Dizem que os animais são reflexos de seus donos.
Para quem não tem presença de demarcação e de liderança junto ao mundo dos bichos, o contrário também é verdadeiro.
Eu, por exemplo, acho muito mais fácil me impor junto aos seres humanos do que junto aos animais "irracionais". Afinal, quem realmente é o irracional?
A pureza, a determinação, a simplicidade e a honestidade dos bichos faz com que a gente sinta todas as dificuldades de um relacionamento interpessoal. Aí é que constatamos o quanto distorcida se encontra a nossa realidade, o quanto estamos "acostumados" a lidar com os defeitos da personalidade humana e como nos esquecemos das coisas mais simples da vida...
Assim sendo, quando chego em casa sou totalmente dominada pelo espírito canino. Minha cachorra é a minha dona - literalmente. Ela manda em tudo, inclusive em mim. Só não manda na Irene, que trabalha aqui em casa. Bom, a Irene também manda em mim...
E dessa forma confesso, até alegremente, que faz muito bem para a alma ficar livre de todo o lixo humano que nos cerca - nem que seja em casa, por algumas horas apenas, a noite.
Aprendemos com os bichos a sobreviver nos locais onde eles não podem entrar.
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
quarta-feira, 10 de junho de 2009
FÉRIAS PRA QUÊ?
Hoje estou de férias!!! Uhuuuu, êêêêêêêêêêêêêêê, yessssssss, etc (mas sem muito entusiasmo)...
Cheguei em casa, tirei a roupa do trabalho, voltei pra cama e fiquei - de verdade - uns 15 minutos olhando para o teto, imaginando o que fazer.
MAS NÃO TEM NADA PRA FAZER!!
E eu que esperei tanto, almejava tanto estas férias, de repente me senti perdida (quero dizer, MAIS perdida).
E grande parte dessa culpa se deve a um sentimento romântico que me arrebatou hoje pela manhã.
Eu estava tão feliz, indo pro meu último dia de trabalho pré-férias que, em meio a um congestionamento romanesco, fui "agredida" pelo sentimento romântico supra-citado.
Comecei então a ver as coisas rotineiras com mais cores do que o habitual. E não, eu não tomei nada de diferente no café da manhã!
Na ida pro trabalho, observei um bando de pombos em revoada, depois vários urubús nas margens do rio Tietê... e fiquei pensando: pra quê pagar uma nota em ecoturismo se eu vejo animais selvagens em seus habitats naturais todos os dias? É só reparar. Tudo tem a sua beleza...
Bom, na hora em que vi uma garça, minhas férias perderam totalmente a razão de ser!
Agora eu me encontro nesse dilema entediante, sem nada pra fazer e sozinha em casa com uma cachorra que, desde ontem, encontra-se obcecada por uma bola de futebol verde.
E me pergunto: férias pra quê?
Acho que vou dar mais uma passeada na Marginal.
Cheguei em casa, tirei a roupa do trabalho, voltei pra cama e fiquei - de verdade - uns 15 minutos olhando para o teto, imaginando o que fazer.
MAS NÃO TEM NADA PRA FAZER!!
E eu que esperei tanto, almejava tanto estas férias, de repente me senti perdida (quero dizer, MAIS perdida).
E grande parte dessa culpa se deve a um sentimento romântico que me arrebatou hoje pela manhã.
Eu estava tão feliz, indo pro meu último dia de trabalho pré-férias que, em meio a um congestionamento romanesco, fui "agredida" pelo sentimento romântico supra-citado.
Comecei então a ver as coisas rotineiras com mais cores do que o habitual. E não, eu não tomei nada de diferente no café da manhã!
Na ida pro trabalho, observei um bando de pombos em revoada, depois vários urubús nas margens do rio Tietê... e fiquei pensando: pra quê pagar uma nota em ecoturismo se eu vejo animais selvagens em seus habitats naturais todos os dias? É só reparar. Tudo tem a sua beleza...
Bom, na hora em que vi uma garça, minhas férias perderam totalmente a razão de ser!
Agora eu me encontro nesse dilema entediante, sem nada pra fazer e sozinha em casa com uma cachorra que, desde ontem, encontra-se obcecada por uma bola de futebol verde.
E me pergunto: férias pra quê?
Acho que vou dar mais uma passeada na Marginal.
sábado, 25 de abril de 2009
CÃES, GAMBÁS E AFINS
Outro dia li uma notícia no mínimo intrigante.
Parece que um cachorro caiu de um veleiro em alto mar, nadou 10 Km até uma ilha deserta e surpreendentemente iniciou uma nova etapa de sua vida. Alguns viajantes até chegaram a notar e reportar o cachorro. Pô, não é todo dia que se avista um cão de raça numa ilha deserta. Quando eu era pequena tinha uma moça que trabalhava em casa que era fã incondicional da teoria da geração espontânea... mas um cachorro de raça numa ilha deserta já é demais!
Bom, o fato é que o cachorro foi notado e não teve realmente um bom início na ilha. Parece que começou a perder peso, ficou feio, pêlo sem brilho, e isso durou alguns meses. Subitamente porém a vida lhe sorriu e o cachorro foi novamente avistado, mas desta desta vez cheio de energia, engordando e feliz. Descobriu-se depois que o cão aprendeu a caçar - o que não faz o instinto primitivo!
Os animais são mesmo criaturas fabulosas e auto-suficientes. Aí vem o homem e os transforma em seres semi-humanos, dependentes, chatos. Imagina como ia ser muito mais legal se o cachorro ensinasse pra gente tudo o que ele sabe, ao invés de tentar ficar aprendendo o que nós tentamos lhe ensinar!
Segundo Gary Larson, o cão só entende mesmo - de verdade - o próprio nome. Então imagina que você chega em casa e elabora frases bonitas, fala com seu cachorro durante horas, ensina mil coisas novas... enquanto ele - o cachorro - fica balançando o rabinho. Ora! Ele balança o rabo toda vez que escuta o próprio nome - pode reparar, pro cachorro você tá dizendo: csmdjIYWE wyJSKAXnj... "REX" - e aí vem uma balançada de rabo!
Pra finalizar, parece que o cachorro da ilha foi finalmente resgatado pelos donos, num estado psíquico primitivamente animal, arisco e valente. Esse vai ter que levar o aprendizado pro túmulo, porque voltando a ser humanizado, não vai mais precisar dos instintos aflorados, ao menos que os donos algum dia lhe pareçam apetitosos!
Os bichos humanizados, além de ficarem dependentes e chatos, também podem ser tão doidos como nós. Alguém já falou que o cachorro absorve a personalidade do dono... ou seria o contrário?
Minha cachorra outro dia teve gravidez psicológica.
Pois é, ela achava que estava grávida e com filhotes. Comecei realmente a levar a sério quando ela adotou o telefone. A gente tinha que colocar o telefone pra mamar e tudo. O telefone tocava e ela atendia. No dia em que uma amiga ligou e avisou depois que minha cachorra tinha atendido eu achei que era hora de fazer terapia: na cachorra, na minha amiga - que deixou um recado com a cachorra, e obviamente em mim, que a essa altura já estava precisando mesmo de um bom psiquiatra.
Bom, em um outro episódio de prenhez psicológica, ela adotou um gambá, ou saruê, como chamam aqui. Ela passeava com esse bicho delicadamente enfiado dentro da boca, e ninguém podia mexer no filhote de saruê, que obviamente estava na hora errada e no lugar errado. Imagina a cabeça desse gambá, tirado de sua mãe e adotado por uma boxer que achava que tinha realmente parido aquele bicho estranho. O saruezinho cabia inteiro dentro da boca dela, mas o rabo do bicho saía pra fora da boca, enorme e compridíssimo, fazendo um conjunto absolutamente bizarro. A gente olhava aquilo e falava pra cachorra que aquele bicho não parecia com ela, mas nada adiantava. E nós aqui em casa que temos mania de humanizar os nossos animais, piramos! Foi difícil ver a nossa boxer maluca, mãe psicológica de um gambá e irredutível quanto a isso!
Os bichos não estão livres da loucura. Não pense que reencarnando num bicho você vai se livrar do Prozac.
Por exemplo, outro dia atropelei uma pomba. ATROPELEI UMA POMBA!! Não consigo explicar o porque de uma pomba, que voa!, estar atravessando a rua a pé. E fora da faixa de pedestre!
Eu também conhecia uma égua que via gente morta. "I see dead people", sabe? Você tava em cima, tranquilo no trote, quando do nada ela disparava, e para o nada, e como que por um pedido do além, ela parava sozinha. São coisas que não conseguimos explicar... o que se passa na cabeça do bicho?
Imagino o gambá do episódio da gravidez, velhinho, reunido com a família no Natal, contando pros saruezinhos da nova geração sua epopéia de vida: "sabe, quando vovô era jovem, vocês nem imaginam o que me aconteceu...". E toca o pau a contar a história do boxer: "imagina que o vovô foi engolido por um cão feroz, um monstro!..." - no estilo Jonas e a Baleia!
Os bichos são que nem a gente. Cada um no seu estilo, eles passam o conhecimento por via oral através das gerações. E a gente sempre achando que o velho endoidou.
Na maioria das vezes os velhos não estão senis. Vai lá, verifica a história porque há uma chance enorme daquilo ter acontecido sem sombra de dúvidas!
Olha só o exemplo do gambá!
Parece que um cachorro caiu de um veleiro em alto mar, nadou 10 Km até uma ilha deserta e surpreendentemente iniciou uma nova etapa de sua vida. Alguns viajantes até chegaram a notar e reportar o cachorro. Pô, não é todo dia que se avista um cão de raça numa ilha deserta. Quando eu era pequena tinha uma moça que trabalhava em casa que era fã incondicional da teoria da geração espontânea... mas um cachorro de raça numa ilha deserta já é demais!
Bom, o fato é que o cachorro foi notado e não teve realmente um bom início na ilha. Parece que começou a perder peso, ficou feio, pêlo sem brilho, e isso durou alguns meses. Subitamente porém a vida lhe sorriu e o cachorro foi novamente avistado, mas desta desta vez cheio de energia, engordando e feliz. Descobriu-se depois que o cão aprendeu a caçar - o que não faz o instinto primitivo!
Os animais são mesmo criaturas fabulosas e auto-suficientes. Aí vem o homem e os transforma em seres semi-humanos, dependentes, chatos. Imagina como ia ser muito mais legal se o cachorro ensinasse pra gente tudo o que ele sabe, ao invés de tentar ficar aprendendo o que nós tentamos lhe ensinar!
Segundo Gary Larson, o cão só entende mesmo - de verdade - o próprio nome. Então imagina que você chega em casa e elabora frases bonitas, fala com seu cachorro durante horas, ensina mil coisas novas... enquanto ele - o cachorro - fica balançando o rabinho. Ora! Ele balança o rabo toda vez que escuta o próprio nome - pode reparar, pro cachorro você tá dizendo: csmdjIYWE wyJSKAXnj... "REX" - e aí vem uma balançada de rabo!
Pra finalizar, parece que o cachorro da ilha foi finalmente resgatado pelos donos, num estado psíquico primitivamente animal, arisco e valente. Esse vai ter que levar o aprendizado pro túmulo, porque voltando a ser humanizado, não vai mais precisar dos instintos aflorados, ao menos que os donos algum dia lhe pareçam apetitosos!
Os bichos humanizados, além de ficarem dependentes e chatos, também podem ser tão doidos como nós. Alguém já falou que o cachorro absorve a personalidade do dono... ou seria o contrário?
Minha cachorra outro dia teve gravidez psicológica.
Pois é, ela achava que estava grávida e com filhotes. Comecei realmente a levar a sério quando ela adotou o telefone. A gente tinha que colocar o telefone pra mamar e tudo. O telefone tocava e ela atendia. No dia em que uma amiga ligou e avisou depois que minha cachorra tinha atendido eu achei que era hora de fazer terapia: na cachorra, na minha amiga - que deixou um recado com a cachorra, e obviamente em mim, que a essa altura já estava precisando mesmo de um bom psiquiatra.
Bom, em um outro episódio de prenhez psicológica, ela adotou um gambá, ou saruê, como chamam aqui. Ela passeava com esse bicho delicadamente enfiado dentro da boca, e ninguém podia mexer no filhote de saruê, que obviamente estava na hora errada e no lugar errado. Imagina a cabeça desse gambá, tirado de sua mãe e adotado por uma boxer que achava que tinha realmente parido aquele bicho estranho. O saruezinho cabia inteiro dentro da boca dela, mas o rabo do bicho saía pra fora da boca, enorme e compridíssimo, fazendo um conjunto absolutamente bizarro. A gente olhava aquilo e falava pra cachorra que aquele bicho não parecia com ela, mas nada adiantava. E nós aqui em casa que temos mania de humanizar os nossos animais, piramos! Foi difícil ver a nossa boxer maluca, mãe psicológica de um gambá e irredutível quanto a isso!
Os bichos não estão livres da loucura. Não pense que reencarnando num bicho você vai se livrar do Prozac.
Por exemplo, outro dia atropelei uma pomba. ATROPELEI UMA POMBA!! Não consigo explicar o porque de uma pomba, que voa!, estar atravessando a rua a pé. E fora da faixa de pedestre!
Eu também conhecia uma égua que via gente morta. "I see dead people", sabe? Você tava em cima, tranquilo no trote, quando do nada ela disparava, e para o nada, e como que por um pedido do além, ela parava sozinha. São coisas que não conseguimos explicar... o que se passa na cabeça do bicho?
Imagino o gambá do episódio da gravidez, velhinho, reunido com a família no Natal, contando pros saruezinhos da nova geração sua epopéia de vida: "sabe, quando vovô era jovem, vocês nem imaginam o que me aconteceu...". E toca o pau a contar a história do boxer: "imagina que o vovô foi engolido por um cão feroz, um monstro!..." - no estilo Jonas e a Baleia!
Os bichos são que nem a gente. Cada um no seu estilo, eles passam o conhecimento por via oral através das gerações. E a gente sempre achando que o velho endoidou.
Na maioria das vezes os velhos não estão senis. Vai lá, verifica a história porque há uma chance enorme daquilo ter acontecido sem sombra de dúvidas!
Olha só o exemplo do gambá!
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