terça-feira, 30 de agosto de 2011

SITES DE RELACIONAMENTOS - A SAGA

E novamente estou aqui para reclamar mais um pouco dos sites de relacionamentos.
Mas desta vez é um serviço de utilidade pública.
Tendo em vista as últimas ocorrências de quem ainda insiste neste formato para conhecer pessoas, preparei aqui um modelinho para evitar aborrecimentos. Aí vai:
"Meu nome é xxxxxx.
Estou à procura de um companheiro para dividir coisas boas e ruins.
Gosto de me divertir, o que inclui beber socialmente.
Procuro pessoas livres, felizes e de mente aberta, dispostas a aprender e experimentar o que ainda não conhecem.
Amo a PAZ."
Bom, lá onde está escrito "par ideal" vc vai e escreve:
Obs 1: se for um site étnico, em primeiro lugar, lembre os demais pretendentes de que você entrou no respectivo site à procura de pessoas que sigam os preceitos étnicos do mesmo. Se não fosse importante, você não estaria num site étnico!
Então num site de relacionamentos russo ortodoxo, você deve iniciar dizendo: "se você não for russo ortodoxo, por favor não me faça perder tempo". Se continuar a ser aborrecida por fetichistas, você pode ameaçar dizendo que conhece todas as lojas de fantasias da cidade e que não será difícil descobrir onde o figura conseguiu se fantasiar de russo ortodoxo, grego, japonês, judeu, o que for.
Continuando, lá onde está escrito "par ideal" você escreve (logo após frisar a parte étnica do site):
"Se você ė doido, me esqueça.
Se você faz uso de qualquer medicação tarja preta, tem delírios de grandeza, muda de humor com facilidade, sua conversa não é comigo.
Não sou psiquiatra.
As pessoas são diferentes, e nem todos pensam como você. Se não for respeitar meu ponto de vista, nem comece.
Não tente me converter para a sua religião! Procuro um companheiro e não um evangelizador.
Tenho facilidade para acreditar nas pessoas, então se você gosta de enganar, mente ou mora com a mãe, tô fora.
Esteja empregado! Não tenho vocação para sustentar marmanjo.
Eu gosto de cachorros (o bicho, que fique bem claro)! Se você não gosta, também tô fora.
Ninguém sabe tudo e você não está sempre certo. Não chute e nem dê opiniões sobre o que não sabe - é ridículo. Se você não sabe, se informe pelo amor de Deus!
Se você for do tipo 'ignorante' que demonstra sua superioridade mudando o assunto para terrenos seguros ou menosprezando o que o outro sabe, 'do tipo não sei e tenho raiva de quem sabe', guarde sua idiotice para outra garota que tenha a devida paciência para agüentar gente bronca.
No mais não vou me alongar. Preenchendo os requisitos, pode me escrever que ficarei feliz em responder sua mensagem."
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Dica final: se você não quiser escrever nada disso por ter ficado muito extenso, escreva somente "Se você ė doido, me esqueça!!"
Pra bom entendedor, meia palavra basta.
Sem mais, subescrevo-me.

sábado, 27 de agosto de 2011

POSSIBILIDADES

Há 1 ano, por motivos que fogem ao meu controle, tive de alterar minha rotina. Algumas coisas ficaram no stand by, outras desapareceram, outras simplesmente parece que nunca existiram.
As mudanças vieram sob vários aspectos, mas o mais relevantes deles foi a necessidade de simplificar.
Sempre fui simplista em minhas convicções. Penso e faço, e com pressa, para aproveitar ao máximo o tempo que tenho disponível. Se quero ir ao inferno, vou lá e compro a passagem - simples assim!... É claro que nem sempre dá certo. Aliás, em 50% dos casos dava bem errado, o que equivalia a gastar o pouco tempo disponível e uma quantidade enorme de energia em projetos destinados ao fracasso.
O que me confortava nessas jornadas, tanto nas que davam certo quanto nas que davam errado, era o otimismo que sempre me acompanhou. Nunca penso no que pode dar errado, o que me faz entrar de cabeça em projetos absurdos. Bom, tenho de admitir que não deixa de ser divertido, embora às vezes me tome uma energia desproporcional e me deixe a ver navios, frustrando minhas expectativas mais prementes.
A falta de tempo sempre foi uma constante em minha vida. A cultura na minha profissão implica em preenchermos todo e qualquer espaço disponível no nosso dia a dia. Isso até ficarmos doentes. Aí tudo muda. Levamos broncas e mais broncas de todos, dizendo que devemos ter mais tempo para nós mesmos, que devemos nos cuidar, praticar esportes, comprar roupas bonitas e usar pó de arroz.
Foi o que aconteceu.
Em fevereiro renasci. Meu cabelo começou a crescer, e eu me senti como quando era pequena, com um mundo de possibilidades se abrindo a minha frente. Me livrei de tudo que não apreciava, simplifiquei!, fiz as pazes com pessoas as quais não valia a pena brigar, e me senti como num teatro da vida, na coxia, esperando as cortinas se abrirem para uma vida nova.
O mundo é o mesmo, mas eu enxergo as coisas diferentes. Reestruturei meu dia e meus horários, e agora pratico exercícios. Tenho um dia livre na semana para gastar MEU dinheiro com futilidades... e me sinto bem fazendo isso!
Mas devo ressaltar que as coisas boas em mim permaneceram, o meu otimismo com projetos malucos e a minha disposição em gastar energia a toa também estão aqui. A diferença é que as idéias não grudam mais em mim como antigamente. Consigo me livrar do que me faz mal com muito mais facilidade que antes, e, quando isso acontece me vejo novamente na coxia... com um mundo repleto de possibilidades a se abrir junto com as negras e altíssimas cortinas cerradas bem em frente ao meu nariz!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gente feliz e descomplicada

Gente feliz é assim.
Ao encerrar minhas atividades laborais nesta quinta-feira, tomei uma via pouco usual. Tinha sido um dia pouco comum. Enquanto dirigia, tráfego não muito intenso, escutava calmamente uma canção de Melody Gardot quando uma letra bem conhecida da música popular brasileira, literalmente em alto e bom som, fez uma curva de noventa graus em meus devaneios.
Que ninguém me pergunte “qual era a música”. Alguma coisa agradável, sem muito a ver com o boteco de onde ela eclodia. Não era música ao vivo, não. Alguns homens na calçada bebendo cerveja Skol. Desde que estivesse gelada, tudo estaria perfeito. Isso é que é happy hour.
Girei novamente minha atenção, agora para alguns amigos bem queridos, mas que só tomam vinhos de safras nobilíssimas em taças de cristal que não façam feio em qualquer recepção do Itamaraty.
E aqueles homens estavam comendo alguma coisa. Olhando com mais atenção, o farol já por abrir, vi mulheres também, várias pessoas em uma mesa na parte interna. Certamente não comiam foie gras (eu também não como, pelos princípios ecológicos e pelo paladar). Torresmo, batatinhas, bacon, frango frito? Não importa. Todo mundo alegre, sem pensar muito no chef, na qualidade superior do ingrediente, na acidez do azeite (haveria azeite de oliva por lá!?).
Farol verde, baixei o vidro, sorvi a música (perdão, Melody), ouvi algumas boas risadas de brinde e arranquei. Cheguei à casa, marido no trabalho (céus, por que não fui à academia?)...
Gente descomplicada vive melhor.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

UMA, DUAS OU TRÊS VIDAS?

É interessante como as coisas mudam.
Essa dinâmica da vida sempre me fascinou.
Um dia um professor me disse que não se pode aventar hipóteses para o passado. O que passou passou, e não adianta nada ficarmos imaginando como tudo teria sido se alguma coisa fosse mudada no decorrer dos acontecimentos.
É tudo verdade.
Mesmo assim, não posso precisar quantas vezes me flagrei pensando em como seria a vida se ao invés de colocar o cavalo na frente da rainha, trancasse o mesmo na torre e deixasse que lhe crescessem os cabelos.
Estórias à parte, devo confessar que se vivesse novamente a minha vida, faria tudo de novo. Talvez eu fizesse com mais leveza, talvez não sofresse tanto, mas que eu faria, eu faria! Não mudaria nada, mesmo porque muitas vezes me culpei por situações que não tive realmente culpa. Faria tudo de novo com muito mais segurança.
Ainda assim, me prendo ao jogo lúdico de trocar as peças no tabuleiro e fugir de barco com meu primeiro namoradinho, como um dia planejamos, numa noite cheia de estrelas de um verão alucinante.
Precisaria aí de três vidas, porque se eu tivesse uma segunda chance repetiria esta vida... e com muito menos culpa!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Putz Putz Putz Mall

Depois de uma longa data finalmente veio inspiração para a minha primeira postagem.
Eu não sei se o público feminino aqui é predominante, mas eu sei que não é absoluto, afinal de contas na maior parte do tempo venho até aqui para ler.De qualquer maneira acho que todo mundo terá alguma identificação com essa minha singela reflexão.
Eu conheço um sujeito que diz que não há nada melhor no mundo do que comprar no Walmart nos Estados Unidos.O comprador entra, pega o que quer, paga e vai embora.Em alguns casos existem até compras casadas que atendem ao cliente mediano, que não gosta de ter que pensar ou interagir para adquirir algo trivial como uma camiseta branca, uma cueca e um par de meias.
O citado indivíduo é um sujeito de pavio curto que não tolera vendedores de lojas em geral.
Eu acho que não é exatamente o meu caso. Já fui atendido por vendedores de roupas que me deram explicações e indicações bastante úteis,mas eram vendedores e lojas de uma época que parece ter ficado para trás.
Hoje é impossível entrar em uma loja de roupas que não esteja tocando música eletrônica em volume incômodo ou muito próximo disso, bem como não há vendedores ou vendedoras que ainda não tenham se apercebido de que o fato de saberem seu nome não irá quebrar o gelo e fazê-lo ficar à vontade para fazer suas compras.Antes de esbravejar,um último detalhe...eu sou aquilo que as pessoas chamam carinhosamente de ogro, tenho constituição física grande, estou gordo e mal tenho tempo para respirar, que dirá passar uma tarde num shopping comprando roupas.
Agora vou esbravejar.
Putezgrila será que não existe uma porcaria de loja que ao invés de dar um treinamentozinho de vendas mequetrefe ensine os vendedores à respeito de tecidos e roupas, mas também e principalmente à respeito de gente? Eu procuro uma loja para comprar roupas e não para fazer amigos.Talvez isso até agrade o público feminino ou gay, mas não a um prejuízo de churrascaria que nem eu.
Até em loja de terno toca o tal bate estaca e os vendedores e vendedoras trabalham como se estivessem numa rave celebrando com os amiguinhos e amiguinhas.
Rabugento?Eu não acho que estou pensando e me comportando como um velho chato...só estou com a sensação de que os fashionistas (essa é para você Rosenthal) e marqueteiros que tomaram o comando do negócio empurram goela abaixo um modelo atendimento que interfere negativamente na percepção e no discernimento do comprador e que ao contrário do que esperam me fazem comprar menos... eu não compro o que não entendo e quando eu entro nesses lugares não vejo a hora de sair....para não falar em um outro pequeno detalhe...a estatura da população brasileira aumentou e a modelagem das roupas encolheu...eu não tenho porte para comprar roupas na tradicional camisaria Varca que atende o gordo elegante, mas outro dia desses entrei numa loja que me mostrou uma camisa Extra Extra Grande que não cabia nem em um amigo meu que é o legítimo filet de borboleta.Isso derrubou minha tese de que preciso fazer dieta e exercícios...nem com isso eu vou caber...tá na hora de ir para Miami!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O livreiro

Há alguns dias tenho me surpreendido saudosista, mais do que o normal.
Faz alguns anos - quando ainda freqüentava os bancos da faculdade, adquiria os livros necessários, os recomendados e os nem tão imprescindíveis assim, na livraria Centro Médico. Havia, é claro, outras livrarias nas dependências da faculdade, e também podíamos comprar por telefone.
Os preços nem variavam tanto. O que me impelia a entrar sempre na mesma livraria era o proprietário, Sr. Manoel. Apesar da fama de elevar preços, garanto que “seu” Manoel nada tinha de mercenário. Barganhava conosco, aceitava livros quase inúteis como parte do pagamento, facilitava as condições e ainda era bom de papo. Meio filosófico, diria.
O tempo passou, anos voaram e retornei à faculdade, agora como funcionária pública. Seu Manoel já não habita em nosso mundo, e sua viúva herdou a livraria. Segue com a mesmíssima política, ganha os clientes com simpatia e recolhe, às escondidas, os animais do pátio, alimentando-os e abrigando-os em seu espaço.
Ocorre que reformas são mandatórias. Um novo prédio está em construção, e o antigo deve ceder lugar às improvisações. Desconheço a autoria de tão brilhante projeto que, dentre outras pérolas, destruiu o exíguo estacionamento. No entanto, a façanha mais marcante foi a tentativa (vã) de desabrigar a Flor e sua livraria. Flor é o nome da senhora que nos atende, a proprietária, que dispensa funcionários em razão de sua margem reduzidíssima de lucros.
Feito um abaixo-assinado, o sucesso foi assegurado. Flor continua onde está. Em memória de seu Manoel, uma pequena mas representativa vitória a todos.

domingo, 3 de julho de 2011

História da vida real - as férias de Narcisa

Poucos verbos expressam com tanta veemência seu significado como ‘viajar’. Quero dizer que isto implica em sair de órbita, curtir o diferente e o novo e, sim, enfrentar alguns contratempos.
Muito recentemente estive na Grã-Bretanha, e mais especificamente na Escócia. Não fui à procura do monstro do lago Ness, a Nessie (claro que o monstro é feminino), no entanto a encontrei.
Chama-se Narcisa, é bastante madura, ou deveria sê-lo, de nacionalidade vizinha à nossa e afeita a falsas intimidades. Saliento que já me senti solitária e insegura por diversas vezes, mas felizmente não sofro de transtorno de ansiedade generalizada. Narcisa sofre, e seria trágico se não fosse cômico.
Procurou com suas próprias mãos um país de língua inglesa sem o menor domínio. Revoltou-se porque os nativos não compreendiam seu idioma. No embarque para Edimburgo literalmente parou o trânsito, no momento em que foi detida com xampu e condicionador de cerca de 200 ml cada um em bagagem de mão. Aos berros, proclamava em sua língua natal que estava sendo afrontada. Pagou multa, trinta e cinco libras a menos. E embarcou os malditos frascos em seu devido lugar.
Alguns dias depois estávamos em Glasgow e a madame contratara a mesma empresa para trasladá-la até o aeroporto. Começou o enredo de novela mexicana, embora esta não fosse sua nacionalidade. Deu ordens a não mais poder ao motorista, eficiente senhor paquistanês. Sempre em seu idioma incompreensível para ele, mas não para mim. Invadiu o assento do motorista desconsiderando a mão inglesa. Sentou-se ao lado do motorista, mesmo diante de um assento disponível no banco de trás, para escândalo do condutor. Falava a não mais poder, até quando aquele senhor deu graças aos céus por ter tocado seu celular (na Escócia não é proibido usar Bluetooth à direção). É claro que a maluca imaginou que ele tivesse iniciado uma interessante conversa com ela. Não adiantou gesticular: acelerando bastante, em franco desespero, o dono do veículo nos deixou no aeroporto, aliviado.
Narcisa desceu do carro e não fechou a porta. Pragejou em alto e bom som porque diabos não estava em frente à entrada do aeroporto. Simplesmente porque era proibido parar ali. Parou várias pessoas na calçada para lhes perguntar onde era a entrada, embora estivesse diante das inúmeras placas indicativas. A princípio ignorou minha presença, eu, que estava ali a acudi-la, até descobrir que o check-in eletrônico era demais para suas habilidades. Aos gritos, sem qualquer exagero, exigia-me explicações. Ocorria que naquele momento eu estava empenhada em assegurar o meu embarque. Uma funcionária correu em seu socorro – ou ao meu – e, ao terminar, para surpresa geral, ganhou um abraço inconveniente (parece que funcionários de aeroporto não esperam por manifestações afetuosas).
Bem, a infeliz passou à minha frente e se encarregou de despachar as bagagens. Foi aí que aconteceu o inexplicável. De repente passou a entender inglês, e muito bem. Cena inimaginável, bradava, cancelado? Como, cancelado? Minha viagem é hoje! Não podem fazer isso comigo! Sapateava e não falava em inglês, naturalmente. Mais uma vez, interrompeu a fila (que mulher de parar o trânsito!). Ao descobrir que não iria mesmo embarcar porque o aeroporto de sua capital estava fechado devido à grande quantidade de cinzas emitidas pelo vulcão Puyehue (do país vizinho ao dela), chorava alto, bem alto. Os funcionários dos guichês ao lado expressavam desde incredulidade até raiva.
Recusava-se a deixar o guichê, mesmo encaminhada para o atendimento necessário às vítimas de cancelamento. Berrava que nunca mais voltaria àquele país. Tudo muito desorganizado, afinal, foi providenciada acomodação, refeições e garantia de decolagem no dia seguinte desde que o aeroporto de destino fosse reaberto. Recusando-se a entender, fiz-me de interprete, confesso que exausta de todo aquele circo. Ao receber o voucher, o show continuou.
‘Meu passaporte! Ficaram com meu passaporte’. Diga-se que o vernáculo em língua inglesa é bastante aproximado. Pode-se ter uma idéia do alvoroço entre os solícitos funcionários da companhia aérea do tal país algoz. Neste momento, sem qualquer piedade, eu, pessoa farta de tudo aquilo, coloquei de forma ímpia minha mão dentro da bolsa da bruxa e tomei a palavra, digamos, com elevação de alguns decibéis em relação à minha fala habitual: ‘seu passaporte está aqui! Aqui! Veja!’.
Pacientemente encaminhei a coisa ao hotel, em frente ao aeroporto. Como errar deve ser inumano, não prestei a mínima atenção ao lhe apontar o hotel Holiday Inn – a louca se hospedaria no Holiday Inn Express, atrás do primeiro. Corri para o portão de embarque e, após passar a bolsa pelos raios-X, dei-me conta, pela janela, de meu erro crasso.
Só espero que madame tenha sido detida, presa, encarcerada pelo escândalo que certamente fez ao descobrir o engano. Tudo culpa minha.
Narciso acha feio o que não é espelho.

sábado, 25 de junho de 2011

A SAGRADA FAMÍLIA DE GAUDÍ

Ontem trabalhei. O dia inteiro. Lavei a alma e esqueci dos problemas. Bom, dos meus problemas, porque os dos outros não deu para relevar.
O fato é que acordei às 6 hs da manhã e saí de casa em meio a uma neblina assustadora, com os faróis do carro ligados e um frio de rachar os ossos, pensando na merda de ter aceitado esse plantão no meio de um feriadão, onde teoricamente eu deveria descansar. Qual não foi minha surpresa quando, ao chegar no hospital, localizei minha vaga favorita no estacionamento vazia! Pensei... até que meu dia não está sendo de todo ruim...
Parei meu carro e, 12 horas depois, retirei do estacionamento uma cópia fiel da Sagrada Família de Gaudí, tamanha a quantidade de fezes de aves diversas. Entendi na hora o porque da minha vaga favorita estar dando sopa.
Mas o meu dia não foi mesmo ruim. Trabalhei, fiquei cansada, e saí de lá num bom humor, renovada, como há tempos não acontecia. E cheguei à conclusão de que tomar uma cagada na cabeça de vez em quando, pode dar sorte.
Peguei meu carro feliz da vida e fui passear com esta obra de arte na Vila Madalena. Atraí olhares! Tá certo que evito pensar nos motivos, mas não passei desapercebida. 
Agora a Sagrada Família está descansando merecidamente na garagem. Vai ficar assim, fantasiada até segunda-feira. E em vista desta experiência pregressa, hoje estou me programando para passar uns minutos embaixo de um aviário. Me parece que dá sorte...

domingo, 19 de junho de 2011

ONDE ESTÁ O HARRY CONNICK JR?

Assim como surge, a novidade desaparece. Por isso pergunto: onde está o Harry Connick Jr?
A nova sensação do pedaço parece ser o Michael Bublé. Não que ele seja ruim. Muito pelo contrário. Ele é bonito, charmoso, canta bem, tem presença de palco. Só não dança... o Harry dançava!
O grande problema é que eles aparecem, a gente curte, canta junto, aprende as musiquinhas e... se apega. Já houve um tempo em que eu tinha tanto medo de perder o Harry Connick Jr quanto eu tinha de perder o próprio Junior, meu cabeleireiro.
Por fim, minha vida deu uma guinada e eu perdi meus cabelos compridos, o que não me deixou nenhuma seqüela sobre o fato de ter perdido o Junior.
Mas o Michael Bublé não vai dar pra suportar... Não que eu esteja apavorada, pois a vida muda e as coisas passam a readquirir importâncias distintas... Mas, no dia em que a mídia soprar para o lado leste e o Michael perder o prestígio, vou querer saber onde raios tem andado o Harry Connick Jr.
E olha que eu ainda nem comecei a procurar o Junior!

sábado, 4 de junho de 2011

ELE SABE! O STEVIE WONDER

Outro dia estava maravilhada com uma velha música do Stevie Wonder onde ele dizia para quem quisesse ouvir que iria amar a mulher para sempre. Achei tão bonito. Enquanto o coro cantava "até o dia virar noite a noite virar dia", ele falava "sempre!!", e lá vinha o coro "até o dia em que oito vezes oito vezes oito será quatro", e ele de novo "para sempre!!". Com uma convicção inabalável.
Fiquei assim, no dia seguinte, romanticamente pensando na música, ouvindo-a por vezes seguidas, coloquei até no modo de repetição automático do meu radinho do carro.
Me emocionei... e fiquei com vontade de compartilhar este sentimento e mostrar a música para alguém.
Mostrei para minha mãe no dia seguinte, não sem antes fazer uma apresentação do montante de sentimentos e da sensibilidade incrível que o artista imprimiu àquela música que mergulhava na profundidade dos meus próprios sentimentos.
Ela - minha mãe - ouviu tudo, minha apresentação, depois a música, e após alguns minutos de silêncio cético ela lançou: mas como é que ele sabe?
E eu passei meus últimos 4 dias pensando nisso: como é que ele pode afirmar isso com tanta convicção? 
A música continua sendo ótima e apesar do meu romantismo quebrado, eu ainda admiro o Stevie Wonder porque ele deve saber!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ambiente & Leitura

Woody Allen sempre nos brinda com seus ambientes habitados, já disseram cinéfilos em consoante com a crítica. Não faz diferença se o cenário é luxuoso, requintado ou modesto. Casa ou apartamento, de imediato se percebe que ali há vida. Na mesa do escritório, no quarto, na sala... um blazer displicentemente posto sobre a cadeira, livros elegantemente desarrumados no living, móveis discretamente envelhecidos .
A Casa Cor, não. Ambientes assépticos, lençóis impecavelmente estendidos, cristais brilhando, nenhuma bagunça aqui ou acolá. Muito raramente um closet sem portas nos armários, para ilustrar o loft do (a) descolado (a). Nenhum livro fora da estante, aliás, para que livro, se não para decoração? Quando muito, para preencher estantes, já que, afinal, algum arquiteto maníaco desenhou tais excentricidades. Estantes repletas, um horror.
Ainda que seja “a” mostra de arquitetura e decoração no estado da arte, a idéia, que tomarei a liberdade de chamar de moda conceitual, é um tanto bizarra. Marcada pela competição acirrada, fogueira de vaidades, recepcionistas nada convincentes aliados a seus sorrisos de comercial de dentifrício, a exposição segue, ano após ano, (mal) imitada por algumas produções locais, nos mais distintos estados e municípios, sem, é claro, a mesma sofisticação, mas com a mesma superficialidade.
Excelência de trabalhos à parte, com seu mérito indiscutível, registro a presença de muitos quadros, muitos espelhos (recostados às paredes, lógico, é a tendência atual), muitas almofadas, muito azul e dourado, mas livros, nada que destoe do ambiente. Talvez estes amontoados de papel encadernado, bastante anti-ecológicos e antiquados nestes nossos dias não inspirem glamour, é, deve ser isso.

domingo, 29 de maio de 2011

Enquanto isso, no vestiário da academia...

Poderia passar uma semana no vestiário feminino, só para observar. O diálogo do dia foi sobre algo assim, emagrecer “do nada”. A beldade tinha perdido vários quilos, sem dieta, nada de exercício (o que ela fazia lá?)... seria doença? Depressão, término de namoro, novo amor? Não!? Então, tá...
Felizmente a moda do “radinho” não veio para ficar. Deitada de costas, ocupando dois terços do banco do vestiário, a garota contava, em alto e bom som, as desventuras eróticas do fim de semana para a amiga. Algo assim, a química não bateu. E ele nem pra ligar no dia seguinte. Que canalha!
Por falar em banco do vestiário, que tal desprezarem as toalhinhas usadas no cesto quase em frente? Que coisa horrorosa, deixarem aquelas coisas suadas em cima do banco. Quase tão nojento quanto colocarem seus tênis outrora brancos sobre nossos assentos. Fico a perguntar como encontraria a chaise longue no living das ditas cujas...
Agora é a vez da sensual. Lentamente, abre a sacola de grife, retira o top justíssimo (melhor não comentar, mas achata o silicone), os shorts curtíssimos, nada de regata e, ao se despir, olha-se demoradamente no espelho. O corpo todo. Sorve tudo o que vê. Uma de nós pensaria certamente em narcisismo, mas não. O mais provável é que tenha lido em alguma revista feminina sobre como é importante achar-se sexy. Então ela se veste, lentamente, dá um sorriso, retoca o batom, usa o splash da Victoria Secret e parte para o ataque, literalmente.
Neste momento entra a mamãe com o garotinho. Uns cinco anos. Várias mulheres em trajes menores, ou até sem nada, recém-saídas do banho. O moleque não desgruda da mamãe. A mamãe não demonstra a mínima pressa em sair de lá, mesmo com o olhar constrangido da senhora que pratica Pilates e já está em cima da hora. A mamãe afinal tem o direito de passear com o rebento. A senhora também tem o direito de exercer seu recato.
E essa agora! A cheinha abriu a mochila e sacou de lá um Big Mac! Bem que eu desconfiava, nunca a vi num aparelho ou numa aula. Ela está sempre lá, na azaração! Comendo no vestiário, pra ninguém ver.