Então vamos lá, inaugurar mais um mês neste blog, com o primeiro texto de dezembro...
Ganhei um cd de pagode, destes com os melhores, os piores, enfim, todos os sucessos do Fundo de Quintal. E tenho de confessar, o cd é muito bom. Ouço no meu carro, no meio do trânsito, e cantarolo as letras fáceis e adesivas, me imaginando na praia, com uma cerva bem gelada, debaixo de um sol escaldante. Até aí a máxima semelhança com o meu imaginário se dá por meio dos meus óculos escuros da Mormaii, a única coisa em minha vestimenta que cheira a verão.
Bom, depois de duas infindáveis semanas ouvindo um bom pagode, troquei o cd por um cd de jazz. Se for pensar com cautela, não foi uma mudança tão radical, afinal pagode e jazz são dois expoentes da música negra com raízes africanas. Só nasceram em lugares diferentes, mas têm quase que a mesma origem.
E me lembrei nesse meio tempo de um show de samba que fui assistir com a minha irmã nos idos dos anos 90. Naquela época não havia internet e para conseguir bons ingressos tínhamos que amargar horas em filas de bilheterias. Pois bem, fomos com um amigo que conseguiu 4 ingressos: um para ele e outros 3 para mim e minhas duas irmãs.
Todo mundo que nos conhece sabe bem que a Daniela não se destaca pela audição apurada, o que a faz falar muito alto em diversas situações, principalmente em locais barulhentos.
Fomos ao show. Chegamos cedo e logo pegamos um lugar na fila, e, sem brincadeira como éramos as únicas pessoas brancas no meio de quase mil pessoas de outras colorações. Qual não foi minha surpresa quando distraidamente a minha irmã se virou para nós e num tom surpreendentemente elevado para a ocasião, soltou: PORRA! MAS SÓ TEM A GENTE DE BRANCO AQUI!!!
Naquele momento senti como se todas as pessoas do mundo se virassem para nos encarar. E se fez um silêncio espetacular. Incrível o poder das palavras né?
Só sei que no momento seguinte meu amigo iniciou um batuque e quase que em uníssono eu e a minha outra irmã - a não surda - iniciamos um corinho de uma música em homenagem ao Zumbi dos Palmares, como se tivéssemos nascido no próprio quilombo. É realmente impressionante o que fazemos quando estamos sob pressão.
No momento seguinte nossos "amigos de fila entraram no coro" e assim adentramos o espetáculo, cantando e batucando, o que me faz pensar que... quando imaginamos que tudo está perdido, nada como um bom samba pra alegrar os nossos e por ventura, também os corações alheios!
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
MEU QUERIDO DIÁRIO - por Daniela Rosenthal
"Meu querido diário,
hoje eu passei por um stress maravilhoso.
O dia passou feito noite estrelada. Estrelas de fazerem cair seu queixo.
Tenho tantas novidades que nem sei por onde começar.
É diário, tem dia que é noite. Daí a noite vira dia, e por aí vai não é
mesmo meu querido?
E assim vamos vivendo, e escrevendo em você pq o soninho demooora a chegar.
Mas você, ah voce é feliz.
Não tem contas pra pagar (fui eu quem pagou por você. Lembra?), não tem celular, não sente raiva nem dó de ninguém. Totalmente alienado. Isso é ótimo não é mesmo bem? Claro que hoje quando digo caderninho, me refiro a um diário eletrônico, ou melhor ainda, a um celular. Sim, pra quem não sabe, agora o diário virou celular.
Pq hj nós temos no mercado: smartphone, iphone, vc, são tantos fones né meu amor?
Que bom, pq senão jamais descarregaria essas palavras a respeito do meu dia.
Então...é isso aí.
Durma bem querido.
Amanhã volto pra te contar sobre o novo dia.
É! Para toda noite há sempre um amanhecer, quer dizer, nem sempre né???
A noite é um feto. E aí ó! Ouviu?
Vai chover e justamente hoje é sábado.
Legal né diarinhuuu!"
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Dona Morte.
Quem só escreve nas férias, qando se está feliz e tranquilo, deve sempre escolher um tema assim, digamos, leve. Férias também é período de médicos e check up, depois de certa idade. Um médico de uma clínica de cardiologistas estima que o uso do fio dental traga mais seis anos de vida, por remover bactérias que agridem os dentes e o coração. Acontece que as pessoas inevitavelmente pensam que quando chegar o dia, ao avistarem a Dona Morte, com sua foice, poderão argumentar: "Ei, espere aí, eu usei o fio dental todos os dias, ainda tenho direito a mais seis anos!". Não adianta. Sem barbarizar, o negócio é aproveitar. Ao descobrir que fácil irritabilidade, dores de cabeça frequentes, dor de estômago, insônia, dentre outros sintomas, são consequências do estresse, podemos, maravilhados, sentir tudo sem culpa! Não tem jeito, são consequências de uma moderna doença, o estresse; não estamos nos auto corroendo, não temos culpa e nem controle sobre isso. Enquanto tentamos relaxar, para nos livrar dos sintomas do estresse, os infelizes, pessoas que nada têm para fazer, por falta de interesse, de imaginação e de curiosidade, tentam vorazmente tomar o nosso tempo. Temos que nos libertar. O ócio apenas para os espertos e inteligentes estimula a imaginação, permite a busca para a solução dos problemas, para novas atividades, mudanças saudáveis. Filhos, familiares em geral, livros, filmes, cultura geral e cultura específica, ócio e chocolates devem garantir pelo menos mais cem anos de vida.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
PEQUENOS FATOS A SEREM DISCUTIDOS
Outro dia notei que por diversas quando trabalho, por mais que adore aquilo que faço, me sinto mal.
Não por nada que esteja fazendo, mas me sinto fisiologicamente mal. Tenho tonturas inexplicáveis e dores no peito, como que se evoluísse com uma queda brusca da pressão arterial e meu coração brigasse com o resto do corpo querendo saltar para fora e dar uma puta bronca em todo mundo. Todo mundo entenda-se todos os outros órgãos.
O corpo da gente também pode sofrer uma pane administrativa. Será que o trabalho faz mal?
Outra coisa que anda me incomodando é a vontade dessa gente rica de... aparecer.
Rico que é rico mesmo tem até a capacidade camaleônica de se transformar em gente pobre, só para aparecer. Por exemplo, quem é que nunca viu um rico cantando e dançando pagode em roda de samba no verão? E rico desfilando em escola de samba e beijando fraternalmente seus amigos pobres na avenida? PÔ! Cadê esses amigos no resto do ano???? Eu não vejo essas pessoas frequentando a high society nos dias que se seguem à quaresma!
Tenho mais coisas pra escrever mas não consigo me lembrar agora. Talvez isso seja bom, não me lembrar...
Fica pra próxima.
Não por nada que esteja fazendo, mas me sinto fisiologicamente mal. Tenho tonturas inexplicáveis e dores no peito, como que se evoluísse com uma queda brusca da pressão arterial e meu coração brigasse com o resto do corpo querendo saltar para fora e dar uma puta bronca em todo mundo. Todo mundo entenda-se todos os outros órgãos.
O corpo da gente também pode sofrer uma pane administrativa. Será que o trabalho faz mal?
Outra coisa que anda me incomodando é a vontade dessa gente rica de... aparecer.
Rico que é rico mesmo tem até a capacidade camaleônica de se transformar em gente pobre, só para aparecer. Por exemplo, quem é que nunca viu um rico cantando e dançando pagode em roda de samba no verão? E rico desfilando em escola de samba e beijando fraternalmente seus amigos pobres na avenida? PÔ! Cadê esses amigos no resto do ano???? Eu não vejo essas pessoas frequentando a high society nos dias que se seguem à quaresma!
Tenho mais coisas pra escrever mas não consigo me lembrar agora. Talvez isso seja bom, não me lembrar...
Fica pra próxima.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A BOMBA PEIDOGÊNICA
Você já pensou no seu local de trabalho como se fosse um front de batalha?
Já sentiu vontade de colocar o seu chapéu de viking e seguir a caminho da empresa?
Fica tranquilo! Segundo uma enquete que acabei de fazer - na verdade perguntei pra uma pessoa apenas, mas de extrema confiança!! - você, que já pensou nisso tudo, é N O R M A L.
Mesmo aqueles que adoram o que fazem têm o seu dia de luta. Deve ser por isso que trabalho é sinônimo de "luta", "lida", "labuta", nomes fortes de batalha, de defesa e ataque, de combate.
Imagina um amigo ligando pro outro no escritório ou mandando um torpedinho via celular: "e aí cara, tudo bem? No trampo?"
E a respota: "hoje tá f... tô aqui no front combatendo os inimigos, muito serviço, minha lança-bic não tá sendo suficiente".
No que o amigo prontamente responde: "olha, hoje você vai ter que se virar sozinho, não vai dar pra parar pro rango porque os inimigos estão invadindo tudo aqui! Tô sem reforços!".
Passa um tempo de silêncio, quando o amigo recebe outro torpedo: " o Tentente Oliveira (no caso um terceiro amigo, da turma) foi combater hoje?"
E recebe prontamente: "o Tentente Oliveira está no turno da batalha vespertina, sabe como é... tempos de guerra..."
Passa mais um tempo e ele manda: "Putz, soltei uma bomba peidogênica aqui no recinto! Campo evacuado, INIMIGOS MORTOS!!! Se quiser, posso mandar um pelotão de reforço com essa munição - teve atum no refeitório do batalhão."
Diante do teor da última informação segue um silêncio profundo... O amigo por via das dúvidas acha prudente não dar mais corda e acaba com a brincadeira. Vai que alguém se machuca!
Esse diálogo poderia muito bem caber num contexto medieval não é mesmo?
Evoluimos? Ou estamos ainda na Idade Média?
Já sentiu vontade de colocar o seu chapéu de viking e seguir a caminho da empresa?
Fica tranquilo! Segundo uma enquete que acabei de fazer - na verdade perguntei pra uma pessoa apenas, mas de extrema confiança!! - você, que já pensou nisso tudo, é N O R M A L.
Mesmo aqueles que adoram o que fazem têm o seu dia de luta. Deve ser por isso que trabalho é sinônimo de "luta", "lida", "labuta", nomes fortes de batalha, de defesa e ataque, de combate.
Imagina um amigo ligando pro outro no escritório ou mandando um torpedinho via celular: "e aí cara, tudo bem? No trampo?"
E a respota: "hoje tá f... tô aqui no front combatendo os inimigos, muito serviço, minha lança-bic não tá sendo suficiente".
No que o amigo prontamente responde: "olha, hoje você vai ter que se virar sozinho, não vai dar pra parar pro rango porque os inimigos estão invadindo tudo aqui! Tô sem reforços!".
Passa um tempo de silêncio, quando o amigo recebe outro torpedo: " o Tentente Oliveira (no caso um terceiro amigo, da turma) foi combater hoje?"
E recebe prontamente: "o Tentente Oliveira está no turno da batalha vespertina, sabe como é... tempos de guerra..."
Passa mais um tempo e ele manda: "Putz, soltei uma bomba peidogênica aqui no recinto! Campo evacuado, INIMIGOS MORTOS!!! Se quiser, posso mandar um pelotão de reforço com essa munição - teve atum no refeitório do batalhão."
Diante do teor da última informação segue um silêncio profundo... O amigo por via das dúvidas acha prudente não dar mais corda e acaba com a brincadeira. Vai que alguém se machuca!
Esse diálogo poderia muito bem caber num contexto medieval não é mesmo?
Evoluimos? Ou estamos ainda na Idade Média?
segunda-feira, 6 de abril de 2009
FALOU COM O RÁDIO?
Sempre que estou presa no trânsito consigo distinguir o meu estado estado de humor pelas conversas que tenho com o rádio do carro.
Em primeiro lugar, só o fato de falar com o rádio já é um sinal indicativo de que as coisas não estão indo muito bem.
Hoje estava ouvindo uma música tão chata, de um cara que se lamentava tanto por um amor mal resolvido, que até eu que sou forte fiquei com ânsia de vômito. Não pude deixar de comentar em alto e bom tom: "também cantando essa música você merece mesmo ser corno! Não vê que a mulher não vai voltar nunca porque você é CHAAATTTTTTOOOOOOOO!!!"
Como é que pode cair na mídia uma música dessas? E aí eu me pego conversando com o rádio e faço a minha avaliação sobre o humor do dia... péssimo obviamente.
O rádio frequentemente irrita a gente... então se a gente responde, funciona como quando a gente compra uma briga ao invés de ficar quieto. A gente briga sozinho porque ele - o rádio - "quase" nunca responde! Sim, porque às vezes ele surpreendentemente responde, como quando a gente abre um livro em qualquer página e lê qualquer frase, e acha - na verdade, tem certeza!! - que fez uma previsão para o futuro próximo. Assim são as respostas do rádio, como horóscopos! palavras e frases soltas que de vez em quando fazem um sentido imenso.
Preste atenção, observe... quando você responde pro rádio ou simplesmente quando dá aquela vontade pruriginosa de responder, o seu humor não está lá essas coisas. Mas às vezes é bom, desabafa, a gente se sente mais leve e afinal, não estamos falando falando sozinhos né? O rádio é que provocou!
Em primeiro lugar, só o fato de falar com o rádio já é um sinal indicativo de que as coisas não estão indo muito bem.
Hoje estava ouvindo uma música tão chata, de um cara que se lamentava tanto por um amor mal resolvido, que até eu que sou forte fiquei com ânsia de vômito. Não pude deixar de comentar em alto e bom tom: "também cantando essa música você merece mesmo ser corno! Não vê que a mulher não vai voltar nunca porque você é CHAAATTTTTTOOOOOOOO!!!"
Como é que pode cair na mídia uma música dessas? E aí eu me pego conversando com o rádio e faço a minha avaliação sobre o humor do dia... péssimo obviamente.
O rádio frequentemente irrita a gente... então se a gente responde, funciona como quando a gente compra uma briga ao invés de ficar quieto. A gente briga sozinho porque ele - o rádio - "quase" nunca responde! Sim, porque às vezes ele surpreendentemente responde, como quando a gente abre um livro em qualquer página e lê qualquer frase, e acha - na verdade, tem certeza!! - que fez uma previsão para o futuro próximo. Assim são as respostas do rádio, como horóscopos! palavras e frases soltas que de vez em quando fazem um sentido imenso.
Preste atenção, observe... quando você responde pro rádio ou simplesmente quando dá aquela vontade pruriginosa de responder, o seu humor não está lá essas coisas. Mas às vezes é bom, desabafa, a gente se sente mais leve e afinal, não estamos falando falando sozinhos né? O rádio é que provocou!
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