Outro dia desses eu cheguei tarde ao trabalho. Com horários flexíveis, cheguei perto do horário de encerramento das atividades num local público onde realizo uma função administrativa.
Quase todos já haviam ido embora com exceção de alguns funcionários da limpeza e do atendimento.
Entrei para fazer meu trabalho e deixei a porta aberta para que todos me vissem dentro da minha sala e não trancassem o lugar comigo dentro.
Era uma sexta-feira meio chuvosa, mas no final do expediente, o clima entre os que ainda estavam por lá era de completa euforia.
Enquanto eu trabalhava em meus relatórios a gritaria beirava o insuportável. Este ambiente em que trabalho fica lotado e é normal as pessoas falarem um pouco mais alto para serem ouvidas - sabe repartição pública? Mas àquela hora, com tudo vazio, apenas os poucos funcionários se preparando para deixar o trabalho... os caras gritavam para se comunicarem de uma forma romanesca. Sabe mulher quando quer dar? Ou aquele bando de galinha assustada que tenta sair tudo junto de uma só vez pela portinhola aberta do galinheiro? Era mais ou menos por aí.
E eram risadas altas, firulas sobre namorados ou conversas sobre o ônibus que já ia chegar e a feijoada com pagode programada para o sábado com a criançada na casa da sogra.
Cara, e eu tentando me concentrar nos relatórios.
Pior é que não podia nem fechar a porta porque perigava ser esquecida lá dentro e ter de passar meu fim de semana presa na repartição.
De repente, se inicia uma cantoria.
Chegou um cara no pedaço e começou junto com uma das faxineiras a cantar umas músicas falando do cotidiano das favelas, amores não correspondidos e afins, que eu nunca tinha ouvido na minha vida! E eles cantavam em altos berros, estupidamente desafinados, até que o cara puxou uma música H O R R O R O S A que a moça não conseguiu acompanhar alegando que era uma canção muito antiga. Mas pediu para que ele cantasse até o fim por que era liiinnddaaaa e ela adoraaava essa música! E imediatamente engrenaram mais umas 20 músicas do naipe das anteriores, sem dar trégua por um minuto sequer.
Cara, e eu fazendo meus relatórios...
Nisso eu notei que a gritaria das conversações começou a diminuir. E passou de SABE AQUELA VASsoura... para um burburinho em letras minúsculas. Eles continuavam a gritar para se comunicar, mas agora na rua, o que não me incomodava tanto. As pessoas foram saindo e tomando seus rumos com exceção do casal de cantores que ainda tinha muito repertório para gastar antes de pegar o busão.
E eu estava milagrosamente quase terminando meus relatórios quando ouvi um "Ô Maria das Neves! Cê não quer dar uma esticada pro Karanhokê hoje não?".
Cara, eu sei que é um nome relativamente comum, mas por que cazzo alguém aqui no Brasil dá um nome desses para a própria filha? Por que??? A mulher nunca viu um floco de neve, canta pagode e funk tudo desafinado, nem sabe o que diz e é conhecida como a Senhora dos Invernos! A toda poderosa Maria das Neves!
Fiquei tão absorta na divagação do nome de rainha da nossa cantora que o Karanhokê quase me passou despercebido.
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
UM DIA COM AS CRIANÇAS
Hoje passei o dia com meus sobrinhos.
Vim dormir na casa da minha mãe pois estou de férias assim como eles, que vieram também e pelo mesmo motivo.
Ontem mesmo já fomos dormir tarde. Ficamos assistindo filmes, tanto de adulto como de crianças, rimos, brincamos e finalmente elaboramos uma lista de coisas a serem realizadas - todas elas - hoje.
Conforme combinado ontem a noite, a minha sobrinha de 6 anos, que sempre acorda mais cedo que todos, iria me acordar de manhã bem cedinho para darmos início então aos trabalhos.
E assim, tal qual como o combinado, de manhã bem cedo eu e a Julia minha cachorra, fomos acordadas aos gritos de "Tia Né", que sou eu mesma, "acorda! " "vai ficar tarde e o shopping vai ficar lotado!". A primeira tarefa da nossa lista era ir ao shopping.
Olhei para a Julia, as duas olhamos para a Teté, minha sobrinha e preguiçosamente começamos a nos levantar já imaginando o longo dia que teríamos pela frente.
Abri a janela, puta chuva! Ótimo. Vamos passear em locais fechados e práticos com garagem e estacionamento cobertos. Adoro.
E enquanto eu escovava os dentes minha sobrinha muito solicitamente aproveitou para levar a Julia ao banheiro.
Fui para a cozinha tomar um café...
Sabe aquele cheiro de cachorro molhado? E sabe o que é você entrar na cozinha para tomar o seu café da manhã e suas narinas serem invadidas por cachorro molhado misturado com pão queimado na torradeira?...
Corremos, eu e a Teté, as únicas acordadas, com uma toalha e após uns minutos de tensão conseguimos agarrar e enxugar a Juju.
Lavamos então as vasilhas dos cachorros, enchemos de comida e água e finalmente consegui me sentar para tomar um gole de café, com cheirinho de cachorro molhado. Uma delícia.
Bom, o café estava na metade e eu já havia checado as listas de tarefas dos meus dois sobrinhos, agora já devidamente acordados e vestidos, prontos para a nossa jornada.
Quase no fim do meu sagrado café... deu pau. Um bateu no outro por não concordar com as tarefas dispostas programadas. Corri para separar e retive as listas. Agora seria do meu jeito.
Consegui restabelecer a paz, me arrumei e saímos. Fomos ao shopping ouvindo Renaissance. Eles adoraram! A fila do estacionamento virava duas esquinas para fora do estabelecimento. Mas tudo bem, estamos todos de férias e afinal de contas no rádio do carro estava tocando Renaissance!
Bom, depois de meia hora na fila, entramos. A cantoria do Renaissance segurando bem a turminha. Estava divertido.
Trocamos alguns presentes, comemos brigadeiros, shopping lotaaado... passeamos até nos cansarmos. Por "nos cansarmos" entenda-se, eu e a minha irmã que também estava participando da empreitada.
Meus sobrinhos andaram, correram, pularam, comeram doces com as mãos e promoveram uma sensacional luta de espadas com garrafas pet numa renomada loja de sapatos.
Fora uma marca - bem pequena! - na testa da vendedora da loja de calçados, deixamos o shopping sem maiores queixas de outros seres humanos.
Sabe como é shopping em véspera de Natal né? Uma loucura mesmo.
Fomos ainda a uma livraria de rua onde eu tinha que trocar um livro que ganhei de presente. Livro trocado, fomos comer. Comida de verdade num restaurante por kilo.
Alguém já teve esta experiência esotérica? Levar duas crianças num restaurante por kilo?
Fizemos nossos pratos, pesamos e comemos! Muito!
Foi nessa hora que aconteceu. Posso afirmar com a mais absoluta propriedade que a partir do almoço no kilo, parei de sentir dor. Nem dor, nem frio, nem calor, nem fome, nada! Fiquei anestesiada, sensação que durou até algumas horas depois do jantar.
Voltamos para casa ainda cantando Renaissance mas agora tremendamente convictas (eu e minha irmã) de que o grupo musical todo havia morrido num acidente aéreo.
Chegamos em casa!
Desistimos do cabeleireiro apesar de minha sobrinha insistir em dizer que precisava muito fazer as mãos e cortar a franja. Afinal estava na lista! Deixamos para amanhã.
Consegui trocar de roupa e mal me encosto no sofá para checar meus emails quando ouço um "tô com fome!". Esbugalhei os olhos, me virei para meu sobrinho mais velho que também estava atônito e apuramos os ouvidos. E ouvimos de novo o "tô com fome" da pequena de 6 anos.
Carái véi.
Vou te falar só uma coisa: eu não estava sentindo mais nada!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
ESCREVER, COZINHAR E CANTAR
Escrever...
Cada um tem a sua opinião do que realmente vale a pena nesta vida. E assim, para que não se passe da posição de um ser que é faixa preta para um indivíduo que toma tarja preta, fazemos valer de nossas opiniões tentando melhorar sempre.
Comecei escrevendo.
Na verdade sempre escrevi. Limpando minhas gavetas achei crônicas antigas, que escrevi ainda na escola e com vergonha de fazer vir a público engavetei.
O que eu não sabia nesta época é que para se esconder um texto não há nada melhor do que colocá-lo a público... muito difícil que alguém leia e quando isso acontece também é difícil que alguém leia até o fim.
Mesmo assim insisto. Porque escrevo para mim. Porque escrever é gostoso, um desabafo. E porque algumas pessoas se interessam e isso me deixa feliz.
Então me empenho, tento melhorar, e escrever me provoca - eu acho - o mesmo prazer dos palestrantes do Hyde Park. Eles falam para eles. E é o que eu faço porque me dá prazer.
Cozinhar...
Alguns anos depois de inaugurar o meu blog me interessei pela manufatura da comida. Plantas, cheiros, massas, carnes, peixes, grãos e a multiplicidade de suas formas de preparo. Fascinante.
Passei muitos anos da minha vida experimentando e descobrindo sabores e olores, mas há algum tempo comecei a me interessar pela preparação. Pelos temperos e suas combinações com os diversos ingredientes. E a simples idéia de que a sua cozinha é um grande laboratório, igual àqueles que a gente brincava quando criança, misturando líquidos que mudavam de cor, é muito interessante!
Então ir ao supermercado para mim adquiriu um novo significado. Compro coisas que nunca tinha ouvido falar e experimento diversas combinações às vezes com embasamento de uma receita escrita por algum maluco que já fez aquilo, outras vezes à mão livre. Seguindo minhas próprias intuições.
No início da minha saga culinária até criei a receita do 4. Em um grande recipiente eu colocava 4 medidas de tudo o que havia disponível na geladeira. Uma receita dinâmica, nunca tinha o mesmo gosto, era sempre surpreendente. Só parei porque o meu trato gastro-intestinal reclamou muito e pediu de joelhos para não comer mais aquilo…
Apesar dos contratempos, é surpreendente o número de vezes em que crio gostos perfeitamente comestíveis e por que não admitir, muito bons.
Cozinho também para mim, mas ao contrário de escrever, percebo que a receptividade a esta atividade de forno e fogão é muito maior. As pessoas gostam de ter experiências gastronômicas e eu adoro cozinhar para os meus amigos porque isso me traz um enfoque muito mais social, fazendo com que eu tenha uma sensação completamente diferente da que tenho quando escrevo. E é igualmente bom!
Cozinho também para mim, mas ao contrário de escrever, percebo que a receptividade a esta atividade de forno e fogão é muito maior. As pessoas gostam de ter experiências gastronômicas e eu adoro cozinhar para os meus amigos porque isso me traz um enfoque muito mais social, fazendo com que eu tenha uma sensação completamente diferente da que tenho quando escrevo. E é igualmente bom!
Aparelhar o meu laboratório gastronômico então virou um pequeno hobby. Minha cozinha é pequena e o meu maior desafio é torná-la funcional. Fico planejando por dias antes de adquirir um novo aparato e geralmente uso muito tudo o que compro. É demais esse lance de planejar e usar e ver como todo o seu pequeno investimento é tão funcional.
Todo mundo devia experimentar fazer isso um dia.
Por fim cantar...
Sempre cantei. Mas assim como fazia quando escrevia, me escondia. Tinha vergonha da minha voz pequena, rouca, grave. Cantava para dentro de mim ou para quem quisesse ouvir quando estava no banho.
Um dia perdi a vergonha. Descobri que a minha voz é bonita. Que canto bem e que tem gente que gosta de me ouvir.
É um misto das sensações que tenho ao escrever (para mim) e cozinhar (para os outros). Considero um arremate.
É um misto das sensações que tenho ao escrever (para mim) e cozinhar (para os outros). Considero um arremate.
Então eu canto, canto sempre, canto sem medo... tá, às vezes ainda dá medo.
Mas isso me deixa feliz!
domingo, 30 de novembro de 2014
O QUE DÁ PRAZER
Nas últimas duas semanas alguns amigos andaram me perguntando o por quê de eu estar demorando tanto para escrever novos textos... a verdade é que não estou demorando. Eu escrevi dois textos neste meio tempo, mas minha família simplesmente vetou a publicação. E eu, na minha inocência, achando que não há mais censura.
O primeiro texto que escrevi, modéstia a parte, ficou sensacional. Chama-se MEL. Mostrado apenas para pessoas da família e poucos amigos próximos, fez um sucesso estrondoso. Muitos pediram que eu publicasse, mas minha irmã que é advogada me aconselhou firmemente a manter a história descrita em sigilo com medo de eu tomar um processo. Então o texto está aqui, mas vetado.
Bom, como eu sou vaidosa, se alguém tiver interesse, por favor mensagens inbox!
O outro texto que escrevi foi sobre amizade. Também vetado. Carái véi! Porque eu não posso simplesmente falar o que eu penso. Não estou mandando recados. Estou só constatando fatos. Este ainda vou publicar, deixa só a poeira baixar... Me aguardem.
Mas estava pensando em um outro tema que me acompanha incansavelmente nos últimos meses: como as pessoas adoram ser reconhecidas. É natural. É adrenérgico. O reconhecimento é uma das melhores fontes de energia para a continuidade da pessoa como indivíduo neste mundo. Mesmo que a pessoa não queira, o fato dela ser reconhecida traz uma alegria incontestável que a faz seguir em frente. Um pequeno gesto de agrado, incentivo, mostra o quanto nós não evoluimos. Porque é institivo isso. A minha cachorra também se sente incentivada a progredir quando recebe agrados. Um dia, quando era mais nova, ela foi levada a uma aula de Agility. Aquela atividade na qual o cachorro pula obstáculos e entra em túneis, tudo correndo muito para numa competição ver quem termina em menos tempo. Dizem que o cão se diverte. Mas o que ocorre realmente é que eles adoram os carinhos, os agradinhos, que recebem quando fazem tudo certo.
Pois é, minha cachorra teve um desempenho espetacular no Agility. Na primeira aula já conseguiu um nível de energia bem superior aos seus coleguinhas de turma, o que a fez pensar que era certo subir na pia da cozinha sempre que pensasse em ficar feliz. E era frequente. Deu trabalho explicar que a cozinha não era um campo de Agility.
Enfim, o reconhecimento é importante. E não me venha falar de vaidade porque isto não tem nada a ver com ser vaidoso ou não. Outro dia por exemplo eu fechei um cruzamento no trânsito e fui super aplaudida pelos carros ao meu redor. Foi legal! Agradeci e tudo. Não conseguia ouvir o que diziam porque as minhas janelas ficam fechadas quando dirijo, mas aplaudiram e gritaram muito, o que me deixou feliz o resto do dia.
E por fim constatei também dirigindo que muitas das coisas mais legais que fazemos são aquelas coisas que conseguimos fazer com as duas mãos.
No meu caso, além de procedimentos técnicos no trabalho, uma das melhores coisas que faço de maneira ambidestra é comer. Quando eu era pequena e fazia balé, nunca entendia a professora, tia Lenira, dizendo muito brava "iniciem com a perna direita a frente, a perna do lado da mão que vocês comem". Só faltava dizer "do lado que vocês comem porra!". E eu sempre errava. É verdade que tinha 50% de chances de acertar, mas nunca tive sorte em apostas...
Posso comer segurando garfos e facas com uma mão ou com a outra, é uma maravilha. No momento estou treinando segurar mais de um garfo ou diversas facas em cada mão, sendo extremamente bem sucedida até agora. Logo mais vou performar uma refeição com seis talheres simultâneos... vai ser num horário próximo das 17 horas. Se eu não mandar notícias num intervalo de 4 horas a seguir da janta, por favor mandem alguém checar!
Atenciosamente.
O primeiro texto que escrevi, modéstia a parte, ficou sensacional. Chama-se MEL. Mostrado apenas para pessoas da família e poucos amigos próximos, fez um sucesso estrondoso. Muitos pediram que eu publicasse, mas minha irmã que é advogada me aconselhou firmemente a manter a história descrita em sigilo com medo de eu tomar um processo. Então o texto está aqui, mas vetado.
Bom, como eu sou vaidosa, se alguém tiver interesse, por favor mensagens inbox!
O outro texto que escrevi foi sobre amizade. Também vetado. Carái véi! Porque eu não posso simplesmente falar o que eu penso. Não estou mandando recados. Estou só constatando fatos. Este ainda vou publicar, deixa só a poeira baixar... Me aguardem.
Mas estava pensando em um outro tema que me acompanha incansavelmente nos últimos meses: como as pessoas adoram ser reconhecidas. É natural. É adrenérgico. O reconhecimento é uma das melhores fontes de energia para a continuidade da pessoa como indivíduo neste mundo. Mesmo que a pessoa não queira, o fato dela ser reconhecida traz uma alegria incontestável que a faz seguir em frente. Um pequeno gesto de agrado, incentivo, mostra o quanto nós não evoluimos. Porque é institivo isso. A minha cachorra também se sente incentivada a progredir quando recebe agrados. Um dia, quando era mais nova, ela foi levada a uma aula de Agility. Aquela atividade na qual o cachorro pula obstáculos e entra em túneis, tudo correndo muito para numa competição ver quem termina em menos tempo. Dizem que o cão se diverte. Mas o que ocorre realmente é que eles adoram os carinhos, os agradinhos, que recebem quando fazem tudo certo.
Pois é, minha cachorra teve um desempenho espetacular no Agility. Na primeira aula já conseguiu um nível de energia bem superior aos seus coleguinhas de turma, o que a fez pensar que era certo subir na pia da cozinha sempre que pensasse em ficar feliz. E era frequente. Deu trabalho explicar que a cozinha não era um campo de Agility.
Enfim, o reconhecimento é importante. E não me venha falar de vaidade porque isto não tem nada a ver com ser vaidoso ou não. Outro dia por exemplo eu fechei um cruzamento no trânsito e fui super aplaudida pelos carros ao meu redor. Foi legal! Agradeci e tudo. Não conseguia ouvir o que diziam porque as minhas janelas ficam fechadas quando dirijo, mas aplaudiram e gritaram muito, o que me deixou feliz o resto do dia.
E por fim constatei também dirigindo que muitas das coisas mais legais que fazemos são aquelas coisas que conseguimos fazer com as duas mãos.
No meu caso, além de procedimentos técnicos no trabalho, uma das melhores coisas que faço de maneira ambidestra é comer. Quando eu era pequena e fazia balé, nunca entendia a professora, tia Lenira, dizendo muito brava "iniciem com a perna direita a frente, a perna do lado da mão que vocês comem". Só faltava dizer "do lado que vocês comem porra!". E eu sempre errava. É verdade que tinha 50% de chances de acertar, mas nunca tive sorte em apostas...
Posso comer segurando garfos e facas com uma mão ou com a outra, é uma maravilha. No momento estou treinando segurar mais de um garfo ou diversas facas em cada mão, sendo extremamente bem sucedida até agora. Logo mais vou performar uma refeição com seis talheres simultâneos... vai ser num horário próximo das 17 horas. Se eu não mandar notícias num intervalo de 4 horas a seguir da janta, por favor mandem alguém checar!
Atenciosamente.
O FINAL DO ANO
Não costumo pensar no final do ano como o fim de um ciclo.
Acho que o final do ano é simplesmente o final de mais um
ano. E ponto.
Mas eu gosto deste clima que se forma espiritualmente nas
cabeças das pessoas. É uma espécie de euforia coletiva onde são feitos
planejamentos, intenções, promessas... Acho bonito isso. Traz um pouco de
fantasia para a realidade crua da vida.
Há alguns anos nem mais as férias de fim de ano eu tiro.
Para mim o final de um ano é só uma época festiva num calendário excêntrico. Não
é um fim e nem um começo. É mais um mês numa vida que continua. Os planos
antigos e persistentes são mantidos e as porcarias são jogadas fora como se deve
fazer em qualquer mês do ano.
Sinto muito em quebrar esta onda de euforia, e por que não
dizer... de histeria coletiva que se dá nestes derradeiros dias. Mas no fundo é
isso mesmo. É só mais um feriado. Por que não prometemos emagrecer ou mudar de
rumo ou deletar os chatos depois, por exemplo, do Carnaval ou do Dia da Consciência
Negra? É a mesmíssima coisa.
A vida não pára. Ela só continua.
domingo, 9 de novembro de 2014
MINHA EXPERIÊNCIA COM A ACADEMIA
Todo mundo me pergunta por que eu não estou indo na academia.
Então vou contar da minha última experiência numa academia.
Liguei, fui lá conhecer. Era uma academia vertical. Tinha uns 6 andares.
A fachada era ótima, colorida, muito convidativa. Fui recebida pelo dono, um personal trainer espetacular. Visualmente falando.
O cara me recebeu cheio de mãos e de sorrisos. Do jeito que me conduziu para dentro da academia eu podia jurar que ele tinha três mãos em cada braço.
Fui então conhecer o piso térreo. Piscina, muita gente de aparência saudável praticando natação, hidro e afins. Me pareceu um ambiente alegre, comecei a gostar.
Aí ele me convidou para o primeiro andar. Pelas escadas. Subi os degraus toda feliz, e ele me mostrou todo orgulhoso um imenso salão com máquinas enormes que mais pareciam aparelhos de tortura da época da inquisição, o que ele me garantiu que não eram e que até faziam bem para a saúde. Fiquei tentada a perguntar para a saúde de quem, mas me segurei.
Visto todo o primeiro andar ele me aponta a escada e vai se dirigindo aos degraus ascendentes para me mostrar o segundo andar. Aí já comecei a desconfiar. Sabe aqueles salões com pés direitos imensos, onde cada andar equivale a três pisos de um prédio comum? E ele já subindo, na maior energia. Bom, o cara era lindo e simpático, fui atrás. O problema é que eu tava completamente fora de forma e cheguei no segundo piso com três metros de língua pra fora, só recuperando minha capacidade de fala uns cinco minutos após adentrar a sala da ginástica localizada.
Mostrada a sala da ginástica eu estava na beira da escada que desce quando ele me falou "vamos?!", apontando para a escada que sobe.
Olhei para cima, depois olhei para ele... pensei rapidamente e perguntei "o que tem lá em cima?". Aí ele me diz que é um centro de treinamento de artes marciais. Nisso eu abro meu melhor sorriso e explico delicadamente que não tenho o mínimo interesse em lutas e por mim a visita estava encerrada, eu muito satisfeita inclusive com tudo que havia visto até agora. Pra mim já tava bom!
Bom, nem preciso dizer que o cara não entendeu né? Ficou insistindo pra que eu subisse as escadas porque eu não tinha visto nem metade da academia. Ainda faltavam pelo menos mais três pisos... e o exame médico era no último andar!
Hoje sei que estou muito melhor nesse sentido de dizer o que eu estou pensando com mais leveza, mas naquele momento perguntei com todas as letras "cadê o elevador?".
Foi nessa hora que senti que a nossa amizade começou a azedar.
Pô! Eu só fiz uma pergunta. Que é que tem demais ir de elevador. Eu tava fora de forma e o cara já tinha me feito subir dois lances monumentais de escada. Eu podia ter infartado!
No que ele me explicou que ali era um centro esportivo e que não tinha elevador, comecei também a perder a paciência.
Sentei no degrau já cheia de dor muscular de tanta escada e falei que não dava mais nenhum passo pra cima se ele não me providenciasse uma porra de um elevador. E que se por um acaso eu subisse a pé que era bom ele ter um baita de um bom cardiologista me esperando lá em cima!
Descemos.
Fui para casa num mal humor desgraçado.
Mas ele foi persistente. Me ligou por semanas seguidas e me convenceu. Fiz um plano de seis meses. E cortei relações com um amigo que me convenceu de que "pagando a gente vai".
VTNC! Foi a academia mais cara que já paguei na minha vida!
Há alguns dias fiquei com vontade de me matricular de novo numa academia... Por isso escrevi! Pra me lembrar!
Como diz o ditado, se Deus quisesse que eu colocasse minhas mãos nos meus pés, Ele teria feito tudo mais perto!
Não é pra ser!
Então vou contar da minha última experiência numa academia.
Liguei, fui lá conhecer. Era uma academia vertical. Tinha uns 6 andares.
A fachada era ótima, colorida, muito convidativa. Fui recebida pelo dono, um personal trainer espetacular. Visualmente falando.
O cara me recebeu cheio de mãos e de sorrisos. Do jeito que me conduziu para dentro da academia eu podia jurar que ele tinha três mãos em cada braço.
Fui então conhecer o piso térreo. Piscina, muita gente de aparência saudável praticando natação, hidro e afins. Me pareceu um ambiente alegre, comecei a gostar.
Aí ele me convidou para o primeiro andar. Pelas escadas. Subi os degraus toda feliz, e ele me mostrou todo orgulhoso um imenso salão com máquinas enormes que mais pareciam aparelhos de tortura da época da inquisição, o que ele me garantiu que não eram e que até faziam bem para a saúde. Fiquei tentada a perguntar para a saúde de quem, mas me segurei.
Visto todo o primeiro andar ele me aponta a escada e vai se dirigindo aos degraus ascendentes para me mostrar o segundo andar. Aí já comecei a desconfiar. Sabe aqueles salões com pés direitos imensos, onde cada andar equivale a três pisos de um prédio comum? E ele já subindo, na maior energia. Bom, o cara era lindo e simpático, fui atrás. O problema é que eu tava completamente fora de forma e cheguei no segundo piso com três metros de língua pra fora, só recuperando minha capacidade de fala uns cinco minutos após adentrar a sala da ginástica localizada.
Mostrada a sala da ginástica eu estava na beira da escada que desce quando ele me falou "vamos?!", apontando para a escada que sobe.
Olhei para cima, depois olhei para ele... pensei rapidamente e perguntei "o que tem lá em cima?". Aí ele me diz que é um centro de treinamento de artes marciais. Nisso eu abro meu melhor sorriso e explico delicadamente que não tenho o mínimo interesse em lutas e por mim a visita estava encerrada, eu muito satisfeita inclusive com tudo que havia visto até agora. Pra mim já tava bom!
Bom, nem preciso dizer que o cara não entendeu né? Ficou insistindo pra que eu subisse as escadas porque eu não tinha visto nem metade da academia. Ainda faltavam pelo menos mais três pisos... e o exame médico era no último andar!
Hoje sei que estou muito melhor nesse sentido de dizer o que eu estou pensando com mais leveza, mas naquele momento perguntei com todas as letras "cadê o elevador?".
Foi nessa hora que senti que a nossa amizade começou a azedar.
Pô! Eu só fiz uma pergunta. Que é que tem demais ir de elevador. Eu tava fora de forma e o cara já tinha me feito subir dois lances monumentais de escada. Eu podia ter infartado!
No que ele me explicou que ali era um centro esportivo e que não tinha elevador, comecei também a perder a paciência.
Sentei no degrau já cheia de dor muscular de tanta escada e falei que não dava mais nenhum passo pra cima se ele não me providenciasse uma porra de um elevador. E que se por um acaso eu subisse a pé que era bom ele ter um baita de um bom cardiologista me esperando lá em cima!
Descemos.
Fui para casa num mal humor desgraçado.
Mas ele foi persistente. Me ligou por semanas seguidas e me convenceu. Fiz um plano de seis meses. E cortei relações com um amigo que me convenceu de que "pagando a gente vai".
VTNC! Foi a academia mais cara que já paguei na minha vida!
Há alguns dias fiquei com vontade de me matricular de novo numa academia... Por isso escrevi! Pra me lembrar!
Como diz o ditado, se Deus quisesse que eu colocasse minhas mãos nos meus pés, Ele teria feito tudo mais perto!
Não é pra ser!
SAUDADES DOS MEUS CACHORROS
Tô cansada, chateada e com saudades dos meus cachorros.
Antes tinha os pombos que vinham me visitar. Um casal muito simpático. Tiveram até um filhotinho que nasceu embaixo da Survivor, a minha planta. Ele voou (ou caiu, não sei precisar!) num bonito dia de Natal.
No ano seguinte o casal voltou ao local da desova, mas resolveram que todos os dias às 5 da manhã iam fazer saliências embaixo da Survivor. ...
Não aguentamos. Um dia bati umas tampas de panela bem na hora da azaração e eles voaram. E nunca mais voltaram. E eu tomei uma multa do condomínio por bater panelas às 5 da manhã.
O fato é que nunca mais voltaram, o que foi comemorado com muita alegria por mim e Survivor, que pela primeira vez floriu. Mas floriu muito! Flores amarelas.
Só que agora a Survivor está de mau humor e recolheu as flores todas. Eu nem tô tentando puxar papo com ela porque ela não está para conversas ultimamente.
Por mim posso dizer que estou cansada, particularmente chateada hoje, sem ninguém pra falar... mas não estou com saudades dos pombos.
Estou com saudades dos meus cachorros!
Antes tinha os pombos que vinham me visitar. Um casal muito simpático. Tiveram até um filhotinho que nasceu embaixo da Survivor, a minha planta. Ele voou (ou caiu, não sei precisar!) num bonito dia de Natal.
No ano seguinte o casal voltou ao local da desova, mas resolveram que todos os dias às 5 da manhã iam fazer saliências embaixo da Survivor. ...
Não aguentamos. Um dia bati umas tampas de panela bem na hora da azaração e eles voaram. E nunca mais voltaram. E eu tomei uma multa do condomínio por bater panelas às 5 da manhã.
O fato é que nunca mais voltaram, o que foi comemorado com muita alegria por mim e Survivor, que pela primeira vez floriu. Mas floriu muito! Flores amarelas.
Só que agora a Survivor está de mau humor e recolheu as flores todas. Eu nem tô tentando puxar papo com ela porque ela não está para conversas ultimamente.
Por mim posso dizer que estou cansada, particularmente chateada hoje, sem ninguém pra falar... mas não estou com saudades dos pombos.
Estou com saudades dos meus cachorros!
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
MINHA FAMÍLIA E O PALHAÇO BETERRABA
Minha família é e sempre foi muito unida.
Apesar de quebrarmos o pau com frequência porque afinal
fazemos todos o estilo bélico, somos extremamente unidos. Ninguém pode falar de
um de nós na frente de outras pessoas que viramos bicho. Nos unimos sempre para
defender quem precisa ser defendido, não importa contra quem tenhamos de lutar.
Estamos sempre dispostos a uma boa briga para nos mantermos
juntos – vide aquele dia na churrascaria. Mas essa é uma outra história que
depois contarei. Em tempo, exercemos nossa soberania sim com os espetos do
churrasco em questão mas felizmente ninguém se feriu, o que fez com que mesmo após a luta de esgrima que promovemos, continuássemos a frequentar o restaurante em tempos posteriores, sendo tratados sempre com muita dignidade. Foi até lúdico. Minha mãe ficou sem falar com a gente uns 3 meses depois do ocorrido, mas ouvi dizer depois que muitos clientes adoraram o barraco... um dia passei na frente do lugar e tenho certeza de ter visto uma placa de "churrasco com esgrima". Eu prometi à minha mãe que pelo nome da nossa família não ia colocar "mais" a público esta história. Mas véi, sem brincadeira, os caras do lugar nunca se divertiram tanto! Certeza!
O fato é que tentamos por uma ou duas vezes a cada semana, nos encontrar todos. Às vezes também combinamos neste meio tempo de nos vermos, as irmãs, ou os pais com uma filha, os arranjos sendo os mais variados possíveis.
O fato é que tentamos por uma ou duas vezes a cada semana, nos encontrar todos. Às vezes também combinamos neste meio tempo de nos vermos, as irmãs, ou os pais com uma filha, os arranjos sendo os mais variados possíveis.
Eu a minha irmã do meio por exemplo sempre damos um jeito de
nos encontrar uma vez por semana para almoçar. Por exemplo, semana passada fomos num buffet self service, orgânico, daqueles orgânicos que
estão na moda, onde a comida é tão leve que metabolizamos tudo em 40 minutos e
depois podemos tranquilamente ir a uma churrascaria comer direito.
Mas nós adoramos o orgânico. É gostoso mesmo, sem
brincadeira. E neste dia, como cheguei um pouco antes da minha irmã, já fui me
servindo e aguardei na mesa.
Quando minha irmã chegou, deixou sua bolsa e seu celular na
mesa e foi se servir. Aguardei.
Tô pra colocar a primeira garfada na boca quando de repente toca o telefone dela. Meu cunhado ligando.
Tô pra colocar a primeira garfada na boca quando de repente toca o telefone dela. Meu cunhado ligando.
Bom, quem conhece a gente sabe que eu e a minha irmã temos a
mesma voz, e que meu pai até hoje tem dificuldades para nos diferenciar num
telefonema... Atendi!
Eu atendi e o cara foi logo me chamando de amor: “oi amor!”. Eu juro que ia falar que era eu, mas eu tô carente, o cara liga e vem me chamando de amor, resolvi dar trela. Que mal tem nisso? Né?! E a conversa fluindo, falei das crianças, ele todo carinhoso... até que uma hora ele mesmo se tocou de que estava tudo muito light para um dia de semana no almoço. A minha irmã é muito brava! E ele pergunta: “quem está falando?”. Quando respondo que sou “eu”, a conversa imediatamente começa a tomar outro rumo.
No que ele engrossou achei melhor passar o telefone para ela, que lida melhor com esse tipo de comportamento. Sei lá... mas foi agradável. Amor pra cá, amor pra lá... fez bem pro meu ego!
Eu atendi e o cara foi logo me chamando de amor: “oi amor!”. Eu juro que ia falar que era eu, mas eu tô carente, o cara liga e vem me chamando de amor, resolvi dar trela. Que mal tem nisso? Né?! E a conversa fluindo, falei das crianças, ele todo carinhoso... até que uma hora ele mesmo se tocou de que estava tudo muito light para um dia de semana no almoço. A minha irmã é muito brava! E ele pergunta: “quem está falando?”. Quando respondo que sou “eu”, a conversa imediatamente começa a tomar outro rumo.
No que ele engrossou achei melhor passar o telefone para ela, que lida melhor com esse tipo de comportamento. Sei lá... mas foi agradável. Amor pra cá, amor pra lá... fez bem pro meu ego!
Por fim outro tópico que discutirei futuramente em outro texto: a falta
de atenção.
A falta de atenção também sempre foi uma marca registrada da nossa família.
Este final de semana tivemos o aniversário de minha sobrinha num buffet infantil e minha mãe confundiu o palhaço Rabanete com um convidado da festa chamando-o – o convidado – de palhaço Beterraba e reclamando do atraso no início da apresentação. Quer dizer, além de confundir o palhaço ainda trocou o nome dele, o que para mim soou particularmente ofensivo!
Tivemos de passar a festa evitando este pai de criança, com medo não do mal entendido, mas de ter outro ataque de riso na frente dele. Como lição proibimos a minha mãe de travar qualquer tipo de contato com palhaços de qualquer espécie.
Melhor assim.
A falta de atenção também sempre foi uma marca registrada da nossa família.
Este final de semana tivemos o aniversário de minha sobrinha num buffet infantil e minha mãe confundiu o palhaço Rabanete com um convidado da festa chamando-o – o convidado – de palhaço Beterraba e reclamando do atraso no início da apresentação. Quer dizer, além de confundir o palhaço ainda trocou o nome dele, o que para mim soou particularmente ofensivo!
Tivemos de passar a festa evitando este pai de criança, com medo não do mal entendido, mas de ter outro ataque de riso na frente dele. Como lição proibimos a minha mãe de travar qualquer tipo de contato com palhaços de qualquer espécie.
Melhor assim.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
O BRASIL MORREU
Hoje estamos
de luto.
Luto pelo
Brasil. Por todo o esforço em vão.
O Brasil morreu, a saúde morreu, a educação e a cultura morreram no mesmo corpo. As esperanças de RCP nos próximos 4 anos são praticamente nulas. No jargão médico costumamos dizer: evoluiu para óbito.
O resultado
desta eleição presidencial era enfim esperado. Só temos a agradecer o esforço
da oposição em brigar pela alternância do poder, mas no fundo já sabíamos que
aconteceria o óbvio.
Injusto sim.
Pois a força motriz, o centro econômico deste país de massa continental não
elegeu esta mulher que se diz presidente. Somos obrigados a aceitar uma pessoa
que não nos representa, não tem preparação alguma para o cargo que
eventualmente exerce, não sabe concordância verbal, que fala errado! E por fim,
que fala besteira o tempo todo, para nos “governar”.
Os motivos
pelos quais ela ganhou são sacramentados e conhecidos. As pessoas que a
elegeram são em sua maioria beneficiadas pelo sistema de esmolas que seu
governo oferece. Um governo que dá esmolas e ilude o povo que continua na sua
mais absoluta ignorância, sem educação e sem saúde, necessidades das mais
prementes dentro de uma sociedade que se diz humana.
Nós não
precisamos de mais médicos, precisamos sim de mais estrutura para podermos
combater os males que assolam a saúde deste país.
Não
precisamos de esmolas, mas de empregos, de salários descentes.
Não
precisamos de impostos, e sim que se dê um destino adequado aos tributos que já
pagamos.
“Nunca antes
na história deste país” se viu tanto roubo e tanta corrupção como estamos vendo
nestes últimos 12 anos de governo deste partido que se diz “do povo”.
A cada mês
estoura mais uma grande investigação que se perde na memória curta do povo, o
mesmo que se beneficia das esmolas. Aquele povo supra citado, que não tem
educação nem saúde.
Com o
resultado desta última eleição o povo brasileiro provou que não sabe votar, e
pior ainda: que não tem dignidade. Que apoia deslavadamente este governo ladrão
e corrupto.
Eu tenho
vergonha como brasileira de ser representada desta forma. Uma líder que propõe
dentre outras aberrações, o diálogo com o Estado Islâmico. Uma líder que diz
que seu neto “tem medo do povo brasileiro”. Que fala para uma profissional
liberal se especializar em um curso técnico para se colocar no mercado de
trabalho, como se o retrocesso fosse a chave para o sucesso.
Só me resta
concluir que é assim que eles pensam, de forma retrógrada. E são prepotentes.
Querem se comparar com grandes países onde os Chefes de Estado tem estudo,
mestrados, doutorados e pós-doutorados para poderem governar com a máxima
confiabilidade. Onde não se desvia dinheiro público como acontece por aqui.
Onde a lei existe e se faz cumprir.
Aqui não
existe peso para o voto, de modo que o centro econômico, a força motriz do país
tem de se sujeitar ao todo. Os que recebem esmolas do governo deveriam ser
proibidos de votar pois de certa forma estão sendo tendenciosos. São mantidos
neste ciclo vicioso de bolsas esmolas, sem que haja estímulo algum para se
libertarem e caminharem sozinhos. As esmolas do governo são praticamente
vitalícias e têm seus votos garantidos nas eleições vindouras, favoráveis ao
regime de corrupção.
Hoje me
sinto sem esperança e pela primeira vez em minha vida me vejo pensando em sair
do Brasil.
Tenho
vergonha deste governo que não me representa e de certa forma vergonha de ser
brasileira neste momento.
Sem educação
o povo apoia o que lhe é dito para apoiar e enquanto tivermos este governo isto
não vai mudar. Provavelmente terminaremos os próximos 4 anos muito pior do que
estamos hoje. O Brasil vai ser um lugar de gente burra, ignorante, manipulada e
doente.
Mas o povo
terá o governo que merece, que teve a chance de eleger e que colocou no poder.
E novamente
termino dizendo a única coisa que resume tudo o que foi dito aqui: o brasileiro
não sabe votar.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
NO ESPELHO
Hoje foi um daqueles raros dias em que me olhei no espelho e prestei atenção.
Sim, porque na correria da vida meu espelho é apenas um objeto de rotina, onde eu me vejo pela manhã com o intuito de domar o cabelo dormido para não assustar ninguém no trabalho.
Mas hoje é domingo e eu tinha tempo. Então me olhei.
Vi alguns cabelos brancos que nunca havia notado. Muitos poucos fios mas que fazem toda a diferença... Quando a luz bate, estes preciosos fios branquinhos ficam prateados e iluminam o meu semblante de uma forma espetacular.
Como meu pai eu tenho cabelos castanhos e pouquíssimos fios maravilhosamente brancos. Gostei disso!
Depois observei meu rosto, e descobri também traços novos, sardas diferentes, leves olheiras embaixo dos meus grandes olhos castanhos, escuros.
E gostei! Meus traços me lembram de quem eu sou, de onde vim, das plásticas que nunca vou fazer.
Gosto de ver as marcas da minha evolução pessoal porque só as pessoas de sorte é que podem colecioná-las.
Olho a vida com curiosidade e as mudanças no meu semblante só realçam a minha alegria de ter toda uma eternidade para descobrir.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
KAFKA E O EX-NAMORADO
Há algum tempo resolvi que a minha vida seria mais leve... comecei de uma forma sistemática a descartar tudo o que não me agrada e olhar para frente com curiosidade, o que muitas vezes me surpreende pela ausência de medo que isto me proporciona. Me sinto muitas vezes como um BASE Jumper, muito embora eu possa afirmar com toda a certeza que nunca pularei de nenhum precipício físico.
Certeza!
O problema nisso tudo é que nem sempre as coisas descartam você. E lidar com a obsessão alheia, tenho de admitir, é um pé no saco.
Há mais de um ano venho feliz por não encontrar uma pessoa com quem me relacionei e que adivinhem! Isso mesmo: foi uma merda! Merda desfeita, cada um para o seu lado, nos encontramos por acaso em uma palestra há alguns dias atrás.
Agora eu pergunto: o que faz uma pessoa pensar que só porque reencontrou alguém com quem se relacionou, este alguém está disposto a refazer relações de amizade ou sei lá o que. Cara, se para mim foi uma bosta, deve ter sido ruim para você também! Então aprendam meninos: quando a mulher não responde suas mensagens de reaproximação mesmo você escrevendo todos os dias tentando um contato após um ano sem se ver, quando ao se reencontrarem a mulher simplesmente te ignora sentando até de costas para você para não ter nem que cumprimentar, quando a mulher permanece no seu mais absoluto silêncio enquanto você esperneia buscando explicações, significa que: a mulher não quer falar com você! Deu pra entender ou vou ter que desenhar?
Só que eles não desistem. Quando o cara dá para ser chato, ele age com excelência. Este por exemplo quer saber por que eu não falo com ele. Aí é que entra a parte kafkiana. No fundo eles sabem o porquê. Eles sabem muito bem o que aprontaram e todos os motivos que as mulheres têm, e de sobra!, para permanecerem no seu mais absoluto silêncio. Só que eles querem mais uma vez ouvir a ladainha toda da boca delas. Querem ser humilhados, talvez por se sentirem culpados. E não páram de repetir que desconhecem os motivos de tanta indiferença.
Aí mais uma vez tenho de pedir clemência! Cara, me poupe!!
Vai ler um pouco porque esta história de eu não fiz nada é mais do que manjada, ô baratão.
Certeza!
O problema nisso tudo é que nem sempre as coisas descartam você. E lidar com a obsessão alheia, tenho de admitir, é um pé no saco.
Há mais de um ano venho feliz por não encontrar uma pessoa com quem me relacionei e que adivinhem! Isso mesmo: foi uma merda! Merda desfeita, cada um para o seu lado, nos encontramos por acaso em uma palestra há alguns dias atrás.
Agora eu pergunto: o que faz uma pessoa pensar que só porque reencontrou alguém com quem se relacionou, este alguém está disposto a refazer relações de amizade ou sei lá o que. Cara, se para mim foi uma bosta, deve ter sido ruim para você também! Então aprendam meninos: quando a mulher não responde suas mensagens de reaproximação mesmo você escrevendo todos os dias tentando um contato após um ano sem se ver, quando ao se reencontrarem a mulher simplesmente te ignora sentando até de costas para você para não ter nem que cumprimentar, quando a mulher permanece no seu mais absoluto silêncio enquanto você esperneia buscando explicações, significa que: a mulher não quer falar com você! Deu pra entender ou vou ter que desenhar?
Só que eles não desistem. Quando o cara dá para ser chato, ele age com excelência. Este por exemplo quer saber por que eu não falo com ele. Aí é que entra a parte kafkiana. No fundo eles sabem o porquê. Eles sabem muito bem o que aprontaram e todos os motivos que as mulheres têm, e de sobra!, para permanecerem no seu mais absoluto silêncio. Só que eles querem mais uma vez ouvir a ladainha toda da boca delas. Querem ser humilhados, talvez por se sentirem culpados. E não páram de repetir que desconhecem os motivos de tanta indiferença.
Aí mais uma vez tenho de pedir clemência! Cara, me poupe!!
Vai ler um pouco porque esta história de eu não fiz nada é mais do que manjada, ô baratão.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
O GASTRÔNOMO
É incrível e muito nítido o déficit educacional e cultural no nosso país.
Eu até gostaria de desenvolver este assunto, mas este não é um texto político e nem polêmico. É apenas uma constatação de fatos.
Ultimamente eu tenho andado muito intolerante. Acho tudo um saco. Vejo muitos defeitos nas coisas, sou sarcástica. Não tenho tido paciência. O que eu mais adoro é conversar com meus amigos sarcásticos, com humor pra lá de ácido, ou então ficar sozinha. Adoro muito!
E duas vezes por semana eu realizo um trabalho burocrático numa instituição da qual sou contratada. No meu atual estado de espírito eu prezo absurdamente este trabalho. Gosto quando chego lá e me tranco dentro da sala para produzir os meus relatórios. Saio com a sensação de dever cumprido, onde permaneci por algumas horas sozinha, eu comigo mesma, trabalhando sem nenhum tipo de intervenção ou aborrecimentos.
Mas todo trabalho, por mais sozinha que você o realize, depende de um time. Eu sei disso e sou abençoada por ótimas equipes que me acompanham. E neste trabalho burocrático, na instituição, não é diferente. Tenho lá um par de colegas do secretariado que me auxiliam da seguinte forma: elas atendem primariamente os pacientes que solicitam relatórios médicos os quais devo produzir. Parece simples né! Elas atendem estas pessoas e me entregam uma relação com os dados do paciente e com os médicos das diversas especialidades em que estes passaram, dos quais eu tenho que fazer relatórios e devolver para elas. Muito funcional.
Pois bem, estava tudo correndo muito bem, quando ao virar uma página eu leio os dados do paciente em questão com o seguinte pedido anotado por uma pessoa concursada no serviço público: "favor fazer um relatório constando que este paciente passou em consulta com o Gastrônomo".
O "Gastrônomo"!
É verdade que estamos numa era de super especialidades... já vi solicitações de laudos do nêurolo e outras neoespecialidades que eu nem sabia que existiam. Mas "gastrônomo"??!! A D O R E I!!!
Foi demais! Ganhei meu dia! Fiquei imaginando que raio de serviço fazia um gastrônomo... um médico com formação em filosofia quântica e astronomia, que tratava os males do aparelho digestivo olhando as estrelas... muito, mas muito romântico!
E como não encontrei ainda nenhum gastrônomo para trocar uma idéia - o da instituição ainda não foi identificado - fica aqui a minha vontade imensa de um dia poder tomar um café e discorrer sobre as patologias dos astros digestivos.
Se você for um gastrônomo, por favor mensagens inbox!
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