Há 1 ano, por motivos que fogem ao meu controle, tive de alterar minha rotina. Algumas coisas ficaram no stand by, outras desapareceram, outras simplesmente parece que nunca existiram.
As mudanças vieram sob vários aspectos, mas o mais relevantes deles foi a necessidade de simplificar.
Sempre fui simplista em minhas convicções. Penso e faço, e com pressa, para aproveitar ao máximo o tempo que tenho disponível. Se quero ir ao inferno, vou lá e compro a passagem - simples assim!... É claro que nem sempre dá certo. Aliás, em 50% dos casos dava bem errado, o que equivalia a gastar o pouco tempo disponível e uma quantidade enorme de energia em projetos destinados ao fracasso.
O que me confortava nessas jornadas, tanto nas que davam certo quanto nas que davam errado, era o otimismo que sempre me acompanhou. Nunca penso no que pode dar errado, o que me faz entrar de cabeça em projetos absurdos. Bom, tenho de admitir que não deixa de ser divertido, embora às vezes me tome uma energia desproporcional e me deixe a ver navios, frustrando minhas expectativas mais prementes.
A falta de tempo sempre foi uma constante em minha vida. A cultura na minha profissão implica em preenchermos todo e qualquer espaço disponível no nosso dia a dia. Isso até ficarmos doentes. Aí tudo muda. Levamos broncas e mais broncas de todos, dizendo que devemos ter mais tempo para nós mesmos, que devemos nos cuidar, praticar esportes, comprar roupas bonitas e usar pó de arroz.
Foi o que aconteceu.
Em fevereiro renasci. Meu cabelo começou a crescer, e eu me senti como quando era pequena, com um mundo de possibilidades se abrindo a minha frente. Me livrei de tudo que não apreciava, simplifiquei!, fiz as pazes com pessoas as quais não valia a pena brigar, e me senti como num teatro da vida, na coxia, esperando as cortinas se abrirem para uma vida nova.
O mundo é o mesmo, mas eu enxergo as coisas diferentes. Reestruturei meu dia e meus horários, e agora pratico exercícios. Tenho um dia livre na semana para gastar MEU dinheiro com futilidades... e me sinto bem fazendo isso!
Mas devo ressaltar que as coisas boas em mim permaneceram, o meu otimismo com projetos malucos e a minha disposição em gastar energia a toa também estão aqui. A diferença é que as idéias não grudam mais em mim como antigamente. Consigo me livrar do que me faz mal com muito mais facilidade que antes, e, quando isso acontece me vejo novamente na coxia... com um mundo repleto de possibilidades a se abrir junto com as negras e altíssimas cortinas cerradas bem em frente ao meu nariz!
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
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sábado, 27 de agosto de 2011
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