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domingo, 30 de novembro de 2014

O QUE DÁ PRAZER

Nas últimas duas semanas alguns amigos andaram me perguntando o por quê de eu estar demorando tanto para escrever novos textos... a verdade é que não estou demorando. Eu escrevi dois textos neste meio tempo, mas minha família simplesmente vetou a publicação. E eu, na minha inocência, achando que não há mais censura.
O primeiro texto que escrevi, modéstia a parte, ficou sensacional. Chama-se MEL. Mostrado apenas para pessoas da família e poucos amigos próximos, fez um sucesso estrondoso. Muitos pediram que eu publicasse, mas minha irmã que é advogada me aconselhou firmemente a manter a história descrita em sigilo com medo de eu tomar um processo. Então o texto está aqui, mas vetado. 
Bom, como eu sou vaidosa, se alguém tiver interesse, por favor mensagens inbox!

O outro texto que escrevi foi sobre amizade. Também vetado. Carái véi! Porque eu não posso simplesmente falar o que eu penso. Não estou mandando recados. Estou só constatando fatos. Este ainda vou publicar, deixa só a poeira baixar... Me aguardem.

Mas estava pensando em um outro tema que me acompanha incansavelmente nos últimos meses: como as pessoas adoram ser reconhecidas. É natural. É adrenérgico. O reconhecimento é uma das melhores fontes de energia para a continuidade da pessoa como indivíduo neste mundo. Mesmo que a pessoa não queira, o fato dela ser reconhecida traz uma alegria incontestável que a faz seguir em frente. Um pequeno gesto de agrado, incentivo, mostra o quanto nós não evoluimos. Porque é institivo isso. A minha cachorra também se sente incentivada a progredir quando recebe agrados. Um dia, quando era mais nova, ela foi levada a uma aula de Agility. Aquela atividade na qual o cachorro pula obstáculos e entra em túneis, tudo correndo muito para numa competição ver quem termina em menos tempo. Dizem que o cão se diverte. Mas o que ocorre realmente é que eles adoram os carinhos, os agradinhos, que recebem quando fazem tudo certo.
Pois é, minha cachorra teve um desempenho espetacular no Agility. Na primeira aula já conseguiu um nível de energia bem superior aos seus coleguinhas de turma, o que a fez pensar que era certo subir na pia da cozinha sempre que pensasse em ficar feliz. E era frequente. Deu trabalho explicar que a cozinha não era um campo de Agility.
Enfim, o reconhecimento é importante. E não me venha falar de vaidade porque isto não tem nada a ver com ser vaidoso ou não. Outro dia por exemplo eu fechei um cruzamento no trânsito e fui super aplaudida pelos carros ao meu redor. Foi legal! Agradeci e tudo. Não conseguia ouvir o que diziam porque as minhas janelas ficam fechadas quando dirijo, mas aplaudiram e gritaram muito, o que me deixou feliz o resto do dia.
E por fim constatei também dirigindo que muitas das coisas mais legais que fazemos são aquelas coisas que conseguimos fazer com as duas mãos. 
No meu caso, além de procedimentos técnicos no trabalho, uma das melhores coisas que faço de maneira ambidestra é comer. Quando eu era pequena e fazia balé, nunca entendia a professora, tia Lenira, dizendo muito brava "iniciem com a perna direita a frente, a perna do lado da mão que vocês comem". Só faltava dizer "do lado que vocês comem porra!". E eu sempre errava. É verdade que tinha 50% de chances de acertar, mas nunca tive sorte em apostas...
Posso comer segurando garfos e facas com uma mão ou com a outra, é uma maravilha. No momento estou treinando segurar mais de um garfo ou diversas facas em cada mão, sendo extremamente bem sucedida até agora. Logo mais vou performar uma refeição com seis talheres simultâneos... vai ser num horário próximo das 17 horas. Se eu não mandar notícias num intervalo de 4 horas a seguir da janta, por favor mandem alguém checar! 
Atenciosamente.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

OS GUARDAS DE TRÂNSITO

Mais de um mês se passou desde minha última postagem e outro dia mesmo me perguntaram se eu não ia mais escrever, colocar no papel meus devaneios. 
Aí pensei, e continuo pensando diariamente em múltiplas idéias maravilhosas para discutir por aqui, mas com um conteúdo politicamente muito incorreto. São idéias ótimas, que usualmente discuto com meus amigos, mas que quando colocadas no papel, sem as inflexões de voz que nos livram talvez de inimizades eternas, não conseguimos expôr na escrita.
Sempre pensei na escrita como monocórdica. Existem e por vezes usamos o recurso das letras MAIORES ou menores ou muito menores para indicar inflexões. Mas com assuntos tão politicamente incorretos, fica difícil mesmo com estes recursos, escapar de um mal entendido.
E olha que pensei, sobre política, religião, sexo, e muitas outras pautas que gostaria de discutir aqui. MAS NÃO POSSO!!! MERDA!
Então hoje vou dar uma pequena palavra sobre uma coisinha que vem me incomodando há semanas: a falta de sentimentos dos guardas de trânsito.
Outro dia distraidamente passei em um sinal vermelho. Estava cantando uma música e no melhor do refrão não vi que o sinal havia fechado. Também, era uma parte da música que eu tinha que usar as mãos e os pés para representar, o que significa que naquele momento não havia mesmo ninguém no controle do veículo. E olha que eu dirijo bem! Foi apenas um momento...
Mas o que mais me abismou foi o fato de eu não ter sido multada. E tudo isso aconteceu numa fração de segundos bem no nariz de um guardinha de trânsito.
Aí fiquei pensando... se eu fosse um guarda de trânsito eu também não me multaria. Pô, eu tenho sentimentos, e tenho também o meu lado filosófico curioso, que indagaria os motivos.
Eu ia querer saber o por quê daquela infração hedionda, bem embaixo do meu nariz. Por que uma pessoa em sã consciência atravessaria um sinal vermelho, berrando dentro do carro com uma mão na cabeça e a outra segurando o que parecia fazer as vezes de um microfone... os pés aparentemente visíveis através do vidro dianteiro do veículo...?? Pensaria mesmo que esta pessoa NUNCA poderia ser simplesmente multada! Não sem antes me brindar com uma bela explicação. Eu pararia o veículo infrator e iniciaria - com toda a minha autoridade - um questionário. Incontáveis perguntas para satisfazer minha curiosidade! E posso garantir que muito guardinha por aí teria uma vida muito mais saudável se fossem estimulados a interagir. Afinal eles lidam com o público!
Né?!
O problema é que eles não tem coração. Não querem saber! Simplesmente vão lá e multam! Emburrecidos pela lida. Assim como aconteceu um dia - NO MEU ANIVERSÁRIO! - quando fui terrivelmente multada por estacionar 5 minutos num lugar proibido. Achei um absurdo isso.
Ou quando parei o caro num local proibido e peguei um táxi para o aeroporto. A placa de proibido estacionar estava bem atrás da copa de uma frondosa árvore, impossível de ser vista! Mesmo que a placa gritasse, eu nunca ia adivinhar que o grito pudesse vir de um sinal de trânsito altamente colocado acima da minha cabeça. Não vi! Não vi e pronto! Voltei do Rio de Janeiro após 4 dias de um delicioso feriado o qual meu carro passou hospedado num albergue da prefeitura. Lugar horroroso, cheio de carros velhos, muitos deles guinchados injustamente como o meu... Pior é que para me devolver o carro, me fizeram pagar uma tonelada de multas antigas, das quais eu nunca tinha ouvido falar. Resumindo: sequestraram meu carro e pediram um resgate fenomenal, o qual tive que pagar sem ao menos poder discutir cada uma das infrações das quais eu estava sendo acusada. Esse é o problema, a gente não tem nem chance de argumentar! O próprio guinchamento eu achei injusto! Se tivesse um guarda interativo lá onde eu parei, embaixo da árvore com a placa, tenho certeza de que muita energia seria poupada!
Será que o embotamento afetivo é um pré-requisito para ser guarda de trânsito? Nesse caso onde é que eles seriam recrutados? Eu até sei, mas achei boa a pergunta.
Uma coisa realmente é certa: eles - os guardas de trânsito que não interagem - não sabem o que estão perdendo!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Comer, dormir, comprar

Nestes dias recém-passados, provei de uma amostra da Colômbia, indo parar lá quase por acaso, e de uma forma bastante voluntária. Que país!
Descrevo uma mescla de México com Brasil. De nossa terra verde-amarela, meu mais recente país desbravado tem muito em comum com São Paulo, minha cidade adorada. Algo em torno de 8 a 9 milhões de habitantes dividem um transito caótico e sem preferenciais. Todo mundo invade a pista de todo mundo. E buzinam muito, muito mais que em qualquer lugar que já tenha trafegado (com exceção, é claro, da Bolívia). Dos simpáticos mexicanos, eles tem o colorido. Quando prestamos atenção às vitrines, as cores se revelam como uma profusão mágica de arte e inspiração. Uma beleza rara.
Quantas são as cores trabalhadas com riqueza de detalhes, no couro, nos tecidos, nas joias. Artesanatos sofisticadíssimos para ornamento do que se pode imaginar. Ombros, colos, paredes.
E como se come bem na Colômbia! A despeito dos altos impostos, as refeições são um manjar para olhos, olfatos e paladares. Tanta degustação, com alta qualidade e lauta quantidade, exige preguiça e relaxamento do corpo. A consequência...
A musa de Botero.
Nas dependências do museu, senti uma alusão à minha pessoa em cada uma daquelas mulheres retratadas, as mulheres rotundas e sem movimentos. Felizmente o douto mestre jamais colocou seu olhar sobre a minha pessoa.
Nada de passeios ecológicos ou desportivos, não desta vez. Um pouco de praia, na medida do possível, uma vez que nem sempre as faixas de areia sejam lá grande coisa.
De movimento corpóreo, somente as solas dos sapatos e o atrito contra as vias bem pavimentadas, tendo como companhia a carteira e os bolsos.

quinta-feira, 8 de março de 2012

HOJE TIVE UM DIA BOM!

Então agora a noite, ou melhor já de madrugada, quando fui passar um hidratante nos lábios para dormir, me lembrei do hidratante labial importado que eu usava e que um belo dia apareceu estragado. Eu achei incrível como em tão pouco tempo de uso o produto poderia assim, um belo dia, aparecer estragado. Fiquei dias e dias pensando no assunto, afinal era um produto bom, e caro. Até que passadas quase 2 semanas do ocorrido me lembrei! E acredito piamente que o tal hidratante pode sim ter se deteriorado por causa disso. É que toda noite a Vynna - minha cachorra - fica me olhando enquanto eu me preparo para dormir. E ela fazia uma carinha quando eu passava o batom... que eu não resistia e passava nela também. E ela adorava! Pode ter estragado o hidratante, mas que foi divertido enquanto durou, isso foi!
Me lembrei também do dia em que alguém falou que minha irmã era triste, provocando na família tal comoção que nos levou - a nós e aos nossos amigos - a tirar fotos com a cara amarrada em todos os eventos sociais que sucederam este episódio nos 2 anos seguintes à tal heresia. Bom, outro dia me falaram que eu tinha um semblante que irradiava uma certa tristeza, e eu pensei em divulgar isto entre família e amigos para ver se a onda pegava de novo. Há! era muito divertido, alguém falava "olha a foto!!" e imediatamente a turma fechava a cara para a pose. Tenho vários exemplares destes 2 anos de fotos amarradas e todas elas me trazem muito boas e divertidas recordações.
É que hoje tive um dia bom... aliás, muito bom!
Não vou descrever nada com detalhes porque o que é muito bom para uns é deveras chato para outros.
Mas sabe aqueles dias em que tudo dá certo?
Trabalhei, conversei com um monte de gente que não atualizava o assunto há semanas, operei com sucesso meus pacientes, tomei um lanche com meu amigo de cirurgias, depois desmarquei a minha aula de ginástica (tenho de confessar que adorei essa parte!) e fui ao cinema com meu amigo David.
O filme tava ótimo, o pseudo jantar de depois foi muito bom, e eu voltei para casa ouvindo Michael Buble. São Paulo estava uma delícia, não andei no trânsito, a lua estava cheia e linda... 
Meu time ganhou!!! Vai Corinthians!!
E olha que eu não estou sendo romântica.
Meu dia realmente foi bom!
Por fim cheguei na minha casa e nenhuma luz queimou! Aí me lembrei que nenhum chato me ligou! E então tive que abrir o computador e registrar o "dia perfeito" com a certeza de que amanhã será melhor ainda!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O SHOW DE SAMBA

Então vamos lá, inaugurar mais um mês neste blog, com o primeiro texto de dezembro...
Ganhei um cd de pagode, destes com os melhores, os piores, enfim, todos os sucessos do Fundo de Quintal. E tenho de confessar, o cd é muito bom. Ouço no meu carro, no meio do trânsito, e cantarolo as letras fáceis e adesivas, me imaginando na praia, com uma cerva bem gelada, debaixo de um sol escaldante. Até aí a máxima semelhança com o meu imaginário se dá por meio dos meus óculos escuros da Mormaii, a única coisa em minha vestimenta que cheira a verão.
Bom, depois de duas infindáveis semanas ouvindo um bom pagode, troquei o cd por um cd de jazz. Se for pensar com cautela, não foi uma mudança tão radical, afinal pagode e jazz são dois expoentes da música negra com raízes africanas. Só nasceram em lugares diferentes, mas têm quase que a mesma origem.
E me lembrei nesse meio tempo de um show de samba que fui assistir com a minha irmã nos idos dos anos 90. Naquela época não havia internet e para conseguir bons ingressos tínhamos que amargar horas em filas de bilheterias. Pois bem, fomos com um amigo que conseguiu 4 ingressos: um para ele e outros 3 para mim e minhas duas irmãs.
Todo mundo que nos conhece sabe bem que a Daniela não se destaca pela audição apurada, o que a faz falar muito alto em diversas situações, principalmente em locais barulhentos.
Fomos ao show. Chegamos cedo e logo pegamos um lugar na fila, e, sem brincadeira como éramos as únicas pessoas brancas no meio de quase mil pessoas de outras colorações. Qual não foi minha surpresa quando distraidamente a minha irmã se virou para nós e num tom surpreendentemente elevado para a ocasião, soltou: PORRA! MAS SÓ TEM A GENTE DE BRANCO AQUI!!!
Naquele momento senti como se todas as pessoas do mundo se virassem para nos encarar. E se fez um silêncio espetacular. Incrível o poder das palavras né?
Só sei que no momento seguinte meu amigo iniciou um batuque e quase que em uníssono eu e a minha outra irmã - a não surda - iniciamos um corinho de uma música em homenagem ao Zumbi dos Palmares, como se tivéssemos nascido no próprio quilombo. É realmente impressionante o que fazemos quando estamos sob pressão.
No momento seguinte nossos "amigos de fila entraram no coro" e assim adentramos o espetáculo, cantando e batucando, o que me faz pensar que... quando imaginamos que tudo está perdido, nada como um bom samba pra alegrar os nossos e por ventura, também os corações alheios!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pedal do Meio

Nada como duas horas no trânsito.

Suficientes para sentir os 32,5ºC como se fossem vinte, depois quarenta, depois molhados.

Nada como tirar a sandália e não tirar os olhos do meu retrovisor com medo de se repetir a mesma cena de assalto (se bem que já tenho um celular reserva em um dos porta-copos).

"Vou deixar a janela meio aberta mesmo". E agradecer o pote de mil mentos que comprei só porque cabe certinho no meu outro porta-copos ocioso e também como previdência para um belo trânsito sextafeiral.

Li o final do conto do Veríssimo, vi se minhas unhas já secaram, buzinei, estressei, odiei e fechei a janela quando parei do lado do boteco (não daqueles sujos dos quais eu, imunizadamente, amo tomar café no copo americano) de aparência e clientes asquerosos.

Eu tinha que ficar na faixa da esquerda rápido...não por nada, só pra gritar "Goiabaaa!!".

E eu comprei a inflacionada e mais deliciosa transgênica goiaba vermelha do mundo dos faróis!

Dai tudo ficou bonito mesmo. Meu ipod descobriu que não pode tocar Kitaro depois de tocar Roulette Dares, minha maquiagem se descobriu derretida e a chuva choveu, parou e brisou um vento digno de correr o risco com as duas janelas abertas e de aumentar o som e jogar o braço pra fora e sentir algumas gotas persistentes.

E assim eu me despedi da flor presa no meu vidro da frente, que cuidou de ficar lá comigo por duas horas, até a nova chuva.

Que choveu na hora certa o suficiente pra preparar o mato daqui de casa, que se perfumasse com aquele cheiro molhado e verde dos serenos...

Serenidade em hora tão irônica e mais bem-vinda.

novembro 2010



Esse texto não é meu ele é de Layla el Mouallem, uma amiga da Santa Casa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A VACA DA MARGINAL

Sei que tenho uma imaginação criativa. Que sou imaginativa. Enfim, que às vezes devaneio em idéias absurdas. Sei de tudo isso.
Pois bem. Ontem, em meio a um engarrafamento colossal, me peguei a pensar que ninguém nesta cidade olha para cima. É! Isso mesmo. Ninguém tem o costume de olhar para cima. As pessoas só enxergam um palmo à frente do nariz, e olhe lá!
Após infinitos minutos no trânsito resolvi que era hora de apreciar melhor nossa cidade. E olhei pra cima... E foi então que eu vi!
Uma vaca!!! E ela estava lá, com 4 chifres, pendurada da cintura pra fora de uma cobertura em plena Marginal do Rio Pinheiros.
À princípio fiquei desconcertada, pensando se havia realmente visto certo, mas ela estava lá, observando o trânsito caótico, em plena 4a feira a tarde.
Eu sei que o trânsito altera nossas idéias, além do fato de eu estar febril naquele dia, mas tenho certeza de que realmente vi!!
E para finalizar só me resta fazer um último apelo: quem passar pela Marginal do Rio Pinheiros, vindo da Juscelino, em direção à ponte da Rebouças, faz só o favorzinho de dar uma olhadinha pra cima e ver se enxerga a porra da vaca! Só pra eu ter certeza de que não estou pirando.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gente feliz e descomplicada

Gente feliz é assim.
Ao encerrar minhas atividades laborais nesta quinta-feira, tomei uma via pouco usual. Tinha sido um dia pouco comum. Enquanto dirigia, tráfego não muito intenso, escutava calmamente uma canção de Melody Gardot quando uma letra bem conhecida da música popular brasileira, literalmente em alto e bom som, fez uma curva de noventa graus em meus devaneios.
Que ninguém me pergunte “qual era a música”. Alguma coisa agradável, sem muito a ver com o boteco de onde ela eclodia. Não era música ao vivo, não. Alguns homens na calçada bebendo cerveja Skol. Desde que estivesse gelada, tudo estaria perfeito. Isso é que é happy hour.
Girei novamente minha atenção, agora para alguns amigos bem queridos, mas que só tomam vinhos de safras nobilíssimas em taças de cristal que não façam feio em qualquer recepção do Itamaraty.
E aqueles homens estavam comendo alguma coisa. Olhando com mais atenção, o farol já por abrir, vi mulheres também, várias pessoas em uma mesa na parte interna. Certamente não comiam foie gras (eu também não como, pelos princípios ecológicos e pelo paladar). Torresmo, batatinhas, bacon, frango frito? Não importa. Todo mundo alegre, sem pensar muito no chef, na qualidade superior do ingrediente, na acidez do azeite (haveria azeite de oliva por lá!?).
Farol verde, baixei o vidro, sorvi a música (perdão, Melody), ouvi algumas boas risadas de brinde e arranquei. Cheguei à casa, marido no trabalho (céus, por que não fui à academia?)...
Gente descomplicada vive melhor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

TRÂNSITO

Eu odeio o trânsito, eu abomino o trânsito.
O único trânsito que eu me interesso é o meu trânsito intestinal.
O trânsito intestinal está intimamente ligado ao trânsito das ruas. Quando os dois param, ficamos "enfezados". Quando os dois aceleram, o nosso sentido de urgência se destaca, começamos de pronto a correr vertiginosamente querendo de imediato nos ver livres daquilo que nos incomoda.
Pior ainda, quando os dois trânsitos estão acelerados, risco sério de acidente grave.
Quando o primeiro está parado e o segundo acelerado então, multiplique o inferno de Dante pelo grau de miserabilidade do ser humano, e terás uma certa noção do que é pressa.
Dizem que o trânsito intestinal pode ser mais rápido que um piscar de olhos, mais rápido que a velocidade da luz, como diria joãozinho:
- A coisa foi tão rápida que não deu tempo de pensar em piscar o olho e de acender a luz, me borrei todo...
Voltando ao trânsito, essa coisa chegou aqui em Santos.
Fugi de São Paulo por causa dele. Estão pensando até em fazer rodízio por aqui.
Pasmem!
Por aqui estamos levando quase 20 minutos para ir de um extremo da cidade até o outro...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

DEDO NO NARIZ

Outro dia uma amiga minha tomou uma multa por dirigir falando ao celular.
Tá certo, também acho errado. A distração causada pelo celular já é incrível quando atendemos via bluetooth. Na verdade acho a distração muito mais relativa ao teor da conversa do que por segurarmos o aparelho com a mão, o pé ou os dentes - tenho um amigo que consegue!
O que me intriga no entanto é que a infração é caracterizada por segurar o aparelho com uma das mãos e dirigir o carro com a outra, a mão que está livre - só para frisar!, mesmo ato cometido por aqueles motoristas que costumam limpar o salão enquanto dirigem. Agora a pergunta: colocar a mão no nariz enquanto dirigimos não é infração??? E os radares, será que algum deles pega a "mão no nariz"?
Outro dia fiquei parada atrás de um carro, cujo interior estava preenchido totalmente - o cara era enorme! - por uma figura extremamente empenhada em deixar seu próprio nariz livre de qualquer impureza. Tenho impressão de que se eu não buzinasse insistentemente ele ia limpar a própria cara do seu próprio nariz.
Os caras da CET ficam alertando que no atender ou ao enviar mensagens de texto enquanto dirigimos, ficamos não sei quantos segundos sem prestar atenção ao trânsito que nos rodeia. Imagina o cara com o dedão no nariz!!! Quando a meleca é grande e deve ser retirada cuidadosamente, ou quando a meleca cai no chão do carro desidratada de tanto ser rolada entre os dedos... eu sei que é nojento, mas imagina quanto tempo o cara não perde de trânsito no exercício desta arte! E o pior: não é considerado infração!!!
É revoltante.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

FÉRIAS PRA QUÊ?

Hoje estou de férias!!! Uhuuuu, êêêêêêêêêêêêêêê, yessssssss, etc (mas sem muito entusiasmo)...
Cheguei em casa, tirei a roupa do trabalho, voltei pra cama e fiquei - de verdade - uns 15 minutos olhando para o teto, imaginando o que fazer.
MAS NÃO TEM NADA PRA FAZER!!
E eu que esperei tanto, almejava tanto estas férias, de repente me senti perdida (quero dizer, MAIS perdida).
E grande parte dessa culpa se deve a um sentimento romântico que me arrebatou hoje pela manhã.
Eu estava tão feliz, indo pro meu último dia de trabalho pré-férias que, em meio a um congestionamento romanesco, fui "agredida" pelo sentimento romântico supra-citado.
Comecei então a ver as coisas rotineiras com mais cores do que o habitual. E não, eu não tomei nada de diferente no café da manhã!
Na ida pro trabalho, observei um bando de pombos em revoada, depois vários urubús nas margens do rio Tietê... e fiquei pensando: pra quê pagar uma nota em ecoturismo se eu vejo animais selvagens em seus habitats naturais todos os dias? É só reparar. Tudo tem a sua beleza...
Bom, na hora em que vi uma garça, minhas férias perderam totalmente a razão de ser!
Agora eu me encontro nesse dilema entediante, sem nada pra fazer e sozinha em casa com uma cachorra que, desde ontem, encontra-se obcecada por uma bola de futebol verde.
E me pergunto: férias pra quê?
Acho que vou dar mais uma passeada na Marginal.

domingo, 31 de maio de 2009

Ainda no trânsito.

No trânsito há algum tempo por vezes me distraio imaginando a vida privada de cada pessoa dentro dos carros ao redor do meu. E não é que temos algo em comum? Pelo menos estamos na mesma via, na mesma hora, numa enorme cidade. Coincidência, não? Incrível mesmo. Imagine se conhecer depois e dizer: sabe que no dia tal, exatamente a certa hora, eu estava na rua Natingui... e o outro diz: não é possível!! Eu também!!! E imaginar, ao meio-dia e meia, que a mulher do carro ao lado busca tranquila seu filho adolescente, já fizera as compras para o jantar, pensa na festinha de depois de amanhã, o que usar... Será que eles estão felizes? Tristes? Teria acontecido alguma coisa em suas vidas? Hoje? Se algo relevante, muito bom ou trágico acontecer naquele local e naquele instante teremos o mesmo destino. Ou ao menos apareceremos lado a lado em algum noticiário.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

NO TRÂNSITO

Pelo tanto de bobagens que eu escrevo neste blog, vocês (e eu estou falando sim com vocês, meus TRÊS!! leitores) devem achar que eu não tenho nada para fazer. Não é verdade. O tempo em que eu maquino esses pensamentos são simplesmente as horas infinitas diárias que eu passo no trânsito. O trânsito é uma fonte inesgotável de inspiração. O trânsito é ativo, coisas acontecem o tempo todo, dentro e fora (mais dentro do que fora!) da nossa cabeça. Tenho tantas idéias que vocês iriam ficar bobos. O problema é que quando chego no computador, já esqueci uma boa parte delas. Por isso, a partir de hoje vou levar um gravador de voz pra não esquecer de nenhuma besteira.
Ah! E também vou iniciar uma série de fotos urbanas. Só não publico as primeiras - tiradas hoje - porque ficaram tremidas. Tá meio difícil dirigir e tirar fotos, mas isso é só um problema de logística que será em breve resolvido (acho!).

PS: Só pra esclarecer, meus 3 leitores são: a daniela, o loopy e o anônimo, que eu estou seriamente desconfiada que se trata de uma dessas duas pessoas supra-citadas.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

FALOU COM O RÁDIO?

Sempre que estou presa no trânsito consigo distinguir o meu estado estado de humor pelas conversas que tenho com o rádio do carro.
Em primeiro lugar, só o fato de falar com o rádio já é um sinal indicativo de que as coisas não estão indo muito bem.
Hoje estava ouvindo uma música tão chata, de um cara que se lamentava tanto por um amor mal resolvido, que até eu que sou forte fiquei com ânsia de vômito. Não pude deixar de comentar em alto e bom tom: "também cantando essa música você merece mesmo ser corno! Não vê que a mulher não vai voltar nunca porque você é CHAAATTTTTTOOOOOOOO!!!"
Como é que pode cair na mídia uma música dessas? E aí eu me pego conversando com o rádio e faço a minha avaliação sobre o humor do dia... péssimo obviamente.
O rádio frequentemente irrita a gente... então se a gente responde, funciona como quando a gente compra uma briga ao invés de ficar quieto. A gente briga sozinho porque ele - o rádio - "quase" nunca responde! Sim, porque às vezes ele surpreendentemente responde, como quando a gente abre um livro em qualquer página e lê qualquer frase, e acha - na verdade, tem certeza!! - que fez uma previsão para o futuro próximo. Assim são as respostas do rádio, como horóscopos! palavras e frases soltas que de vez em quando fazem um sentido imenso.
Preste atenção, observe... quando você responde pro rádio ou simplesmente quando dá aquela vontade pruriginosa de responder, o seu humor não está lá essas coisas. Mas às vezes é bom, desabafa, a gente se sente mais leve e afinal, não estamos falando falando sozinhos né? O rádio é que provocou!