sábado, 11 de janeiro de 2014

O GATO

Hoje eu entrei no meu carro para vir trabalhar, liguei o carro, depois liguei o rádio, e me concentrei nas notícias do dia. Andei cerca de dois quarteirões quando a moça do tempo começou a falar sobre o calor.
Em meio à sua fala porém, com muita atenção, percebi o miado de um gato. Pensei: não se faz mais rádio como antes, a moça vem falar do tempo com um gato no colo e o microfone da redação provavelmente ficou aberto, deixando miados leves permeando a terrível onda de calor do nosso dia a dia.
Mudei de estação. Música. Música de rock. E miados de gato!
Imediatamente parei o carro!
Comecei então a procurar. Freneticamente! Sentei no meio da rua para olhar embaixo do carro. E ouvia miados esporádicos, o que me deixava na dúvida até que ponto aquilo tudo era real.
Chamei um guarda, que apesar de me ajudar, também estava duvidando da minha sanidade mental.
E foi depois de uns 7 minutos de busca incessante e silenciosa que ouvimos. E aí o guarda ouviu também! Vários miados!!

Tenho de fazer um adendo aqui, pois é verdade que quando o guarda chegou eu já estava toda suada de ter quase deitado no meio da rua para olhar embaixo do carro.
Aí quando ele perguntou o que estava acontecendo eu tive que reunir toda a minha coragem e um resto de dignidade para falar que alguma coisa estava miando dentro da carroceria do carro. Nisso o gato - é claro - mergulhou no mais completo silêncio, só pra me ajudar. E eu falando sem parar "mas o sr não tá ouvindo?". Até que eu fui iluminada pela mais insana idéia de dizer "olha seu guarda, tem alguma coisa miando no meu carro" e imediatamente emendei "mas pode ser um passarinho né!!", frase esta seguida pelo meu mais sincero sorriso.
Bom, o guarda não riu.
E graças ao bom Deus o gato voltou milagrosamente a miar e me salvou de uma situação meio desagradável prestes a acontecer.
E o guarda me disse: abre o motor que deve estar lá!
E estava!
Um gatinho bem pequeninho. Assustado e com fome. Conseguimos tirá-lo, mas ele logo fugiu, correu muito, perdemos de vista.
Espero que ele fique bem!


Olha, eu nem ia contar... mas à noite quando cheguei em casa eu vi o gatinho. Ele estava no mesmo lugar para onde tinha corrido de manhã. Miando a mil. Tentei resgatar de novo mas ele fugiu.
Aí fui em casa, peguei um leite, uma vasilhinha, e com o aplicativo de lanterna do celular entrei no terreno baldio atrás do bicho.
Alguns carros passaram, outros até pararam, mas ninguém falou comigo. Nem o gato! que mergulhou de novo no mais profundo silêncio.
Até fiquei pensando nesse lance de solidariedade entre vizinhos mas cheguei à conclusão de que entrar num terreno abandonado à noite, com roupa social, incluindo saia longa e saltos altos, não deve ser muito comum lá no bairro.
E também, ficar iluminando as moitas com lanterna de celular deve inibir muito as pessoas né. Então os vizinhos estão todos desculpados.
Depois de uns 30 minutos voltei para casa super desapontada. Tomei banho, troquei de roupa, assisti um filme e fui dormir.
Véi, na hora que eu ponho a cabeça no travesseiro eu ouço um "miauuu". Um só. Silêncio absoluto depois.
Dormi de janela aberta e nada.
Não vou negar que hoje, antes de sair pro trabalho, dei mais uma procurada e nada. Nem um miadinho.
Mas hoje é sábado, a noite é uma criança, e eu comprei uma lanterna!
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Este texto publiquei no Facebook, o que me rendeu os diversos comentários publicados logo abaixo, alguns dos quais inseri no texto original para completar o ocorrido.


  • Andrea Rosenthal Foi meio difícil Zigue...
    Quando o guarda chegou eu já tava toda suada de ter quase deitado no meio da rua pra olhar embaixo do carro.
    Aí quando ele perguntou o que estava acontecendo eu tive que reunir toda a minha coragem e um resto de dignidade pra 
    falar que alguma coisa estava miando dentro da carroceria do carro. Nisso o gato mergulhou no mais completo silêncio, só pra me ajudar. E eu falando sem parar "mas o sr não tá ouvindo?". Até que eu fui iluminada pela mais insana idéia de dizer "olha seu guarda, tem alguma coisa miando no meu carro" e imediatamente emendei "mas pode ser um passarinho né!!", frase esta seguida pelo meu mais sincero sorriso.
    Bom, o guarda não riu.
    E graças ao bom Deus o gato voltou milagrosamente a miar e me salvou de uma situação meio desagradável prestes a acontecer com o guarda.
    Foi isso...
    há 18 horas via celular · Editado · Curtir · 3
  • Clarice Tetner Rosenthal A questão da sanidade mental ainda não foi resolvida...
  • Laura Farah Tardinha!!!
  • Jean Bergerot Caramba ! ( sua interpretação q foi ótima kkk)
  • LF SF Pronto, pensou o guarda, mais um dia daqueles...
  • LF SF -Dona, a senhora está dizendo que tem um passarinho miando no seu carro? respondeu o guarda.
  • LF SF Discretamente retirando a arma de choque do cinturão.
  • LF SF Quando de repente, não mais que de repente, um miado salva a Andrea Rosenthaldo choque certeiro e da internação psiquiátrica.
  • LF SF Ó que sorte Zig, nesse momento vc podia tá babando com um caminhão de haloperidol no cabeção!!!
  • Andrea Rosenthal Zigue eu nem ia contar, mas a noite, quando cheguei em casa, eu vi o gatinho. Ele estava no mesmo canteiro pra onde tinha corrido de manhã. Miando a mil. Tentei resgatar mas de novo ele fugiu.
    Aí fui em casa, peguei um leite, uma vasilhinha, e com o aplicativo de lanterna do celular entrei no terreno baldio atrás do bicho.
    Alguns carros passaram, outros até pararam, mas ninguém falou comigo. Nem o gato! que mergulhou de novo no mais profundo silêncio. 
    Até fiquei pensando nesse lance de solidariedade entre vizinhos, mas cheguei à conclusão de que entrar num terreno abandonado à noite, com roupa social, incluindo saia longa e saltos altos, não deve ser muito comum lá no bairro. 
    E também, ficar iluminando as moitas com lanterna de celular deve inibir muito as pessoas né. Então os vizinhos estão todos desculpados.
    Depois de uns 30 minutos voltei pra casa super desapontada. Tomei banho, troquei de roupa, assisti um filme e fui dormir.
    Véi, na hora que eu ponho a cabeça no travesseiro eu ouço um "miauuu". Um só. Silêncio absoluto depois.
    Dormi de janela aberta e nada.
    Não vou negar que hoje, antes de sair pro trabalho, dei mais uma procurada e nada. Nem um miadinho.
    Mas hoje é sábado, a noite é uma criança, e eu comprei uma lanterna!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

NA BALADA

Há algum tempo fui numa balada com 2 amigos. Mas não era uma balada qualquer. Nós 3 estávamos na fossa, chateados, querendo muita diversão para afogar as mágoas.
Minha amiga sumiu logo de cara. Só a vimos 3 dias depois, muito feliz e recuperada. Nunca soubemos por onde ela andou.
Meu amigo como um cara "brilhante" que era, resolveu sair na balada com uma algema - dessas de sex shop - para o caso de encontrar uma garotinha bonitinha, se algemar nela e fazer uma graça. O problema foi que a primeira gatinha que ele avistou E se algemou, tinha um namorado que parecia um armário desses 3 portas da Casas Bahia. E depois que ele viu a namoradinha algemada a um estranho, parecia um container alaranjado, de tão grande e tão vermelho de raiva. Eu só vi quando ele se aproximou do meu amigo e disse, o mais contido que pôde: "Tira aê". Meu amigo, claro, muito nervoso, não conseguia achar sequer as chaves das algemas e foi inutilmente se afastando da menina que continuava presa a ele, se afastando junto, com o namorado de braços cruzados gritando: "Tira aê". No auge do desespero meu quase morto amigo gritou para mim, que estava olhando tudo aquilo esperando o pior: "Fala que vc é minha irmã e que eu tenho problema mental". Bom, não falei, abandonei o barco, e fui para o bar encher a cara.
Meu amigo só apareceu para trabalhar depois de alguns dias mas sem nenhum hematoma. Por respeito, nunca perguntamos o que aconteceu...
Eu, por minha vez, fui encher a cara e lá pelas tantas da madrugada resolvi ficar amiga do DJ da balada. O cara estava colocando umas músicas da moda e eu já de porre fui solicitar insistentemente para que ele colocasse uma música da Gretchen. Falei como era animada, que o povo ia gostar... e eu acho que o DJ foi com a minha cara porque ele disse: "Olha, vc fica aqui do lado que eu gostei de vc. A Gretchen não faz parte do meu repertório, mas como vc é boninitinha, vou colocar a música dela pra vc ouvir. Vai tocar daqui 3 músicas!".
Aí fiquei quietinha, perto da mesa de som, esperando a minha música.
Como o local estava muito cheio de gente, me afastei um pouco, mas fiquei olhando para o DJ na espera da música da Gretchen.
Ao final da 3a. música eu olho para o DJ e nos primeiros acordes de Freak Le Boom Boom, o DJ animadíssimo me faz gestos com as mão, apontando na minha direção e gritando algo incompreensível. Eu, então, olho para trás e vejo uma pequena mesa, com muita gente em volta, onde estava rolando um aniversário. A mesa baixa, com as pessoas sentadas em sofás em torno dela e muitos presentes espalhados em cima. Olho de novo para o DJ que gritava algo que eu não conseguia ouvir e me gesticulava alegremente.
Aí não tive dúvidas. Meu porre e minha alegria de ouvir a Gretchen imediatamente me fizeram entender que era pra eu subir E dançar em cima da mesa... SUBI. Empurrei os presentes com os pés e dancei a minha melhor performance da Gretchen diante de uns 40 convidados estupefatos e do resto da boate que parou para ver a cena.
Bom, a música acabou, eu fui extremamente aplaudida, e quando eu me preparava para dançar a próxima, embalada pela meteórica fama, veio um segurança e falou que era proibido dançar em cima da mesa. O desgraçado do segurança esperou acabar a música para me dizer isso! Por que não veio me tirar antes???
Saí da mesa aplaudida, tentando manter a minha dignidade, e no final da noite já estava amiga de todo mundo: seguranças, garçons, DJ, todo mundo.
Como lembrança daquela noite, carrego comigo o fato de nunca mais precisar pagar para entrar naquela balada, na época uma das melhores de São Paulo! Foi fenomenal. Eu chegava no horário de pico e entrava pela porta vip já cumprimentando todo mundo.
E no fim das contas consegui saber o que o DJ tanto me gritava agitando os braços. Ele só estava dizendo: "Essa é pra você! PRA VOCÊ!!!"

segunda-feira, 22 de julho de 2013

MÉDICOS CUBANOS

Todo mundo está dando a sua opinião sobre a questão médica no Brasil.
Muitos já se manifestaram nas ruas, muitos soltaram as vozes nas redes sociais e eu mesma já me pronunciei para amigos e conhecidos, nas rodas de almoços e corredores dos hospitais e consultórios em que trabalho.
Acho que não preciso falar o que todo mundo sabe. Se não houver melhora das condições estruturais, que dêem ao médico e ao paciente um mínimo de dignidade no exercício de suas funções, não adianta contratar médico! O médico não é milagreiro. Como se salva vidas com garfo e faca? Sem laboratórios, sem material cirúrgico, sem comida, sem dinheiro??? E nesse caso, deve ser garfo e faca de plástico para comer o marmitex do governo destinado aos coitados que toparem a empreitada, sejam eles, recém-formados, brasileiros, cubanos ou pais de santo.
O fato é que hoje mesmo, conversando com um amigo médico, chegamos a uma brilhante conclusão! Tendo em vista toda a dificuldade técnica inerente ao desenvolvimento do trabalho médico tanto nos grandes centros quanto nos confins, realizamos que a Dilma - ilustríssima figura presidencial - se enganou quando disse "médicos". Por algumas letras, ela queria dizer na verdade "médiuns"!
Ela disse: "Vamos contratar 10,4 mil MÉDIUNS!!!"
A gente é que entendeu errado!
E a idéia é genial! Não precisa melhora a infra-estrutura e sai até mais em conta, visto que a maioria trabalha no voluntariado.
Quero expressar o meu parabéns à nossa presidenta e à toda equipe do governo! 
Adorei!!