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domingo, 30 de novembro de 2014

O FINAL DO ANO



Não costumo pensar no final do ano como o fim de um ciclo.

Acho que o final do ano é simplesmente o final de mais um ano. E ponto.

Mas eu gosto deste clima que se forma espiritualmente nas cabeças das pessoas. É uma espécie de euforia coletiva onde são feitos planejamentos, intenções, promessas... Acho bonito isso. Traz um pouco de fantasia para a realidade crua da vida.

Há alguns anos nem mais as férias de fim de ano eu tiro. Para mim o final de um ano é só uma época festiva num calendário excêntrico. Não é um fim e nem um começo. É mais um mês numa vida que continua. Os planos antigos e persistentes são mantidos e as porcarias são jogadas fora como se deve fazer em qualquer mês do ano.

Sinto muito em quebrar esta onda de euforia, e por que não dizer... de histeria coletiva que se dá nestes derradeiros dias. Mas no fundo é isso mesmo. É só mais um feriado. Por que não prometemos emagrecer ou mudar de rumo ou deletar os chatos depois, por exemplo, do Carnaval ou do Dia da Consciência Negra? É a mesmíssima coisa.

A vida não pára. Ela só continua.

sábado, 27 de agosto de 2011

POSSIBILIDADES

Há 1 ano, por motivos que fogem ao meu controle, tive de alterar minha rotina. Algumas coisas ficaram no stand by, outras desapareceram, outras simplesmente parece que nunca existiram.
As mudanças vieram sob vários aspectos, mas o mais relevantes deles foi a necessidade de simplificar.
Sempre fui simplista em minhas convicções. Penso e faço, e com pressa, para aproveitar ao máximo o tempo que tenho disponível. Se quero ir ao inferno, vou lá e compro a passagem - simples assim!... É claro que nem sempre dá certo. Aliás, em 50% dos casos dava bem errado, o que equivalia a gastar o pouco tempo disponível e uma quantidade enorme de energia em projetos destinados ao fracasso.
O que me confortava nessas jornadas, tanto nas que davam certo quanto nas que davam errado, era o otimismo que sempre me acompanhou. Nunca penso no que pode dar errado, o que me faz entrar de cabeça em projetos absurdos. Bom, tenho de admitir que não deixa de ser divertido, embora às vezes me tome uma energia desproporcional e me deixe a ver navios, frustrando minhas expectativas mais prementes.
A falta de tempo sempre foi uma constante em minha vida. A cultura na minha profissão implica em preenchermos todo e qualquer espaço disponível no nosso dia a dia. Isso até ficarmos doentes. Aí tudo muda. Levamos broncas e mais broncas de todos, dizendo que devemos ter mais tempo para nós mesmos, que devemos nos cuidar, praticar esportes, comprar roupas bonitas e usar pó de arroz.
Foi o que aconteceu.
Em fevereiro renasci. Meu cabelo começou a crescer, e eu me senti como quando era pequena, com um mundo de possibilidades se abrindo a minha frente. Me livrei de tudo que não apreciava, simplifiquei!, fiz as pazes com pessoas as quais não valia a pena brigar, e me senti como num teatro da vida, na coxia, esperando as cortinas se abrirem para uma vida nova.
O mundo é o mesmo, mas eu enxergo as coisas diferentes. Reestruturei meu dia e meus horários, e agora pratico exercícios. Tenho um dia livre na semana para gastar MEU dinheiro com futilidades... e me sinto bem fazendo isso!
Mas devo ressaltar que as coisas boas em mim permaneceram, o meu otimismo com projetos malucos e a minha disposição em gastar energia a toa também estão aqui. A diferença é que as idéias não grudam mais em mim como antigamente. Consigo me livrar do que me faz mal com muito mais facilidade que antes, e, quando isso acontece me vejo novamente na coxia... com um mundo repleto de possibilidades a se abrir junto com as negras e altíssimas cortinas cerradas bem em frente ao meu nariz!