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quarta-feira, 18 de maio de 2011

BONS PROFISSIONAIS... COMO JULGAR?

O mundo carece de bons profissionais. As pessoas tem que ser boas no que fazem.
Já pensou se Bizet tivesse uma Carmen desafinada? Talvez ela nem chegasse ao II ato com vida. Dom José provavelmente a mataria antes de ela tentar o golpe de sedução junto aos ramparts de Séville. Ou quem sabe Escamillo a atiraria aos touros...
Na minha concepção ela não sairia viva da Habanera. "L'amour est un oiseau rebelle"...
Mas às vezes aparências enganam e muito. Temos que levar em consideração todas as variáveis antes de julgar o profissional em questão.
Por exemplo: recentemente deduzi que minha empregada é genuinamente grega! E empregada 'grega' tem de ser um assunto à parte. Como é bom ter uma empregada feliz. Ela tem descendência direta dos deuses do Olimpo, tenho certeza! Todos os dias ao terminar o serviço ela quebra alguma coisa: pratos, vasos... outro dia foi meu joguinho de porcelana do banheiro. Quanta felicidade!
Como posso eu, uma mísera alma, interferir num costume ancestral? Como, meu Deus?!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ÓPERA MODERNA

Não quero aqui ser repetitiva e nem plagiária, mas estive pensando - levada pela chama da música clássica desta semana - no por que de não surgirem mais bons e abundantes compositores do gênero nos dias de hoje. Aliás, faz tempo que não aparece um cara bom. Enquanto os séculos 17 e 18 serviram de berçário para os grandes gênios da música, hoje em dia o que se vê são malucos medíocres tentando nos convencer de que fazem coisas boas, culturalmente falando. Em todos os aspectos!
Do mesmo modo que Deus não fala mais com a gente - digo diretamente, como fazia com os profetas de antigamente (vide texto http://depoiseagora.blogspot.com/2010/04/alguem-conhece-o-centro-da-terra.html). Pelo menos Ele não tem falado muito depois do advento da psiquiatria. Talvez por causa disso também faz tempo que não vejo ninguém convincente no ramo da comunicação divina. Nem no que concerne à arte cênica da representação divina. Pro cara convercer alguém de que é Deus ou de que falou com Ele, tem que ser bom! De verdade! Que nem naquela propaganda do Ronalo Fenômeno, sabe? Driblou os médicos!!...
É não tenho visto...
Mas o que eu queria comentar realmente é que se houvesse um compositor capaz de escrever uma ópera com toda a pompa de antigamente, o que será que ele escreveria? Qual seria a história? Sim, porque escrever sobre o fauno e as criaturas da floresta num ritual satânico de feitiçaria soaria no mínimo estranho. Isso me faz lembrar de Woody Allen em sua crônica sobre os balés que não deram certo e foram fracassos de audiência, citando por exemplo uma peça em que a princesa enfeitiçada seria metade cisne, metade mulher, mas no sentido longitudinal! E ela teria que convencer seu príncipe em um pas de deux complicadíssimo que para desfazer o feitiço ele teria que fazer um curso de taquigrafia por correspondência... é, não entendo por qual motivo não deu certo esse roteiro...
Talvez hoje em dia a ópera contasse a estória de uma executiva sem paciência sendo cortejada por um rapaz pobre e sonhador, operador de caixa do McDonalds. Por comer no McDonalds todos os dias ela desenvolveria uma doença hepática e morreria um dia antes de ser convidada para o jogo do Coringão no Pacaembu (de arquibancada!). A ópera terminaria com o rapaz desiludido cantando no meio do gramado do famoso estádio a ária final intitulada "Bando de Lokos". Num epílogo alucinante o Corinthians ganharia o jogo (só na ópera acontece isso!) e um bandeirão seria estendido sobre a platéia numa interatividade alucinante e apoteótica!
Aí as luzes se acenderiam e uma voz grave então se ouviria, alertando a platéia sobre tudo isso (o espetáculo em si) - principalmente a parte do resultado final do jogo - ser uma obra de ficção!