Há uns 10 dias resolvi voltar a tocar flauta transversal.
Estava tão feliz, praticando todos os dias, fazendo um som na sala, na varanda. Acabava de tocar e estava renovada, como se o meu stress desaparecesse por alguns instantes.
Mozart, Claude Bolling, Pixinguinha, Handel, um repertório bem eclético, estava me divertindo.
Bom, não deu nem uma semana pra eu entrar no elevador e dar de cara com um papel colado na parede explicando que naquele prédio ninguém podia fazer nenhum barulho que possivelmente incomodasse o vizinho.
Eu sei que a minha versão da Flauta Mágica parece tocada pelo Hermeto Pascoal, mas na minha concepção estava tudo certo...
Catzo de gente que não entende de música!
Parei com a flauta...
Amanhã é minha primeira aula de bateria!
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
ÓPERA MODERNA
Não quero aqui ser repetitiva e nem plagiária, mas estive pensando - levada pela chama da música clássica desta semana - no por que de não surgirem mais bons e abundantes compositores do gênero nos dias de hoje. Aliás, faz tempo que não aparece um cara bom. Enquanto os séculos 17 e 18 serviram de berçário para os grandes gênios da música, hoje em dia o que se vê são malucos medíocres tentando nos convencer de que fazem coisas boas, culturalmente falando. Em todos os aspectos!
Do mesmo modo que Deus não fala mais com a gente - digo diretamente, como fazia com os profetas de antigamente (vide texto http://depoiseagora.blogspot.com/2010/04/alguem-conhece-o-centro-da-terra.html). Pelo menos Ele não tem falado muito depois do advento da psiquiatria. Talvez por causa disso também faz tempo que não vejo ninguém convincente no ramo da comunicação divina. Nem no que concerne à arte cênica da representação divina. Pro cara convercer alguém de que é Deus ou de que falou com Ele, tem que ser bom! De verdade! Que nem naquela propaganda do Ronalo Fenômeno, sabe? Driblou os médicos!!...
É não tenho visto...
Mas o que eu queria comentar realmente é que se houvesse um compositor capaz de escrever uma ópera com toda a pompa de antigamente, o que será que ele escreveria? Qual seria a história? Sim, porque escrever sobre o fauno e as criaturas da floresta num ritual satânico de feitiçaria soaria no mínimo estranho. Isso me faz lembrar de Woody Allen em sua crônica sobre os balés que não deram certo e foram fracassos de audiência, citando por exemplo uma peça em que a princesa enfeitiçada seria metade cisne, metade mulher, mas no sentido longitudinal! E ela teria que convencer seu príncipe em um pas de deux complicadíssimo que para desfazer o feitiço ele teria que fazer um curso de taquigrafia por correspondência... é, não entendo por qual motivo não deu certo esse roteiro...
Talvez hoje em dia a ópera contasse a estória de uma executiva sem paciência sendo cortejada por um rapaz pobre e sonhador, operador de caixa do McDonalds. Por comer no McDonalds todos os dias ela desenvolveria uma doença hepática e morreria um dia antes de ser convidada para o jogo do Coringão no Pacaembu (de arquibancada!). A ópera terminaria com o rapaz desiludido cantando no meio do gramado do famoso estádio a ária final intitulada "Bando de Lokos". Num epílogo alucinante o Corinthians ganharia o jogo (só na ópera acontece isso!) e um bandeirão seria estendido sobre a platéia numa interatividade alucinante e apoteótica!
Aí as luzes se acenderiam e uma voz grave então se ouviria, alertando a platéia sobre tudo isso (o espetáculo em si) - principalmente a parte do resultado final do jogo - ser uma obra de ficção!
Do mesmo modo que Deus não fala mais com a gente - digo diretamente, como fazia com os profetas de antigamente (vide texto http://depoiseagora.blogspot.com/2010/04/alguem-conhece-o-centro-da-terra.html). Pelo menos Ele não tem falado muito depois do advento da psiquiatria. Talvez por causa disso também faz tempo que não vejo ninguém convincente no ramo da comunicação divina. Nem no que concerne à arte cênica da representação divina. Pro cara convercer alguém de que é Deus ou de que falou com Ele, tem que ser bom! De verdade! Que nem naquela propaganda do Ronalo Fenômeno, sabe? Driblou os médicos!!...
É não tenho visto...
Mas o que eu queria comentar realmente é que se houvesse um compositor capaz de escrever uma ópera com toda a pompa de antigamente, o que será que ele escreveria? Qual seria a história? Sim, porque escrever sobre o fauno e as criaturas da floresta num ritual satânico de feitiçaria soaria no mínimo estranho. Isso me faz lembrar de Woody Allen em sua crônica sobre os balés que não deram certo e foram fracassos de audiência, citando por exemplo uma peça em que a princesa enfeitiçada seria metade cisne, metade mulher, mas no sentido longitudinal! E ela teria que convencer seu príncipe em um pas de deux complicadíssimo que para desfazer o feitiço ele teria que fazer um curso de taquigrafia por correspondência... é, não entendo por qual motivo não deu certo esse roteiro...
Talvez hoje em dia a ópera contasse a estória de uma executiva sem paciência sendo cortejada por um rapaz pobre e sonhador, operador de caixa do McDonalds. Por comer no McDonalds todos os dias ela desenvolveria uma doença hepática e morreria um dia antes de ser convidada para o jogo do Coringão no Pacaembu (de arquibancada!). A ópera terminaria com o rapaz desiludido cantando no meio do gramado do famoso estádio a ária final intitulada "Bando de Lokos". Num epílogo alucinante o Corinthians ganharia o jogo (só na ópera acontece isso!) e um bandeirão seria estendido sobre a platéia numa interatividade alucinante e apoteótica!
Aí as luzes se acenderiam e uma voz grave então se ouviria, alertando a platéia sobre tudo isso (o espetáculo em si) - principalmente a parte do resultado final do jogo - ser uma obra de ficção!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
UM POUCO DE MÚSICA CLÁSSICA
Quem foi que disse que música clássica não é divertido?
A cultura popular ao longo do tempo rotulou a música clássica. Para a juventude idiota música clássica é sinônimo de diversão para velhos e nerds, entre outros atributos depreciativos. Uma vez me lembro na faculdade que comentei sobre um concerto que gostaria de assistir e fui encarada pelo meu grupinho de amigos como se houvesse um ET ao meu lado segurando um sanduíche do McDonalds.
Ressalvas à parte, tenho de confessar que raríssimas vezes na minha vida me diverti tanto quanto no dia em que dancei uma rapsódia húngara dentro do carro com minhas irmãs e minha prima Mariana, numa visita à casa dos meus tios em Campos do Jordão. Estávamos com as janelas fechadas, mas quem via de fora, podia jurar que o som era do Ozzy ou algum similar.
Hoje fui a um concerto. Na Sala São Paulo. Ouvi a Orquestra Filarmônica da Radio France executar com primor a 5a. Sinfonia de Beethoven, entre outras no programa. Fazia muito tempo que não me divertia tanto. Quando a platéia aplaudiu de pé o gran finale e não arredou o pé até que o maestro voltasse para mais um pouco, fiquei exultante. Queríamos ouvir mais e mais e mais.
O bis foi tão intenso que eu poderia agarrar um microfone de captação pendurado no teto, usá-lo como tirolesa, descer do balcão à platéia principal e num êxtase, tirar o próprio maestro para um pas de deux. É claro que ouvi tudo contida, sem emitir som algum, com todos os sentidos vidrados naquela maravilha. Mas a sensação de assistir uma grande apresentação é tão intensa e tão boa, que essa gente ignorante não sabe mesmo o que está perdendo.
A cultura popular ao longo do tempo rotulou a música clássica. Para a juventude idiota música clássica é sinônimo de diversão para velhos e nerds, entre outros atributos depreciativos. Uma vez me lembro na faculdade que comentei sobre um concerto que gostaria de assistir e fui encarada pelo meu grupinho de amigos como se houvesse um ET ao meu lado segurando um sanduíche do McDonalds.
Ressalvas à parte, tenho de confessar que raríssimas vezes na minha vida me diverti tanto quanto no dia em que dancei uma rapsódia húngara dentro do carro com minhas irmãs e minha prima Mariana, numa visita à casa dos meus tios em Campos do Jordão. Estávamos com as janelas fechadas, mas quem via de fora, podia jurar que o som era do Ozzy ou algum similar.
Hoje fui a um concerto. Na Sala São Paulo. Ouvi a Orquestra Filarmônica da Radio France executar com primor a 5a. Sinfonia de Beethoven, entre outras no programa. Fazia muito tempo que não me divertia tanto. Quando a platéia aplaudiu de pé o gran finale e não arredou o pé até que o maestro voltasse para mais um pouco, fiquei exultante. Queríamos ouvir mais e mais e mais.
O bis foi tão intenso que eu poderia agarrar um microfone de captação pendurado no teto, usá-lo como tirolesa, descer do balcão à platéia principal e num êxtase, tirar o próprio maestro para um pas de deux. É claro que ouvi tudo contida, sem emitir som algum, com todos os sentidos vidrados naquela maravilha. Mas a sensação de assistir uma grande apresentação é tão intensa e tão boa, que essa gente ignorante não sabe mesmo o que está perdendo.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
ACHEI UMA PESSOA PURA
Achei uma, na verdade duas!, pessoas puras. Artistas com auto-estima elevadíssima - ou baixíssima... dependo do ponto de vista. Despojados da necessidade de aparecer, com bons papéis anônimos.
Assistindo à um balé antigo, com Margot Fontaine, Nureyev e um corpo de baile belíssimo, subitamente visualizo em um número os vilões da trama. Bailarinos de primeira categoria, com técnica impecável, cujos nomes hoje significam muito pouco para nós leigos.
O fato é que esses vilões entraram mascarados, com umas máscaras que cobriam inteiramente suas faces - tipo halloween sabe? (lembra aquela máscara de king kong da nossa infância?). Agora imagina você qual o sujeito hoje em dia que se encontra completamente despojado da necessidade de aparecer? Nem que seja nos agradecimentos! OS CARAS AGRADECERAM DE MÁSCARA! Aí eu pensei: são ícones, verdadeiros ícones! Gravam um balé importantíssimo, assistido até hoje pela humanindade, propagado entre gerações e... anônimos! Não é o máximo? Os caras estão num espetáculo pra que? Pra aparecer obviamente! Mas a gente assiste e re-assiste e continua não sabendo como ou com quem eles se parecem.
Hoje em dia, artistas anônimos como esses a gente só vê dentro do Mickey na Disneylândia. Ainda assim periga do cara acabar o turno e vir se gabar de que era ele dentro do bonecão.
Achei o máximo!
Assistindo à um balé antigo, com Margot Fontaine, Nureyev e um corpo de baile belíssimo, subitamente visualizo em um número os vilões da trama. Bailarinos de primeira categoria, com técnica impecável, cujos nomes hoje significam muito pouco para nós leigos.
O fato é que esses vilões entraram mascarados, com umas máscaras que cobriam inteiramente suas faces - tipo halloween sabe? (lembra aquela máscara de king kong da nossa infância?). Agora imagina você qual o sujeito hoje em dia que se encontra completamente despojado da necessidade de aparecer? Nem que seja nos agradecimentos! OS CARAS AGRADECERAM DE MÁSCARA! Aí eu pensei: são ícones, verdadeiros ícones! Gravam um balé importantíssimo, assistido até hoje pela humanindade, propagado entre gerações e... anônimos! Não é o máximo? Os caras estão num espetáculo pra que? Pra aparecer obviamente! Mas a gente assiste e re-assiste e continua não sabendo como ou com quem eles se parecem.
Hoje em dia, artistas anônimos como esses a gente só vê dentro do Mickey na Disneylândia. Ainda assim periga do cara acabar o turno e vir se gabar de que era ele dentro do bonecão.
Achei o máximo!
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