segunda-feira, 13 de outubro de 2014

NO ESPELHO


Hoje foi um daqueles raros dias em que me olhei no espelho e prestei atenção. 
Sim, porque na correria da vida meu espelho é apenas um objeto de rotina, onde eu me vejo pela manhã com o intuito de domar o cabelo dormido para não assustar ninguém no trabalho.

Mas hoje é domingo e eu tinha tempo. Então me olhei.
Vi alguns cabelos brancos que nunca havia notado. Muitos poucos fios mas que fazem toda a diferença... Quando a luz bate, estes preciosos fios branquinhos ficam prateados e iluminam o meu semblante de uma forma espetacular. 
Como meu pai eu tenho cabelos castanhos e pouquíssimos fios maravilhosamente brancos. Gostei disso!

Depois observei meu rosto, e descobri também traços novos, sardas diferentes, leves olheiras embaixo dos meus grandes olhos castanhos, escuros.
E gostei! Meus traços me lembram de quem eu sou, de onde vim, das plásticas que nunca vou fazer. 
Gosto de ver as marcas da minha evolução pessoal porque só as pessoas de sorte é que podem colecioná-las.

Olho a vida com curiosidade e as mudanças no meu semblante só realçam a minha alegria de ter toda uma eternidade para descobrir.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

KAFKA E O EX-NAMORADO

Há algum tempo resolvi que a minha vida seria mais leve... comecei de uma forma sistemática a descartar tudo o que não me agrada e olhar para frente com curiosidade, o que muitas vezes me surpreende pela ausência de medo que isto me proporciona. Me sinto muitas vezes como um BASE Jumper, muito embora eu possa afirmar com toda a certeza que nunca pularei de nenhum precipício físico. 
Certeza!
O problema nisso tudo é que nem sempre as coisas descartam você. E lidar com a obsessão alheia, tenho de admitir, é um pé no saco.
Há mais de um ano venho feliz por não encontrar uma pessoa com quem me relacionei e que adivinhem! Isso mesmo: foi uma merda! Merda desfeita, cada um para o seu lado, nos encontramos por acaso em uma palestra há alguns dias atrás.
Agora eu pergunto: o que faz uma pessoa pensar que só porque reencontrou alguém com quem se relacionou, este alguém está disposto a refazer relações de amizade ou sei lá o que. Cara, se para mim foi uma bosta, deve ter sido ruim para você também! Então aprendam meninos: quando a mulher não responde suas mensagens de reaproximação mesmo você escrevendo todos os dias tentando um contato após um ano sem se ver, quando ao se reencontrarem a mulher simplesmente te ignora sentando até de costas para você para não ter nem que cumprimentar, quando a mulher permanece no seu mais absoluto silêncio enquanto você esperneia buscando explicações, significa que: a mulher não quer falar com você! Deu pra entender ou vou ter que desenhar?
Só que eles não desistem. Quando o cara dá para ser chato, ele age com excelência. Este por exemplo quer saber por que eu não falo com ele. Aí é que entra a parte kafkiana. No fundo eles sabem o porquê. Eles sabem muito bem o que aprontaram e todos os motivos que as mulheres têm, e de sobra!, para permanecerem no seu mais absoluto silêncio. Só que eles querem mais uma vez ouvir a ladainha toda da boca delas. Querem ser humilhados, talvez por se sentirem culpados. E não páram de repetir que desconhecem os motivos de tanta indiferença. 
Aí mais uma vez tenho de pedir clemência! Cara, me poupe!!
Vai ler um pouco porque esta história de eu não fiz nada é mais do que manjada, ô baratão.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O GASTRÔNOMO


É incrível e muito nítido o déficit educacional e cultural no nosso país.
Eu até gostaria de desenvolver este assunto, mas este não é um texto político e nem polêmico. É apenas uma constatação de fatos.
Ultimamente eu tenho andado muito intolerante. Acho tudo um saco. Vejo muitos defeitos nas coisas, sou sarcástica. Não tenho tido paciência. O que eu mais adoro é conversar com meus amigos sarcásticos, com humor pra lá de ácido, ou então ficar sozinha. Adoro muito!
E duas vezes por semana eu realizo um trabalho burocrático numa instituição da qual sou contratada. No meu atual estado de espírito eu prezo absurdamente este trabalho. Gosto quando chego lá e me tranco dentro da sala para produzir os meus relatórios. Saio com a sensação de dever cumprido, onde permaneci por algumas horas sozinha, eu comigo mesma, trabalhando sem nenhum tipo de intervenção ou aborrecimentos. 
Mas todo trabalho, por mais sozinha que você o realize, depende de um time. Eu sei disso e sou abençoada por ótimas equipes que me acompanham. E neste trabalho burocrático, na instituição, não é diferente. Tenho lá um par de colegas do secretariado que me auxiliam da seguinte forma: elas atendem primariamente os pacientes que solicitam relatórios médicos os quais devo produzir. Parece simples né! Elas atendem estas pessoas e me entregam uma relação com os dados do paciente e com os médicos das diversas especialidades em que estes passaram, dos quais eu tenho que fazer relatórios e devolver para elas. Muito funcional.
Pois bem, estava tudo correndo muito bem, quando ao virar uma página eu leio os dados do paciente em questão com o seguinte pedido anotado por uma pessoa concursada no serviço público: "favor fazer um relatório constando que este paciente passou em consulta com o Gastrônomo".
O "Gastrônomo"!
É verdade que estamos numa era de super especialidades... já vi solicitações de laudos do nêurolo e outras neoespecialidades que eu nem sabia que existiam. Mas "gastrônomo"??!! A D O R E I!!!
Foi demais! Ganhei meu dia! Fiquei imaginando que raio de serviço fazia um gastrônomo... um médico com formação em filosofia quântica e astronomia, que tratava os males do aparelho digestivo olhando as estrelas... muito, mas muito romântico!
E como não encontrei ainda nenhum gastrônomo para trocar uma idéia - o da instituição ainda não foi identificado - fica aqui a minha vontade imensa de um dia poder tomar um café e discorrer sobre as patologias dos astros digestivos. 
Se você for um gastrônomo, por favor mensagens inbox!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

HUMANIZAÇÃO

Ultimamente deram para humanizar tudo.
Concordo plenamente com a humanização dos bichos. São bichos mas são gente pô! Sou muito entusiasta deste comportamento. Não consigo lidar com sofrimento animal, trato meus cachorros como gente, levo no pediatra de cachorro, deixo que durmam na minha cama e debaixo dos cobertores e falo com eles como se fossem pessoas. E vou te falar que eu tenho certeza de que eles entendem as coisas muito melhor do que muitos humanos por aí.
Só que essa mania de humanizar agora serve para tudo.
Outro dia eu estava ouvindo rádio como faço sempre em congestionamentos monstruosos e cada vez mais comuns, e ouvi uma jornalista falando maravilhas de uma pessoa que gostava muito do frio, que não ficava brava com pequenas variações de temperatura, que era forte e crescia sem intercorrências neste mundo cheio de poeiras e poluições diversas. Ela também tinha muita personalidade, adorava música, água em abundância, e outros mimos que agora não me recordo bem. 
Fiquei ouvindo "ela isso", "ela aquilo", e por alguns minutos imaginando de quem estariam falando. E para a minha surpresa estavam falando de uma UVA! Ela = Uva. (?!)
A colunista tinha tanto carinho pela tal uva, que de uma maneira muito real, descrevia as características e vontades da fruta como se ela - a fruta - fosse humana.
Cara, é uma fruta! E tem sentimentos! 
Aí comecei a tentar humanizar as coisas pra ver como eu me sentia. Agasalhei meu abajur no inverno, escovei meus sapatos pra eles se sentirem melhor, comecei a conversar com o meu carro e dou um beijo final em cada carga de caneta que eu tenho que jogar no lixo depois que elas acabam. Lá em casa agora é tudo humanizado. Tudo que eu tenho! Meu único medo é eles reclamarem.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

EU VOU PARA HOGWARTS

Então me preparando para as tão sonhadas férias, ontem eu resolvi uma das minhas últimas pendências antes de me desligar de todos os meios eletrônicos de comunicação.
Liguei para a operadora de cartão de crédito para desbloquear o uso de meu cartão no exterior.
Foi uma das experiências mais esotéricas que tive em toda minha vida!
Depois de apertar um monte de botões guiada por uma voz transcedental, finalmente consegui a conexão para uma voz humana que me respondia prontamente.
Foi mágico! Me atendeu uma mulher, muito boazinha e solícita, que perguntou para onde eu estava indo viajar.
Respondi de pronto: - Vou para San Martin!
- E onde fica San Martin?
- No Caribe! - respondi satisfeita.
Aí veio um silêncio sepulcral que durou até eu timidamente chamá-la com um "alô?".
E então veio a pergunta: - Mas em que continente fica o Caribe?
Aí, com medo de ficar sem cartão de crédito na viagem, expliquei com a minha voz mais maternal, que o lugar pra onde eu ia era uma minúscula ilha que pertencia metade à França e a outra metade à Holanda.
Mais um pouco de silêncio e finalmente ela me retorna com absolutamente tudo resolvido:
- Pronto, está feito. Liberei o cartão de crédito da senhora durante o período de viagem informado para que a senhora possa usá-lo livremente nesta ilha entre a França e a Holanda!
Cara, eu acho que ela está me mandando para Hogwarts! Não é o máximo!
Fiz um pouquinho de silêncio, agradeci e desliguei.
Vamos ver se vai funcionar...

domingo, 6 de julho de 2014

O FILTRO NA PAREDE

Então tá. Depois de muitos pedidos e questionamentos sobre o que aconteceu, vou contar história do filtro.

Comprei um filtro. Apesar de não ser uma extrema necessidade, eu comprei um filtro lá pra casa. Naquele momento a casa ainda estava em reforma e eu mal morava realmente no meu apartamento. Mas as lembranças de chegar do supermercado com seis ou 10 garrafas de água e ter que transportar tudo sozinha lá para cima após longos dias de trabalho, foram um incentivo sem igual para eu realizar este almejado gasto.
Estava tão feliz, os dias de trabalho forçado com carregamento intenso de garrafas estavam acabados. Nunca mais!

E finalmente chegou o grande dia. Recebi o pacote e na pressa de ver funcionando as engenhoca chamei um grande amigo para me ajudar a instalar. As instruções eram claras: o produto era de fácil instalação e não precisávamos ter conhecimentos profundos de engenharia para realizar tal feito.
Então, eu médica, e meu amigo agente de viagens, pregamos o treco na parede e instalamos facilmente a porra do filtro em exatas 12 horas de trabalho intenso. Muito fácil mesmo! Depois a merda da torneira ainda ficou vazando água por uns 4 dias até que finalmente me rendi e pedi ajuda ao pedreiro que estava reformando o apartamento, sendo que este, com conhecimentos profundos sobre o problema, arrumou tudo em menos de 5 minutos. Cara inteligente este pedreiro, porque ele arrumou e não teceu nenhum comentário a respeito do nosso serviço! Não criticou e nem elogiou. Gostei.

Bom, o filtro funcionou muito bem por exatos 9 meses. Estava escrito mesmo nas instruções - e eu sempre leio tudo que é tipo de manual, adoro! - que a validade da coisa que filtra a água era de 9 meses. 
Cravados 9 meses acendeu uma luzinha vermelha dizendo que a água que eu estava consumindo estava uma bosta. Eu olhei no manual e a legenda desta luzinha vermelha era esta mesma. Após uns dois dias desta primeira luzinha vermelha, qual a minha surpresa quando do outro lado do belíssimo filtro, me acende OUTRA luzinha vermelha: a da bateria.
Uma graça, um filtro branquinho com duas luzinhas vermelhas, uma de cada lado. 
Eu até deixei um pouco, porque afinal de contas não uso tão exaustivamente o meu filtro praquela porra vencer em exatos 9 meses. Continuei consumindo a água, como se nada tivesse acontecido. E ainda apagava todas as luzes do meu apartamento toda vez que ia tirar água do filtro só para ver as luzinhas vermelhas brilharem a cada acionamento. Muito lindo mesmo esse meu filtro.

Acontece que o cérebro da gente é uma desgraça. E eu comecei a pensar sobre as luzinhas vermelhas. Cada vez mais. Era só eu estar parada, descansando e até dormindo, que sonhava com as luzinhas vermelhas e seus significados.
Um dia tive dor de barriga e imediatamente culpei a água e a minha teimosia em não trocar o refil do filtro lindo. Resolvi tomar uma atitude.

Só que para trocar o refil eu precisava tirar o filtro da parede, que eu mesma havia pregado com tanto sacrifício. Bom, desnecessário falar aqui que a porra do filtro estava tão bem pregada na parede que demorei cerca de 6 horas tentando desencaixar o filtro dos parafusos e não consegui.
Num determinado momento até tentei com chamas e metal em brasa, e a única coisa que consegui foi derreter uma chave allen e quase colocar fogo na minha cozinha. 
Lá pela uma da manhã, arrasada emocionalmente, liguei para minha mãe que me mandou ficar longe de qualquer coisa que envolvesse fogo. Joguei fora as caixas de fósforos para não correr o risco de ter novas idéias.

Nem consegui dormir. Estava um caco de emoções e sentimentos por causa do filtro. Uma coisa tão lindinha, que me proporcionou tantos momentos felizes de ingestão de água purinha, agora se recusava a sair da parede para renovar o seu refil. Estava magoadíssima! 
O pior é que quando acordei nem tinha mais ferramentas para reiniciar a minha jornada de retirar o filtro da parede sem quebrar. Só havia restado 2 tesouras e uma chave allen parcialmente derretida. Uma tristeza.

Já estava começando a considerar a possibilidade de retirar o filtro da parede menos inteiro, quebrando um pouco. Afinal o mecanismo permaneceria intacto, só a estrutura ficaria danificada. Achei um cutelo na gaveta de talheres!
Estava realmente disposta a usar o cutelo quando tive 2 idéias. E seguindo meus instintos descobri que o meu seguro do carro dava direito a chamar alguém mais qualificado para retirar este troço da parede.
E num lampejo de idéia ainda mais extraordinário, passando por cima de todo meu orgulho, resolvi tentar o zelador do prédio antes de chamar o seguro. 
Chamei o seu Francisco, que muito humildemente chegou na minha casa carregando apenas duas chaves de fenda. E eu falei que estava tentando há horas inclusive com recursos pirotécnicos, e nada! Iluminei a face posterior do filtro com uma lanterna para que ele olhasse melhor os encaixes semi-derretidos e os desgraçados dos parafusos. E na maior humildade, o seu Francisco fez um movimento rápido com as chaves de fenda e como num passe de mágica retirou o filtro da parede em menos de 30 segundos!
Se ele trabalhasse na troca de pneus da Fórmula 1 não ia ter pra ninguém.
Dei todo o dinheiro que eu tinha na carteira pro seu Francisco. Abracei o cara, chorei de emoção. Pensei na finitude da raça humana perante a imensidão do universo. Que era quase um milagre estarmos todos vivos na superfície de um planeta como a Terra, que acima de nós estava todo um universo desconhecido... é, acho que eu estava esgotada emocionalmente.

Aí ele disse: doutora, a senhora não conseguiu desprender o filtro porque a senhora é mulher.
E de repente me dei conta de que ele era um gênio! 
Era tudo verdade. As coisas são muito mais simples do que parecem

Estou ótima agora!

terça-feira, 1 de julho de 2014

BLIND DATES PRA QUE? – UM APANHADO GERAL

Interessante como as idéias são fugazes. Pensamos e em 10 minutos... esquecemos! Muito normal, se não fosse por uma série de acontecimentos que me obrigam a lembrar disto o tempo todo.

Ultimamente tenho retornado ao tema recorrente dos blind dates. Pois é. Apaguei o meu perfil do site de relacionamentos virtuais há muito tempo, mas não consegui escapar desta modalidade de encontro, visto que sou solteira e as pessoas vivem querendo me apresentar alguém. E eu fico continuamente me perguntando: pra que???

Eu concordo que tenho um dedo podríssimo para fazer minhas escolhas pessoais, mas os blind dates são e acho que de forma imbatível, as melhores fontes de textos que tenho à minha disposição.
É divertido mas... é sempre igual! Para começar, a personalidade dos caras. Nessas alturas dos acontecimentos são na grande maioria caras separados, com filhos, sem filhos, há várias modalidades.

A gente sai, coloca a nossa melhor roupinha e aí vem o cara, geralmente meia idade, meio fora de forma, muito perfumado e poucas vezes arrumado porque homem sozinho, temos de convir, é uma desgraça. Sempre tem alguma peça na vestimenta que não combina. E sim, são caras 10 ou 15 anos mais velhos que eu porque os da minha idade ainda tem o sonho de pegar uma garotinha entre 20 e 30 anos. Estes só vão sair com a gente quando fizerem uns 50 anos. E aí também não vai dar certo porque a idade mental deles não vai acompanhar a longevidade... parece até uma profecia, mas é a pura realidade.

Então tá, saímos.

As conversas também são sempre as mesmas... giram em torno do “porque você nunca se casou” para o meu lado, e “por que a sua vida merdou” para o lado deles. Também há o momento da típica demonstração de ignorância (sempre acontece!), onde eles não fazem questão de saber o que você sabe mas eles não conhecem. Porque macho que é macho tem que saber tudo né?!! O que eles não sabem não é importante!!

Bom, após horas conversando combinamos ou não de sair de novo. Geralmente sim. 
Na maioria das vezes o cara se mostra terrivelmente ocupado, muito trabalho e reuniões importantíssimas inadiáveis, com horários parcos, mas com muita vontade de agendar um novo encontro, que geralmente marca na agenda para dali uns 10 dias, para não esquecer! Eles acham que isso faz com que pensemos: olha que cara ocupado, trabalhador, mas ele quer me ver! que legal que legal que legal!

Sinto ter de ser eu a revelar a realidade, mas meninas, não é nada disso! Quando o cara prega tachinha na maionese, é um típico, mas tipiquíssimo sinal de que ele é apenas mais um colecionador. E agora chegamos realmente ao ponto: o colecionador!
Ah, o colecionador... a definição mais apropriada seria a de um cara que obviamente: não está saindo só com você! O tiozão está botando pra quebrar! Pegando todaaaaaaasssssss!! Por isso a falta de horários, o semblante “gostei de você mas já tinha compromissos agendados antes de te conhecer”. Véio, isso é ser sem vergonha! Não quero de jeito nenhum rogar praga, mas tomara que morra de viagra. Pronto falei!

Não tem nada pior do que a pessoa fazer você gastar o seu tempo. É quase um crime! Acho que gastar tempo é muito pior do que gastar qualquer outra coisa.
Pensa bem, você está em casa, fazendo o que gosta mais que é FICAR em casa! Ler, ver televisão, brincar com os cachorros. No meu caso, eu trabalho todos os dias da semana, e chego em casa sempre muito cansada. Quase não consigo ter tempo para mim mesma. Às vezes trabalho também nos fins de semana. E quando estou na minha casa descansando considero que o meu tempo tem um valor incalculável.
Aí vem um blind date!
Quando topamos doar o nosso precioso tempo para “conhecer alguém”, esperamos que a outra pessoa também esteja fazendo o mesmo. Saindo só com você, para te conhecer e ver se rola alguma coisa. Mas não é isso que acontece. Os véio tão sempre colecionando, saindo com vááááááriaaaaaasssssss mina! Porque eles são os bons!!! E assim, vão continuando a sua busca eterna porque sem foco, nunca vai dar certo. Vão ser sempre uns carentes de merda, passando conversa nas meninas desavisadas.

Eu sei que uns véios vão ler este texto e pensar que escrevi exclusivamente para eles, mas não se dêem tanto valor! Isto é genérico, acontece o tempo todo. Assim como também existe o monopolizador telefônico virtual, o mentiroso (se bem que os colecionadores são bem mentirosos)...  O problema dos véios é que enquanto eles tão indo nós já fomos e voltamos 3 vezes. A gente continua topando blind dates acho que por pura curiosidade. É natural tentar encontrar companhia... O que não sabemos porém é que é muito melhor não ter de passar por isso! Mas a gente sempre pensa “quem sabe?” ou “vamos dar uma olhada nesse”... e o final é invariavelmente o mesmo.

Pra que??? Né???

terça-feira, 27 de maio de 2014

O SENSO ESTÉTICO DOS ALIENÍGENAS

Hoje não está sendo um bom dia. E para piorar tudo não existe nada pior do que propagandas urbanas.
Mais uma vez venho por aqui alertar sobre os malefícios dos relógios de rua. Já falei uma vez sobre isso: http://depoiseagora.blogspot.com.br/2014/04/relogios-de-rua.html
Pois é... agora deram para colocar fotos de uma modelo de sutiã e calcinha em vários destes tótens, anunciando uma lingerie acho que italiana. 
Uma mulher mais ou menos bonita está sempre na mesma pose, fotografada com os braços juntos, de frente... nem é tão sensual. 
O problema é que sempre que eu me deparo com esta foto, e tem uma porra de um tóten bem aqui na esquina, eu fico pensando: e se vier um extra-terrestre e der de cara justamente com isso? Aí comecei a ficar com vergonha dos cartazes. 
Deu pra entender?
A gente não pode ficar esfregando este senso estético na cara dos E.T.s. Imagina um alienígena chegando e dando de cara com um tronco branquelo e dois apêndices pendurados, enfeitados com faixinhas de tecido preto? É ridículo. 
Duvido que no planeta deles ia existir uma foto de um bezourão de maiô bem no meio da rua!
Os caras são desenvolvidos pô. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O BARULHO

Há uns 10 dias resolvi voltar a tocar flauta transversal.
Estava tão feliz, praticando todos os dias, fazendo um som na sala, na varanda. Acabava de tocar e estava renovada, como se o meu stress desaparecesse por alguns instantes.
Mozart, Claude Bolling, Pixinguinha, Handel, um repertório bem eclético, estava me divertindo.
Bom, não deu nem uma semana pra eu entrar no elevador e dar de cara com um papel colado na parede explicando que naquele prédio ninguém podia fazer nenhum barulho que possivelmente incomodasse o vizinho.
Eu sei que a minha versão da Flauta Mágica parece tocada pelo Hermeto Pascoal, mas na minha concepção estava tudo certo...
Catzo de gente que não entende de música!
Parei com a flauta...
Amanhã é minha primeira aula de bateria!

domingo, 27 de abril de 2014

JÚLIA

Júlia é a mais nova integrante da nossa família.
Acho que já escrevi sobre ela, mas nunca dediquei um texto exclusivo para a sua pessoa.
A Júlia é um cachorro. Vira-lata. E eu, que nunca achei que adotaria um vira-lata, me surpreendi com essa nova maneira de ver a vida.
Eu já conhecia a Juju há alguns anos.
Trabalho uma vez por semana em um hospital onde existe uma cultura da população local de abandonar animais na portaria. Sempre tem uma alma bondosa que acaba cuidando dos cachorrinhos, e quando o bichinho é mais ajeitadinho, alguém acaba levando-o para casa.
Pois é, mas isso não aconteceu com a Júlia. A Júlia é um tipo tão comum, que nas feiras de adoção sempre penso estar vendo a foto dela. Já vi milhares de Júlias perambulando pela rua e uma vez uma protetora de bichos me disse que ela do tipo "pretinha básica".
Ela chegou ao hospital ainda filhote, brincalhona, e se adaptou muito bem nas proximidades da porta do Pronto Socorro de Adultos. Lá ela encontrou mais dois cãozinhos - o Negão e a Xuxa - e juntos fizeram um grupinho inseparável.
Eu e ela sempre tivemos afinidade. No primeiro dia em que a vi no hospital, toda pequena e disposta a fazer novas amizades, eu dei o que sobrou do meu almoço à ela. Às 19 hs, hora em saio do plantão, senti que algo me seguia, e ouvia passinhos atrás de mim... era ela! estava me esperando e me seguiu até o carro, onde ficou esperando para entrar e voltar comigo para casa. Até hoje me arrependo muito de ter deixado ela lá, na grama do estacionamento. Eu não podia ficar com ela, já tinha outros 2 cachorrinhos em casa. Ela até correu atrás do meu carro e eu chorando fui para casa, sem levar a pequena. Choro também hoje ao contar este episódio, de vergonha e de arrependimento.
Anos se passaram e ela se adaptou ao novo modo de vida no hospital, onde junto com a sua turminha parecia ser bem feliz. Ela era a líder e por vezes fazia triagem na porta do Pronto Socorro, só deixando entrar quem ela simpatizava. Ela também tinha uma mania de sorrir quando alguém lhe agradava, mania que mantém até hoje. Uma figurinha essa Júlia, com 6 dedos em cada pé, que fazem um barulhinho característico quando ela anda - tic tic tic - sempre evidente em todos os lugares.
Sempre que eu ia ao hospital, como faço até hoje, verificava os cachorrinhos abandonados por lá. Ainda vejo muitos deles e quando posso faço um carinho e dou uma parte do meu almoço para eles. O Negão e a Xuxa foram tosados este verão, mas agora já estão sujos de novo. Bem alimentados, vacinados, e abandonados, esperando pacientemente os dias passarem, deitados na porta do hospital onde às vezes alguma criança brinca com eles, faz carinho, e eu sei que eles adoram.
Mas voltando à história da Júlia, um dia cheguei para trabalhar e ela não se levantou. Estava desequilibrada, muito fraquinha, nem abanou o rabinho quando fiz um carinho. Todos os cachorros estavam debilitados, mas ela era a mais doente. E eu não pude deixar de fazer alguma coisa por ela. 
No fim do meu plantão, embrulhei a Juju num cobertorzinho e a levei para um hospital veterinário. Ela estava péssima, tinha sido envenenada, como os outros. Uma amiga veterinária me ajudou, inclusive financeiramente, com os primeiros cuidados. Eu nem tinha condições de decidir nada, só chorava, com muita pena e até alguma culpa por não ter levado ela para casa naquele dia.
Depois de uma longa internação ela saiu do hospital - a conta gigantesca ajudada por amigos e anônimos que souberam da história - e foi para minha casa, muito magrinha, muito desconfiada, com medo de tudo, com sarna, mas livre do envenenamento.
Como já tinha 2 cachorros e não podia ficar com ela porque trabalhava o dia inteiro, coloquei-a para adoção. Tentei convencer um namorado que tinha na época a ficar com ela, mas ele também não podia por trabalhar o dia todo e ter que deixar a pequena sozinha.
Ela não gostou muito da minha casa, ficava sozinha o tempo todo, sem os seus amiguinhos do hospital. Tentei por algumas semanas arrumar uma família que a adotasse, sem sucesso algum. Ficava desconfiada de quem se interessava e também pensando que ninguém ia cuidar dela melhor que eu, do que a minha própria família. 
Então decidi apresentar a Juju para meus outros cachorros. Tenho uma boxer de 12 anos que não gosta de outros cachorros, mas adorou a companhia da pequeninha vira-lata.
Meus sobrinhos também adoraram a idéia de ter um cachorrinho como a Juju e a minha sobrinha de 5 anos diz que a Júlia é dela - presente simbólico da minha pessoa. Minha sobrinha inclusive fica muito brava quando alguém fala que a Júlia é vira-lata. Tive que dizer para todo mundo que a Júlia é de uma raça muito rara chamada "pastor da Malasya", o que ela repete para quem quer que pergunte a raça do seu cachorro.
Por fim, ficamos com ela e em 20 de julho deste ano ela completa 2 anos conosco. Data também que adotamos para o seu aniversário, exaustivamente comemorado, com muitos ossinhos e biscroks.
De minha parte, me sinto muito feliz por ter adotado a Júlia e por receber dela um amor incondicional. Muitas vezes eu canto para ela. Canto mal, mas ela adora! E por vezes, depois de passearmos, sentamos na minha cama ou no chão e conversamos. Tenho muitas perguntas que gostaria que ela me respondesse... pergunto do seu passado, quem foram seus pais, se tinha irmãos... quem a abandonou...
E ela, muito mais esperta que eu, simplesmente me olha, balança o rabinho com toda a sua energia e dá uma lambida no meu rosto como que dizendo: e qual é a importância que isso tem agora?

terça-feira, 8 de abril de 2014

JANTAR

Hoje fiz um jantar maravilhoso, só não percebi que os ovos que estavam na geladeira haviam vencidos há 2 meses.
Por via das dúvidas tomei várias taças de Limoncello a fim de exterminar as possíveis bactérias.
Se eu não aparecer no trabalho amanhã, por favor mandem alguém aqui em casa verificar.
Pronto avisei.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

RELÓGIOS DE RUA

Agora deram pra consertar os relógios de rua. Olha que maravilha. Para mim é especialmente significativo, visto que para sofrer menos o stress do dia a dia parei de usar relógios há mais de 20 anos.
Não posso deixar de agradecer aos responsáveis por encher a cidade de relógios que agora, além da hora, ainda indicam a qualidade do ar, fazendo com que a cada esquina eu me lembre que estou atrasada e como se não bastasse isso, ainda estou respirando um ar de merda.
Muito obrigada pessoal!