sexta-feira, 29 de março de 2013

INSTITUIÇÕES DE MERDA

Hoje a insônia me pegou de jeito.
Aproveitarei então para externar algumas indignações.
Por exemplo, nas três últimas semanas venho travando verdadeiras batalhas contra certas injustiças que acredito, venho sofrendo. 
Uma delas é o chamado SAC - serviço de atendimento ao cliente. Pra que serve???
Nas últimas semanas resolvi testar o fale conosco de algumas empresas, como o Bourbon Street Music Club, a Editora Planeta, o Aquário de São Paulo e o Zoológico de São Paulo.
Com o perdão da palavra, mas puta que o pariu!, se os caras não vão responder, por que colocam lá no site o tal "fale conosco"? Só pode ser pra fazer a gente de idiota. Tem lá um campo onde você coloca sugestões ou críticas ou dúvidas ou requisições de serviços, com uma caixa para você escrever e tudo. Depois de escrita e enviada, aparece lá uma mensagem dizendo que a sua mensagem foi devidamente enviada e após tudo isso, você pode esquecer completamente que os caras existem porque eles estão cagando pra você. Esta é a verdade.
Você não é ninguém! Você só interessa quando compra e consome os produtos destes merdas. Na hora de você falar, imagina se eles querem ouvir o que você tem a dizer? Imagina?! Pra eles, todos eles, genericamente falando mesmo, você só é importante na hora em que precisam vender mais ou arrecadar mais. Aí eles te enchem de mimos, promoções, o caralho a quatro.
Por exemplo, a Editora Planeta. Recentemente li um livro maravilhoso do Javier Moro - O Império É Você, publicado por esta editora mas cheio de erros de revisão e de tradução, que imagino realizadas sem o mínimo cuidado com o leitor. O livro em questão foi muito bem conceituado, ficando na lista dos mais vendidos, de modo que não consigo imaginar como um texto cheio de frases desconexas, com palavras repetidas pode ter feito tanto sucesso. Todo o gosto pela leitura saborosa e genial do Javier Moro se perde na edição medíocre que o livro ganhou aqui no Brasil. Pois bem, escrevi para a Editora Planeta e adivinhem o que recebi em resposta? O mais sepulcral e límpido silêncio! Nem um "obrigado por sua crítica/ sugestão, estamos trabalhando para agradar o cliente". NADA! Os caras vendem o livro se apoiando na genialidade do nome do autor que vende por si só. Coitados de nós que lemos esta merda de edição!
Já o Bourbon Street me provoca nojo de pronunciar o seu nome. Uma rua tão bacana, cheia de histórias, numa cidade fantástica como New Orleans, transformada numa merda de bar que não dá a mínima para o que seus clientes pensam ou deixam de pensar. Escrevi no "fale com as nossas paredes" do site deste bar, como amante de boa música que sou, perguntando sobre a possibilidade de ver aqui o que vi em New Orleans no início do ano. E sabem o que recebi em resposta? Isso mesmo: NADA! Nem um "muito obrigada pelo contato, mas gostaríamos que a srta fosse para o inferno com suas sugestões". Nada! Acredito que a mensagem que recebi dizendo que minha sugestão foi enviada, foi apenas protocolar, visto que os caras tão pouco se fodendo para os clientes.
O Aquário de São Paulo e o Zoológico por sua vez, foram contactados por mim a respeito das visitas noturnas a estas instituições, visita à qual prometi levar meus sobrinhos. As crianças estavam comigo quando mandei o email. Assim que enviei e recebi a resposta "sua mensagem foi enviada com sucesso", foi uma alegria geral lá em casa. Sabe como é criança né? Eles já estavam crentes que o envio da mensagem garantia a nossa visita noturna, em tom de completa aventura, aguardada e ansiada pela garotada. Graças a Deus eles até esqueceram o assunto, porque se depender destas instituições, vamos morrer sem receber uma resposta sequer. Os caras não são capazes de responder nem pra falar que NÃO DÁ pra ir na porra do Aquário a noite. 
Ano passado quando fui para Roma, escrevi para o Vaticano para indagar sobre as visitas noturnas à Capela Sistina e adivinhem só??? Eles me responderam!!! Não é incrível?! E me responderam de pronto. Infelizmente não consegui agendar a tal visita, mas ELES ME RESPONDERAM!
A minha conclusão é que este descaso, como tudo de ruim no que se refere a algum ato de consideração com o consumidor aqui no Brasil, só pode cultural!

CARTINHA ESCRITA NA FILA DO INSS

Caro político,
Gostaria que o sr cancelasse um dia de trabalho e viesse ao INSS, retirasse a sua senha de atendimento no guichê e se sentasse aqui, junto com os seus eleitores, para aguardar pacientemente a sua vez de ser atendido.
Depois disso, por favor faça um relato da sua experiência para compartilhar conosco a sua opinião sobre este maravilhoso serviço de merda oferecido à população.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

COMPORTAMENTO CANINO

Então é isso que eu acho interessante, entre tantas outras coisas relativas aos cachorros.
Vou explicar...
Não é novidade para ninguém o quanto eu gosto de cachorros - o bicho (que fique bem claro).
Invariavelmente os cachorros são os temas principais das minhas conversas. Quando não falo sobre cachorros é só esperar um pouquinho porque obviamente eu vou falar.
Pensar em cachorros também é um hobby. Penso nos meus, nos dos outros, nos que não são de ninguém. E penso o tempo todo.
E hoje no trabalho não foi diferente. Conversando com um colega, contamos vários "causos" divertidos, rimos e nos emocionamos. E depois de uma tarde toda, ele acabou me contando que seu cachorro havia sumido. Um poodle, pequenininho. Deixaram a porta aberta...
Fiquei imediatamente emotiva. Ninguém mais achou o bichinho, apesar dos apelos pela vizinhança.
Só quem gosta de cachorros é que vai entender o sentimento contido nesta breve conversa.
E logo depois ele me contou que os cachorros da sua cunhada também haviam sumido. Desta vez eram 3 cachorros, todos de raça, lindos. Sairam pelo portão negligentemente deixado entreaberto. Mas este segundo episódio teve um final feliz: alguns dias depois de sumidos eles retornaram. Os três! Sujos, mas muito felizes, fazendo festa e abanando seus rabinhos como se tivessem cumprido uma missão. Retornaram e entraram em casa como se dali nunca tivessem saído.
Aí eu fiquei pensando... se os cachorros tem tudo, amor, carinho, COMIDA! Por que fogem? Por que saem pelos portões abertos e simplesmente evaporam? E mais uma pergunta: PRA ONDE ELES VÃO COM TANTA DETERMINAÇÃO?
É claro que os planos dos cachorros também podem ser frustrados. Acidentes acontecem, eles podem morrer atropelados na sua determinação, no seu caminho. Podem também ser abduzidos, como aconteceu uma vez com minha primeira cachorrinha, a Edna. Uma boxer linda, enorme e boazinha.
Ficou completamente desaparecida por alguns dias até que a descobrimos no quintal de uma casa vizinha a nossa, algumas quadras distantes. Quando reclamamos o cachorro, o dono da casa disse que agora o cachorro era dele pois ele a havia achado na rua. Bom, até aí ele não estava de todo errado...
Mas me lembro bem do desfecho desta história, quando numa madrugada quente de verão, meu pai veio ao nosso quarto - na época eu dormia no mesmo quarto com minhas irmãs - e munido de uma determinação ferrenha disse: "vamos buscar a Edna!".
Eu tinha 8 anos! Minhas irmãs menores ainda! E saímos, todo o nosso núcleo familiar - mãe, pai e filhas - para resgatar a Edna.
Chegamos na frente da casa do vizinho e obviamente precisamos primeiro acordar a Edna, que veio sonolenta mas feliz ao nosso encontro. E num rápido movimento, meu pai pulou o muro - que estava sendo vigiado justamente adivinha por quem?! - pegou a Edna, passou para minha mãe que a segurou do outro lado do portão, e após muita festa entre crianças e cachorros, voltamos para nossa casa na calada da noite. A família toda reunida outra vez!
Me lembro bem que esta boxer era extremamente agressiva quando estava vigiando o nosso portão. Ela latia e se jogava contra o portão dando impressão que iria comer vivo quem se aproximasse da nossa casa. Muito tempo depois compreendi que ela se jogava contra o portão porque ela queria mesmo era sair! Para a rua. Para fazer não sei o que e depois voltar - se ninguém a sequestrasse.
Uma outra ocasião ela foi abduzida por um garotinho em farrapos que colocou uma cordinha em torno do pescoço da Edna e a estava levando - também não sei para onde. Sem contar da vez que ela foi atropelada e quase morreu. Voltou para casa muito machucada, mas também, depois dessa nunca mais fugiu. Acho que depois do atropelamento, ela foi liberada dos chamados divinos.
Lembro com muito carinho da Edna, minha primeira cachorra. Se ela estivesse viva hoje, teria uns 35 anos. Este ano acendi uma velinha no dia do seu aniversário - 28 de janeiro. Eu sempre penso que quando a gente se lembra, a alma continua viva.
Bom, mas eu não sei mesmo para onde eles vão com tanta determinação. Às vezes penso que eles respondem mesmo a algum tipo de chamado celestial, que têm realmente uma missão. Eles são tão ingênuos, tão inocentes, que seguem firme o seu propósito sem ligar para os perigos do mundo.
Vocês já viram cahorro quando foge? Já repararam que eles parecem saber exatamente para onde estão indo? Tudo bem que eles nem sempre sabem voltar, mas ir, eles vão sem pestanejar.
É claro que existem os que não gostam de sair sozinhos, como minha cachorra Vynna. Tenho uma conexão expiritual com ela e tenho certeza de que ela não foge porque tem medo que fechem a porta e ela não consiga entrar quando voltar. A gente adora ela, mas eu acho que ela pensa isso... é, deve ser isso mesmo. Outra coisa que ela não faz mais é passear com gente que ela não conhece direito, o que me faz passear com ela sempre que posso pois de outro modo ela prefere permanecer em casa. Vai entender.
Na minha opinião sincera ela já cumpriu a sua missão em outra vida, já respondeu a muitos chamados espirituais para fugir e retornar e desta vez está usando esta vida para outros propósitos como, por exemplo, estudar o comportamento humano...
Quem sabe não será esta a evolução natural da espécie...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O LEITOR RUSSO

Sei que deveria escrever mais.
Sempre que converso com algum amigo que lê o que escrevo, sou surpreendida com a mesma pergunta: mas você não vai mais escrever?
Surpreendida sim é a palavra exata, pois até hoje me admiro que alguém leia o que eu escrevo. E podem falar o que quiserem, baixa auto-estima, ausência de valorização do meu ser, falta de olhômero de mim para mim mesma... Podem falar! Eu acho que é realmente admirável que alguém leia o que eu escrevo.
Por esse motivo - o da admiração - tenho que prestar a minha reverência ao meu (ou à minha) leitor (leitora) russo (a)!
Já faz um tempo que acompanho as estatísticas deste blog e observo sempre aqueles gatos pingados, mas ferrenhos!, que me lêem de vez em quando. São gatos pingados anônimos, visto que o programa de estatísticas não informa nome e sobrenome de quem me acessa, mas estão lá! Sempre lá, ocasionalmente.
Ocorre que já há algum tempo tenho visualizado um leito russo. Sempre ele, da mesma região, acessando pontualmente, demorando-se nas páginas, realmente curtindo o blog.
Fico imaginando que nos dias de hoje, com o google translator, deve ser fácil para ele me ler, muito embora ele não consiga me entender pelo uso maneirismos, costumes e muitas vezes algumas gírias que tornam estas leituras bastante locais. Mas não importa! Ele está lá, ou aqui, já não sei mais... 
E tenho mesmo um feeling de que este cara não fala o português. Na minha concepção romântica, este leitor é genuinamente russo. De outra forma, que graça teria? Né?
Ou vocês acham que a ferramenta de estatítica iria me iludir, dizendo que tenho um leitor russo falso? Se a estatística se dá ao trabalho de anunciar um leitor russo, então ele deve ser um verdadeiro, original, quem sabe talvez até uma matrioska!... quem sabe? 
E já que tocamos neste assunto, aí vai a minha definição de matrioska. Sempre quis escrever sobre isso!
Matrioska: boneca em forma de pessoa que se abre em duas partes através de um vasto corte semicircular no abdome, deixando sair uma cópia igualzinha a ela e que provavelmente contém mais cópias idênticas e menores dentro do seu próprio abdome, o que não impede a figura maior de se regenerar imediatamente, com ou sem bonecas de abdomes fendidos em seu interior! Putz, agora sim uma definição exata de matrioska! E só pra acrescentar, além da função lúdica e instrutiva da matrioska, devo prestar aqui o meu mais profundo respeito pela parte bárbara e cruel deste divertimento que resistiu a tantos anos de sofrimento pelas aberturas abdominais e pela recontrução incorreta e degradante praticada por algumas crianças, provocando um sentimento de profunda humilhação - para a boneca em questão. Praticamente um brinquedo de terror.
E para terminar volto ao meu desejo inicial que era o de então agradecer ao meu leitor, o russo:
Obrigada Delanovsky!!!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

OS GUARDAS DE TRÂNSITO

Mais de um mês se passou desde minha última postagem e outro dia mesmo me perguntaram se eu não ia mais escrever, colocar no papel meus devaneios. 
Aí pensei, e continuo pensando diariamente em múltiplas idéias maravilhosas para discutir por aqui, mas com um conteúdo politicamente muito incorreto. São idéias ótimas, que usualmente discuto com meus amigos, mas que quando colocadas no papel, sem as inflexões de voz que nos livram talvez de inimizades eternas, não conseguimos expôr na escrita.
Sempre pensei na escrita como monocórdica. Existem e por vezes usamos o recurso das letras MAIORES ou menores ou muito menores para indicar inflexões. Mas com assuntos tão politicamente incorretos, fica difícil mesmo com estes recursos, escapar de um mal entendido.
E olha que pensei, sobre política, religião, sexo, e muitas outras pautas que gostaria de discutir aqui. MAS NÃO POSSO!!! MERDA!
Então hoje vou dar uma pequena palavra sobre uma coisinha que vem me incomodando há semanas: a falta de sentimentos dos guardas de trânsito.
Outro dia distraidamente passei em um sinal vermelho. Estava cantando uma música e no melhor do refrão não vi que o sinal havia fechado. Também, era uma parte da música que eu tinha que usar as mãos e os pés para representar, o que significa que naquele momento não havia mesmo ninguém no controle do veículo. E olha que eu dirijo bem! Foi apenas um momento...
Mas o que mais me abismou foi o fato de eu não ter sido multada. E tudo isso aconteceu numa fração de segundos bem no nariz de um guardinha de trânsito.
Aí fiquei pensando... se eu fosse um guarda de trânsito eu também não me multaria. Pô, eu tenho sentimentos, e tenho também o meu lado filosófico curioso, que indagaria os motivos.
Eu ia querer saber o por quê daquela infração hedionda, bem embaixo do meu nariz. Por que uma pessoa em sã consciência atravessaria um sinal vermelho, berrando dentro do carro com uma mão na cabeça e a outra segurando o que parecia fazer as vezes de um microfone... os pés aparentemente visíveis através do vidro dianteiro do veículo...?? Pensaria mesmo que esta pessoa NUNCA poderia ser simplesmente multada! Não sem antes me brindar com uma bela explicação. Eu pararia o veículo infrator e iniciaria - com toda a minha autoridade - um questionário. Incontáveis perguntas para satisfazer minha curiosidade! E posso garantir que muito guardinha por aí teria uma vida muito mais saudável se fossem estimulados a interagir. Afinal eles lidam com o público!
Né?!
O problema é que eles não tem coração. Não querem saber! Simplesmente vão lá e multam! Emburrecidos pela lida. Assim como aconteceu um dia - NO MEU ANIVERSÁRIO! - quando fui terrivelmente multada por estacionar 5 minutos num lugar proibido. Achei um absurdo isso.
Ou quando parei o caro num local proibido e peguei um táxi para o aeroporto. A placa de proibido estacionar estava bem atrás da copa de uma frondosa árvore, impossível de ser vista! Mesmo que a placa gritasse, eu nunca ia adivinhar que o grito pudesse vir de um sinal de trânsito altamente colocado acima da minha cabeça. Não vi! Não vi e pronto! Voltei do Rio de Janeiro após 4 dias de um delicioso feriado o qual meu carro passou hospedado num albergue da prefeitura. Lugar horroroso, cheio de carros velhos, muitos deles guinchados injustamente como o meu... Pior é que para me devolver o carro, me fizeram pagar uma tonelada de multas antigas, das quais eu nunca tinha ouvido falar. Resumindo: sequestraram meu carro e pediram um resgate fenomenal, o qual tive que pagar sem ao menos poder discutir cada uma das infrações das quais eu estava sendo acusada. Esse é o problema, a gente não tem nem chance de argumentar! O próprio guinchamento eu achei injusto! Se tivesse um guarda interativo lá onde eu parei, embaixo da árvore com a placa, tenho certeza de que muita energia seria poupada!
Será que o embotamento afetivo é um pré-requisito para ser guarda de trânsito? Nesse caso onde é que eles seriam recrutados? Eu até sei, mas achei boa a pergunta.
Uma coisa realmente é certa: eles - os guardas de trânsito que não interagem - não sabem o que estão perdendo!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CONTINUAMOS SENDO NÓS... NÉ GRETA?

Engraçado que quando alguma coisa não vai bem a gente tende a inventar muitas desculpas para justificar os pretensos acasos. E é uma sorte imensa quando conseguimos realmente acreditar em uma, umazinha que seja, dessas desculpas, porque isso nos poupa o trabalho de re-analizar a situação infinitas vezes. Acreditar numa explicação, mesmo que sem pé nem cabeça, nos tira um peso romanesco das costas.
Uma vez estava conversando com um amigo e ele me disse a coisa mais óbvia e mais difícil de fazer cotidianamente na vida, que é aprender com experiências passadas. Difícil. A gente tende a olhar cada novo acontecimento como sendo... novo! Desvinculado de outras vivências. Não está errado, mas tirando todos os recalques cabíveis, devo admitir que a vida é realmente cíclica. 
As experiências se repetem...
Cometemos os mesmo erros, fazemos as mesmas besteiras e escrevemos invariavelmente sobre as mesmas coisas, afinal de contas, somos as mesmas pessoas. Fora o espírito do Chalita, que desceu num centro e agora habita outro corpo (http://depoiseagora.blogspot.com.br/2012/09/meus-pontos-de-referencia.html).
Conseguimos nos aprimorar um pouco, só para de novo cair nas mesmas armadilhas do nosso subconsciente.
Não dá para evitar isso, né Greta?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MEUS PONTOS DE REFERÊNCIA

Hoje é feriado, o que não me impede - infelizmente - de trabalhar duro no pronto socorro e em um pequeno intervalo aproveitar para rapidamente escrever sobre um tema que tem me assombrado há semanas.
Já sonhei muitas vezes com isso: pontos de referência!
Quando eu era pequena, morria de medo que demolissem as casas que eu utilizava como pontos de referência para alcançar a minha própria casa. Tanto que cheguei a decorar, com detalhes de distanciamento, quantos passos eu teria que dar desde o ponto de ônibus até a porta da minha casa, decorando inclusive quando deveria girar meu corpo uns noventa graus - à direita ou à esquerda - para virar nas esquinas certas. Nunca falhou! Este método dos passos se mostrou inclusive muito mais eficaz do que o das árvores. Antes eu contava as árvores, quantas delas existiam até chegar em minha casa (desde o ponto de ônibus - é claro). Até aí eu contava com a pontaria certeira da equipe do ônibus que deveria saber (sempre saber!) onde ficava o ponto, mesmo que a praia tivesse sido arrancada do calçadão. Cada um neste método tem que se preocupar com seu cada qual. Bom, mas voltando ao método das árvores, este perdeu totalmente sua credibilidade quando houve a invasão dos cupins. Me lembro exatamente quando a prefeitura chegou e retirou as árvores mais afetadas, me fazendo demorar mais de cinco horas pra achar minha prórpia casa, o que me fez trabalhar arduamente para desenvolver a teoria dos passinhos.
Hoje em dia me sinto relativamente mais segura com o GPS, mas... e se tirarem os satélites??? E se um deles quebrar!?? 
Então é isso, esse meu medo de perder minhas referências me deixa deveras preocupada, principalmente à noite, quando sonho com isso com uma frequência romanesca.
Ao mesmo tempo, fico pensando nas minhas referência atuais. Já escrevi aqui sobre religiões e nunca escondi a minha admiração pelo candomblé e o espiritismo. Contando que tudo isso anda extremamente na moda, com difusões televisivas e novelescas sobre o tema, comecei a imaginar rituais e me vieram algumas perguntas.
Eu não entendo muito sobre essas religiões, mas sei que em alguns rituais sempre tem uma pessoa que bebe muito e encarna um espírito de um marinheiro, uma cigana ou de alguém igualmente muito bêbado que faz previsões. E aí eu me pergunto: por que ao invés de um marinheiro ou um pescador, esses seres que recebem os espíritos não encarnam por exemplo um grande executivo da Apple, ou um especialista em nanotecnologia, ou até um grande consultor do mercado financeiro, que, mesmo bêbado!, poderia fazer então grandes previsões sobre o mercado de ações ou sobre investimentos futuros... seria maravilhoso!
Pô, outro dia eu tava numa roda de espiritismo e de repente alguém encarnou o Chalita! Que porra foi aquela? Nem preciso dizer que suspendi minhas incursões por estes terrenos... pelo menos até o Chalita voltar pro seu corpo original. Credo!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O TELEMARKETING E A MERDA

Recentemente tenho sido bastante importunada por ligações telefônicas de telemarketing.
Há alguns anos cadastrei meu celular no PROCON e na ANATEL para não receber mais esse tipo de telefonema, mas de alguma forma alguns telemarketeiros teimam em dizer que não sabiam disso e após explanações extremamente desagradáveis sobre seus produtos, insistências megaloblásticas sobre assuntos os quais não temos nenhum interesse, me pedem desculpas e juram de pés juntos (pelo menos me dá a impressão) que nunca mais retornarão a ligar. O nunca mais deles dura quase uma semana, muitas vezes nem isso, mas é um nunca mais que para mim soa como um período de felicidade e tranquilidade imensas. Alegria logo ceifada por um novo telefonema driblando leis vigentes e quebrando protocolos. Claro que impunemente.
Os telemarketeiros só podem ser enviados do demônio ou da própria morte, porque com o poder que eles têm de nos estressar, vão abreviando minutos preiosos de nossas vidas, com certeza fechando lentamente nossas coronárias ou dilatando algum vaso cerebral que explodirá num futuro toque de telefone.
Hoje, especialmente, durante o jantar em casa, estávamos lembrando deste assunto visto que esta semana foi campeã de telefonemas desnecessários. 
Lembramos como meu tio lidava com este problema, dizendo "você é a fulana da empresa tal???, puxa, que bom que você ligou, eu precisava mesmo falar com alguém...", e destilava toda uma problemática familiar, ameaçando tomar calmantes em excesso e desligando após infinitos momentos, fazendo a mocinha do outro lado da linha prometer que ligaria novamente para saber de sua saúde, o que obviamente nunca acontecia. Meu tio conseguia surtir o efeito desejado de ter seu nome retirado das listas de possíveis compradores, mesmo que para isso simulasse ser um maluco de pedra. Bom, a gente achava que ele estava simulando... Vai saber...
Eu já não tenho esse dom. Quando me ligam, imediatamente, sinto meu sangue ferver e não preciso de muita conversa para elevar a voz e meus batimentos cardíacos. Para me tirar do sério bastam alguns minutos de telemarketing contra a lei, como o que é feito quando algum desses babacas me liga no celular.
Semana passada enfrentei um problema com uma telemarketeira da Porto Seguro que insistia no fato de eu ter um perfil compatível para adquirir o seguro que ela queria me vender. Cara, eu falei mil vezes que não queria e que ela não podia - por lei - me ligar no celular. Mas ela não entendeu, ligou muitas vezes, até eu perder totalmente a paciência e alardear nos meios de comunicação cabíveis sobre o problema. Só assim, recebi um email da Porto Seguro me prometendo que ninguém mais me ligaria para fazer propaganda, o que estão cumprindo, pelo menos até agora.
E eles sempre acertam a hora em que você menos pode atender para efetuar estes disparos na sua saúde.
Ontem por exemplo, ligaram para o meu pai. Numa hora em que ele obviamente não podia atender. Meu pai estava em casa, resolvendo mil problemas, contas a pagar, pendências diversas, quando pelo milhonésima vez ligaram os telemarketeiros do Filtros Europa. O cara, com o discurso pronto, todo decoradinho, insistia em tentar vender um filtro ao meu pai, mesmo sabendo que já temos um filtro destes em casa e que não necessitamos em absoluto de mais outro igual. Depois de várias negativas de meu pai, ainda mantendo a calma, o cara pergunta "mas o que é que o Sr. faz para purificar a água na sua casa?". No que o meu pai, sem a mínima hesitação respondeu com a voz muito calma "ah! eu coloco merda!". E o cara meio desconcertado, na necessidade de dizer algo, logo remendou "mas isso deve fazer mal meu senhor... e a Filtros Europa se preocupa com a saúde da sua família". E o meu pai sem perder a postura, com toda elegância do mundo, levou mais de 10 minutos para expllicar ao rapaz que colocava sim merda na água e que isso deveria sim fazer muito bem à saúde porque ninguém aqui ficava doente.
Muito resignado o cara ouviu toda a explicação e ouviu também meu pai rebater todos os seus argumentos, defendendo ferrenhamente a colocação de merda purificadora na água da nossa casa. 
E fiquei pensando... se mantivermos a calma, podemos nos divertir imensamente com telemarketing. Imagina: não sabemos quando vão ligar e nem por que. Uma atividade que nos pegará, na totalidade das vezes, de surpresa, nos obrigando a exercer nossa habilidade no mundo do improviso. 
É uma fonte inesgotável de boas risadas! Quase igual ao meu cadastro no site de relacionamentos virtuais! Há!
Vou tirar o meu telefone do serviço anti-telemarketing do PROCON! Dependendo do ângulo em que observamos, a diversão pode estar garantida!

domingo, 29 de julho de 2012

Reflexões

Fóruns e debates sempre me despertaram interesse e curiosidade. A comunicação virtual possibilitou interação rápida e certamente enriquece as ideias dos que se propõem a expor seu ponto de vista.
Como uma brincadeira, perguntei a algumas amigas (todas casadas, por sinal) onde poderíamos encontrar “coisas” como cabelos esvoaçantes logo pela manhã, coelhinho da Páscoa, Papai Noel e homem bonzinho (razoável já seria suficiente), sim estas “coisinhas” com as quais toda mulher sonha... ou pelo menos a maioria de nós.

Obtive respostas de todas, resumindo as proposições:

Nos contos de fadas...uma fábula infantil, talvez?
Eu diria que não, não era para ser uma “pegadinha”.

Na infância (cabelo de criança é bonito, coelhinho da Páscoa e Papai Noel sempre vêm, às vezes com fartura, até) e homem bonzinho é o pai.
Sim, só se for o próprio pai...

Talvez com o gênio da lâmpada, o que carece de muita atenção, pois tradicionalmente só se tem direito a três pedidos.
O que escolher!? Como o coelhinho da Páscoa e Papai Noel não existem e alguns outros seres são uma espécie em extinção (eles já existiram?), quem sabe um belo cabelo? Ainda sobrariam dois sonhos de consumo...



NOTA: a brincadeira não é nenhum recalque, não pretende incitar guerra entre os sexos, tampouco visa à alguma vingança pessoal ou coletiva. Pode ser considerada uma brincadeira entre amigas, a mesma coisa entre amigas pouco ocupadas por ocasião do envio de seus emails, o início de uma discussão sobre sonhos de consumo femininos em tempos atuais ou uma singela homenagem ao dia dos Pais!


sexta-feira, 27 de julho de 2012

O LIVRE ARBÍTRIO E O CARRINHO DE PIPOCA

Alguém por acaso acredita em livre arbítrio?
Pois é... já faz um tempo que penso sobre isso. 
E sabe o que eu acho? Que o livre arbítrio não existe. Mesmo.
Claro que com pequenas ressalvas... acredito que a gente consegue mudar algumas coisas escolhendo direções, mas o que tem de ser será, impiedosamente e sem sombras de dúvidas.
Hoje por exemplo ouvi uma propaganda no rádio sobre um espetáculo de balé, de "tirar o fôlego". Deus me livre de assistir uma coisa dessas, alguém já ficou sem ar pra ver como é terrível? Essa é uma figura de expressão tão infeliz, mas tão infeliz, que me fez novamente divagar por este tema, o qual nem gosto muito de repensar. O livre arbítrio.
Eu comecei tanto a achar que as coisas tem a sua hora para acontecer, que invariavelmente me pego olhando para os lados com um complexo persecutório, achando que se for aquela a minha hora, vai aparecer um carro, um disco voador ou um animal não identificado correndo loucamente pela rua a qual atravesso, sem que eu tenha a mínima chance de escapar. 
Mas eu acho isso mesmo. Quantas vezes não atendi gente no pronto socorro, atropelados por exemplo, que não faziam a mínima idéia de onde ou como ou quando havia surgido o veículo que os acertou. 
Uma vez eu mesma fui atropelada por um carrinho de pipoca que - juro! - só pode ter caído do céu. E olha que carrinho de pipoca eu identifico a quilômetros de distância! Esse aí, por um acaso do destino eu não só não enxerguei, como me estabaquei de encontro, espalhando pipoca para todos os lados. E vou te falar mais: o pipoqueiro tinha uma cara bem estranha. Pode ser que ele foi enviado por alguma entidade para se chocar comigo... vai saber. E tem mais uma coisa ainda: eu fui e me choquei com o tal carrinho. Uns 10 minutos depois, quando voltei pelo mesmo caminho, o carrinho de pipoca havia sumido como se nunca tivesse existido por ali. Muito estranho.
A primeira vez em que pensei sobre isso foi quando eu estava no 5o. ano da faculdade de medicina. Eu passava por um estágio na Clínica Médica e me deparei com pacientes e suas doenças em estágios diversos. Jovens, velhos, muito e pouco doentes. E uma coisa que sempre me chamava atenção era o fato de que as pessoas melhoravam e pioravam muitas vezes independentemente do tratamento proposto. A gente estudava, passava visita nos pacientes, revirava as doenças de cima a baixo, mas os que tinham de morrer por exemplo, morriam independentemente de nós. Lembro de um episódio com um paciente o qual um colega de turma era responsável. O paciente em questão sofria de uma doença infecciosa que na época era quase que uma sentença de morte. Pois bem, depois de muitos baixos e sofrimentos, conseguiram por fim estabilizar o doente, um cara jovem, muito humilde, guerreiro que lutava com braveza para sobreviver. Todos estavam muito felizes com a melhora clínica do garoto que já seguia com a alta programada para aquele dia fatídico em que finalmente se engasgou com um fio de macarrão. Spaghetti! Porra, o cara tinha uma doença incurável! E quando a equipe médica conseguiu o impossível, ele se engasgou com o macarrão do seu derradeiro almoço. E morreu! 
Nesse meio tempo eu cuidava de uma senhorinha diabética, com quadro clínico e idade para pensarmos que ela não sairia dessa, e que um belo dia acordou e estava boa. Não curada, mas boa para sair do hospital gritando que não foi dessa vez. 
Incrível mesmo. Não adianta a gente agir ou escolher o caminho. As nossas datas estão marcadas. O que tiver de ser vai ser. Se a gente escolher um tratamento e se livrar de uma doença ou se escolhermos uma estrada e evitarmos um acidente, eu sei - é mórbido!, mas se a gente escolher e mantiver a vida, isso só terá acontecido porque realmente ainda não chegou a hora. Tudo está programado!
O gene que causa uma doença específica tem a sua hora de funcionar, o aneurisma tem a hora certa para explodir, e as pessoas tem as suas horas boas e ruins pré-determinadas desde o momento em que nascem. Aqui eu tô logicamente abordando só as ruins porque dá mais ibope né!
Por isso é que ando na rua e olho para um lado e para o outro, e também para cima por via das dúvidas. As coisas se materializam na nossa frente se tiverem de acontecer. Aquela história de pronto socorro em que o cara fala "nem sei de onde veio o carro que me atropelou", é a pura realidade. Veio do nada, se materializou, apareceu! Estava ali no momento programado.
Igualzinho ao carrinho de pipoca.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

REFLEXÕES DE VIAGEM

Eu tenho fé na humanidade... quer dizer, eu tinha... terei?
É isso mesmo, na verdade eu não sei mais. Tô meio confusa a esse respeito. 
Sempre achei que a humanidade ia salvar o mundo, que as coisas sempre mudariam para melhor, que a gente daria um jeito na fome e no aquecimento global e que alguém faria alguma coisa a respeito de tudo!, mas com o passar dos anos perdi um pouco esse senso de esperança. Fiquei cética, mais cética. Repetindo um conhecido chavão, a esperança não é a última que morre, é a penúltima. Depois dela morre você. E eu tenho de concordar.
Não que eu não ache que as coisas vão melhorar - falando no sentido mais genérico da filosofia eu até que acho... - mas com o passar dos anos eu comecei a pensar que o negócio era correr mesmo cada um por si. Praticamos o bem, fazemos coisas de acordo com a nossa consciência, sem atos ou idéias que agridam nossa maneira de sobreviver. Às vezes ajudamos os outros, às vezes ajudamos a nós mesmos, às vezes só paramos e olhamos. E eu acho que essa é a melhor forma de viver: com a consciência limpa. Cada um com a sua.
Mas o que me levou a pensar nisso foi mais um momento de reflexão que tive em minha viagem de férias.
Fui obviamente visitar muitos monumentos históricos e como qualquer pessoa que imagino interessada, quis saber e entender um mínimo que seja da história dos lugares que fui.
E sabe o que eu percebi? Que as pessoas não mudam! 
No Coliseu por exemplo, cheguei bem cedinho, quase que madruguei. Comprei meu ingresso numa fila até que bem pequena para os padrões locais, e na falta de um guia de carne e osso optei por alugar um audioguide. Na verdade o audioguia é a melhor das invenções para viajantes que não querem perder tempo. 
Pois bem... história vai e história vem, me descobri comentando com minha amiga e minha irmã sobre os detalhes das batalhas dos gladiadores. E depois percebemos que ficamos quase que o tempo inteiro só falando sobre isso. Imaginando como e por onde eles entravam, o que sentiam, como lutavam e como morriam, com ou sem animais envolvidos. E pelos gestos dos turistas a minha volta, o pensamento dos outros também não estava muito longe dalí. 
Aí fui ver o guia de papel que sempre carrego comigo. Esperava obter mais detalhes sobre a construção, arquitetura, modo de vida na época em que este era o palco mais divertido da cidade, e qual não foi minha surpresa ao descobrir que o guia só falava das batalhas. Armas, combates, mortes. E maior ainda a minha surpresa ao me descobrir lendo o guia em voz alta, simulando a batalha como num teatro, assistida por um grupo turístico de língua portuguesa que ao final aplaudiu ferozmente a performance. Minha irmã demorou um pouco pra acordar após o golpe final, mas está tudo bem agora. 
Posso dizer então que o resumo desta empreitada foi que ficamos por quase 3 horas dentro do tal Coliseu só pensando em como funcionava tudo por ali. Depois fomos no Circus Maximus e ao descobrir que lá morreu mais gente do que no próprio Coliseu, ficamos fascinadas. Morreu como? Lutavam como? E o por que não fingiam de mortos para escapar ao combate? Bom, isso era porque os romanos espetavam os corpos mortos com um ferro em brasa para desestimular a prática do fingimento. Terrível né? Mas fascinante.
Por que tanta gente estuda a crucificação? O que leva as pessoas a quererem saber detalhes sórdidos de torturas e santos martirizados?
O UFC não deixa de ser uma versão moderna dos combates ancestrais.
Em Amsterdã por exemplo tinha o Museu Van Gogh, o Rijkmuseum, a Casa deRembrandt, todos repletos de obras de arte, mas adivinha onde o povo estava concentrado? É pessoal! No Museu da Tortura. Imagina o tamanho da fila. Nem fui! E olha, eu tava morrendo de vontade de ir. Pô, tanta coisa bonita pra ver em Amsterdã, e a gente querendo ir no Museu da Tortura! E quando voltei de viagem um amigo ainda perguntou "você foi pra Amsterdã??? E aí!! Foi no Museu da Tortura??? É demais!!!".
Bom, só pra citar mais uma história parecida, uma vez meus pais foram a Tarascon e pegaram a cidade em meio à um Festival Medieval. E adivinha qual a barraquinha mais concorrida entre as tantas armadas para a festa? Isso mesmo: a barraquinha da tortura, onde cidadãos fantasiados como na Idade Média imitavam práticas de tortura medieval, com direito a toda sonoplastia competente. Divertidíssimo, segundo relatos!
A natureza humana não muda mesmo. Suaviza, ameniza, fica novamente agressiva, e se normaliza para depois começar tudo de novo. É cíclico. 
Quanto à mim, já aprendi a comprar entradas de museus pela net. Da próxima vez nada me escapará!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O CHOQUE CULTURAL

Recentemente saí de férias e viajei para a sempre boa e velha Europa.
Eu adoro viajar e viagem à Europa para mim é igual supermercado: eu tenho que ler todos os rótulos, passar por todas as gôndolas e saber exatamente tudo o que está acontecendo, ou no caso da Europa tudo o que já aconteceu por ali, antes de me dar por satisfeita.
O pior é que sempre volto de lá com a sensação de que mais da metade das coisas interessantes aos meus olhos passaram desapercebidas. E, melhor ou pior de tudo, dependendo do ângulo em que se mira a curiosidade, volto sempre sentindo que na próxima viagem vou ter de voltar lá pra ver o que deixei de ver nessa (viagem).
Desta vez viajei no verão europeu. Que delícia! Uma viagem totalmente diferente das outras que havia feito no inverno.
O verão europeu é muito semelhante ao nosso quando se trata de cidades mais ao sul. Já ao norte, o verão é como se fosse nosso inverno. Um calor agradável no sol e um frio da porra na sombra. Muita chuva, tempo cinza, casacos sobre shorts e mangas curtas, colocados e retirados incessantemente no decorrer do dia, ora frio ora quente. Isso não impede porém que a população local se vista de acordo com a estação, levando à risca quando o serviço meteorológico diz que é verão, o que nos leva a ver muita gente de shorts, chinelinhos e mangas curtas num frio que para nós é de rachar os ossos.
Mas o que mais me chamou a atenção desta vez foi a diversidade cultural em meio ao mundo de turistas andando de lá para cá com mapas nas mãos. Isso mesmo, mapas de papel. Embora possamos contar hoje em dia com o conforto de um GPS, não encontrei turistas que usufruíssem do aparelho. Porque, convenhamos, não existe nada mais romântico do que fazer turismo como nos velhos tempos, com um bom mapa de papel e um belo guia pesando quilos, trazido às custas na bagagem de mão, no qual já fizemos anotações para passar o tempo durante o longo vôo de ida. 
É uma emoção chegar a um lugar no qual nunca estivemos e nos deparar frente a frente com monumentos e obras de arte que um dia vimos em gravuras nos livros de história do primário. E olha que para mim é emoção elevada à décima potência, tendo em vista que minha memória é uma merda. 
E eu ainda anoto tudo. Incrível não? Hoje em dia tem o Google e milhões de opções de obtenção de informação na ponta dos dedos - quando estes estão grudados ao teclado, é claro - mas eu acho que não há nada mais gostoso do que ler anotações de viagem e lembrar com detalhes um dia específico ou uma coisa que aprendi visitando algum lugar. 
Geralmente eu leio estas anotações no intercurso de alguma outra viagem, visto que só abro meu caderninho de anotações quando estou realmente viajando. Mas é gostoso mesmo assim.
Bom, voltando à diversidade cultural, é interessante observar a quantidade de turistas como nós, indo e vindo, como formiguinhas desorientadas numa grande metrópole, olhando as coisas com curiosidade e muitas vezes dando a entender conclusões tiradas e explicações que dão uns aos outros, fugindo totalmente do propósito do assunto em questão. Tenho certeza de ter visto um grupo de turistas em Amsterdam procurando informações sobre visualização de baleias nos canais do Rio Amstel. Se bem que Amsterdam não é muito parâmetro né... enfim...
Em Roma por exemplo eu e minha irmã fomos surpreendidas por uma turista indiana, vestida à caráter, que me parecia estar viajando sozinha. Ela e a sua máquina fotográfica. A moça se aproximou da gente e gentilmente perguntou num inglês macarrônico se podíamos tirar uma foto dela em frente ao Coliseu. Minha irmã que é dada a interagir e na maioria das vezes ingenuamente me faz passar verdadeiros perrengues, logo se prontificou e praticamente arrancou a máquina da mão da mulher. Já tomando conta de tudo, indicou à moça o melhor lugar para se posicionar em frente ao monumento colossal, e levou aí alguns minutos procurando o melhor ângulo para clicar o instantâneo digital. 
Pois bem, tudo arranjado, minha irmã muito satisfeita disparou a câmera da indiana e num inglês macarrônico logo chamou a mocinha para apreciar a bela foto no visor microscópico de sua câmera. No que minha irmã perguntou se ela havia gostado da foto, a moça balançou a cabeça látero-lateralmente com um sorriso nos lábios e tentou pronunciar alguma coisa num inglês pior do que o da minha irmã. Bom, bastou isso para a minha irmã novamente arrancar a máquina das mãos da mulher antes que a coitada pudesse tentar gestualmente terminar a frase que estava ensaiando começar com o comentário sobre a foto contido nas palavras a serem ditas.
E minha irmã foi logo dizendo "olha, 'peraí', se não gostou eu tiro outra!". E novamente posicionou a modelo em frente ao gigantesco monumento histórico, clicando em seguida do que supôs ser o melhor ângulo. Pronto! Mais uma vez, chamou a mocinha que toda sorridente olhou para a foto e balançou a cabeça látero-lateralmente, olhando minha irmã nos olhos. 
Nesse momento eu posso dizer que me considero uma pessoa de sorte porque cheguei bem a tempo de evitar um incidente diplomático! No que a mulher - coitada - olhou para a minha irmã e balançou a cabeça, os olhos de minha irmã começaram a faiscar e eu só me dei conta de que havia aí um choque cultural quando a minha irmã salivando ódio e soltando fogo pelas ventas vira pra mim e fala: "mas não é possível que ela não gostou da foto!! eu tirei duas fotos maravilhosas e não tô aqui o dia todo à disposição dessa vaca!! deve ter ficado ruim porque ela é feia pra caralho!! desse jeito não tem fotógrafo que acerta!!". E quando olhei, estava lá a indiana toda sorridente, embora com um sorriso tímido, balançando a cabeça látero-lateralmente para minha irmã. Coitada - da indiana.
Foi aí que me dei conta de que ela tinha gostado da foto e que desde o primeiro disparo ela já tinha se dado por satisfeita, balançando assim a cabeça em sinal de aprovação. Agradeci então a moça por ter gostado da foto, peguei minha irmã pelo braço e fomos embora antes que ela batesse na pobre mulher, viajando sozinha, coitada de novo. Deu o azar de pedir uma foto pra gente!
E isso só não foi pior do que o dia em que minha irmã, querendo comprar um depilador à bateria, me fez perguntar em inglês para a mulher do caixa da loja se o depilador também fazia massagem. A caixa, uma senhora gorda e loira olhou pra mim e soltou um "uáuuuuuu", antes de me direcionar pra uma sex shop.
E minha irmã tem então uma dívida eterna comigo por causa deste segundo episódio. EU AINDA ME LEMBRO DISSO VIU DANIELA!