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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VIVA OS ORNITÓLOGOS!!

Hoje vou dedicar algumas poucas palavras aos ornitólogos.
Em primeiro lugar, puta que o pariu! Como é difícil essa profissão, hobby, ou o que quer que pense a pessoa que resolve observar um passarinho. A menos que seja um condor, ou uma ave de grande compleição física, é quase que impossível seguir os passos de um animal que voa.
Olha, eu sei que muita gente deve ter visualizado um morcego nessa hora e, embora seja impossível acompanhar o vôo desse bicho, munido de um simples binóculo - porque eu já tentei! - o ornitólogo se safou dessa dificuldade. Morcego para quem não lembra, é mamífero!
Esse texto na verdade é para parabenizar os ornitólogos. Eles poderiam sim, e com muita propriedade, observar também os morcegos, pois devem ter uma experiência tal com a velocidade com que essas porras se movem, que um morceguinho simples deve ser fichinha para o olhar treinado desses estudiosos dos pássaros.
O ornitólogo tem um dom! As sinapses cerebrais desses caras devem ser pelo menos duas vezes mais rápidas do que as nossas, dos simples mortais.
Vou explicar a minha súbita admiração... Estou de férias, sem nada para fazer, nadinha mesmo. E aqui perto de casa tem passarinho a dar com o pau. Hoje eu pensei... Por que não fazer algo diferente? Peguei minha cachorra e juntas resolvemos observar os pássaros. Fizemos uma programação, eu e a minha cachorra, e retiramos os urubus do roteiro - muito fácil ver urubu, já que fizeram um ninho no telhado do vizinho bem em frente a minha janela e todos os dias vem um casal deles alimentar os filhotes. Um casal de urubus, que fique bem claro que não é o casal de vizinhos que mora aqui em frente - O CASAL É DE URUBUS!
Bom, fomos até a pracinha, sentamos no banquinho, eu com meu binóculo e, esperamos. E vou te dizer: você ouve os porras fazendo barulho, mas é impossível ver! Não da pra saber qual barulho pertence a qual criatura. E após uma tarde inteira de um irritante imobilismo observante a única coisa que eu poderia te jurar é que ouvi um esquilo piar. A minha cachorra, que não me deixa mentir, está aí pra confirmar tudo isso! Pode perguntar pra ela.
E em primeiro lugar quero que fique bem claro que EU VI UM ESQUILO!
Em segundo e último lugar, eu tenho quase toda a certeza de que ele piou!

domingo, 3 de julho de 2011

História da vida real - as férias de Narcisa

Poucos verbos expressam com tanta veemência seu significado como ‘viajar’. Quero dizer que isto implica em sair de órbita, curtir o diferente e o novo e, sim, enfrentar alguns contratempos.
Muito recentemente estive na Grã-Bretanha, e mais especificamente na Escócia. Não fui à procura do monstro do lago Ness, a Nessie (claro que o monstro é feminino), no entanto a encontrei.
Chama-se Narcisa, é bastante madura, ou deveria sê-lo, de nacionalidade vizinha à nossa e afeita a falsas intimidades. Saliento que já me senti solitária e insegura por diversas vezes, mas felizmente não sofro de transtorno de ansiedade generalizada. Narcisa sofre, e seria trágico se não fosse cômico.
Procurou com suas próprias mãos um país de língua inglesa sem o menor domínio. Revoltou-se porque os nativos não compreendiam seu idioma. No embarque para Edimburgo literalmente parou o trânsito, no momento em que foi detida com xampu e condicionador de cerca de 200 ml cada um em bagagem de mão. Aos berros, proclamava em sua língua natal que estava sendo afrontada. Pagou multa, trinta e cinco libras a menos. E embarcou os malditos frascos em seu devido lugar.
Alguns dias depois estávamos em Glasgow e a madame contratara a mesma empresa para trasladá-la até o aeroporto. Começou o enredo de novela mexicana, embora esta não fosse sua nacionalidade. Deu ordens a não mais poder ao motorista, eficiente senhor paquistanês. Sempre em seu idioma incompreensível para ele, mas não para mim. Invadiu o assento do motorista desconsiderando a mão inglesa. Sentou-se ao lado do motorista, mesmo diante de um assento disponível no banco de trás, para escândalo do condutor. Falava a não mais poder, até quando aquele senhor deu graças aos céus por ter tocado seu celular (na Escócia não é proibido usar Bluetooth à direção). É claro que a maluca imaginou que ele tivesse iniciado uma interessante conversa com ela. Não adiantou gesticular: acelerando bastante, em franco desespero, o dono do veículo nos deixou no aeroporto, aliviado.
Narcisa desceu do carro e não fechou a porta. Pragejou em alto e bom som porque diabos não estava em frente à entrada do aeroporto. Simplesmente porque era proibido parar ali. Parou várias pessoas na calçada para lhes perguntar onde era a entrada, embora estivesse diante das inúmeras placas indicativas. A princípio ignorou minha presença, eu, que estava ali a acudi-la, até descobrir que o check-in eletrônico era demais para suas habilidades. Aos gritos, sem qualquer exagero, exigia-me explicações. Ocorria que naquele momento eu estava empenhada em assegurar o meu embarque. Uma funcionária correu em seu socorro – ou ao meu – e, ao terminar, para surpresa geral, ganhou um abraço inconveniente (parece que funcionários de aeroporto não esperam por manifestações afetuosas).
Bem, a infeliz passou à minha frente e se encarregou de despachar as bagagens. Foi aí que aconteceu o inexplicável. De repente passou a entender inglês, e muito bem. Cena inimaginável, bradava, cancelado? Como, cancelado? Minha viagem é hoje! Não podem fazer isso comigo! Sapateava e não falava em inglês, naturalmente. Mais uma vez, interrompeu a fila (que mulher de parar o trânsito!). Ao descobrir que não iria mesmo embarcar porque o aeroporto de sua capital estava fechado devido à grande quantidade de cinzas emitidas pelo vulcão Puyehue (do país vizinho ao dela), chorava alto, bem alto. Os funcionários dos guichês ao lado expressavam desde incredulidade até raiva.
Recusava-se a deixar o guichê, mesmo encaminhada para o atendimento necessário às vítimas de cancelamento. Berrava que nunca mais voltaria àquele país. Tudo muito desorganizado, afinal, foi providenciada acomodação, refeições e garantia de decolagem no dia seguinte desde que o aeroporto de destino fosse reaberto. Recusando-se a entender, fiz-me de interprete, confesso que exausta de todo aquele circo. Ao receber o voucher, o show continuou.
‘Meu passaporte! Ficaram com meu passaporte’. Diga-se que o vernáculo em língua inglesa é bastante aproximado. Pode-se ter uma idéia do alvoroço entre os solícitos funcionários da companhia aérea do tal país algoz. Neste momento, sem qualquer piedade, eu, pessoa farta de tudo aquilo, coloquei de forma ímpia minha mão dentro da bolsa da bruxa e tomei a palavra, digamos, com elevação de alguns decibéis em relação à minha fala habitual: ‘seu passaporte está aqui! Aqui! Veja!’.
Pacientemente encaminhei a coisa ao hotel, em frente ao aeroporto. Como errar deve ser inumano, não prestei a mínima atenção ao lhe apontar o hotel Holiday Inn – a louca se hospedaria no Holiday Inn Express, atrás do primeiro. Corri para o portão de embarque e, após passar a bolsa pelos raios-X, dei-me conta, pela janela, de meu erro crasso.
Só espero que madame tenha sido detida, presa, encarcerada pelo escândalo que certamente fez ao descobrir o engano. Tudo culpa minha.
Narciso acha feio o que não é espelho.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

FÉRIAS PRA QUÊ?

Hoje estou de férias!!! Uhuuuu, êêêêêêêêêêêêêêê, yessssssss, etc (mas sem muito entusiasmo)...
Cheguei em casa, tirei a roupa do trabalho, voltei pra cama e fiquei - de verdade - uns 15 minutos olhando para o teto, imaginando o que fazer.
MAS NÃO TEM NADA PRA FAZER!!
E eu que esperei tanto, almejava tanto estas férias, de repente me senti perdida (quero dizer, MAIS perdida).
E grande parte dessa culpa se deve a um sentimento romântico que me arrebatou hoje pela manhã.
Eu estava tão feliz, indo pro meu último dia de trabalho pré-férias que, em meio a um congestionamento romanesco, fui "agredida" pelo sentimento romântico supra-citado.
Comecei então a ver as coisas rotineiras com mais cores do que o habitual. E não, eu não tomei nada de diferente no café da manhã!
Na ida pro trabalho, observei um bando de pombos em revoada, depois vários urubús nas margens do rio Tietê... e fiquei pensando: pra quê pagar uma nota em ecoturismo se eu vejo animais selvagens em seus habitats naturais todos os dias? É só reparar. Tudo tem a sua beleza...
Bom, na hora em que vi uma garça, minhas férias perderam totalmente a razão de ser!
Agora eu me encontro nesse dilema entediante, sem nada pra fazer e sozinha em casa com uma cachorra que, desde ontem, encontra-se obcecada por uma bola de futebol verde.
E me pergunto: férias pra quê?
Acho que vou dar mais uma passeada na Marginal.