplesmente relatarei, para adicionar à coletânea de pérolas, algumas coisas que fui obrigada a engolir (mas não a digerir!). Tenho uma trombose na perna esquerda. E a minha á venenosa. Que diabos é isso? Foi acometido por uma trombose venosa depois de uma picada de cobra!? Ou seria de um escorpião? Nada disso, era espontânea mesmo. Estou tratando uma trombose muito complexa. É do mais alto grau. Terceiro grau. Trombose ou queimadura, Deus do céu? Ou seria algum tipo de contato imediato!? Minha irmã, que é ginecologista, certa vez foi tentar investigar a morte súbita e inesperada da mãe de uma paciente. Recebeu como resposta “rasgou o véu da veia artéria, ela foi operada, mas não resistiu”. Entendo. Poetizar a morte é uma forma de sublimação. Só não entendi se se tratava de um aneurisma roto da aorta, ou mesmo cerebral, ou ainda uma dissecção da aorta. Até hoje ficamos na mesma. E o Pyloripac? Depois de muita insistência, minha irmã estava quase acreditando na paciente, cuja infecção urinária se manifestou após o início desta medicação, acrescida de um prurido vulvar constante. De nada adiantou sugerir à dita paciente que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Entre parêntesis, será que é por isso que o nosso querido ex-presidente nunca soube – e nem vai saber - de nada? Do nervo asiático quase me abstive de comentar, mas por aqui ele vem quase sempre acompanhado da “astrosi”. Gostaria de perguntar a um Ortopedista onde fica o nervo asiático, mas talvez seja melhor recorrer a um Geógrafo. Muito bem, sempre o associei à Rússia, devido ao território abrangido. Mais vasta que a Rússia não há, porém, a um melhor juízo, penso que não. O território do nervo não é circunferencial. Seria possível planificar o globo terrestre? De volta à cirurgia vascular, quero esclarecer que varizes são causa de divórcio. Uma paciente me explicou, há anos, que se separou devido à presença e à recidiva das malditas. Dieta no pós-operatório de varizes. Para os incautos, esclareço: em algumas das regiões de nossa pátria amada, dieta não quer dizer dieta como restrição alimentar. Significa uma série de restrições (sim, brasileiro a-d-o-r-a perguntar o que ele não pode!) associadas a uma doença ou recuperação de cirurgia. Úlcera de estase venosa é erisipela e ponto final. Celulite é um problema terrível de “má“ circulação (em tempo: não se trata de celulite como inflamação do tecido subcutâneo, e sim daqueles famigerados furinhos). Então estria deve ser também, sabe-se lá... E, para concluir – por hoje - uma singela homenagem aos primeiros anos de residência: a minha vesícula foi retirada a laser. Atire a primeira pedra o colega que nunca escutou essa.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PÉROLAS

Há alguns anos coleciono pérolas inerentes ao meu ofício.
Atendo muitas pessoas em locais públicos patrocinados pelo governo, coisa que fiz durante toda a minha vida e continuarei fazendo. Acho que é o certo, mesclar o atendimento privado e o público na intenção de abraçar e ajudar a todos os que precisam.
Não é nenhum tipo de hipocrisia isso porque sinceramente eu acho que, depois de estudar por toda a vida em instituições públicas, o mínimo que posso fazer para retribuir é continuar atendendo a quem precisa e não pode pagar. Afinal, a saúde pública me estendeu a mão quando eu estava aprendendo e agora eu estendo a mão de volta em reverência ao que me foi concedido.
Tá! Muito bonito isso, que é tudo verdade, mas o que eu queria dizer aqui é: como as pessoas falam besteira!
Cara, em todas as esferas da minha vida profissional eu ouço besteiras! 
Como se não bastasse ouvir besteira fora do trabalho.

E eu sou ortopedista. ORTOPEDISTA!
Então não adianta marcar uma consulta com um ortopedista, sentar na frente dele e, quando perguntado o motivo que o trouxe ali aos 80 anos de idade, falar: olha, ontem eu estava conversando com o atendente do Wallmart e ele me disse que eu estava com olheiras...
Pausa. Continuo olhando com a esperança de uma patologia ortopédica.
Passam-se cerca de 40 segundos que para mim pareceu uma eternidade. 
Continuo fitando o paciente, que após mais um tempo me olhando me pergunta: eu tô??!!
E eu: tá o que?
E ele: com olheira???

Vou fazer aqui uma pausa para reflexão...

Véi, o que você acha que eu respondi?!
Vou contar. Com toda a calma do mundo, falei: eu não sei. Eu sou ortopedista. Nunca vi o senhor... mas sinceramente eu acho que o senhor já tem essa cara faz tempo.

Mais uma pausa. Ele ficou me olhando, pensando se aquilo era sério ou era sarcasmo. Eu também estava na dúvida. Até que ele deu um sorriso e falou: é... acho que sim doutora... então quero falar pra senhora do meu problema aqui no pé.
E eu: qual pé?
E ele, me apontando enfaticamente o lado direito: este aqui, doutora, o pé esquerdo!


MENTIRAS

O ser humano possui duas características intrínsecas. Sine qua non!
Uma delas é... mentir.
A outra: acreditar.

Mente-se. Para tudo.
E acredita-se sem ressalvas.
Por exemplo, hoje na hora do café. 
Pedi um café com leite depois do almoço, como sempre faço.
Me serviram.
Imediatamente recorri à cestinha onde estavam os adoçantes. Peguei 1 pacotinho onde estava escrito que toda a quantidade contida naquele sachezinho correspondia ao doce de 5 g de açúcar purinho.
Bom, coloquei 1 pacotinho e ingeri um grande gole de café que mais amargo impossível.
Graças à mentira contida num sachê de adoçante eu quase vomitei o café que tomo todos os dias no mesmo restaurante, que por sua vez fica ao lado do meu trabalho. E eu conheço todo mundo lá. E vocês sabem que o povo que frequenta um lugar nunca esquece quando um dos clientes esguicha com grande força de pressão o líquido contido dentro de sua boca. Ainda mais se for café quente.
Então desgraçados de mentirosos de merda todos os etiquetadores de sachezinho de adoçante!
Despejei quase todos os pacotinhos de adoçante no meu singelo cafezinho para tentar melhorar o que já estava taxado de amargo pungente. 
Foi puxado isso.
Saudades de quando tudo era aspartame. Podia até fazer mal, mas adoçava. 
E ainda tinha a ameaça de causar Alzheimer com longos prazos de tomada. 
Nada mal para quem enfrenta tanta mentira e acreditação.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

JE SUIS CHARLIE

“A Humanidade não deu certo”.


Esta frase não é minha e nem foi criada num momento de revolta social.
Na verdade foi um desabafo em resposta a uma desilusão amorosa, mas uma resposta tão abrangente, tão contundente que se extrapolada para outras esferas do relacionamento interpessoal podemos dizer que se encaixa em uma gama infinita de situações.


A humanidade caminha sempre para frente. Teoricamente.
A cada dia somos surpreendidos por milhares de facilidades cibernéticas e avanços tecnológicos que abrem caminhos para uma acessibilidade evolutiva a  velocidades estonteantes. Inventamos coisas, às vezes com bons propósitos, outras inutilmente.
Podemos de modo grosseiro medir o avanço científico da humanidade ao tentar imaginar como viveríamos há apenas algumas décadas. Este pensamento aliás está esculpido no imaginário coletivo, com contos e prosas amplamente esgarçados à respeito. É tão comum quanto imaginar um homem da Idade Média teletransportado aos tempos atuais. É divertido por ser tão impactante.


Durante milhares de anos o Homem tenta evoluir cientificamente, socialmente, culturalmente, e durante todos estes anos a História mostrou que a humanidade é de natureza cruel. A crueldade está inserida, talvez geneticamente na raça humana. É provável que seja fruto do fato espetacular que faz com que o Homem pense. O diferencial é justamente este: o Homem pensa. O contra senso está no fato de a mesma inteligência que faz da crueldade uma característica intrínseca ser também a nossa única esperança de paz.


O Homem usa a crueldade tentando propósitos de convivência em bando, como observamos em outros animais: ser líder, ter comida, ter poder. A diferença é que os seres humanos usam a ganância como base de sustentabilidade de uma sociedade que sem pilares sólidos só tende a desmoronar. O poder vem naturalmente para aqueles que são respeitados, mas o Homem que é cruel consegue desenvolver todo um maquinário para chegar aos fins não importando os meios. Isto é bem conhecido.
O respeito então acontece, mas estabilizado de forma balouçante sobre bases pífias. Não se respeita este homem pelo que ele é como ser humano íntegro e pensante, mas sim pelo que ele capaz de fazer com quem não respeitá-lo. Sem bases fortes, uma brisa soprada de viés pode ser o fim de uma grande empreitada.
Grandes sociedades com valores trocados desapareceram sem deixar vestígios ao longo da História


Ocorre que abaixo das lutas pelo poder existe toda uma sociedade a qual não se pode generalizar. E esta sociedade crê…


E as crenças são muitas, seguindo a imensa diversidade cultural planetária. Sem a troca de idéias motivada pelas diferentes formas de pensamento, o colorido da vida nem existiria, seria um tédio sem fim. Então diferimos em tudo, mas principalmente no modo de crer, e ainda assim - olha que interessante - fazemos parte do mesmo bando. Vivemos em bandos extratificados e continuamos sendo da mesma espécie.


Apesar de todo o desenvolvimento e de todo o avanço que se ergue com a evolução das sociedades, os instintos primitivos permanecem. Assim, na eterna luta desenfreada pelo poder, a manipulação dos que crêem já é um fato amplamente conhecido se revisarmos a história da humanidade. O uso indevido de interpretações deturpadas de ensinamentos ancestrais é quase que uma fórmula certa, o “segredo” para encurtar o caminho entre tomar o poder manipular as massas.
Ao longo História, várias crenças foram extenuantemente doutrinadas, sendo seus escritos muito bem documentados com detalhes de cultos e tradições. Muitas religiões pregavam matanças de semelhantes ou de animais e vários rituais foram seguidos e respeitados por nossos ancestrais porque assim era o certo. As condenações à morte por crenças religiosas já foram parte integrante de nossa evolução. As leis eram escritas em livros religiosos e seguidas à risca por fiéis, matando ou mutilando inocentes. Verdadeiras barbaridades já foram cometidas em nome da fé, desde os tempos em que se conhece História.
Os romanos por exemplo matavam as crianças e martirizavam os que hoje são considerados santos. Os reis católicos da Espanha expulsaram milhares de judeus de seus territórios e usaram desculpas religiosas caprichosamente escritas em verdadeiros editais para massacrar de forma injusta e covarde milhares de pessoas. Os judeus usavam o sacrifício animal em tempos antigos como ritual religioso devidamente regrado por seus livros sagrados.
Aí, evoluímos… não todos nós, é claro.
Construímos pontes, fizemos estradas, melhoramos a saúde, criamos a tecnologia e… pensamos. A grande maioria aboliu de suas crenças a necessidade de atos bárbaros para a purificação do espírito. Atualizamos os livros sagrados. Ficamos mais humanos. Entendemos que o certo de uma época pode não caber nos tempos atuais, e aprendemos a resolver nossos problemas com um misto de passado e futuro. Não desprezamos as leis romanas, mas também não queimamos mais ninguém nas fogueiras, nem patrocinamos espetáculos em que homens são devorados por feras ou lutam entre si até a morte com requintes de crueldade e violência gratuita.


Temos o cinema para suprir estas cotas necessárias de violência da humanidade.
Não fazemos mas ainda nos divertimos com isso.


Ainda há a luta pelo poder. E não há nada melhor para o poder que a manipulação das massas. E para manipular as massas não há nada mais rápido e eficiente do que a finalidade religiosa.
Graças ao apelo religioso fanático e errôneo, conseguimos distinguir nos dias de hoje várias aberrações. Há os que insistem em viver como em séculos passados, sem respeitar  idéias pacíficas alheias; os que de forma pacífica ou não, pregam e arrebanham exércitos de seguidores; os que desligam as luzes nos fins de semana e fazem isso na casa de pessoas comuns, obrigando-as a seguir um ritual maluco;  os que saem do banheiro rezando porque o cocô saiu corretamente do orifício anal; os que usam os avanços tecnológicos durante a semana mas que em determinadas situações agem como animais perante a sociedade laica. Há milhares de exemlos: os que tem internet e Facebook, mas mandam suas mulheres cobrirem seus corpos dos pés à cabeça, mulheres estas que usam por baixo do pano roupas e sapatos de preços indescritíveis; os que em pequenos vilarejos dentro de cidades desenvolvidas ainda usam luz de velas e se locomovem em charretes; pessoas que pregam o não recebimento de sangue alheio mas que diante da morte fazem cair por terra as suas crenças e se agarram ao desenvolvimento da ciência...


Existe uma diferença muito grande em viver dentro de uma comunidade fechada que segue certas regras e viver tentando impor estas regras para o mundo que cerca aquela comunidade.
O fanatismo em qualquer esfera deve ser veementemente combatido. Desde a sua raiz pacífica até quando se transforma em guerra.
As pessoas são diferentes e esse é o grande sabor da convivência. É o que nos tira do tédio. E o respeito às diferenças é o que dá cor à convivência dentro de uma sociedade.


Considero que estas pessoas que vivem em retrocesso estão prestando um enorme deserviço à humanidade. A evolução está aí para ser saboreada e não para ser combatida. Temos leis para a convivência pacífica e que fazem na grande maioria das vezes prevalecer o bom senso. Em uma sociedade laica, ser fanático é um absurdo sem tamanho. É um desrespeito ao avanço sócio-cultural e tecnológico que tentamos por anos conquistar além de, é claro, ser uma tremenda hipocrisia pois os líderes destes movimentos estão completamente munidos de tecnologia e aplicando leis ancestrais com interpretações deturpadas para reger suas pobres e ignorantes comunidades.


Existem lugares fechados onde se pode seguir determinados padrões religiosos e viver de forma medieval. E isso vale para todos os tipos de religião. O mundo é um lugar tão democrático e evoluído que até faz com que nestes lugares os fanáticos tenham o seus lugares ao sol. Se alguém deseja ter sua vida regida por extremistas radicais, poderá viver feliz num lugar assim.
É a imposição de idéias para um todo global que deve ser repudiada. O Homem é livre para aderir ou deixar uma causa. É livre para se mudar e para decidir se quer ou não seguir rezando de determinada maneira estereotipada.


Os livros religiosos em sua maioria e durante a história da humanidade pregaram violência em suas diversas formas e graus. Só que as religiões se modernizaram e apesar de não conseguirmos mudar o que foi escrito há milhares de anos, conseguimos nos tempos atuais, interpretar de forma proativa os ensinamentos antigos. Da mesma forma que usamos ainda hoje princípios das leis romanas, não colocamos ninguém na jaula dos leões do Jardim Zoológico para ser devorado na frente do grande e respeitável público.


Portanto insisto. Numa sociedade laica, o combate ao fanatismo com suas pregações pragmáticas e tendenciosas, exercido por uma minoria ruim, é o ponto de partida para o respeito e a convivência pacífica. Fanáticos existem em todas os credos e interpretam da mesma forma idiota o que foi escrito há milhares de anos.
Generalizar uma determinada religião ou etnia só porque dela saem fanáticos violentos, é ser radical também. Temos fanáticos em todas as esferas do comprotamento religioso e que sáo igualmente pessoas ruins.
As interpretações devem ser trazidas à luz da evolução.
O fanatismo leva em conta apenas uma hipocrisia sem tamanho de não enxergar seletivamente que o mundo evoluiu. Seletivamente sim, porque os mandatários do poder se utilizam com frequência de toda a evolução científica e tecnológica disponível ao seu alcance. Tudo pelo poder.
E o poder não quer saber de religião. Quer saber de mandar. O mote religioso é só uma forma de controle rápido para mobilizar as massas.
E por mais que estejamos vendo isso, é difícil fazer com que todos enxerguem que esta violência toda não tem nenhum deus no meio… o que há é uma luta desenfreada por territórios, por poder e pelo prazer do uso da força como caminho mais curto, respaldado por religião - outro caminho encurtado.


Esta semana faz um mês de um dos atos mais bárbaros cometidos contra uma nação laica por extremistas radicais, fanáticos e “religiosos”.
Muito foi dito, pouco foi feito, e eu chego quase à conclusão de que é praticamente impossível deseducar uma população submetida ao fanatismo religioso, político ou qualquer que seja a sua fonte.
Os cortes na educação de um povo como vemos amplamente disseminados em nosso próprio país, são o ponto de partida para a manipulação das massas. Junte-se a isso a pregação religiosa tendenciosa e fanática e teremos então uma grande catástrofe social.
Não estou falando nenhuma novidade.
Só deixo aqui a minha indignação pelo rumo que a humanidade está tomando. Pelo choque de diferenças entre a evolução e o fanatismo arcaico usado de maneira tão vil, tão em ascenção ultimamente.


E a última pergunta: se Deus, nem Alah, nem nenhuma outra divindade estabeleceu regras a respeito do uso da internet, como saberemos que o Facebook não é pecado?
E se for?!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O TÉDIO


O tédio é sólido.
Espalha-se pela casa,
Bloqueia os caminhos.
Me faz imóvel no calor escaldante.
Aguardo a noite,
Para amainar a quentura deste dia insano.
E aí, somente aí renascerei.
E o dia de hoje será completamente vivido... 
À noite!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

NOSSA NOITE DE NATAL

Este ano foi bom e ano que vem vai ser melhor ainda.
Acredito nisso e entro imediatamente em contradição, pois mantenho a minha posição quanto ao que penso sobre a virada do ano (http://depoiseagora.blogspot.com.br/2014/11/o-final-do-ano.html). 
Ainda acho que é só uma noite onde fazemos festa para dar continuidade à vida que já está rolando a plenos pulmões. E nesse caso a festa poderia inclusive ser feita em qualquer outro dia do ano… mas existe uma tradição e eu respeito isso.


Ontem, véspera de Natal, fui com a minha mãe ao supermercado fazer compras para o jantar. E só para esclarecer, sim nós fazemos um belo jantar na noite de Natal. Com todos os estabelecimentos comerciais da cidade fechados, temos por hábito há muitos anos reunir a família e mandar ver na comida, na bebida e na sobremesa. Desde que me conheço por gente.
Quando eu era pequena me lembro que ao soarem as badaladas do relógio à meia noite ainda estávamos comendo quando a nossa vizinha, a dona Maria Teresa, saia para o seu quintal que era colado ao nosso e gritava "É Natal, é Natal!!” e “Ele nasceu!” "Ele nasceu!" e ainda “É Natal!" de novo.
Eu e minhas irmãs éramos crianças e corríamos para a janela assim que a gritaria começava, mas nunca conseguimos entender direito que porra era aquela que tinha nascido no quintal da Maria Teresa, e que renascia todos os anos sempre no mesmo lugar e na mesma hora. Com todo o respeito.
Passamos anos ouvindo a gritaria histérica na casa do vizinho todo dia de Natal, meia noite em ponto!
Até chegar a moda dos fogos de artifício que acabaram por abafar a histeria no jardim dos nossos vizinhos. E infelizmente não dava mais para ouvir a Maria Teresa. Uma pena... porque o nosso jantar terminava ritualmente com a gente na janela tentando descobrir - inclusive fazendo apostas! - sobre que espécie de alienígena havia invadido o jardim da Maria Teresa que fazia ela gritar daquele jeito. Em casa só se gritava assim quando a barata era voadora. Uma vez até perguntamos para a filha da Maria Teresa se eles tinham medo de baratas e, quando ela me respondeu que não, criou-se imediatamente uma lacuna eterna preenchida por milhares de divagações e pensamentos soltos com possibilidades de invasores recém natos das mais diversas estirpes, que chegavam sempre depois da comida, provavelmente já jantados, na meia noite do dia do Natal. Até aventamos hipóteses para essa coisa de geração espontânea aparecer sempre depois que a comida acabava, o que era difícil de entender porque a Maria Teresa cozinhava super bem. Se fosse eu, ia nascer no início do jantar e não no fim. O fato é que tudo isso sempre acontecia só no jardim da Maria Teresa, nunca no nosso. Nunca realmente conseguimos ver, muito menos fotografar isso que nascia lá...


Mas o que eu queria dizer é que ontem no supermercado, fazendo o estoque para o nosso jantar, tive aquela sensação que me invade nos finais de ano fazendo a minha metade racional parar de funcionar.
Vi aquelas pessoas todas comprando, muitas delas alegres, outras apressadas, criando um clima de expectativas, como se alguma coisa muito grande estivesse para acontecer.
Agora eu sei que não vai acontecer nada, nem ninguém vai nascer no jardim da Maria Teresa, mas a sensação era boa, de renovação, de felicidade, sei lá.
Voltamos para casa, cozinhamos a comida que compramos, nos divertimos em família, ouvimos fogos de artifício à meia noite mas ninguém gritou, o que me fez refletir... por onde cazzo andará a Maria Teresa?

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FINAL DE EXPEDIENTE

Outro dia desses eu cheguei tarde ao trabalho. Com horários flexíveis, cheguei perto do horário de encerramento das atividades num local público onde realizo uma função administrativa. 
Quase todos já haviam ido embora com exceção de alguns funcionários da limpeza e do atendimento.
Entrei para fazer meu trabalho e deixei a porta aberta para que todos me vissem dentro da minha sala e não trancassem o lugar comigo dentro. 
Era uma sexta-feira meio chuvosa, mas no final do expediente, o clima entre os que ainda estavam por lá era de completa euforia. 
Enquanto eu trabalhava em meus relatórios a gritaria beirava o insuportável. Este ambiente em que trabalho fica lotado e é normal as pessoas falarem um pouco mais alto para serem ouvidas - sabe repartição pública? Mas àquela hora, com tudo vazio, apenas os poucos funcionários se preparando para deixar o trabalho... os caras gritavam para se comunicarem de uma forma romanesca. Sabe mulher quando quer dar? Ou aquele bando de galinha assustada que tenta sair tudo junto de uma só vez pela portinhola aberta do galinheiro? Era mais ou menos por aí.
E eram risadas altas, firulas sobre namorados ou  conversas sobre o ônibus que já ia chegar e a feijoada com pagode programada para o sábado com a criançada na casa da sogra. 
Cara, e eu tentando me concentrar nos relatórios.
Pior é que não podia nem fechar a porta porque perigava ser esquecida lá dentro e ter de passar meu fim de semana presa na repartição.
De repente, se inicia uma cantoria. 
Chegou um cara no pedaço e começou junto com uma das faxineiras a cantar umas músicas falando do cotidiano das favelas, amores não correspondidos e afins, que eu nunca tinha ouvido na minha vida! E eles cantavam em altos berros, estupidamente desafinados, até que o cara puxou uma música H O R R O R O S A que a moça não conseguiu acompanhar alegando que era uma canção muito antiga. Mas pediu para que ele cantasse até o fim por que era liiinnddaaaa e ela adoraaava essa música! E imediatamente engrenaram mais umas 20 músicas do naipe das anteriores, sem dar trégua por um minuto sequer.
Cara, e eu fazendo meus relatórios...
Nisso eu notei que a gritaria das conversações começou a diminuir. E passou de SABE AQUELA VASsoura... para um burburinho em letras minúsculas. Eles continuavam a gritar para se comunicar, mas agora na rua, o que não me incomodava tanto. As pessoas foram saindo e tomando seus rumos com exceção do casal de cantores que ainda tinha muito repertório para gastar antes de pegar o busão.
E eu estava milagrosamente quase terminando meus relatórios quando ouvi um "Ô Maria das Neves! Cê não quer dar uma esticada pro Karanhokê hoje não?".
Cara, eu sei que é um nome relativamente comum, mas por que cazzo alguém aqui no Brasil dá um nome desses para a própria filha? Por que??? A mulher nunca viu um floco de neve, canta pagode e funk tudo desafinado, nem sabe o que diz e é conhecida como a Senhora dos Invernos! A toda poderosa Maria das Neves!
Fiquei tão absorta na divagação do nome de rainha da nossa cantora que o Karanhokê quase me passou despercebido.

UM DIA COM AS CRIANÇAS

Hoje passei o dia com meus sobrinhos.
Vim dormir na casa da minha mãe pois estou de férias assim como eles, que vieram também e pelo mesmo motivo.
Ontem mesmo já fomos dormir tarde. Ficamos assistindo filmes, tanto de adulto como de crianças, rimos, brincamos e finalmente elaboramos uma lista de coisas a serem realizadas - todas elas - hoje.
Conforme combinado ontem a noite, a minha sobrinha de 6 anos, que sempre acorda mais cedo que todos, iria me acordar de manhã bem cedinho para darmos início então aos trabalhos.
E assim, tal qual como o combinado, de manhã bem cedo eu e a Julia minha cachorra, fomos acordadas aos gritos de "Tia Né", que sou eu mesma, "acorda! " "vai ficar tarde e o shopping vai ficar lotado!". A primeira tarefa da nossa lista era ir ao shopping.
Olhei para a Julia, as duas olhamos para a Teté, minha sobrinha e preguiçosamente começamos a nos levantar já imaginando o longo dia que teríamos pela frente.
Abri a janela, puta chuva! Ótimo. Vamos passear em locais fechados e práticos com garagem e estacionamento cobertos. Adoro.
E enquanto eu escovava os dentes minha sobrinha muito solicitamente aproveitou para levar a Julia ao banheiro.
Fui para a cozinha tomar um café...
Sabe aquele cheiro de cachorro molhado? E sabe o que é você entrar na cozinha para tomar o seu café da manhã e suas narinas serem invadidas por cachorro molhado misturado com pão queimado na torradeira?...
Corremos, eu e a Teté, as únicas acordadas,  com uma toalha e após uns minutos de tensão conseguimos agarrar e enxugar a Juju.
Lavamos então as vasilhas dos cachorros, enchemos de comida e água e finalmente consegui me sentar para tomar um gole de café, com cheirinho de cachorro molhado. Uma delícia.
Bom, o café estava na metade e eu já havia checado as listas de tarefas dos meus dois sobrinhos, agora já devidamente acordados e vestidos, prontos para a nossa jornada.
Quase no fim do meu sagrado café... deu pau. Um bateu no outro por não concordar com as tarefas dispostas programadas. Corri para separar e retive as listas. Agora seria do meu jeito.
Consegui restabelecer a paz, me arrumei e saímos. Fomos ao shopping ouvindo Renaissance. Eles adoraram! A fila do estacionamento virava duas esquinas para fora do estabelecimento. Mas tudo bem, estamos todos de férias e afinal de contas no rádio do carro estava tocando Renaissance!
Bom, depois de meia hora na fila, entramos. A cantoria do Renaissance segurando bem a turminha. Estava divertido.
Trocamos alguns presentes, comemos brigadeiros, shopping lotaaado... passeamos até nos cansarmos. Por "nos cansarmos" entenda-se, eu e a minha irmã que também estava participando da empreitada.
Meus sobrinhos andaram, correram, pularam, comeram doces com as mãos e promoveram uma sensacional luta de espadas com garrafas pet numa renomada loja de sapatos.
Fora uma marca - bem pequena! - na testa da vendedora da loja de calçados, deixamos o shopping sem maiores queixas de outros seres humanos.
Sabe como é shopping em véspera de Natal né? Uma loucura mesmo.
Fomos ainda a uma livraria de rua onde eu tinha que trocar um livro que ganhei de presente. Livro trocado, fomos comer. Comida de verdade num restaurante por kilo.
Alguém já teve esta experiência esotérica? Levar duas crianças num restaurante por kilo?
Fizemos nossos pratos, pesamos e comemos! Muito!
Foi nessa hora que aconteceu. Posso afirmar com a mais absoluta propriedade que a partir do almoço no kilo, parei de sentir dor. Nem dor, nem frio, nem calor, nem fome, nada! Fiquei anestesiada, sensação que durou até algumas horas depois do jantar.
Voltamos para casa ainda cantando Renaissance mas agora tremendamente convictas (eu e minha irmã) de que o grupo musical todo havia morrido num acidente aéreo.
Chegamos em casa!
Desistimos do cabeleireiro apesar de minha sobrinha insistir em dizer que precisava muito fazer as mãos e cortar a franja. Afinal estava na lista! Deixamos para amanhã.
Consegui trocar de roupa e mal me encosto no sofá para checar meus emails quando ouço um "tô com fome!". Esbugalhei os olhos, me virei para meu sobrinho mais velho que também estava atônito e apuramos os ouvidos. E ouvimos de novo o "tô com fome" da pequena de 6 anos. 
Carái véi.
Vou te falar só uma coisa: eu não estava sentindo mais nada!