quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A VACA DA MARGINAL

Sei que tenho uma imaginação criativa. Que sou imaginativa. Enfim, que às vezes devaneio em idéias absurdas. Sei de tudo isso.
Pois bem. Ontem, em meio a um engarrafamento colossal, me peguei a pensar que ninguém nesta cidade olha para cima. É! Isso mesmo. Ninguém tem o costume de olhar para cima. As pessoas só enxergam um palmo à frente do nariz, e olhe lá!
Após infinitos minutos no trânsito resolvi que era hora de apreciar melhor nossa cidade. E olhei pra cima... E foi então que eu vi!
Uma vaca!!! E ela estava lá, com 4 chifres, pendurada da cintura pra fora de uma cobertura em plena Marginal do Rio Pinheiros.
À princípio fiquei desconcertada, pensando se havia realmente visto certo, mas ela estava lá, observando o trânsito caótico, em plena 4a feira a tarde.
Eu sei que o trânsito altera nossas idéias, além do fato de eu estar febril naquele dia, mas tenho certeza de que realmente vi!!
E para finalizar só me resta fazer um último apelo: quem passar pela Marginal do Rio Pinheiros, vindo da Juscelino, em direção à ponte da Rebouças, faz só o favorzinho de dar uma olhadinha pra cima e ver se enxerga a porra da vaca! Só pra eu ter certeza de que não estou pirando.

domingo, 18 de setembro de 2011

Humanizando...

Humanizar – verbo que significa tornar humano; tornar razoável; suavizar, segundo dicionários e arquivos, verbo que não pode ser mais erroneamente empregado.
Fala-se muito, há mais de uma década, em “humanizar” o parto. Melhor seria animalizar, pois apesar de alguns defenderem o emprego de anestésicos, outros advogam que isto seria desnecessário. Em maternidades públicas, a morfina está disponível há muito pouco tempo, na maior parte do território nacional.
Apaga-se a luz (como será que o obstetra procede à episiorrafia?), o pai acompanha o nascimento (seria belo se alguns pais tivessem ao menos noção do que é uma sala cirúrgica) e, em certas maternidades, quem dá o primeiro banho é a mãe. Isso mesmo, a mãe, depois de seis horas. Enquanto isso, o infeliz recém-nato é limpo com panos, superficialmente, exceto se recoberto por mecônio.
Os defensores desta barbárie pregam que nenhuma cria é separada da mãe ao nascer. Engraçado, sermos comparadas às vacas ou cadelas. Amo animais, no entanto isto não me faz querer ocupar suas peles.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"BULLYING ELETRÔNICO"

Recentemente adquiri alguns aparelhos eletrônicos, sonhos de consumo há muito desejados. Nunca fui boa com coisas eletrônicas, mas já que todo mundo está se informatizando, não custava também tentar.
Tudo bem que sou dotada de alguma intuição virtual, o que faz as pessoas pensarem que posso entender alguma coisa no que diz respeito ao funcionamento de relógios e computadores. Aqui em casa quando alguma coisa pára de funcionar, em primeiro lugar me chamam. Eles pensam que eu sempre saberei como consertar. O fato é que em 99,9 % dos casos eu não faço a mínima idéia de como sanar o problema... Tenho essa mania de apertar vários botões, às vezes alguns ao mesmo tempo - afinal tenho 5 dedos em cada mão né?! - o que faz com que, misteriosamente, vários aparelhos voltem magicamente a funcionar.
Bom, em segundo lugar, quando invariavelmente não consigo fazer os eletrônicos voltarem a vida, o pessoal chama o filho do vizinho. Um garoto... de 8 anos! E ele sempre arruma tudo. Tenho de confessar que isso mexe com a minha auto-estima. Mas o garoto é eficientíssimo, então fico quieta e não falo nada. Melhor assim.
Hoje é sexta-feira e estou cercada por todos os aparelhos eletrônicos que adquiri recentemente, inclusive este iPad no qual digito. E eles NÃO CONVESAM ENTRE ELES! Estou descobrindo isso após muitas horas de dedicação, tentando fazer essas porras falarem umas com as outras. Pô! Eles, os aparelhos, deveriam conversar! É tudo eletrônico, têm a mesma origem, NÃO TÊM???
E descubro da maneira mais dolorosa que o iPad detesta o telefoninho da Samsung, que por sua vez também não conversa com o PC de marca ignorada que temos aqui em casa. Simplesmente viram as costas uns para os outros, fazendo com que eu gaste horas preciosas copiando manualmente informações necessárias a minha sobrevivência. Chego a pensar que isto é intencional. Tenho certeza de que o telefoninho está dando risada da minha cara ao se recusar a fazer o que estou pedindo há horas!
O pior vem agora: O FILHO DO VIZINHO VIAJOU!!!
E eu aqui, em plena sexta-feira à noite, sofrendo um bullying eletrônico!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

AS PESSOAS QUE CRUZAM NOSSA VIDA... OU, COMO ENTRAR PARA A HISTÓRIA!

Imagine agirmos como locutores ou âncoras de programas televisivos para cada vida que toca a nossa própria vida. Você cruza ou esbarra em alguém na rua e vai logo dizendo: "ooooooooooiiiiiiiiii" daquele jeito animado e com os olhos arregalados.
Por que os apresentadores - em geral - estão sempre tão animados? Eu queria muito saber o que eles tomam no café-da-manhã para agirem dessa forma tão peculiar.
Mas o que eu queria mesmo era falar sobre as pessoas que cruzam nosso caminho. Às vezes as conhecemos, outras vezes não. Já me peguei em diversas ocasiões tentando gravar a fisionomia de uma determinada pessoa que atravessa a rua na frente do meu carro, para me lembrar disso se algum dia eu a vir de novo... Nunca deu certo, sou péssima fisionomista. Não consigo me lembrar nem das pessoas que acidentalmente atropelei.
A questao se resume em: o que faz as pessoas estarem na mesma hora e no mesmo lugar, compartilhando experiências únicas?
E aquelas que saem em segundo plano nas nossas fotos de viagem? Eu sempre tento reparar nas pessoas que aparecem nas nossas fotos. E ultimamente tenho reparado em pessoas que aparecem em segundo plano de fotos históricas. Imagina você reconhecer seu avô numa foto jornalística, de uma festa de rua qualquer, ou de um desfile de 7 de setembro num ano qualquer da década de 60...
Imagina, você aparecer no plano de fundo e ficar para sempre registrado na história.
Eu, que não tive filhos, nunca plantei uma árvore (porque alguma força obscura fez o meu ipê amarelo sumir do vaso ao completar 10 meses de vida!!, mas essa é outra história), e por fim, não escrevi um livro, tenho minha chance de entrar para a posteridade aparecendo em fotos alheias! Visualiza aí, daqui a 300 anos, os caras levantando um arquivo histórico e dando de cara com a minha imagem bem lá, no cenário fotografado!... Eles podem não saber de quem se trata, mas que eu vou estar lá, eu vou!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VIVA OS ORNITÓLOGOS!!

Hoje vou dedicar algumas poucas palavras aos ornitólogos.
Em primeiro lugar, puta que o pariu! Como é difícil essa profissão, hobby, ou o que quer que pense a pessoa que resolve observar um passarinho. A menos que seja um condor, ou uma ave de grande compleição física, é quase que impossível seguir os passos de um animal que voa.
Olha, eu sei que muita gente deve ter visualizado um morcego nessa hora e, embora seja impossível acompanhar o vôo desse bicho, munido de um simples binóculo - porque eu já tentei! - o ornitólogo se safou dessa dificuldade. Morcego para quem não lembra, é mamífero!
Esse texto na verdade é para parabenizar os ornitólogos. Eles poderiam sim, e com muita propriedade, observar também os morcegos, pois devem ter uma experiência tal com a velocidade com que essas porras se movem, que um morceguinho simples deve ser fichinha para o olhar treinado desses estudiosos dos pássaros.
O ornitólogo tem um dom! As sinapses cerebrais desses caras devem ser pelo menos duas vezes mais rápidas do que as nossas, dos simples mortais.
Vou explicar a minha súbita admiração... Estou de férias, sem nada para fazer, nadinha mesmo. E aqui perto de casa tem passarinho a dar com o pau. Hoje eu pensei... Por que não fazer algo diferente? Peguei minha cachorra e juntas resolvemos observar os pássaros. Fizemos uma programação, eu e a minha cachorra, e retiramos os urubus do roteiro - muito fácil ver urubu, já que fizeram um ninho no telhado do vizinho bem em frente a minha janela e todos os dias vem um casal deles alimentar os filhotes. Um casal de urubus, que fique bem claro que não é o casal de vizinhos que mora aqui em frente - O CASAL É DE URUBUS!
Bom, fomos até a pracinha, sentamos no banquinho, eu com meu binóculo e, esperamos. E vou te dizer: você ouve os porras fazendo barulho, mas é impossível ver! Não da pra saber qual barulho pertence a qual criatura. E após uma tarde inteira de um irritante imobilismo observante a única coisa que eu poderia te jurar é que ouvi um esquilo piar. A minha cachorra, que não me deixa mentir, está aí pra confirmar tudo isso! Pode perguntar pra ela.
E em primeiro lugar quero que fique bem claro que EU VI UM ESQUILO!
Em segundo e último lugar, eu tenho quase toda a certeza de que ele piou!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

SITES DE RELACIONAMENTOS - A SAGA

E novamente estou aqui para reclamar mais um pouco dos sites de relacionamentos.
Mas desta vez é um serviço de utilidade pública.
Tendo em vista as últimas ocorrências de quem ainda insiste neste formato para conhecer pessoas, preparei aqui um modelinho para evitar aborrecimentos. Aí vai:
"Meu nome é xxxxxx.
Estou à procura de um companheiro para dividir coisas boas e ruins.
Gosto de me divertir, o que inclui beber socialmente.
Procuro pessoas livres, felizes e de mente aberta, dispostas a aprender e experimentar o que ainda não conhecem.
Amo a PAZ."
Bom, lá onde está escrito "par ideal" vc vai e escreve:
Obs 1: se for um site étnico, em primeiro lugar, lembre os demais pretendentes de que você entrou no respectivo site à procura de pessoas que sigam os preceitos étnicos do mesmo. Se não fosse importante, você não estaria num site étnico!
Então num site de relacionamentos russo ortodoxo, você deve iniciar dizendo: "se você não for russo ortodoxo, por favor não me faça perder tempo". Se continuar a ser aborrecida por fetichistas, você pode ameaçar dizendo que conhece todas as lojas de fantasias da cidade e que não será difícil descobrir onde o figura conseguiu se fantasiar de russo ortodoxo, grego, japonês, judeu, o que for.
Continuando, lá onde está escrito "par ideal" você escreve (logo após frisar a parte étnica do site):
"Se você ė doido, me esqueça.
Se você faz uso de qualquer medicação tarja preta, tem delírios de grandeza, muda de humor com facilidade, sua conversa não é comigo.
Não sou psiquiatra.
As pessoas são diferentes, e nem todos pensam como você. Se não for respeitar meu ponto de vista, nem comece.
Não tente me converter para a sua religião! Procuro um companheiro e não um evangelizador.
Tenho facilidade para acreditar nas pessoas, então se você gosta de enganar, mente ou mora com a mãe, tô fora.
Esteja empregado! Não tenho vocação para sustentar marmanjo.
Eu gosto de cachorros (o bicho, que fique bem claro)! Se você não gosta, também tô fora.
Ninguém sabe tudo e você não está sempre certo. Não chute e nem dê opiniões sobre o que não sabe - é ridículo. Se você não sabe, se informe pelo amor de Deus!
Se você for do tipo 'ignorante' que demonstra sua superioridade mudando o assunto para terrenos seguros ou menosprezando o que o outro sabe, 'do tipo não sei e tenho raiva de quem sabe', guarde sua idiotice para outra garota que tenha a devida paciência para agüentar gente bronca.
No mais não vou me alongar. Preenchendo os requisitos, pode me escrever que ficarei feliz em responder sua mensagem."
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Dica final: se você não quiser escrever nada disso por ter ficado muito extenso, escreva somente "Se você ė doido, me esqueça!!"
Pra bom entendedor, meia palavra basta.
Sem mais, subescrevo-me.

sábado, 27 de agosto de 2011

POSSIBILIDADES

Há 1 ano, por motivos que fogem ao meu controle, tive de alterar minha rotina. Algumas coisas ficaram no stand by, outras desapareceram, outras simplesmente parece que nunca existiram.
As mudanças vieram sob vários aspectos, mas o mais relevantes deles foi a necessidade de simplificar.
Sempre fui simplista em minhas convicções. Penso e faço, e com pressa, para aproveitar ao máximo o tempo que tenho disponível. Se quero ir ao inferno, vou lá e compro a passagem - simples assim!... É claro que nem sempre dá certo. Aliás, em 50% dos casos dava bem errado, o que equivalia a gastar o pouco tempo disponível e uma quantidade enorme de energia em projetos destinados ao fracasso.
O que me confortava nessas jornadas, tanto nas que davam certo quanto nas que davam errado, era o otimismo que sempre me acompanhou. Nunca penso no que pode dar errado, o que me faz entrar de cabeça em projetos absurdos. Bom, tenho de admitir que não deixa de ser divertido, embora às vezes me tome uma energia desproporcional e me deixe a ver navios, frustrando minhas expectativas mais prementes.
A falta de tempo sempre foi uma constante em minha vida. A cultura na minha profissão implica em preenchermos todo e qualquer espaço disponível no nosso dia a dia. Isso até ficarmos doentes. Aí tudo muda. Levamos broncas e mais broncas de todos, dizendo que devemos ter mais tempo para nós mesmos, que devemos nos cuidar, praticar esportes, comprar roupas bonitas e usar pó de arroz.
Foi o que aconteceu.
Em fevereiro renasci. Meu cabelo começou a crescer, e eu me senti como quando era pequena, com um mundo de possibilidades se abrindo a minha frente. Me livrei de tudo que não apreciava, simplifiquei!, fiz as pazes com pessoas as quais não valia a pena brigar, e me senti como num teatro da vida, na coxia, esperando as cortinas se abrirem para uma vida nova.
O mundo é o mesmo, mas eu enxergo as coisas diferentes. Reestruturei meu dia e meus horários, e agora pratico exercícios. Tenho um dia livre na semana para gastar MEU dinheiro com futilidades... e me sinto bem fazendo isso!
Mas devo ressaltar que as coisas boas em mim permaneceram, o meu otimismo com projetos malucos e a minha disposição em gastar energia a toa também estão aqui. A diferença é que as idéias não grudam mais em mim como antigamente. Consigo me livrar do que me faz mal com muito mais facilidade que antes, e, quando isso acontece me vejo novamente na coxia... com um mundo repleto de possibilidades a se abrir junto com as negras e altíssimas cortinas cerradas bem em frente ao meu nariz!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gente feliz e descomplicada

Gente feliz é assim.
Ao encerrar minhas atividades laborais nesta quinta-feira, tomei uma via pouco usual. Tinha sido um dia pouco comum. Enquanto dirigia, tráfego não muito intenso, escutava calmamente uma canção de Melody Gardot quando uma letra bem conhecida da música popular brasileira, literalmente em alto e bom som, fez uma curva de noventa graus em meus devaneios.
Que ninguém me pergunte “qual era a música”. Alguma coisa agradável, sem muito a ver com o boteco de onde ela eclodia. Não era música ao vivo, não. Alguns homens na calçada bebendo cerveja Skol. Desde que estivesse gelada, tudo estaria perfeito. Isso é que é happy hour.
Girei novamente minha atenção, agora para alguns amigos bem queridos, mas que só tomam vinhos de safras nobilíssimas em taças de cristal que não façam feio em qualquer recepção do Itamaraty.
E aqueles homens estavam comendo alguma coisa. Olhando com mais atenção, o farol já por abrir, vi mulheres também, várias pessoas em uma mesa na parte interna. Certamente não comiam foie gras (eu também não como, pelos princípios ecológicos e pelo paladar). Torresmo, batatinhas, bacon, frango frito? Não importa. Todo mundo alegre, sem pensar muito no chef, na qualidade superior do ingrediente, na acidez do azeite (haveria azeite de oliva por lá!?).
Farol verde, baixei o vidro, sorvi a música (perdão, Melody), ouvi algumas boas risadas de brinde e arranquei. Cheguei à casa, marido no trabalho (céus, por que não fui à academia?)...
Gente descomplicada vive melhor.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

UMA, DUAS OU TRÊS VIDAS?

É interessante como as coisas mudam.
Essa dinâmica da vida sempre me fascinou.
Um dia um professor me disse que não se pode aventar hipóteses para o passado. O que passou passou, e não adianta nada ficarmos imaginando como tudo teria sido se alguma coisa fosse mudada no decorrer dos acontecimentos.
É tudo verdade.
Mesmo assim, não posso precisar quantas vezes me flagrei pensando em como seria a vida se ao invés de colocar o cavalo na frente da rainha, trancasse o mesmo na torre e deixasse que lhe crescessem os cabelos.
Estórias à parte, devo confessar que se vivesse novamente a minha vida, faria tudo de novo. Talvez eu fizesse com mais leveza, talvez não sofresse tanto, mas que eu faria, eu faria! Não mudaria nada, mesmo porque muitas vezes me culpei por situações que não tive realmente culpa. Faria tudo de novo com muito mais segurança.
Ainda assim, me prendo ao jogo lúdico de trocar as peças no tabuleiro e fugir de barco com meu primeiro namoradinho, como um dia planejamos, numa noite cheia de estrelas de um verão alucinante.
Precisaria aí de três vidas, porque se eu tivesse uma segunda chance repetiria esta vida... e com muito menos culpa!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Putz Putz Putz Mall

Depois de uma longa data finalmente veio inspiração para a minha primeira postagem.
Eu não sei se o público feminino aqui é predominante, mas eu sei que não é absoluto, afinal de contas na maior parte do tempo venho até aqui para ler.De qualquer maneira acho que todo mundo terá alguma identificação com essa minha singela reflexão.
Eu conheço um sujeito que diz que não há nada melhor no mundo do que comprar no Walmart nos Estados Unidos.O comprador entra, pega o que quer, paga e vai embora.Em alguns casos existem até compras casadas que atendem ao cliente mediano, que não gosta de ter que pensar ou interagir para adquirir algo trivial como uma camiseta branca, uma cueca e um par de meias.
O citado indivíduo é um sujeito de pavio curto que não tolera vendedores de lojas em geral.
Eu acho que não é exatamente o meu caso. Já fui atendido por vendedores de roupas que me deram explicações e indicações bastante úteis,mas eram vendedores e lojas de uma época que parece ter ficado para trás.
Hoje é impossível entrar em uma loja de roupas que não esteja tocando música eletrônica em volume incômodo ou muito próximo disso, bem como não há vendedores ou vendedoras que ainda não tenham se apercebido de que o fato de saberem seu nome não irá quebrar o gelo e fazê-lo ficar à vontade para fazer suas compras.Antes de esbravejar,um último detalhe...eu sou aquilo que as pessoas chamam carinhosamente de ogro, tenho constituição física grande, estou gordo e mal tenho tempo para respirar, que dirá passar uma tarde num shopping comprando roupas.
Agora vou esbravejar.
Putezgrila será que não existe uma porcaria de loja que ao invés de dar um treinamentozinho de vendas mequetrefe ensine os vendedores à respeito de tecidos e roupas, mas também e principalmente à respeito de gente? Eu procuro uma loja para comprar roupas e não para fazer amigos.Talvez isso até agrade o público feminino ou gay, mas não a um prejuízo de churrascaria que nem eu.
Até em loja de terno toca o tal bate estaca e os vendedores e vendedoras trabalham como se estivessem numa rave celebrando com os amiguinhos e amiguinhas.
Rabugento?Eu não acho que estou pensando e me comportando como um velho chato...só estou com a sensação de que os fashionistas (essa é para você Rosenthal) e marqueteiros que tomaram o comando do negócio empurram goela abaixo um modelo atendimento que interfere negativamente na percepção e no discernimento do comprador e que ao contrário do que esperam me fazem comprar menos... eu não compro o que não entendo e quando eu entro nesses lugares não vejo a hora de sair....para não falar em um outro pequeno detalhe...a estatura da população brasileira aumentou e a modelagem das roupas encolheu...eu não tenho porte para comprar roupas na tradicional camisaria Varca que atende o gordo elegante, mas outro dia desses entrei numa loja que me mostrou uma camisa Extra Extra Grande que não cabia nem em um amigo meu que é o legítimo filet de borboleta.Isso derrubou minha tese de que preciso fazer dieta e exercícios...nem com isso eu vou caber...tá na hora de ir para Miami!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O livreiro

Há alguns dias tenho me surpreendido saudosista, mais do que o normal.
Faz alguns anos - quando ainda freqüentava os bancos da faculdade, adquiria os livros necessários, os recomendados e os nem tão imprescindíveis assim, na livraria Centro Médico. Havia, é claro, outras livrarias nas dependências da faculdade, e também podíamos comprar por telefone.
Os preços nem variavam tanto. O que me impelia a entrar sempre na mesma livraria era o proprietário, Sr. Manoel. Apesar da fama de elevar preços, garanto que “seu” Manoel nada tinha de mercenário. Barganhava conosco, aceitava livros quase inúteis como parte do pagamento, facilitava as condições e ainda era bom de papo. Meio filosófico, diria.
O tempo passou, anos voaram e retornei à faculdade, agora como funcionária pública. Seu Manoel já não habita em nosso mundo, e sua viúva herdou a livraria. Segue com a mesmíssima política, ganha os clientes com simpatia e recolhe, às escondidas, os animais do pátio, alimentando-os e abrigando-os em seu espaço.
Ocorre que reformas são mandatórias. Um novo prédio está em construção, e o antigo deve ceder lugar às improvisações. Desconheço a autoria de tão brilhante projeto que, dentre outras pérolas, destruiu o exíguo estacionamento. No entanto, a façanha mais marcante foi a tentativa (vã) de desabrigar a Flor e sua livraria. Flor é o nome da senhora que nos atende, a proprietária, que dispensa funcionários em razão de sua margem reduzidíssima de lucros.
Feito um abaixo-assinado, o sucesso foi assegurado. Flor continua onde está. Em memória de seu Manoel, uma pequena mas representativa vitória a todos.

domingo, 3 de julho de 2011

História da vida real - as férias de Narcisa

Poucos verbos expressam com tanta veemência seu significado como ‘viajar’. Quero dizer que isto implica em sair de órbita, curtir o diferente e o novo e, sim, enfrentar alguns contratempos.
Muito recentemente estive na Grã-Bretanha, e mais especificamente na Escócia. Não fui à procura do monstro do lago Ness, a Nessie (claro que o monstro é feminino), no entanto a encontrei.
Chama-se Narcisa, é bastante madura, ou deveria sê-lo, de nacionalidade vizinha à nossa e afeita a falsas intimidades. Saliento que já me senti solitária e insegura por diversas vezes, mas felizmente não sofro de transtorno de ansiedade generalizada. Narcisa sofre, e seria trágico se não fosse cômico.
Procurou com suas próprias mãos um país de língua inglesa sem o menor domínio. Revoltou-se porque os nativos não compreendiam seu idioma. No embarque para Edimburgo literalmente parou o trânsito, no momento em que foi detida com xampu e condicionador de cerca de 200 ml cada um em bagagem de mão. Aos berros, proclamava em sua língua natal que estava sendo afrontada. Pagou multa, trinta e cinco libras a menos. E embarcou os malditos frascos em seu devido lugar.
Alguns dias depois estávamos em Glasgow e a madame contratara a mesma empresa para trasladá-la até o aeroporto. Começou o enredo de novela mexicana, embora esta não fosse sua nacionalidade. Deu ordens a não mais poder ao motorista, eficiente senhor paquistanês. Sempre em seu idioma incompreensível para ele, mas não para mim. Invadiu o assento do motorista desconsiderando a mão inglesa. Sentou-se ao lado do motorista, mesmo diante de um assento disponível no banco de trás, para escândalo do condutor. Falava a não mais poder, até quando aquele senhor deu graças aos céus por ter tocado seu celular (na Escócia não é proibido usar Bluetooth à direção). É claro que a maluca imaginou que ele tivesse iniciado uma interessante conversa com ela. Não adiantou gesticular: acelerando bastante, em franco desespero, o dono do veículo nos deixou no aeroporto, aliviado.
Narcisa desceu do carro e não fechou a porta. Pragejou em alto e bom som porque diabos não estava em frente à entrada do aeroporto. Simplesmente porque era proibido parar ali. Parou várias pessoas na calçada para lhes perguntar onde era a entrada, embora estivesse diante das inúmeras placas indicativas. A princípio ignorou minha presença, eu, que estava ali a acudi-la, até descobrir que o check-in eletrônico era demais para suas habilidades. Aos gritos, sem qualquer exagero, exigia-me explicações. Ocorria que naquele momento eu estava empenhada em assegurar o meu embarque. Uma funcionária correu em seu socorro – ou ao meu – e, ao terminar, para surpresa geral, ganhou um abraço inconveniente (parece que funcionários de aeroporto não esperam por manifestações afetuosas).
Bem, a infeliz passou à minha frente e se encarregou de despachar as bagagens. Foi aí que aconteceu o inexplicável. De repente passou a entender inglês, e muito bem. Cena inimaginável, bradava, cancelado? Como, cancelado? Minha viagem é hoje! Não podem fazer isso comigo! Sapateava e não falava em inglês, naturalmente. Mais uma vez, interrompeu a fila (que mulher de parar o trânsito!). Ao descobrir que não iria mesmo embarcar porque o aeroporto de sua capital estava fechado devido à grande quantidade de cinzas emitidas pelo vulcão Puyehue (do país vizinho ao dela), chorava alto, bem alto. Os funcionários dos guichês ao lado expressavam desde incredulidade até raiva.
Recusava-se a deixar o guichê, mesmo encaminhada para o atendimento necessário às vítimas de cancelamento. Berrava que nunca mais voltaria àquele país. Tudo muito desorganizado, afinal, foi providenciada acomodação, refeições e garantia de decolagem no dia seguinte desde que o aeroporto de destino fosse reaberto. Recusando-se a entender, fiz-me de interprete, confesso que exausta de todo aquele circo. Ao receber o voucher, o show continuou.
‘Meu passaporte! Ficaram com meu passaporte’. Diga-se que o vernáculo em língua inglesa é bastante aproximado. Pode-se ter uma idéia do alvoroço entre os solícitos funcionários da companhia aérea do tal país algoz. Neste momento, sem qualquer piedade, eu, pessoa farta de tudo aquilo, coloquei de forma ímpia minha mão dentro da bolsa da bruxa e tomei a palavra, digamos, com elevação de alguns decibéis em relação à minha fala habitual: ‘seu passaporte está aqui! Aqui! Veja!’.
Pacientemente encaminhei a coisa ao hotel, em frente ao aeroporto. Como errar deve ser inumano, não prestei a mínima atenção ao lhe apontar o hotel Holiday Inn – a louca se hospedaria no Holiday Inn Express, atrás do primeiro. Corri para o portão de embarque e, após passar a bolsa pelos raios-X, dei-me conta, pela janela, de meu erro crasso.
Só espero que madame tenha sido detida, presa, encarcerada pelo escândalo que certamente fez ao descobrir o engano. Tudo culpa minha.
Narciso acha feio o que não é espelho.