Como no mundo digital, o mundo real tem de ser atualizado de vez em quando.
Com uma frequência incrível porém terrivelmente lentificada observamos as transformações sócio-culturais do nosso mundo real através dos tempos, não com uma certa vontade de ditar regras que pareceram esquecidas num processo de atualização de certa forma irresponsável.
Alguns atrasos foram certamente esquecidos enquando outros tem o péssimo hábito de se fazerem frequentemente lembrados às custas de não esquecermos certas tradições "culturais".
Ontem assisti na tv um programa que falava sobre medicina chinesa e doma bárbara de cavalos por certos povos na China que insistem em mater suas tradições culturais acessas, como se hoje em dia não houvesse outras formas de sacrificar um animal para consumo próprio ou outras formas de se domar um animal sem envolver a violência bárbara empregada há algumas centenas de anos.
Já que não podemos esquecer a medicina chinesa e o modo bárbaro como os praticantes desta ciência milenar obtém alguns medicamentos, como por exemplo extratos de origem animal, bem como os ignorantes que os consomem... por que não ressucitar a guilhotina? ou o enforcamento em praça pública?
São também expoentes culturais que caíram em desuso, mas que podem muito bem representar a cultura de um povo em determinado momento histórico, bem como a doma bárbara de cavalos ainda praticada por habitantes nômades da mongólia.
Resgatar o passado para incrementar e abastecer o futuro é notável, mas manter práticas ancestrais às custas de não perder ritos e tradições bárbaras e absurdas (e inúteis) é de uma ignorância sem igual, infelizmente com precedentes.
Aproveito para incluir aqui as ridículas manifestações de afeto adolescente, tradicionais e baratas, românticas e... ridículas. O romantismo acabou, veio o realismo e a época contemporânea onde após a adolescência não sobra espaço nem paciência e nem tolerância adulta que suporte qualquer tipo de manifestação imbecil elevando sentimentos torpes e superficiais que com certeza acabarão antes que possamos contabilizar os dias de glória.
Vamos atualizar e levar apenas as coisas boas. Que caiam em desuso e no esquecimento global tudo que leva ao empobrecimento da alma. Vestimentas de época e práticas ancestrais obsoletas devem ser lembradas sim, mas em filmes e obras literárias. Talvez num teatrinho quem sabe... deixa o vento levar.
Expectativas... Estamos todo o tempo tentando evitá-las, mas ninguém - e não adianta se enganar! - NINGUÉM vive totalmente livre delas... Em grandes cidades como São Paulo passamos horas intermináveis no trânsito e - muitas vezes sem perceber! - criamos, elaboramos, desenvolvemos teorias e... EXPECTATIVAS! E sim, escrevo no português de antes da revolução chatográfica. Adoro isso!
sábado, 27 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
MUDAR DE IDÉIA
Mudar de idéia é tão velho quanto a história da humanidade.
Todo mundo pelo menos algumas centenas de vezes na vida já mudou de idéia.
Mudar de idéia é básico. Até Deus mudou de idéia por diversas vezes no processo de criação.
E o mundo criado pelos que gostam de mudar de idéia? Aposto que você nunca pensou nisso, mas a marcha ré foi inventada por essas pessoas... em todos os sentidos!
Imagina a quantidade de dinheiro perdida pelos que mudam de idéia? Estes claramente se baseiam na idéia primordial de que há solução para tudo nessa vida. Já ouviu isso? Pois é...
Imagina no meio de um filme ou de uma telenovela: você liga a televisão no dia seguinte para acompanhar o assassinato do seu personagem favorito, quando aparece todo o elenco em roupas de época, numa grande fazenda do início do século XX... Logo após uma mensagem do autordeflagra a tela: "caros telespectadores, até agora esta novela ambientava-se em época atual, com a internet e a computação gráfica à todo vapor. Pois bem, a partir de hoje, desconsiderem. Mudei de idéia". Então novamente a cena se abre com o elenco em produção de época e falando num português arcaico...
E no hospital então. Na sala de cirurgia: "enfermerira Fulana, me traga o baço de volta que agora resolvi extirpar o fígado!".
É... mudar de idéia pode às vezes dar um pouco de trabalho.
Todo mundo pelo menos algumas centenas de vezes na vida já mudou de idéia.
Mudar de idéia é básico. Até Deus mudou de idéia por diversas vezes no processo de criação.
E o mundo criado pelos que gostam de mudar de idéia? Aposto que você nunca pensou nisso, mas a marcha ré foi inventada por essas pessoas... em todos os sentidos!
Imagina a quantidade de dinheiro perdida pelos que mudam de idéia? Estes claramente se baseiam na idéia primordial de que há solução para tudo nessa vida. Já ouviu isso? Pois é...
Imagina no meio de um filme ou de uma telenovela: você liga a televisão no dia seguinte para acompanhar o assassinato do seu personagem favorito, quando aparece todo o elenco em roupas de época, numa grande fazenda do início do século XX... Logo após uma mensagem do autordeflagra a tela: "caros telespectadores, até agora esta novela ambientava-se em época atual, com a internet e a computação gráfica à todo vapor. Pois bem, a partir de hoje, desconsiderem. Mudei de idéia". Então novamente a cena se abre com o elenco em produção de época e falando num português arcaico...
E no hospital então. Na sala de cirurgia: "enfermerira Fulana, me traga o baço de volta que agora resolvi extirpar o fígado!".
É... mudar de idéia pode às vezes dar um pouco de trabalho.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
RUA AUGUSTA DOS SEM CARTEIRA - por Daniela Rosenthal
1! 2! 3!..Desci a rua Augusta a 120 por hooooora!!! ...Uhuuu! 7 points na cartinha e 500 paus de multa. Chora queridinho!
Botei a turma toda do passeio pra fora!...Uauuuu! Bonzão hein? 700 contos mais pobre, salvo se acertou algum motoboy, claro.
Larararara sem tocar na buzina, num lembro direito a letra massss, sem dúvida se naquela época tivesse a lei do psiu talvez esse louco adquiriria uns pontinhos com os "homis".
Parei a 4 dedos da vitrina, PUAAAATZ!!! Perdeu a carteira, barbeiro, BRAAAAÇÇÇOOOO!
Hi hi Jonny, hi hi Alfredo, quem é da nossa gangue não tem medo...O QUEEEEEEEEEE???
Aí espertinho...GANGUE???
FORMAçÃO de QUADRILHA!!!!
Perdeu, perdeu...
Botei a turma toda do passeio pra fora!...Uauuuu! Bonzão hein? 700 contos mais pobre, salvo se acertou algum motoboy, claro.
Larararara sem tocar na buzina, num lembro direito a letra massss, sem dúvida se naquela época tivesse a lei do psiu talvez esse louco adquiriria uns pontinhos com os "homis".
Parei a 4 dedos da vitrina, PUAAAATZ!!! Perdeu a carteira, barbeiro, BRAAAAÇÇÇOOOO!
Hi hi Jonny, hi hi Alfredo, quem é da nossa gangue não tem medo...O QUEEEEEEEEEE???
Aí espertinho...GANGUE???
FORMAçÃO de QUADRILHA!!!!
Perdeu, perdeu...
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A ALMA DA PLANTA
O que acontece com a energia das coisas vivas quando elas morrem?
Tudo que é vivo envolve uma certa quantidade de energia para funcionar. Por exemplo os vegetais. Eles podem não se manifestar como nós, os animais. Podem ter códigos ocultos, restritos aos seus semelhantes, para comportamento, troca de conhecimentos culturais, gerais e profissionais. Podem não necessariamente falar ou gesticular, mas a atividade celular dos plantos (eu gosto de me referir aos vegetais no masculino, não me pergunte por que) microscopicamente falando, é frenética! como a nossa.
Então eu gostaria de saber por que ninguém comenta sobre a alma dos vegetais?
Se tudo que vive exige energia, e essa energia naturalmente se dissipa com a morte, e a energia que se dissipa invariavelmente chamamos de alma... o que acontece com a alma dos vegetais? E por que ninguém nunca se preocupou com isso?
Será que eles reencarnam?
O vegetal vai pro limbo? Se bem que eu também não acredito muito nessa história do limbo pros animais. Pô, se o animal é bom ele vai naturalmente para o céu. Tenho certeza disso! Nós somos todos animais e independente do modo como evoluimos, todas as espécies, acredito eu, tem direito ao céu.
Mas, e os vegetais? Qual seria o critério de céu e inferno? Como classificar as ervas daninhas neste turbilhão de almas verdes recém descobertas? Como se comunicar espiritualmente com almas de plantas falecidas?
Será que as plantas vêem gente morta? (vegetalmente falando, é claro).
Tudo que é vivo envolve uma certa quantidade de energia para funcionar. Por exemplo os vegetais. Eles podem não se manifestar como nós, os animais. Podem ter códigos ocultos, restritos aos seus semelhantes, para comportamento, troca de conhecimentos culturais, gerais e profissionais. Podem não necessariamente falar ou gesticular, mas a atividade celular dos plantos (eu gosto de me referir aos vegetais no masculino, não me pergunte por que) microscopicamente falando, é frenética! como a nossa.
Então eu gostaria de saber por que ninguém comenta sobre a alma dos vegetais?
Se tudo que vive exige energia, e essa energia naturalmente se dissipa com a morte, e a energia que se dissipa invariavelmente chamamos de alma... o que acontece com a alma dos vegetais? E por que ninguém nunca se preocupou com isso?
Será que eles reencarnam?
O vegetal vai pro limbo? Se bem que eu também não acredito muito nessa história do limbo pros animais. Pô, se o animal é bom ele vai naturalmente para o céu. Tenho certeza disso! Nós somos todos animais e independente do modo como evoluimos, todas as espécies, acredito eu, tem direito ao céu.
Mas, e os vegetais? Qual seria o critério de céu e inferno? Como classificar as ervas daninhas neste turbilhão de almas verdes recém descobertas? Como se comunicar espiritualmente com almas de plantas falecidas?
Será que as plantas vêem gente morta? (vegetalmente falando, é claro).
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
QUIMIO SHORT TAKES
Ela precisou fazer quimioterapia.
Depois do choque inicial e da impossibilidade de escolha, limpou a mente de pensamentos ruins e resolveu enfrentar o desafio.
Fez a primeira sessão. Sentiu-se mal por um ou dois dias e imediatamente retomou suas atividades esportivas. Saiu de casa, organizou uma recepção para a família, foi ao supermercado, enfim, sua vida voltou ao normal e num ritmo alucinante e acelerado, pois nada iria derrubá-la.
Voltou ao médico em 3 semanas apresentando ótimos níveis nos exames de rotina e dizendo que quimio nenhuma a derrubaria. O médico ouviu o quão bem ela estava encarando o desafio e ela notou uma pequena ruga, talvez de preocupação, em sua testa enquanto ele dizia "está tudo normal? hummm..." e fez então umas anotações em um papel entregando-lhe a seguir a prescrição para a segunda aplicação.
Três semanas após a 2a dose do pesado fármaco ela retorna para a avaliação médica. Ainda com uma ótima aparência! nem a queda de cabelos a derrubou. Ela comenta diante do estupefato médico que dessa vez havia demorado um pouco mais para retomar sua atividades. Ficou cerca de 5 dias acamada sentindo-se mal, mas depois deste período de reclusão retomou imediatamente suas atividades esportivas, praticando-as durante 2 a 3 horas diariamente. Dessa vez o médico apenas olhou-a franzindo ainda mais o cenho e rabiscou com fúria o seu pedaço de papel como que dizendo "ah é?!! então toma isso!!!", entregando-lhe a seguir a prescrição para a terceira dose. Ela só podia estar enganada, é claro que o médico estava apenas preocupado com seu bem estar...
Novamente 3 semanas se passaram e ela volta para a 4a dose. Dessa vez ela estava um pouco abatida. Revelou que ficou quase 10 dias sentindo-se um lixo e falou continuamente por quase 15 minutos sobre como se sentia por não mais conseguir praticar suas atividades esportivas. Ela estava arrasada, mas ainda inteira. Enquanto falava não pôde deixar de perceber o médico fazendo anotações. Desta vez ele estava leve, anotando com calma e escrita suave a sua próxima prescrição, e foi então que ela viu: no canto de sua boca, quase imperceptível um esboço de sorriso! Por via das dúvidas ela achou melhor não comentar sobre o pequeno mas já perceptível crescimento de seus cabelos. Afinal de contas o médico estava (e isso ela pôde afirmar, embora não tenha bem certeza dos reais motivos...): FELIZ!
Depois do choque inicial e da impossibilidade de escolha, limpou a mente de pensamentos ruins e resolveu enfrentar o desafio.
Fez a primeira sessão. Sentiu-se mal por um ou dois dias e imediatamente retomou suas atividades esportivas. Saiu de casa, organizou uma recepção para a família, foi ao supermercado, enfim, sua vida voltou ao normal e num ritmo alucinante e acelerado, pois nada iria derrubá-la.
Voltou ao médico em 3 semanas apresentando ótimos níveis nos exames de rotina e dizendo que quimio nenhuma a derrubaria. O médico ouviu o quão bem ela estava encarando o desafio e ela notou uma pequena ruga, talvez de preocupação, em sua testa enquanto ele dizia "está tudo normal? hummm..." e fez então umas anotações em um papel entregando-lhe a seguir a prescrição para a segunda aplicação.
Três semanas após a 2a dose do pesado fármaco ela retorna para a avaliação médica. Ainda com uma ótima aparência! nem a queda de cabelos a derrubou. Ela comenta diante do estupefato médico que dessa vez havia demorado um pouco mais para retomar sua atividades. Ficou cerca de 5 dias acamada sentindo-se mal, mas depois deste período de reclusão retomou imediatamente suas atividades esportivas, praticando-as durante 2 a 3 horas diariamente. Dessa vez o médico apenas olhou-a franzindo ainda mais o cenho e rabiscou com fúria o seu pedaço de papel como que dizendo "ah é?!! então toma isso!!!", entregando-lhe a seguir a prescrição para a terceira dose. Ela só podia estar enganada, é claro que o médico estava apenas preocupado com seu bem estar...
Novamente 3 semanas se passaram e ela volta para a 4a dose. Dessa vez ela estava um pouco abatida. Revelou que ficou quase 10 dias sentindo-se um lixo e falou continuamente por quase 15 minutos sobre como se sentia por não mais conseguir praticar suas atividades esportivas. Ela estava arrasada, mas ainda inteira. Enquanto falava não pôde deixar de perceber o médico fazendo anotações. Desta vez ele estava leve, anotando com calma e escrita suave a sua próxima prescrição, e foi então que ela viu: no canto de sua boca, quase imperceptível um esboço de sorriso! Por via das dúvidas ela achou melhor não comentar sobre o pequeno mas já perceptível crescimento de seus cabelos. Afinal de contas o médico estava (e isso ela pôde afirmar, embora não tenha bem certeza dos reais motivos...): FELIZ!
ÓPERA MODERNA
Não quero aqui ser repetitiva e nem plagiária, mas estive pensando - levada pela chama da música clássica desta semana - no por que de não surgirem mais bons e abundantes compositores do gênero nos dias de hoje. Aliás, faz tempo que não aparece um cara bom. Enquanto os séculos 17 e 18 serviram de berçário para os grandes gênios da música, hoje em dia o que se vê são malucos medíocres tentando nos convencer de que fazem coisas boas, culturalmente falando. Em todos os aspectos!
Do mesmo modo que Deus não fala mais com a gente - digo diretamente, como fazia com os profetas de antigamente (vide texto http://depoiseagora.blogspot.com/2010/04/alguem-conhece-o-centro-da-terra.html). Pelo menos Ele não tem falado muito depois do advento da psiquiatria. Talvez por causa disso também faz tempo que não vejo ninguém convincente no ramo da comunicação divina. Nem no que concerne à arte cênica da representação divina. Pro cara convercer alguém de que é Deus ou de que falou com Ele, tem que ser bom! De verdade! Que nem naquela propaganda do Ronalo Fenômeno, sabe? Driblou os médicos!!...
É não tenho visto...
Mas o que eu queria comentar realmente é que se houvesse um compositor capaz de escrever uma ópera com toda a pompa de antigamente, o que será que ele escreveria? Qual seria a história? Sim, porque escrever sobre o fauno e as criaturas da floresta num ritual satânico de feitiçaria soaria no mínimo estranho. Isso me faz lembrar de Woody Allen em sua crônica sobre os balés que não deram certo e foram fracassos de audiência, citando por exemplo uma peça em que a princesa enfeitiçada seria metade cisne, metade mulher, mas no sentido longitudinal! E ela teria que convencer seu príncipe em um pas de deux complicadíssimo que para desfazer o feitiço ele teria que fazer um curso de taquigrafia por correspondência... é, não entendo por qual motivo não deu certo esse roteiro...
Talvez hoje em dia a ópera contasse a estória de uma executiva sem paciência sendo cortejada por um rapaz pobre e sonhador, operador de caixa do McDonalds. Por comer no McDonalds todos os dias ela desenvolveria uma doença hepática e morreria um dia antes de ser convidada para o jogo do Coringão no Pacaembu (de arquibancada!). A ópera terminaria com o rapaz desiludido cantando no meio do gramado do famoso estádio a ária final intitulada "Bando de Lokos". Num epílogo alucinante o Corinthians ganharia o jogo (só na ópera acontece isso!) e um bandeirão seria estendido sobre a platéia numa interatividade alucinante e apoteótica!
Aí as luzes se acenderiam e uma voz grave então se ouviria, alertando a platéia sobre tudo isso (o espetáculo em si) - principalmente a parte do resultado final do jogo - ser uma obra de ficção!
Do mesmo modo que Deus não fala mais com a gente - digo diretamente, como fazia com os profetas de antigamente (vide texto http://depoiseagora.blogspot.com/2010/04/alguem-conhece-o-centro-da-terra.html). Pelo menos Ele não tem falado muito depois do advento da psiquiatria. Talvez por causa disso também faz tempo que não vejo ninguém convincente no ramo da comunicação divina. Nem no que concerne à arte cênica da representação divina. Pro cara convercer alguém de que é Deus ou de que falou com Ele, tem que ser bom! De verdade! Que nem naquela propaganda do Ronalo Fenômeno, sabe? Driblou os médicos!!...
É não tenho visto...
Mas o que eu queria comentar realmente é que se houvesse um compositor capaz de escrever uma ópera com toda a pompa de antigamente, o que será que ele escreveria? Qual seria a história? Sim, porque escrever sobre o fauno e as criaturas da floresta num ritual satânico de feitiçaria soaria no mínimo estranho. Isso me faz lembrar de Woody Allen em sua crônica sobre os balés que não deram certo e foram fracassos de audiência, citando por exemplo uma peça em que a princesa enfeitiçada seria metade cisne, metade mulher, mas no sentido longitudinal! E ela teria que convencer seu príncipe em um pas de deux complicadíssimo que para desfazer o feitiço ele teria que fazer um curso de taquigrafia por correspondência... é, não entendo por qual motivo não deu certo esse roteiro...
Talvez hoje em dia a ópera contasse a estória de uma executiva sem paciência sendo cortejada por um rapaz pobre e sonhador, operador de caixa do McDonalds. Por comer no McDonalds todos os dias ela desenvolveria uma doença hepática e morreria um dia antes de ser convidada para o jogo do Coringão no Pacaembu (de arquibancada!). A ópera terminaria com o rapaz desiludido cantando no meio do gramado do famoso estádio a ária final intitulada "Bando de Lokos". Num epílogo alucinante o Corinthians ganharia o jogo (só na ópera acontece isso!) e um bandeirão seria estendido sobre a platéia numa interatividade alucinante e apoteótica!
Aí as luzes se acenderiam e uma voz grave então se ouviria, alertando a platéia sobre tudo isso (o espetáculo em si) - principalmente a parte do resultado final do jogo - ser uma obra de ficção!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
UM POUCO DE MÚSICA CLÁSSICA
Quem foi que disse que música clássica não é divertido?
A cultura popular ao longo do tempo rotulou a música clássica. Para a juventude idiota música clássica é sinônimo de diversão para velhos e nerds, entre outros atributos depreciativos. Uma vez me lembro na faculdade que comentei sobre um concerto que gostaria de assistir e fui encarada pelo meu grupinho de amigos como se houvesse um ET ao meu lado segurando um sanduíche do McDonalds.
Ressalvas à parte, tenho de confessar que raríssimas vezes na minha vida me diverti tanto quanto no dia em que dancei uma rapsódia húngara dentro do carro com minhas irmãs e minha prima Mariana, numa visita à casa dos meus tios em Campos do Jordão. Estávamos com as janelas fechadas, mas quem via de fora, podia jurar que o som era do Ozzy ou algum similar.
Hoje fui a um concerto. Na Sala São Paulo. Ouvi a Orquestra Filarmônica da Radio France executar com primor a 5a. Sinfonia de Beethoven, entre outras no programa. Fazia muito tempo que não me divertia tanto. Quando a platéia aplaudiu de pé o gran finale e não arredou o pé até que o maestro voltasse para mais um pouco, fiquei exultante. Queríamos ouvir mais e mais e mais.
O bis foi tão intenso que eu poderia agarrar um microfone de captação pendurado no teto, usá-lo como tirolesa, descer do balcão à platéia principal e num êxtase, tirar o próprio maestro para um pas de deux. É claro que ouvi tudo contida, sem emitir som algum, com todos os sentidos vidrados naquela maravilha. Mas a sensação de assistir uma grande apresentação é tão intensa e tão boa, que essa gente ignorante não sabe mesmo o que está perdendo.
A cultura popular ao longo do tempo rotulou a música clássica. Para a juventude idiota música clássica é sinônimo de diversão para velhos e nerds, entre outros atributos depreciativos. Uma vez me lembro na faculdade que comentei sobre um concerto que gostaria de assistir e fui encarada pelo meu grupinho de amigos como se houvesse um ET ao meu lado segurando um sanduíche do McDonalds.
Ressalvas à parte, tenho de confessar que raríssimas vezes na minha vida me diverti tanto quanto no dia em que dancei uma rapsódia húngara dentro do carro com minhas irmãs e minha prima Mariana, numa visita à casa dos meus tios em Campos do Jordão. Estávamos com as janelas fechadas, mas quem via de fora, podia jurar que o som era do Ozzy ou algum similar.
Hoje fui a um concerto. Na Sala São Paulo. Ouvi a Orquestra Filarmônica da Radio France executar com primor a 5a. Sinfonia de Beethoven, entre outras no programa. Fazia muito tempo que não me divertia tanto. Quando a platéia aplaudiu de pé o gran finale e não arredou o pé até que o maestro voltasse para mais um pouco, fiquei exultante. Queríamos ouvir mais e mais e mais.
O bis foi tão intenso que eu poderia agarrar um microfone de captação pendurado no teto, usá-lo como tirolesa, descer do balcão à platéia principal e num êxtase, tirar o próprio maestro para um pas de deux. É claro que ouvi tudo contida, sem emitir som algum, com todos os sentidos vidrados naquela maravilha. Mas a sensação de assistir uma grande apresentação é tão intensa e tão boa, que essa gente ignorante não sabe mesmo o que está perdendo.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
TRÂNSITO
Eu odeio o trânsito, eu abomino o trânsito.
O único trânsito que eu me interesso é o meu trânsito intestinal.
O trânsito intestinal está intimamente ligado ao trânsito das ruas. Quando os dois param, ficamos "enfezados". Quando os dois aceleram, o nosso sentido de urgência se destaca, começamos de pronto a correr vertiginosamente querendo de imediato nos ver livres daquilo que nos incomoda.
Pior ainda, quando os dois trânsitos estão acelerados, risco sério de acidente grave.
Quando o primeiro está parado e o segundo acelerado então, multiplique o inferno de Dante pelo grau de miserabilidade do ser humano, e terás uma certa noção do que é pressa.
Dizem que o trânsito intestinal pode ser mais rápido que um piscar de olhos, mais rápido que a velocidade da luz, como diria joãozinho:
- A coisa foi tão rápida que não deu tempo de pensar em piscar o olho e de acender a luz, me borrei todo...
Voltando ao trânsito, essa coisa chegou aqui em Santos.
Fugi de São Paulo por causa dele. Estão pensando até em fazer rodízio por aqui.
Pasmem!
Por aqui estamos levando quase 20 minutos para ir de um extremo da cidade até o outro...
O único trânsito que eu me interesso é o meu trânsito intestinal.
O trânsito intestinal está intimamente ligado ao trânsito das ruas. Quando os dois param, ficamos "enfezados". Quando os dois aceleram, o nosso sentido de urgência se destaca, começamos de pronto a correr vertiginosamente querendo de imediato nos ver livres daquilo que nos incomoda.
Pior ainda, quando os dois trânsitos estão acelerados, risco sério de acidente grave.
Quando o primeiro está parado e o segundo acelerado então, multiplique o inferno de Dante pelo grau de miserabilidade do ser humano, e terás uma certa noção do que é pressa.
Dizem que o trânsito intestinal pode ser mais rápido que um piscar de olhos, mais rápido que a velocidade da luz, como diria joãozinho:
- A coisa foi tão rápida que não deu tempo de pensar em piscar o olho e de acender a luz, me borrei todo...
Voltando ao trânsito, essa coisa chegou aqui em Santos.
Fugi de São Paulo por causa dele. Estão pensando até em fazer rodízio por aqui.
Pasmem!
Por aqui estamos levando quase 20 minutos para ir de um extremo da cidade até o outro...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
A MÚSICA EM MINHA VIDA
Seu hobby era a música. Desde pequena ela fazia aulas para aprender a tocar instrumentos.
Iniciou-se no aprendizado da flauta doce mas almejava mais. Ganhou uma flauta transversal, instrumento para o qual nunca levou jeito mas insistiu apaixonadamente desesperando seus vizinhos e familiares. Estudava por horas a fio levando os cachorros à loucura. Seu cachorro até desenvolveu uma técnica, apoiada por toda a sua família, de mijar em suas partituras, mas isso não a detia. O cachorro do vizinho, mais dramático, chegou a tentar o suicídio quando ela se dispôs a estudar gaita... foi demais para ele (o cachorro).
Depois da mal sucedida flauta transversal veio o desejo de estudar sax. Mas Deus foi Pai e ela seguiu para o solitário e coletivo violão. Estudava também por horas a fio o instrumento que, por uma concessão divina, não era amplificado.
Quando adulta entrou numa escola de música modernizada. Era o máximo. Fazia aulas de canto coral - um desespero para quem ouvia - e de teoria, até que entrou para uma banda sinfônica.
A banda era tão ruim que as "fugas" tocadas provocavam a evasão do maestro e da platéia.
Hoje, relembrando tudo isso, ela simplesmente sorri porque se divertiu a valer!
Iniciou-se no aprendizado da flauta doce mas almejava mais. Ganhou uma flauta transversal, instrumento para o qual nunca levou jeito mas insistiu apaixonadamente desesperando seus vizinhos e familiares. Estudava por horas a fio levando os cachorros à loucura. Seu cachorro até desenvolveu uma técnica, apoiada por toda a sua família, de mijar em suas partituras, mas isso não a detia. O cachorro do vizinho, mais dramático, chegou a tentar o suicídio quando ela se dispôs a estudar gaita... foi demais para ele (o cachorro).
Depois da mal sucedida flauta transversal veio o desejo de estudar sax. Mas Deus foi Pai e ela seguiu para o solitário e coletivo violão. Estudava também por horas a fio o instrumento que, por uma concessão divina, não era amplificado.
Quando adulta entrou numa escola de música modernizada. Era o máximo. Fazia aulas de canto coral - um desespero para quem ouvia - e de teoria, até que entrou para uma banda sinfônica.
A banda era tão ruim que as "fugas" tocadas provocavam a evasão do maestro e da platéia.
Hoje, relembrando tudo isso, ela simplesmente sorri porque se divertiu a valer!
INVADIRAM MEU BLOG
Pois é, acabo de invadir este blog.
Na verdade acabei sendo convidado pela dona pra incluir nele minhas idéias distorcidas da realidade.
Eu digo sempre pra Andrea, não somos nós que pensamos diferente, é o mundo que pensa errado.
Como no alienista (o livro dâââ) , vamos acabar os dois parando no manicômio, e por vontade própria.
Sobre a invasão, tive nos últimos meses uma invasão do meu email pessoal, a coisa chegou a ponto de me obrigar a excluir meu email. Descobri então, o transtorno que é alterar um email. Existem zilhões de sites, e serviços, e pessoas, e cadastros, e ticétera, que usam seu email indiscriminadamente. Meu email não me pertencia mais...
E as pessoas que comecei a encontrar então? Indignados perguntando coisas como: - Poxa vida, você não viu o email que te mandei?
E as mensagens de trabalho? Te mandam um email e consideram o assunto resolvido: - Como? você chegou na reunião no dia errado? Problema seu, mandei o comunicado da mudança por email.
Fui obrigado a reativar o email só pra colocar uma mensagem automática dizendo que eu tinha desativado o email.
Kafka puro...
Na verdade acabei sendo convidado pela dona pra incluir nele minhas idéias distorcidas da realidade.
Eu digo sempre pra Andrea, não somos nós que pensamos diferente, é o mundo que pensa errado.
Como no alienista (o livro dâââ) , vamos acabar os dois parando no manicômio, e por vontade própria.
Sobre a invasão, tive nos últimos meses uma invasão do meu email pessoal, a coisa chegou a ponto de me obrigar a excluir meu email. Descobri então, o transtorno que é alterar um email. Existem zilhões de sites, e serviços, e pessoas, e cadastros, e ticétera, que usam seu email indiscriminadamente. Meu email não me pertencia mais...
E as pessoas que comecei a encontrar então? Indignados perguntando coisas como: - Poxa vida, você não viu o email que te mandei?
E as mensagens de trabalho? Te mandam um email e consideram o assunto resolvido: - Como? você chegou na reunião no dia errado? Problema seu, mandei o comunicado da mudança por email.
Fui obrigado a reativar o email só pra colocar uma mensagem automática dizendo que eu tinha desativado o email.
Kafka puro...
DRIBLANDO A MORTE
Já repararam como bandido não morre?
Outro dia ouvindo uma entrevista sobre um especialista em cangaço, soube que ainda hoje restam vivos alguns exemplares daquele tipo de "guerrilha", o que me leva a crer que os que não morreram em batalhas viveram quase que centenariamente, um feito até mesmo para os dias de hoje. Parafraseando Jô Soares, gostaria muito de saber o que eles comiam!!
Um outro exemplo interessante é a lenda nada surreal que se ouve entre equipes médicas de hospitais públicos que a toda hora atendem foras da lei baleados e feridos de alguma outra forma... os caras não morrem! se chegarem 2 caras igualmente feridos, um trabalhador e outro bandido, adivinha quem é que se dá mal? Não sei o porquê e nem tenho explicação teorizada da causa de tamanha resistência física. E olha que já vi bandidos escaparem miraculosamente de situações onde havia a morte certa rondando a maca.
Comentei o assunto numa tarde dessas com meu pai que logo pôs um fim à polêmica com a seguinte conclusão: quando a gente estiver mal, mas bem mal mesmo!, aí a gente vai assalta um banco!!
Outro dia ouvindo uma entrevista sobre um especialista em cangaço, soube que ainda hoje restam vivos alguns exemplares daquele tipo de "guerrilha", o que me leva a crer que os que não morreram em batalhas viveram quase que centenariamente, um feito até mesmo para os dias de hoje. Parafraseando Jô Soares, gostaria muito de saber o que eles comiam!!
Um outro exemplo interessante é a lenda nada surreal que se ouve entre equipes médicas de hospitais públicos que a toda hora atendem foras da lei baleados e feridos de alguma outra forma... os caras não morrem! se chegarem 2 caras igualmente feridos, um trabalhador e outro bandido, adivinha quem é que se dá mal? Não sei o porquê e nem tenho explicação teorizada da causa de tamanha resistência física. E olha que já vi bandidos escaparem miraculosamente de situações onde havia a morte certa rondando a maca.
Comentei o assunto numa tarde dessas com meu pai que logo pôs um fim à polêmica com a seguinte conclusão: quando a gente estiver mal, mas bem mal mesmo!, aí a gente vai assalta um banco!!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O FUNCIONÁRIO PÚBLICO
Contando que é preciso prestar concurso público para assumir cargos em instituições públicas, é vergonhoso o despreparo dos profissionais que servem nestes locais.
Despreparo este que se verifica na falta de treinamento, na falta de psicologia na lida com o público, na falta do português correto tanto na fala como na escrita. É constrangedor.
A irritação muitas vezes palpável de tão densa, é uma presença constante nos locais destinados ao atendimento da população. Pessoas mal remuneradas, muitas vezes sobrecarregadas e sem vontade nem incentivo algum, são a normalidade dos serviços públicos em todas as áreas.
Prédios públicos feios, desconfortáveis e sujos, sem condições mínimas de trabalho para o atendente e o atendido são a normalidade também. Experimenta fazer uma pergunta extra para algum atendente. Você praticamente apanha sem o tapa. Bom... às vezes tem tapa.
O funcionário público se conhece de longe pelo jeito desleixado, a falta de ânimo, o arrastar dos pés nos corredores infinitos dos seus horrendos locais de trabalho.
Remunerar adequadamente o funcionário público, deixando para trás os subsalários a que são obrigados a se submeter pela falta de opção por empregos estáveis, já seria um bom ponto de partida... depois disso, tem todo o resto...
Um exemplo no texto abaixo.
Despreparo este que se verifica na falta de treinamento, na falta de psicologia na lida com o público, na falta do português correto tanto na fala como na escrita. É constrangedor.
A irritação muitas vezes palpável de tão densa, é uma presença constante nos locais destinados ao atendimento da população. Pessoas mal remuneradas, muitas vezes sobrecarregadas e sem vontade nem incentivo algum, são a normalidade dos serviços públicos em todas as áreas.
Prédios públicos feios, desconfortáveis e sujos, sem condições mínimas de trabalho para o atendente e o atendido são a normalidade também. Experimenta fazer uma pergunta extra para algum atendente. Você praticamente apanha sem o tapa. Bom... às vezes tem tapa.
O funcionário público se conhece de longe pelo jeito desleixado, a falta de ânimo, o arrastar dos pés nos corredores infinitos dos seus horrendos locais de trabalho.
Remunerar adequadamente o funcionário público, deixando para trás os subsalários a que são obrigados a se submeter pela falta de opção por empregos estáveis, já seria um bom ponto de partida... depois disso, tem todo o resto...
Um exemplo no texto abaixo.
Assinar:
Postagens (Atom)