Em tempos de coronavírus e de quarentena involuntária, há tanto tempo sobrando que ficamos perdidos dentro de nosso próprio espaço. Literalmente.
O fato é que sempre gostei de páginas em branco. A sensação de liberdade é indescritível, mesmo que dentro de um confinamento físico. O pensamento vagueia com mais afinco, e a imaginação mostra toda a capacidade que tem, de não ser finita.
Nunca se leu tanto como hoje, no confinamento.
Nunca se conversou tanto como hoje, no confinamento.
Nunca se pensou tanto, como hoje no confinamento.
Percebemos até que somos capazes de abrir nossos horizontes para as mudanças de vírgulas... Não é incrível!
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
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domingo, 22 de março de 2020
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Brometo de Ipratrópio
Existe um complô da comunidade farmacêutica pra complicar a vida dos médicos. Principalmente dos estudantes de medicina. Esse complô se esconde entre os nomes científicos e os nomes comerciais dos medicamentos. (fora o rolo entre medicamento genérico e nome genérico de medicamento. Isso fica pra outro dia)
Certeza que em toda indústria farmacêutica existe uma seção única e exclusiva pra escolher os nomes dos medicamentos causando o maior tipo de confusão possível pra quem vai prescrevê-los. Isso é pensado, eu tenho certeza, é feito pra gerar confusão e vender mais remédios. imagino meia dúzia de tios do pavê (É pavê ou pacumê) de jaleco criando nomes e rindo da nossa cara.
Preste bem atenção, nenhum remédio tem um nome simples como batata, ou torresmo. É etexilato de dabigratana, cetorolaco de trometamina, ácido azoledrônico que depois levam nomes comerciais diferentes dependendo do laboratório que criou o medicamento. Aí viram toragesic, aclasta, pradaxa. (tente descobrir qual é qual).
Decoreba pura cara, não tem lógica, não faz sentido.
Tem aqueles em que os nomes são parecidos: Cefalotina, cefazolina, cefepima, cefalexina, ceftazidima, ceftaxima, todos antibióticos, alguns com indicações parecidas, outros completamente diferentes. Nem precisa dizer que os nomes comerciais não tem nada a ver com os científicos. keflin, kefazol, maxcef, keflex, fortaz, claforan, esses na ordem.
E os impronunciáveis então? SECUQUINUMABE. Imagine isso numa letra de médico! E quando o paciente passa em consulta e você pergunta o que ele está tomando? sequi... seca... secuniqui... aaah Dr. é um branquinho da caixa com uma faixa vermelha.
Os pacientes já não conseguem pronunciar densitometria, imagine secuquinumabe, oxaminiquini, rivaroxabana.
Saudades da época do chá de erva cidreira...
Certeza que em toda indústria farmacêutica existe uma seção única e exclusiva pra escolher os nomes dos medicamentos causando o maior tipo de confusão possível pra quem vai prescrevê-los. Isso é pensado, eu tenho certeza, é feito pra gerar confusão e vender mais remédios. imagino meia dúzia de tios do pavê (É pavê ou pacumê) de jaleco criando nomes e rindo da nossa cara.
Preste bem atenção, nenhum remédio tem um nome simples como batata, ou torresmo. É etexilato de dabigratana, cetorolaco de trometamina, ácido azoledrônico que depois levam nomes comerciais diferentes dependendo do laboratório que criou o medicamento. Aí viram toragesic, aclasta, pradaxa. (tente descobrir qual é qual).
Decoreba pura cara, não tem lógica, não faz sentido.
Tem aqueles em que os nomes são parecidos: Cefalotina, cefazolina, cefepima, cefalexina, ceftazidima, ceftaxima, todos antibióticos, alguns com indicações parecidas, outros completamente diferentes. Nem precisa dizer que os nomes comerciais não tem nada a ver com os científicos. keflin, kefazol, maxcef, keflex, fortaz, claforan, esses na ordem.
E os impronunciáveis então? SECUQUINUMABE. Imagine isso numa letra de médico! E quando o paciente passa em consulta e você pergunta o que ele está tomando? sequi... seca... secuniqui... aaah Dr. é um branquinho da caixa com uma faixa vermelha.
Os pacientes já não conseguem pronunciar densitometria, imagine secuquinumabe, oxaminiquini, rivaroxabana.
Saudades da época do chá de erva cidreira...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
DA SÉRIE: SOBRE NOSSAS PROFISSÕES - Texto escrito por Luna, colaboradora deste blog
Depois de uma entressafra prolongada, divido neste espaço minha experiência com pérolas. Não aquelas preciosidades encontradas nas conchas, ofertadas pelo mar e que decoram com tanta elegância nossos colos. Trata-se de pérolas oferecidas durante anos de labuta, e que muito enfeiam nossos pensamentos.
Sendo médica, não poucas vezes tento reprimir o riso ou um mau juízo. Vinte anos se vão daquele dia em que colei grau. E é baseada nisso que concluo que humildade cai bem, muito bem. Se eu não sei, não discuto. E ponto final. Não é anti-democrático, é meritocrático mesmo, sem arrogância.
Sempre gostei muito de estudar tromboembolismo venoso. Não há grandes segredos ou mistérios, no entanto me fascina a possibilidade de um diagnóstico que vá além da manifestação que motiva o doente ao meu consultório. Trombofilias, colagenoses, neoplasias e pós-operatórios. Mas doutora, eu usei “Glexane” por dez dias... Às vezes não é possível convencer a pessoa que o nome comercial original do medicamento enoxaparina é Clexane. Trata-se de convencimento mesmo, já que esclarecer é tão difícil, ainda pior para os clientes de carteirinha do Dr. Google. Não que esteja escrito “Glexane” em alguma página localizada pelo Google...
E quanto às tromboses, não vou me ater ao clichê que “vai ter que cortar a minha perna?”. Não, nada disso. Simplesmente relatarei, para adicionar à coletânea de pérolas, algumas coisas que fui obrigada a engolir (mas não a digerir!).
Tenho uma trombose na perna esquerda. E a minha á venenosa. Que diabos é isso? Foi acometido por uma trombose venosa depois de uma picada de cobra!? Ou seria de um escorpião? Nada disso, era espontânea mesmo.
Estou tratando uma trombose muito complexa. É do mais alto grau. Terceiro grau. Trombose ou queimadura, Deus do céu? Ou seria algum tipo de contato imediato!?
Minha irmã, que é ginecologista, certa vez foi tentar investigar a morte súbita e inesperada da mãe de uma paciente. Recebeu como resposta “rasgou o véu da veia artéria, ela foi operada, mas não resistiu”. Entendo. Poetizar a morte é uma forma de sublimação. Só não entendi se se tratava de um aneurisma roto da aorta, ou mesmo cerebral, ou ainda uma dissecção da aorta. Até hoje ficamos na mesma.
E o Pyloripac? Depois de muita insistência, minha irmã estava quase acreditando na paciente, cuja infecção urinária se manifestou após o início desta medicação, acrescida de um prurido vulvar constante. De nada adiantou sugerir à dita paciente que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Entre parêntesis, será que é por isso que o nosso querido ex-presidente nunca soube – e nem vai saber - de nada?
Do nervo asiático quase me abstive de comentar, mas por aqui ele vem quase sempre acompanhado da “astrosi”. Gostaria de perguntar a um Ortopedista onde fica o nervo asiático, mas talvez seja melhor recorrer a um Geógrafo. Muito bem, sempre o associei à Rússia, devido ao território abrangido. Mais vasta que a Rússia não há, porém, a um melhor juízo, penso que não. O território do nervo não é circunferencial. Seria possível planificar o globo terrestre?
De volta à cirurgia vascular, quero esclarecer que varizes são causa de divórcio. Uma paciente me explicou, há anos, que se separou devido à presença e à recidiva das malditas.
Dieta no pós-operatório de varizes. Para os incautos, esclareço: em algumas das regiões de nossa pátria amada, dieta não quer dizer dieta como restrição alimentar. Significa uma série de restrições (sim, brasileiro a-d-o-r-a perguntar o que ele não pode!) associadas a uma doença ou recuperação de cirurgia.
Úlcera de estase venosa é erisipela e ponto final. Celulite é um problema terrível de “má“ circulação (em tempo: não se trata de celulite como inflamação do tecido subcutâneo, e sim daqueles famigerados furinhos). Então estria deve ser também, sabe-se lá...
E, para concluir – por hoje - uma singela homenagem aos primeiros anos de residência: a minha vesícula foi retirada a laser. Atire a primeira pedra o colega que nunca escutou essa.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Happy Birthday
Há uma semana estive trabalhando no domingo, em atividade acadêmica. Eu, meus colegas e nós rodeados por alguns daqueles que foram nossos grandes mestres, na graduação. Vão anos, é verdade, e numa daquelas conversas para ver se o relógio colaborava, meu chefe resolveu mergulhar fundo no tempo e lembrou a um dos figurões que quase fui sua colega de especialidade.
Explico: há dezessete anos (que horror!) estava dividida entre cirurgia e anatomia patológica. E foi por muito pouco, mas muito pouco mesmo que não bandeei. Desnecessário explicar que passei dois malditos anos em puro conflito interno.
Bem, não foram tão malditos assim, ao menos não quanto imaginei. Hoje sou profissional e guardo grandes lições daquele período.
Caro leitor, se ainda tiver sobrado alguma paciência, e imagino que esteja a se perguntar que raios tem isso aqui a ver com o título, respire fundo que aí vai minha justificativa. Não sei como não ser piegas. Acostumei a fazer piada de tudo, inclusive, e principalmente, de mim. Fica tudo mais palatável. Então, você está certo, que lenga-lenga...
A verdade é que aqueles anos não foram nada malditos. Tudo bem que eu comia feito louca e pensava que a vida se resumia em trabalho e sono, mas não foram somente uns dez quilos a mais na balança.
Entre a cruz e a espada, entre fazer o que eu queria e aquilo que meu coração queria, optei pela razão. Embora às vezes não pareça, sou bastante pragmática. Ainda assim, tinha de ter a certeza de que não iria me arrepender. Naquela ocasião, porém, tal certeza teria sido impossível. E muita coisa mudou.
Hoje tenho a grata certeza do resultado: um balanço para lá de positivo, um saldo credor e muitas alegrias, ao olhar para trás e enxergar as amizades que fiz e que o tempo e o espaço não dizimaram.
Neste exato momento só quero homenagear uma amiga bastante cara que completa anos em poucas horas, e é para isso que escrevo.
Feliz aniversário, e que muitas bênçãos sejam derramadas, que você tenha muitas alegrias e que tenha a felicidade de ter amigos como eu tenho!
Auguri! Auguri! Auguri!
Explico: há dezessete anos (que horror!) estava dividida entre cirurgia e anatomia patológica. E foi por muito pouco, mas muito pouco mesmo que não bandeei. Desnecessário explicar que passei dois malditos anos em puro conflito interno.
Bem, não foram tão malditos assim, ao menos não quanto imaginei. Hoje sou profissional e guardo grandes lições daquele período.
Caro leitor, se ainda tiver sobrado alguma paciência, e imagino que esteja a se perguntar que raios tem isso aqui a ver com o título, respire fundo que aí vai minha justificativa. Não sei como não ser piegas. Acostumei a fazer piada de tudo, inclusive, e principalmente, de mim. Fica tudo mais palatável. Então, você está certo, que lenga-lenga...
A verdade é que aqueles anos não foram nada malditos. Tudo bem que eu comia feito louca e pensava que a vida se resumia em trabalho e sono, mas não foram somente uns dez quilos a mais na balança.
Entre a cruz e a espada, entre fazer o que eu queria e aquilo que meu coração queria, optei pela razão. Embora às vezes não pareça, sou bastante pragmática. Ainda assim, tinha de ter a certeza de que não iria me arrepender. Naquela ocasião, porém, tal certeza teria sido impossível. E muita coisa mudou.
Hoje tenho a grata certeza do resultado: um balanço para lá de positivo, um saldo credor e muitas alegrias, ao olhar para trás e enxergar as amizades que fiz e que o tempo e o espaço não dizimaram.
Neste exato momento só quero homenagear uma amiga bastante cara que completa anos em poucas horas, e é para isso que escrevo.
Feliz aniversário, e que muitas bênçãos sejam derramadas, que você tenha muitas alegrias e que tenha a felicidade de ter amigos como eu tenho!
Auguri! Auguri! Auguri!
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