A falta de entusiasmo é genética.
E olha que se o cara não for um verdadeiro chato, a falta de entusiasmo provavelmente denuncia um elevado nível de inteligência.
Venho notando na minha família que o "desentusiasmo" se acentua com o aumento do nível de conhecimento.
Meu pai por exemplo é uma pessoa feliz, de bem com a vida, engraçado, simpático e agregador. Mesmo com todas essas características carismáticas, meu pai não é uma pessoa que se entusiasma facilmente. Para despertar o entusiasmo do meu pai, a coisa precisa ser realmente boa, precisa valer muito a pena. Ele não ri a toa, a piada precisa ser refinada! E dificilmente usa palavrões para se expressar - não precisa disso. Ele não lê bobagens, não se dá ao trabalho de dirigir a sua atenção às coisas desinteressantes do mundo, da vida.
Meu pai tenta até hoje me ensinar a canalizar a energia para as coisas que valem a pena, sejam elas boas ou problemas a resolver. Se o problema não vale a pena ele nem se dá ao trabalho.
E eu tento desesperadamente aprender tudo isso para economizar minhas boas energias, tanto para rir, como para chorar! Acho realmente que esse conhecimento só me virá - se algum dia vier... - quando eu atingir um grau elevado de desenvolvimento.
Minha irmã por exemplo, já conseguiu muito mais do que eu. O seu senso de humor é refinadíssimo, ela não se impressiona facilmente, e consegue realmente pensar antes de emitir uma opinião. Ela é justa como meu pai. E refinadamente engraçada como meu pai! Às vezes damos gargalhadas apenas com uma troca de olhares, uma já sabendo o que a outra está pensando.
Cada vez menos as pessoas entendem sarcasmos e ironias sem serem grosseiras. O senso de humor geral está cada vez mais vulgar. E cada vez mais... chato!
Talvez seja por essa massificação que a minha família desenvolveu essa falta de entusiasmo crônica. Para dirigirmos nossa atenção, a coisa tem que realmente valer a pena. Meu avô, que nunca ria de nada gratuitamente e nem prestava atenção no que não valia a pena, já na sua época, quando alguém lhe fazia uma exposição e perguntava sua opinião, ele invariavelmente respondia: "serve!".
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
ACHEI UMA PESSOA PURA
Achei uma, na verdade duas!, pessoas puras. Artistas com auto-estima elevadíssima - ou baixíssima... dependo do ponto de vista. Despojados da necessidade de aparecer, com bons papéis anônimos.
Assistindo à um balé antigo, com Margot Fontaine, Nureyev e um corpo de baile belíssimo, subitamente visualizo em um número os vilões da trama. Bailarinos de primeira categoria, com técnica impecável, cujos nomes hoje significam muito pouco para nós leigos.
O fato é que esses vilões entraram mascarados, com umas máscaras que cobriam inteiramente suas faces - tipo halloween sabe? (lembra aquela máscara de king kong da nossa infância?). Agora imagina você qual o sujeito hoje em dia que se encontra completamente despojado da necessidade de aparecer? Nem que seja nos agradecimentos! OS CARAS AGRADECERAM DE MÁSCARA! Aí eu pensei: são ícones, verdadeiros ícones! Gravam um balé importantíssimo, assistido até hoje pela humanindade, propagado entre gerações e... anônimos! Não é o máximo? Os caras estão num espetáculo pra que? Pra aparecer obviamente! Mas a gente assiste e re-assiste e continua não sabendo como ou com quem eles se parecem.
Hoje em dia, artistas anônimos como esses a gente só vê dentro do Mickey na Disneylândia. Ainda assim periga do cara acabar o turno e vir se gabar de que era ele dentro do bonecão.
Achei o máximo!
Assistindo à um balé antigo, com Margot Fontaine, Nureyev e um corpo de baile belíssimo, subitamente visualizo em um número os vilões da trama. Bailarinos de primeira categoria, com técnica impecável, cujos nomes hoje significam muito pouco para nós leigos.
O fato é que esses vilões entraram mascarados, com umas máscaras que cobriam inteiramente suas faces - tipo halloween sabe? (lembra aquela máscara de king kong da nossa infância?). Agora imagina você qual o sujeito hoje em dia que se encontra completamente despojado da necessidade de aparecer? Nem que seja nos agradecimentos! OS CARAS AGRADECERAM DE MÁSCARA! Aí eu pensei: são ícones, verdadeiros ícones! Gravam um balé importantíssimo, assistido até hoje pela humanindade, propagado entre gerações e... anônimos! Não é o máximo? Os caras estão num espetáculo pra que? Pra aparecer obviamente! Mas a gente assiste e re-assiste e continua não sabendo como ou com quem eles se parecem.
Hoje em dia, artistas anônimos como esses a gente só vê dentro do Mickey na Disneylândia. Ainda assim periga do cara acabar o turno e vir se gabar de que era ele dentro do bonecão.
Achei o máximo!
NÃO QUERO SABER
A curiosidade é uma merda.
Tudo bem que a curiosidade move montanhas e regra descobertas, mas quando eu páro para pensar em quanto tempo da minha vida eu perdi - sem absolutamente nada agregar ao meu parco conhecimento - por causa da curiosidade... Outro dia estava no trabalho quando me dei conta disso. Agora realmente acredito que o auto-controle da curiosidade é extremamente benéfico. E qualquer melhora de vida nessas alturas já tá sendo recebida com balãozinho e língua de sogra.
"A curiosidade matou o gato" é um dos melhores chavões que eu conheço. Matou de tédio! De desgosto!! Matou provavelmente porque o gato era civilizado e teve um infarto antes de externar seu descontentamento e pular no pescoço de um chato.
Vou explicar...
Há uma probabilidade gigantesca de balões e línguas de sogra no momento em que nos damos conta de que não vale a pena perguntar. As pessoas são traiçoeiras, contam as coisas instigando nosso defeito genético mais primitivo que é a curiosidade. Quantas vezes não sentimos a total necessidade de perguntar "por que?" ou "onde?" ou pior ainda: "COMO???"
A essas pequenas palavrinhas inquisitórias segue-se quase sempre uma ladainha interminável, sonífera, abominavelmente chata, a que somos obrigados a aguentar zelando pela boa e pacífica convivência em sociedade.
Já pensou em sair gritando frente a histórias desinteressantes e intermináveis geradas por uma minúscula palavra de quatro (QUATRO!!) letras? Já pensou em arrancar todos os cabelos fio a fio do narrador a sua frente? Já pensou em dizer "CHEEEEEEEEGGGGAAAAAAAAAA!!!!!!" sem poder fazê-lo por causa do que chamamos bons costumes?
Pô, bom costume é saber que essas perguntas são pro forma! É saber que essas perguntas "como, onde, quando, etc." são retóricas! Bom costume é ter bom senso. E ninguém tem! NINGUÉM!!
A curiosidade custa muito caro. Custa tempo!
Tudo bem que a curiosidade move montanhas e regra descobertas, mas quando eu páro para pensar em quanto tempo da minha vida eu perdi - sem absolutamente nada agregar ao meu parco conhecimento - por causa da curiosidade... Outro dia estava no trabalho quando me dei conta disso. Agora realmente acredito que o auto-controle da curiosidade é extremamente benéfico. E qualquer melhora de vida nessas alturas já tá sendo recebida com balãozinho e língua de sogra.
"A curiosidade matou o gato" é um dos melhores chavões que eu conheço. Matou de tédio! De desgosto!! Matou provavelmente porque o gato era civilizado e teve um infarto antes de externar seu descontentamento e pular no pescoço de um chato.
Vou explicar...
Há uma probabilidade gigantesca de balões e línguas de sogra no momento em que nos damos conta de que não vale a pena perguntar. As pessoas são traiçoeiras, contam as coisas instigando nosso defeito genético mais primitivo que é a curiosidade. Quantas vezes não sentimos a total necessidade de perguntar "por que?" ou "onde?" ou pior ainda: "COMO???"
A essas pequenas palavrinhas inquisitórias segue-se quase sempre uma ladainha interminável, sonífera, abominavelmente chata, a que somos obrigados a aguentar zelando pela boa e pacífica convivência em sociedade.
Já pensou em sair gritando frente a histórias desinteressantes e intermináveis geradas por uma minúscula palavra de quatro (QUATRO!!) letras? Já pensou em arrancar todos os cabelos fio a fio do narrador a sua frente? Já pensou em dizer "CHEEEEEEEEGGGGAAAAAAAAAA!!!!!!" sem poder fazê-lo por causa do que chamamos bons costumes?
Pô, bom costume é saber que essas perguntas são pro forma! É saber que essas perguntas "como, onde, quando, etc." são retóricas! Bom costume é ter bom senso. E ninguém tem! NINGUÉM!!
A curiosidade custa muito caro. Custa tempo!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
BOTOX
Ela não precisava. Era jovem e linda, mas todas as amigas iam fazer... então ela se decidiu: pagou uma nota por 20 e poucas injeções na testa. O que poderia fazer alguém pagar por uma injeção na testa se não a questão estética? E ela pagou não só por uma, mas por 20 E POUCAS!
Acontece que o procedimento não foi de todo inócuo. Uma das injeções atravessou um inadvertido "vasinho" e provocou um pequeno - na sua concepção, gigantesco! - hematoma subocular. Hematoma este que denunciava todo o ato secreto do culto estético a que se submeteu. E olha que das amigas ela era a que mais defendia a causa do natural. Tratamento estético eu??? Imagina! PRA QUE???
Resumindo: foi escondida, pagou uma nota, tomou 20 e poucas injeções NA TESTA e por fim foi deliberadamente delatada por um hematoma que não diminuiu nem um milímetro com a exaustiva aplicação de gelo local (o que acabou por ocasionar um congelamento de seu nariz - mas essa é outra história).
Na manhã seguinte a mãe, olhando a mancha roxa sob seu olho esquerdo, perguntou:
- E agora, o que você vai fazer?
- Vou trabalhar com minha máscara do Zorro! - sim, ela tinha uma máscara do Zorro!
- Mas o que você vai dizer no escritório?
- No máximo "aiô silver"!!!!
Tudo bem que esse era o Cavaleiro Solitário, mas não me ocorreu mais nada pra dizer...
Ficou fácil agora identificar mais um dos tratamentos estéticos descritos neste blog: se você vir alguém com a máscara do Zorro no escritório, não tem como errar. Agora, se estiver com a fantasia completa, pode chamar o pessoal do Pinel porque Botox é só na cara.
Acontece que o procedimento não foi de todo inócuo. Uma das injeções atravessou um inadvertido "vasinho" e provocou um pequeno - na sua concepção, gigantesco! - hematoma subocular. Hematoma este que denunciava todo o ato secreto do culto estético a que se submeteu. E olha que das amigas ela era a que mais defendia a causa do natural. Tratamento estético eu??? Imagina! PRA QUE???
Resumindo: foi escondida, pagou uma nota, tomou 20 e poucas injeções NA TESTA e por fim foi deliberadamente delatada por um hematoma que não diminuiu nem um milímetro com a exaustiva aplicação de gelo local (o que acabou por ocasionar um congelamento de seu nariz - mas essa é outra história).
Na manhã seguinte a mãe, olhando a mancha roxa sob seu olho esquerdo, perguntou:
- E agora, o que você vai fazer?
- Vou trabalhar com minha máscara do Zorro! - sim, ela tinha uma máscara do Zorro!
- Mas o que você vai dizer no escritório?
- No máximo "aiô silver"!!!!
Tudo bem que esse era o Cavaleiro Solitário, mas não me ocorreu mais nada pra dizer...
Ficou fácil agora identificar mais um dos tratamentos estéticos descritos neste blog: se você vir alguém com a máscara do Zorro no escritório, não tem como errar. Agora, se estiver com a fantasia completa, pode chamar o pessoal do Pinel porque Botox é só na cara.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
IDÉIAS
Ontem acordei no meio da noite com uma idéia. Maravilhosa. Era boa mesmo!
Tinha tudo na cabeça, o texto pronto. Era só escrever.
Daí dormi de novo... acordei de manhã com o despertador e... esqueci!
É bom acordar com a mente vazia.
Dormi na madrugada repetindo o mantra da idéia que eu tive, mas não sonhei com isso e nem me lembrei dela quando acordei.
Na verdade continuo não me lembrando.
Não seria maravilhoso se eu conseguisse fazer isso também com tudo que não interessa?
De repente esquecer e a pessoa... sumir! De repente esquecer e o "escritório público" implodir sem deixar vestígios.
De repente esquecer e a idéia evaporar. De repente esquecer e pronto!
Já pensou, passar na frente de locais ou pessoas indesejáveis e ter essa espécie de amnésia seletiva?!!
Melhor que tomar 1 litro de vodca hein!!
Bom, talvez seja só uma questão de treino...
Tinha tudo na cabeça, o texto pronto. Era só escrever.
Daí dormi de novo... acordei de manhã com o despertador e... esqueci!
É bom acordar com a mente vazia.
Dormi na madrugada repetindo o mantra da idéia que eu tive, mas não sonhei com isso e nem me lembrei dela quando acordei.
Na verdade continuo não me lembrando.
Não seria maravilhoso se eu conseguisse fazer isso também com tudo que não interessa?
De repente esquecer e a pessoa... sumir! De repente esquecer e o "escritório público" implodir sem deixar vestígios.
De repente esquecer e a idéia evaporar. De repente esquecer e pronto!
Já pensou, passar na frente de locais ou pessoas indesejáveis e ter essa espécie de amnésia seletiva?!!
Melhor que tomar 1 litro de vodca hein!!
Bom, talvez seja só uma questão de treino...
terça-feira, 15 de setembro de 2009
O ACELERADOR DE PARTÍCULAS
Eu adorava o acelerador de partículas. Tinha verdadeira fé de que uma hora o choque provocado pelas partículas em questão iriam ocasionar o aparecimento de outras espécies, talvez - quem sabe com um pouco, bem pouco mesmo já é o suficiente! de sorte - espécies melhores do que a nossa.
Muito bem, aconteceu o previsto... o acelerador de partículas quebrou. Depois de algum tempo de reflexão, na espera do conserto da máquina, percebi que a nossa vida não vai mudar em nada se ficarmos a par de certas informações... não vai fazer nenhum sentido a mais. A gente vai continuar sendo... a gente.
O mundo é isso aí. Nós somos isso aí! E é fácil identificar os mais insatisfeitos, pois eles se punem criando chiwawas, animal em abundância na fronteira franco-suíça. Não é lá que está o acelerador?
Aí eu me pergunto: pra que??? saber de onde viemos??? pra onde vamos??? se a humanidade descende de Adão, Eva, geração espontânea ou teoria Darwinista???
Pra que???
Não estamos todos AQUI???!!!
Muito bem, aconteceu o previsto... o acelerador de partículas quebrou. Depois de algum tempo de reflexão, na espera do conserto da máquina, percebi que a nossa vida não vai mudar em nada se ficarmos a par de certas informações... não vai fazer nenhum sentido a mais. A gente vai continuar sendo... a gente.
O mundo é isso aí. Nós somos isso aí! E é fácil identificar os mais insatisfeitos, pois eles se punem criando chiwawas, animal em abundância na fronteira franco-suíça. Não é lá que está o acelerador?
Aí eu me pergunto: pra que??? saber de onde viemos??? pra onde vamos??? se a humanidade descende de Adão, Eva, geração espontânea ou teoria Darwinista???
Pra que???
Não estamos todos AQUI???!!!
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
PRESENTES
Não há nada pior do que um presente mal dado... e nada ainda pior do que um presente mal recebido.
Presente, essa tortura psicológica.
O presente pode induzir a uma instabilidade psíquica. E olha que me refiro aos dois lados dessa moeda. Já foi ao shopping tendo que comprar um presente pra alguém sem a mínima idéia do que escolher? É UMA TORTURA!!!
Ontem fui a casa de minha irmã e olhando um pequeno detalhe da decoração não me contive em elogiar um determinado objeto sobre o balcão da cozinha. No que eu falei "que bonito isso..." apontando para a tal peça decorativa, imediatamente ouvi na voz da minha irmã um "você acha?", logo seguido de um sincero "quer levar pro seu apartamento?", o que me provocou uma irresistível vontade de olhar de novo e reavaliar o meu gosto por candelabros.
É difícil mesmo dar um presente, ganhar um presente, trocar um presente, arrumar um lugar na casa para guardar um presente. Nem que seja dentro do armário. Dá trabalho! E aquele parente que só dá presente de gosto duvidoso ou peças lindas de roupas (tamanho PP!!) compradas em liquidação? NÃO DÁ NEM PRA TROCAR!!!
E quando a gente se compra um presente? É tão ou mais terrível do que ganhar um. Quando a gente se compra a coisa errada, é igualmente difícil se livrar da coisa. Criamos um vínculo sentimental com aquilo que escolhemos e compramos, acreditem!, por livre e espontânea vontade... por mais incrível que isso pareça.
Uma vez, viajava com minha irmã pela Bahia quando comprei uma cabeça de ancião esculpida em um côco. Olha... sinceramente falando, uma pica esculpida em um cocô seria de mais bom gosto do que aquilo. E o pior é que nem apostando o côco num carteado com outros hóspedes do hotel conseguimos nos livrar do souvenir. Resultado: está lá, na estante, até hoje! O ancião, no côco.
Me lembro bem de um episódio da minha infância, quando meus pais chegaram da Amazônia com um arco e flecha embrulhado em plástico bolha. Trouxeram também um cocar, mas este veio na cabeça do meu pai, que desembarcou com ele do avião.
Depois de alguns parcos dias pendurado em homenagem a decoração da parede da sala, o arco e flecha foi parar atrás da porta do "quarto de bagunça" - um quarto usado em casa para depositar quinquilharias - onde passou vários anos hospedado.
Um belo dia acordo com gritos de "iáááááá" e muita euforia provenientes do jardim. Levanto sobressaltada e percebo que meu cavalinho de pelúcia sumiu. Eu era criança, adorava o cavalinho! Abro então a janela do meu quarto e finalmente vejo: meu pai, vestido de índio, ostentando um belo de um cocar e atirando com o arco e fleha no cavalinho estrategicamente postado sobre o muro do quintal. A empolgação era tanta que só vimos meu pai novamente na hora jantar. Ficamos com muito medo de encontrar um oca no quintal mas parece que a empolgação durou apenas um dia mesmo. Por outro lado ficamos realmente muito felizes por finalmente achar uma utilidade para o arco e flecha (e o cocar!) empoierado atrás da porta. Sem falar no cavalinho supra-citado, que também foi presente de viagem. Aliás, meu pai sempre comentava como conseguiu heroicamente transportar o cavalinho juntamente com os demais passageiros dentro da cabine do avião - detalhe: era um cavalinho tipo um mini-pônei, de balançar! Pelo menos o cavalinho teve um final heróico né? Faleceu numa caçada indígena...
Há um estresse inerente às coisas que compramos e guardamos por total falta de utilidade. Há mesmo! Indiscutivelmente!
Assim, concluo que a propensão para escolher presentes errados é genética, e o pânico gerado pela pressão psicológica de dar e receber presentes ou comprar souvenirs é de caráter estritamente familiar. Mas tendo em vista a qualidade e o gosto duvidoso dos presentes frequentemente recebidos por amigos e familiares, penso que este é um mal moderno cada vez mais diagnosticado, do qual sinceramente padece a humanidade.
Presente, essa tortura psicológica.
O presente pode induzir a uma instabilidade psíquica. E olha que me refiro aos dois lados dessa moeda. Já foi ao shopping tendo que comprar um presente pra alguém sem a mínima idéia do que escolher? É UMA TORTURA!!!
Ontem fui a casa de minha irmã e olhando um pequeno detalhe da decoração não me contive em elogiar um determinado objeto sobre o balcão da cozinha. No que eu falei "que bonito isso..." apontando para a tal peça decorativa, imediatamente ouvi na voz da minha irmã um "você acha?", logo seguido de um sincero "quer levar pro seu apartamento?", o que me provocou uma irresistível vontade de olhar de novo e reavaliar o meu gosto por candelabros.
É difícil mesmo dar um presente, ganhar um presente, trocar um presente, arrumar um lugar na casa para guardar um presente. Nem que seja dentro do armário. Dá trabalho! E aquele parente que só dá presente de gosto duvidoso ou peças lindas de roupas (tamanho PP!!) compradas em liquidação? NÃO DÁ NEM PRA TROCAR!!!
E quando a gente se compra um presente? É tão ou mais terrível do que ganhar um. Quando a gente se compra a coisa errada, é igualmente difícil se livrar da coisa. Criamos um vínculo sentimental com aquilo que escolhemos e compramos, acreditem!, por livre e espontânea vontade... por mais incrível que isso pareça.
Uma vez, viajava com minha irmã pela Bahia quando comprei uma cabeça de ancião esculpida em um côco. Olha... sinceramente falando, uma pica esculpida em um cocô seria de mais bom gosto do que aquilo. E o pior é que nem apostando o côco num carteado com outros hóspedes do hotel conseguimos nos livrar do souvenir. Resultado: está lá, na estante, até hoje! O ancião, no côco.
Me lembro bem de um episódio da minha infância, quando meus pais chegaram da Amazônia com um arco e flecha embrulhado em plástico bolha. Trouxeram também um cocar, mas este veio na cabeça do meu pai, que desembarcou com ele do avião.
Depois de alguns parcos dias pendurado em homenagem a decoração da parede da sala, o arco e flecha foi parar atrás da porta do "quarto de bagunça" - um quarto usado em casa para depositar quinquilharias - onde passou vários anos hospedado.
Um belo dia acordo com gritos de "iáááááá" e muita euforia provenientes do jardim. Levanto sobressaltada e percebo que meu cavalinho de pelúcia sumiu. Eu era criança, adorava o cavalinho! Abro então a janela do meu quarto e finalmente vejo: meu pai, vestido de índio, ostentando um belo de um cocar e atirando com o arco e fleha no cavalinho estrategicamente postado sobre o muro do quintal. A empolgação era tanta que só vimos meu pai novamente na hora jantar. Ficamos com muito medo de encontrar um oca no quintal mas parece que a empolgação durou apenas um dia mesmo. Por outro lado ficamos realmente muito felizes por finalmente achar uma utilidade para o arco e flecha (e o cocar!) empoierado atrás da porta. Sem falar no cavalinho supra-citado, que também foi presente de viagem. Aliás, meu pai sempre comentava como conseguiu heroicamente transportar o cavalinho juntamente com os demais passageiros dentro da cabine do avião - detalhe: era um cavalinho tipo um mini-pônei, de balançar! Pelo menos o cavalinho teve um final heróico né? Faleceu numa caçada indígena...
Há um estresse inerente às coisas que compramos e guardamos por total falta de utilidade. Há mesmo! Indiscutivelmente!
Assim, concluo que a propensão para escolher presentes errados é genética, e o pânico gerado pela pressão psicológica de dar e receber presentes ou comprar souvenirs é de caráter estritamente familiar. Mas tendo em vista a qualidade e o gosto duvidoso dos presentes frequentemente recebidos por amigos e familiares, penso que este é um mal moderno cada vez mais diagnosticado, do qual sinceramente padece a humanidade.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
MENTE DOENTE
Já dizia o dito popular: "mente vazia é a morada do Diabo", ou qualquer coisa assim... portanto, HOJE é o Diabo quem vos escreve.
Mas vos escreve sobre o que? Se a mente está literalmente vazia?
A única coisa em que este pobre diabo consegue pensar no momento é na inconstância da competência alheia.
Por que as coisas só funcionam sob pressão???? Por que por que por que???
Se cada um fizesse o seu seria tão mais fácil, inclusive para aqueles que no momento nem estariam sob pressão, economizando o seu estresse para outras situações cotidianas.
As pessoas são naturalmente más, ruins mesmo, medíocres, INcompetentes. É a natureza humana.
A tentativa de esconder a maldade é que gera as desavenças. Se fôssemos maus e sinceros, todo mundo ia saber o que pensamos e acredito que ocorreriam muito menos decepções e desavenças... acho!
O fato é que do jeito que o mundo "E" as pessoas trabalham vamos todos acabar juntos um dia no aconchego flamejante do meu eterno lar. E isso é uma certeza! Aguardem...
E viva a transparência!
Mas vos escreve sobre o que? Se a mente está literalmente vazia?
A única coisa em que este pobre diabo consegue pensar no momento é na inconstância da competência alheia.
Por que as coisas só funcionam sob pressão???? Por que por que por que???
Se cada um fizesse o seu seria tão mais fácil, inclusive para aqueles que no momento nem estariam sob pressão, economizando o seu estresse para outras situações cotidianas.
As pessoas são naturalmente más, ruins mesmo, medíocres, INcompetentes. É a natureza humana.
A tentativa de esconder a maldade é que gera as desavenças. Se fôssemos maus e sinceros, todo mundo ia saber o que pensamos e acredito que ocorreriam muito menos decepções e desavenças... acho!
O fato é que do jeito que o mundo "E" as pessoas trabalham vamos todos acabar juntos um dia no aconchego flamejante do meu eterno lar. E isso é uma certeza! Aguardem...
E viva a transparência!
sábado, 8 de agosto de 2009
A GENTE NÃO CONHECE...
É impressionante como não conhecemos as pessoas. Nos últimos meses uma série de acontecimentos tem me mostrado de forma cada vez mais clara o quanto o ser humano pode ser esquisito.
A verdade é que na maioria das vezes não conhecemos nem a nós mesmos. Quantas vezes não nos surpreendemos com nossas próprias atitudes?
Um dia me flagrei dando conselhos do tipo faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Putz, falei coisas belíssimas!, frases que nunca pensei proferir um dia. Mas era o que eu realmente achava sabe?
Frente a situações novas, elaboramos novas atitudes. E todo mundo faz isso! Não adianta dizer que você é diferente, porque não é!
Um pouquinho da personalidade mantemos, mas somos estranhos. Estranhos a nós mesmos. E daí vem as decepções e as falências das nossas expectativas. NINGUÉM é previsível. Festas surpresas por exemplo são uma ameaça seríssima a qualquer amizade. Eu tenho até uma experiência recente com esse assunto, mas graças a nossa amizade sólida, de anos de cultivo, nada foi afetado pela imprevisibilidade dos seres envolvidos...
Minha irmã já dizia sabiamente que bastam apenas alguns momentos para se fazer amigos, mas é preciso uma vida inteira para se livrar deles. Sábia irmã!!!
Bom, para finalizar deixo um recado aos que moram comigo: tenho duas notícias para dar a vocês hoje, uma boa e uma ruim.
A ruim é que vou voltar a estudar flauta, e nem adianta contestar. A decisão está tomada, e para finalizar a parte ruim, anuncio que arrumei um professor de música.
A boa notícia é que ainda não consegui falar com ele.
Mas podem me aguardar! Sem mais por hoje...
A verdade é que na maioria das vezes não conhecemos nem a nós mesmos. Quantas vezes não nos surpreendemos com nossas próprias atitudes?
Um dia me flagrei dando conselhos do tipo faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Putz, falei coisas belíssimas!, frases que nunca pensei proferir um dia. Mas era o que eu realmente achava sabe?
Frente a situações novas, elaboramos novas atitudes. E todo mundo faz isso! Não adianta dizer que você é diferente, porque não é!
Um pouquinho da personalidade mantemos, mas somos estranhos. Estranhos a nós mesmos. E daí vem as decepções e as falências das nossas expectativas. NINGUÉM é previsível. Festas surpresas por exemplo são uma ameaça seríssima a qualquer amizade. Eu tenho até uma experiência recente com esse assunto, mas graças a nossa amizade sólida, de anos de cultivo, nada foi afetado pela imprevisibilidade dos seres envolvidos...
Minha irmã já dizia sabiamente que bastam apenas alguns momentos para se fazer amigos, mas é preciso uma vida inteira para se livrar deles. Sábia irmã!!!
Bom, para finalizar deixo um recado aos que moram comigo: tenho duas notícias para dar a vocês hoje, uma boa e uma ruim.
A ruim é que vou voltar a estudar flauta, e nem adianta contestar. A decisão está tomada, e para finalizar a parte ruim, anuncio que arrumei um professor de música.
A boa notícia é que ainda não consegui falar com ele.
Mas podem me aguardar! Sem mais por hoje...
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
UM JOGO
Um jogo de relacionar as colunas:
1. Nada ficou no lugar, eu quero matar o seu gato, e suicidar o seu peixe e o resto dos seus passarinhos (dica: música gravada pela Adriana Calcanhotto).
2. Caio, comentarista do Globo Esporte.
3. Quero voltar, entrar na máquina do tempo e... (dica: música do tipo "atentado aos ouvidos" muito tocada - inexplicavelmente! - nas rádios atualmente).
4. Pato sem cabeça, porra sem esperma, sou eu... (dica: outra música! E tem bônus pra quem adivinhar quem também gravou!).
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Agora as alternativas:
A. Que é pra ver se você volta, que é pra ver se você vem...
B. E ser enviado ao Período Jurássico onde com muita sorte serei engolido por um dinossauro e não cantarei nunca mais essa música hedionda. Entra vai! Entra mesmo na máquina... me faça esse favor!
C. Assim sem você...
D. O mudo (alguém já viu esse cara abrir a boca?).
1. Nada ficou no lugar, eu quero matar o seu gato, e suicidar o seu peixe e o resto dos seus passarinhos (dica: música gravada pela Adriana Calcanhotto).
2. Caio, comentarista do Globo Esporte.
3. Quero voltar, entrar na máquina do tempo e... (dica: música do tipo "atentado aos ouvidos" muito tocada - inexplicavelmente! - nas rádios atualmente).
4. Pato sem cabeça, porra sem esperma, sou eu... (dica: outra música! E tem bônus pra quem adivinhar quem também gravou!).
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Agora as alternativas:
A. Que é pra ver se você volta, que é pra ver se você vem...
B. E ser enviado ao Período Jurássico onde com muita sorte serei engolido por um dinossauro e não cantarei nunca mais essa música hedionda. Entra vai! Entra mesmo na máquina... me faça esse favor!
C. Assim sem você...
D. O mudo (alguém já viu esse cara abrir a boca?).
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Momentos de prazer.
"Morte aos maus!" - determinou aos gritos a rainha, quando chutaram-lhe a poltrona em um espetáculo público. Os guardas se amontoaram. Feito loucos, afoitos, saltaram uns sobre os outros para cumprir com honra e alegria a nobre sentença. O público é mal educado. Não se deve generalizar, trata-se da maioria. O problema é mundial. Certa vez, em Praga, no melhor teatro, lindo, fui muito aborrecida ao tentar assistir ao balé Cinderela. Conversas, movimentos, pessoas que não se importam com olhares feios, broncas, súplicas, pedidos carinhosos para que não fulminem raros e caros momentos de prazer. Já ouvi no lugar da Leni Andrade a cantoria alta e sem piedade de uma moça sentada atrás de mim. Não era nos momentos em que o público era convidado a participar e cantava junto. Era o show inteiro. No lugar da Leni. Quando olhei com tristeza a moça disse: "não se pode nem se divertir", e continuou cantando. Algumas ela não sabia, só fazia o ritmo (o ritmo dela), batendo na poltrona. Estragou o show. O filme "Os segredos de brokeback mountain" não me traz boas recordações. Não sei se é ruim ou se simplesmente tive uma deprimente sessão de cinema, da qual não quero nem lembrar. Uma senhora (não era adolescente) me chutou tanto que pedi com educação que ela parasse. Ouvi um berro: "É uma princesinha, não se pode nem encostar". As pessoas sentadas ao redor pediram silêncio ("chh, chh"). Senti vergonha pela exposição. Passei parte do filme sendo chutada e a outra parte com raiva, indignação. A nona sinfonia foi apresentada com entrada franca uma vez, no municipal de São Paulo. Fui. Conversas havia como se não fosse um teatro. Chutes, barulhos, aplausos no meio das músicas, comidas, bebidas, um inferno. Um aborrecimento. No filme "Jean Charles", cinema vazio, sentou-se na finha frente uma moça. Mandou tantas mensagens de celular, com uma luz tão forte, que precisei mudar de lugar. Mas às vezes não há lugares sobrando. É certo que há casas melhores. O circuito alrternativo de cinema apresenta uma seleção superior de filmes e um público mais bem comportado. Mas não é preciso uma dose muito grande de azar para ter péssimos momentos. Já foi chutado? Já teve a emoção roubada, o pensamento trazido à realidade na marra, boas sensações mortas a tiros, por pessoas espaçosas, folgadas, mal educadas, impiedosas? Já perdeu tempo e dinheiro em casas de espetáculo? Chame a rainha. Ou reclame para o papa. Sou favoravel à positivação das regras de educação e bom comportamento, mormente em cinemas, teatros, casas de espetáculo. A sanção poderia ser a pena de reclusão - a ser cumprida em regime fechado.
terça-feira, 28 de julho de 2009
A ESCOVA DEFINITIVA
Estava aqui sem idéias para contar quando minha irmã me lembrou de um assunto muito em voga aqui em casa. Esse tema na verdade tem ocupado quase 20 horas do nosso dia. Nas 4 horas que nos restam tentamos dormir apesar deste inconveniente.
Antes de começar devo que salientar que não somos fúteis. Eu por exemplo detesto fazer compras ou ir ao salão de beleza. Não há perda pior de tempo do que passar a tarde no cabeleireiro. Dormir é melhor do que isto!
Mas na ânsia de permanecer de acordo com a moda sucumbimos à tentação da escova definitiva. Fizemos tantas vezes o procedimento que aprendemos a detectar com facilidade as almas que aderiram à esse atentado aos fâneros.
E olha que não são poucas pessoas. Então este texto serve como utilidade pública ao leitor que quiser se divertir identificando os aderentes deste procedimento. Aí vai: o sinal mais comum é o chifre.
Vários chifres agressivos e explosivos, localizados em regiões diversas da circunferência craniana, causados pelos fios que se quebram em massa, associados ao tufinho alisado que AINDA resiste bravamente aos químicos. Os chifres vão surgindo espontaneamente ao longo dos meses. Você acorda com chifres! E com novos chifres a cada dia! E o cabeleireiro jura que não foi culpa dele, como se os chifres fossem fruto de geração espontânea.
Daqui um tempo vai ser ainda mais fácil distinguir essas criaturas pela ampla gama de mulheres carecas que veremos pelas ruas.
Poxa! Qual o problema de sairmos na rua à imagem da Maria Bethânia? Eu disse à imagem, não à semelhança. É só saber combinar... corpo e cabelo... tá ligado? Tem gente que pode até se sair bem... eu acho. Viva a Vanessa da Mata!
Antes de começar devo que salientar que não somos fúteis. Eu por exemplo detesto fazer compras ou ir ao salão de beleza. Não há perda pior de tempo do que passar a tarde no cabeleireiro. Dormir é melhor do que isto!
Mas na ânsia de permanecer de acordo com a moda sucumbimos à tentação da escova definitiva. Fizemos tantas vezes o procedimento que aprendemos a detectar com facilidade as almas que aderiram à esse atentado aos fâneros.
E olha que não são poucas pessoas. Então este texto serve como utilidade pública ao leitor que quiser se divertir identificando os aderentes deste procedimento. Aí vai: o sinal mais comum é o chifre.
Vários chifres agressivos e explosivos, localizados em regiões diversas da circunferência craniana, causados pelos fios que se quebram em massa, associados ao tufinho alisado que AINDA resiste bravamente aos químicos. Os chifres vão surgindo espontaneamente ao longo dos meses. Você acorda com chifres! E com novos chifres a cada dia! E o cabeleireiro jura que não foi culpa dele, como se os chifres fossem fruto de geração espontânea.
Daqui um tempo vai ser ainda mais fácil distinguir essas criaturas pela ampla gama de mulheres carecas que veremos pelas ruas.
Poxa! Qual o problema de sairmos na rua à imagem da Maria Bethânia? Eu disse à imagem, não à semelhança. É só saber combinar... corpo e cabelo... tá ligado? Tem gente que pode até se sair bem... eu acho. Viva a Vanessa da Mata!
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