domingo, 31 de maio de 2009

Ainda no trânsito.

No trânsito há algum tempo por vezes me distraio imaginando a vida privada de cada pessoa dentro dos carros ao redor do meu. E não é que temos algo em comum? Pelo menos estamos na mesma via, na mesma hora, numa enorme cidade. Coincidência, não? Incrível mesmo. Imagine se conhecer depois e dizer: sabe que no dia tal, exatamente a certa hora, eu estava na rua Natingui... e o outro diz: não é possível!! Eu também!!! E imaginar, ao meio-dia e meia, que a mulher do carro ao lado busca tranquila seu filho adolescente, já fizera as compras para o jantar, pensa na festinha de depois de amanhã, o que usar... Será que eles estão felizes? Tristes? Teria acontecido alguma coisa em suas vidas? Hoje? Se algo relevante, muito bom ou trágico acontecer naquele local e naquele instante teremos o mesmo destino. Ou ao menos apareceremos lado a lado em algum noticiário.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Música boa é das antigas... Há, porém, uma desvantagem.

Chuck Berry e Elis Regina (e alguns outros) têm o mesmo problema: eles não cantam nada de novo. Não se trata de humor negro. Os antigos parecem sempre ser os melhores, mas em determinado momento não conseguimos mais escutá-los. É sempre o mesmo repertório. Não jogue, no entanto, o irritante cd pela janela do carro. Guarde-o por seis meses e depois parece inacreditável que decorreu tanto tempo sem escutar coisa tão boa. É só passar o enjôo. Bem, o da Elis Regina pode deixar guardado por uns seis anos... Escutei a última vez quando eu tinha 11 anos e ainda não consegui retomar... É, faz mais de 20 anos... O tempo é relativo. E não adianta variar com a Maria Rita. Não é a mesma qualidade.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

MÓRBIDO E ÁCIDO

Esta semana um amigo me abordou (animadíssimo!) dizendo ter todas as dicas de como proceder para fazer um pacto com o Demônio. Já pensou!!! Um PACTO COM O DEMÔNIO!!!
Curioso isso não? Eu fiquei pensando no que ele disse, nas possibilidades, na viabilidade da coisa e cheguei a seguinte e óbvia conclusão: se Deus é o bonzinho e o Demônio é o mauzinho, não seria muito mais lógico se associar a Deus?
Aí meu amigo que não tinha sequer aventado esta hipótese, me falou que nas suas pesquisas descobriu vários prováveis nomes de associados - acionistas! - ao Terrível, à Lúcifer, ao Cão dos Infernos. Segundo ele, pessoas famosas, incluindo uma gama completa de políticos e habitantes do alto escalão do nosso honestíssimo governo.
E cheguei então à derradeira: com tanta gente fazendo pacto com o Demo, não me admira a situação estar como está! E pra piorar tudo o inferno ainda é brasileiro, como já dizia o dito popular: um dia falta balde, outro dia falta a merda, e todo mundo aproveita do jeito que dá.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A BOMBA PEIDOGÊNICA

Você já pensou no seu local de trabalho como se fosse um front de batalha?
Já sentiu vontade de colocar o seu chapéu de viking e seguir a caminho da empresa?
Fica tranquilo! Segundo uma enquete que acabei de fazer - na verdade perguntei pra uma pessoa apenas, mas de extrema confiança!! - você, que já pensou nisso tudo, é N O R M A L.
Mesmo aqueles que adoram o que fazem têm o seu dia de luta. Deve ser por isso que trabalho é sinônimo de "luta", "lida", "labuta", nomes fortes de batalha, de defesa e ataque, de combate.
Imagina um amigo ligando pro outro no escritório ou mandando um torpedinho via celular: "e aí cara, tudo bem? No trampo?"
E a respota: "hoje tá f... tô aqui no front combatendo os inimigos, muito serviço, minha lança-bic não tá sendo suficiente".
No que o amigo prontamente responde: "olha, hoje você vai ter que se virar sozinho, não vai dar pra parar pro rango porque os inimigos estão invadindo tudo aqui! Tô sem reforços!".
Passa um tempo de silêncio, quando o amigo recebe outro torpedo: " o Tentente Oliveira (no caso um terceiro amigo, da turma) foi combater hoje?"
E recebe prontamente: "o Tentente Oliveira está no turno da batalha vespertina, sabe como é... tempos de guerra..."
Passa mais um tempo e ele manda: "Putz, soltei uma bomba peidogênica aqui no recinto! Campo evacuado, INIMIGOS MORTOS!!! Se quiser, posso mandar um pelotão de reforço com essa munição - teve atum no refeitório do batalhão."
Diante do teor da última informação segue um silêncio profundo... O amigo por via das dúvidas acha prudente não dar mais corda e acaba com a brincadeira. Vai que alguém se machuca!
Esse diálogo poderia muito bem caber num contexto medieval não é mesmo?
Evoluimos? Ou estamos ainda na Idade Média?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

NO TRÂNSITO

Pelo tanto de bobagens que eu escrevo neste blog, vocês (e eu estou falando sim com vocês, meus TRÊS!! leitores) devem achar que eu não tenho nada para fazer. Não é verdade. O tempo em que eu maquino esses pensamentos são simplesmente as horas infinitas diárias que eu passo no trânsito. O trânsito é uma fonte inesgotável de inspiração. O trânsito é ativo, coisas acontecem o tempo todo, dentro e fora (mais dentro do que fora!) da nossa cabeça. Tenho tantas idéias que vocês iriam ficar bobos. O problema é que quando chego no computador, já esqueci uma boa parte delas. Por isso, a partir de hoje vou levar um gravador de voz pra não esquecer de nenhuma besteira.
Ah! E também vou iniciar uma série de fotos urbanas. Só não publico as primeiras - tiradas hoje - porque ficaram tremidas. Tá meio difícil dirigir e tirar fotos, mas isso é só um problema de logística que será em breve resolvido (acho!).

PS: Só pra esclarecer, meus 3 leitores são: a daniela, o loopy e o anônimo, que eu estou seriamente desconfiada que se trata de uma dessas duas pessoas supra-citadas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

EU ME AMO

Como eu gosto muito de mim, venho por meio desta informar que estou aumentando minha área útil. Só na última semana ganhei 2 Kg!
Por hoje é só.
Atenciosamente,
Rose.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

MINHA IRMÃ

Tenho que admitir que nem tudo que eu escrevo parte da minha pessoa. Em casa todos têm um senso de humor bastante singular, portanto, falamos besteiras o tempo todo.
Vocês vão achar que eu tenho fixação no mundo animal, mas é pura coincidência!
Bom, ontem assistindo Animal Planet, aprendemos muito sobre o tubarão... esqueci o nome! (esses programas trazem um conhecimento deveras fugaz né?). Continuando... Minhã irmã que detesta esses programas onde tem um cara que fica observando e/ou (mais "e" do que "ou") enchendo o saco de um bicho, fez uma colocação interessante: você gostaria que alguém entrasse na sua casa e ficasse no batente da porta estancado, que nem uma estátua, te observando?
É assim que a gente fica observando os bichos, e o pior: ficamos em silêncio!, imaginando que assim interferimos menos no ecossistema. Tem coisa mais irritante do que alguém ficar te observando, e em silêncio? Já que você tá aí, dentro da minha casa, olhando tudo que a minha família faz, FALA ALGUMA COISA PORRA!
A gente humana é muito esquisita mesmo.

sábado, 25 de abril de 2009

CÃES, GAMBÁS E AFINS

Outro dia li uma notícia no mínimo intrigante.
Parece que um cachorro caiu de um veleiro em alto mar, nadou 10 Km até uma ilha deserta e surpreendentemente iniciou uma nova etapa de sua vida. Alguns viajantes até chegaram a notar e reportar o cachorro. Pô, não é todo dia que se avista um cão de raça numa ilha deserta. Quando eu era pequena tinha uma moça que trabalhava em casa que era fã incondicional da teoria da geração espontânea... mas um cachorro de raça numa ilha deserta já é demais!
Bom, o fato é que o cachorro foi notado e não teve realmente um bom início na ilha. Parece que começou a perder peso, ficou feio, pêlo sem brilho, e isso durou alguns meses. Subitamente porém a vida lhe sorriu e o cachorro foi novamente avistado, mas desta desta vez cheio de energia, engordando e feliz. Descobriu-se depois que o cão aprendeu a caçar - o que não faz o instinto primitivo!
Os animais são mesmo criaturas fabulosas e auto-suficientes. Aí vem o homem e os transforma em seres semi-humanos, dependentes, chatos. Imagina como ia ser muito mais legal se o cachorro ensinasse pra gente tudo o que ele sabe, ao invés de tentar ficar aprendendo o que nós tentamos lhe ensinar!
Segundo Gary Larson, o cão só entende mesmo - de verdade - o próprio nome. Então imagina que você chega em casa e elabora frases bonitas, fala com seu cachorro durante horas, ensina mil coisas novas... enquanto ele - o cachorro - fica balançando o rabinho. Ora! Ele balança o rabo toda vez que escuta o próprio nome - pode reparar, pro cachorro você tá dizendo: csmdjIYWE wyJSKAXnj... "REX" - e aí vem uma balançada de rabo!
Pra finalizar, parece que o cachorro da ilha foi finalmente resgatado pelos donos, num estado psíquico primitivamente animal, arisco e valente. Esse vai ter que levar o aprendizado pro túmulo, porque voltando a ser humanizado, não vai mais precisar dos instintos aflorados, ao menos que os donos algum dia lhe pareçam apetitosos!

Os bichos humanizados, além de ficarem dependentes e chatos, também podem ser tão doidos como nós. Alguém já falou que o cachorro absorve a personalidade do dono... ou seria o contrário?
Minha cachorra outro dia teve gravidez psicológica.
Pois é, ela achava que estava grávida e com filhotes. Comecei realmente a levar a sério quando ela adotou o telefone. A gente tinha que colocar o telefone pra mamar e tudo. O telefone tocava e ela atendia. No dia em que uma amiga ligou e avisou depois que minha cachorra tinha atendido eu achei que era hora de fazer terapia: na cachorra, na minha amiga - que deixou um recado com a cachorra, e obviamente em mim, que a essa altura já estava precisando mesmo de um bom psiquiatra.
Bom, em um outro episódio de prenhez psicológica, ela adotou um gambá, ou saruê, como chamam aqui. Ela passeava com esse bicho delicadamente enfiado dentro da boca, e ninguém podia mexer no filhote de saruê, que obviamente estava na hora errada e no lugar errado. Imagina a cabeça desse gambá, tirado de sua mãe e adotado por uma boxer que achava que tinha realmente parido aquele bicho estranho. O saruezinho cabia inteiro dentro da boca dela, mas o rabo do bicho saía pra fora da boca, enorme e compridíssimo, fazendo um conjunto absolutamente bizarro. A gente olhava aquilo e falava pra cachorra que aquele bicho não parecia com ela, mas nada adiantava. E nós aqui em casa que temos mania de humanizar os nossos animais, piramos! Foi difícil ver a nossa boxer maluca, mãe psicológica de um gambá e irredutível quanto a isso!
Os bichos não estão livres da loucura. Não pense que reencarnando num bicho você vai se livrar do Prozac.
Por exemplo, outro dia atropelei uma pomba. ATROPELEI UMA POMBA!! Não consigo explicar o porque de uma pomba, que voa!, estar atravessando a rua a pé. E fora da faixa de pedestre!
Eu também conhecia uma égua que via gente morta. "I see dead people", sabe? Você tava em cima, tranquilo no trote, quando do nada ela disparava, e para o nada, e como que por um pedido do além, ela parava sozinha. São coisas que não conseguimos explicar... o que se passa na cabeça do bicho?
Imagino o gambá do episódio da gravidez, velhinho, reunido com a família no Natal, contando pros saruezinhos da nova geração sua epopéia de vida: "sabe, quando vovô era jovem, vocês nem imaginam o que me aconteceu...". E toca o pau a contar a história do boxer: "imagina que o vovô foi engolido por um cão feroz, um monstro!..." - no estilo Jonas e a Baleia!
Os bichos são que nem a gente. Cada um no seu estilo, eles passam o conhecimento por via oral através das gerações. E a gente sempre achando que o velho endoidou.
Na maioria das vezes os velhos não estão senis. Vai lá, verifica a história porque há uma chance enorme daquilo ter acontecido sem sombra de dúvidas!
Olha só o exemplo do gambá!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

SAMBA LELÊ

Samba lelê está indisposto
Está com o crânio fraturado
Samba lelê necessitava
É de uma boa advertência

Samba samba samba lelê
Samba samba samba lelê
Samba samba samba lelê
Samba samba samba lelê

terça-feira, 14 de abril de 2009

SEM OPÇÕES

Já reparou como não temos opções? A gente pensa que tem, mas não tem!
Quem é que abre o leque, destila opções e realmente muda de rumo? Eu respondo: quase ninguém. Dá pra contar nos dedos das mãos e dos pés numa gama de milhares de pessoas, o que não é muito!
Na realidade, as pessoas que realmente tem opções são aquelas que NÃO tem opção nenhuma. O grupo de pessoas que pode escolher é formado por seres sob pressão. Não é ridículo isso?
A gente, que está dentro de um contexto "equilibrado", não tem o poder de escolher nada. Quem é que tem a coragem para seguir um caminho diferente, escolher outra cor ou mudar o estilo, se está tudo "bem" do jeito que está?
A gente acha que é só abrir o leque ou escolher as cartas, mas as cartas já estão postas. O baralho vai ser redistribuído sim, mas só na hora que o jogo acabar, quando não restar outra alternativa senão optar - sob pressão. É ridículo mesmo!
A vida não é uma folha em branco e os caminhos não estão se ramificando esperando a gente escolher uma estrada. O traçado já está feito, pelo menos na estrutura básica. Você pode até mudar uma cor ou outra, mas o desenhinho já vem pronto. A vida leva a gente. Ninguém está optando. O livre arbítrio é ilusório. Pode ver! Pode pensar e repensar.
Talvez o arbítrio até exista, no início quando Deus criou o céu e a terra... mas depois de criado filhão, é difícil mudar. Não temos a chave nem a coragem para abrir novas portas. Não temos a coragem!
Você acha que tá no controle? Que tá se mexendo? Que não tá acomodado? Vai achando então!
E não, eu não tô deprê. Só estou constatando um fato.
Pode reparar!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A LOUCURA É ESSENCIAL

Desde que estou menos doida, minha inspiração está escassa... não que isso faça muita diferença pro resto do mundo, mas é horrível acordar de manhã de bom humor.
Aqui não é a Disneylândia.
É terrível não pensar em um único problema, meu ou do mundo, que seja.
O mau-humor é necessário!
A falta de tolerância é inspirativa. O humor nasce do mau-humor.
Abaixo os anti-depressivos!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

VOCÊ FAZ PLANOS, DEUS RI - parte 2

E a próxima encarnação?
Tenho uma série de planos para a próxima encarnação! Coisas que seriam impossíveis de realizar nesta.

Por exemplo, na próxima encarnação quero ser mulher! De verdade! Dessas que vão no cabeleireiro, fazem ginástica, cirurgias plásticas e tratamentos estéticos. Dessas que ficam em casa esperando os maridos e cuidam das crianças. Dessas que fazem cursos de pintura e aulas de francês.

Putz, seria o máximo!

Não dá pra ser mulher e trabalhar que nem homem. E além do mais, nessa encarnação eu nasci achando tudo isso chatérrimo. Vai ter que ser na próxima.
Também fico pensando em talvez reencarnar como um bicho.
Quando eu era adolescente, tinha um amigo que queria reencanar numa minhoca. Segundo ele, que levava uma vida ralante e rastejante, pelo menos ia nascer com aptidão pra isso.

Se fosse pra voltar um bicho, eu ia voltar como um urubu. Eu já trabalho o dia inteiro e muitas vezes a comida que eu como é um lixo, pelo menos na próxima encarnação eu vou voar! Não é o máximo! Não vou mais sofrer por não saber cozinhar.

O urubu voa mais alto, não tem predadores, come lixo e é feliz. Eu pelo menos nunca vi um urubu triste. Você já viu?

Por tudo isso considero o urubu um ser praticamente sagrado, como uma vaca. Um caiçara me falou uma vez que gostava dos urubus porque eles limpam a natureza. E sem cobrar nada por isso!

O urubu é inocente, ele tem o privilégio de desfrutar da inocência dos animais mais primitivos. Sim porque eu tenho certeza: urubu só come carniça porque ainda não descobriu a arte da defumação!